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Received — 28 October 2026 ⏭ Jornal do Algarve

Mobilidade será dos “maiores desafios” do Grande Prémio de F1 no Algarve em 2027

By: LUSA
28 October 2026 at 12:01

O responsável das operações de segurança no Autódromo Internacional do Algarve (AIA), João Oliveira, reconheceu hoje que a mobilidade será um dos “grandes desafios” da organização do Grande Prémio de F1 que acontecerá em junho de 2027.

“É um dos nossos grandes desafios, porque não temos comboio, nem metro, temos uma única via principal com duas faixas de rodagem para chegar ao AIA, mas só uma para sair, e temos 12 mil lugares de estacionamento, que será reduzido, para receber os mais de 100 mil espetadores que estão previstos”, reconheceu João Oliveira.

Este responsável falava no painel sobre “Grandes eventos – F1” no decorrer da quarta edição do S4 – Congresso Internacional Safety, Security, Service at Sports Events (proteção, segurança, e acolhimento em eventos desportivos, tradução livre), que termina hoje em Viseu, organizado pela Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência o Desporto (APCVD).

Este painel contou também com o consultor de planeamento de segurança no Comité de Operações de Segurança e Proteção, no Qatar, Gennadii Korolenko, que, deu como exemplo os grandes eventos realizados naquele país que se prepara para acolher os Jogos Asiáticos em 2030 e candidatou-se a receber os Jogos Olímpicos de 2036.

“Temos uma rede de transportes públicos que na altura do evento é alargada e funciona durante mais horas e temos também um serviço de táxis que trabalha para nós para transportar espetadores diretamente ao evento”, adiantou Gennadii Korolenko.

Uma realidade que não existe no Algarve e, também por isso, João Oliveira alertou para o espetador ter “atenção na hora da compra do bilhete há a opção de reservar” o transporte público que funcionará no decorrer do grande prémio.

João Oliveira avisou que aquando da compra do bilhete, por defeito, não adquire bilhete de transporte e depois terá de estacionar em Portimão ou Lagos, exemplificou.

“O transporte coletivo vai ser privilegiado, até pela sustentabilidade. O transporte individual como Uber ou táxi nem tanto, porque vai ter de deixar os passageiros mais longe, não vai ter acesso ao interior do AIA”, adiantou.

O recinto tem espaço para 12 mil estacionamentos e “será reduzido até sete a oito mil, para pilotos, convidados da F1 e jornalistas e para os autocarros estarem” e as vias de ligação ao AIA “será condicionado ao transporte público” para o evento.

“Estamos a prever 184 autocarros no domingo para transportar 62 mil espetadores, porque esperamos até 105 mil pessoas, já a contar com pilotos, profissionais da F1 e convidados”, indicou.

Ou seja, disse, “é o dobro de espetadores do que recebe o grande prémio de Moto GP” no AIA, que ainda tem “uma característica diferente” já que “muitos vão de mota e isso permite mais flexibilidade”.

Habitação: Meia centena protesta em Faro e afirma não ter medo da polícia

By: LUSA
28 October 2026 at 09:22

Cerca de meia centena de pessoas concentrou-se ontem em Faro em defesa da habitação, afirmando não ter medo da polícia, numa alusão à ação policial do último fim de semana em manifestações em Lisboa e no Porto.

“Não temos medo daquela vergonha que mandaram fazer em Lisboa e no Porto”, proferiu uma das manifestantes através de um altifalante, apelando à participação nas próximas ações que estão a ser preparadas pela Plataforma Algarve em Resistência.

Usando da palavra, outro manifestante aproveitou para criticar também a resposta “desproporcionada” das forças policiais no fim de semana, quando a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação nas duas maiores cidades do país.

“Não é de que lado está a razão, é de que lado está a lei, e a lei está do nosso lado”, frisou, arrancando aplausos dos outros participantes na manifestação, que decorreu durante cerca de uma hora em frente à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve.

Os manifestantes empunhavam cartazes onde se podia ler “Ordenado mínimo, mas a renda é máxima”, “PSP – Policia de Segurança Privada”, “Só queríamos habitação, agora queremos revolução” ou “Nasci cá, cresci cá. Porque não posso viver cá”.

Durante o protesto, foi feito um apelo à mobilização de amigos e familiares às próximas ações, assim como à manifestação marcada para 14 de novembro, que percorrerá as ruas desde o Liceu de Faro até à Doca.

Os participantes na manifestação entoaram ainda palavras de ordem como “A habitação é um direito, sem ela, nada feito”, “Estamos fartos de escolher pagar casa ou comer”, “Somos todos antifascistas” ou “A habitação é para morar, não é para especular”.

Em Faro, já decorreram vários protestos e manifestações, mas ainda não houve montagem de tendas desde o início dos protestos a nível nacional.

Para quarta-feira está prevista uma assembleia popular às 17:00, no mesmo local, e a constituição de grupos de trabalho para a definição de propostas.

A concentração de hoje foi marcada pelo movimento Algarve em Resistência, um grupo de coletivos que tem promovido manifestações pelo direito à habitação na região.

Durante a madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.

Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.

Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 33 detidos por desobediência. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais que aconteceram na madrugada de domingo em Lisboa e no Porto. Também a provedora de Justiça pediu à PSP, com caráter de urgência, informações sobre a carga policial na madrugada de domingo sobre os manifestantes.

Os partidos de esquerda criticaram a intervenção policial e pediram esclarecimentos ao primeiro-ministro e a intervenção do Presidente da República, António José Seguro.

O chefe de Estado apelou ao diálogo sobre a habitação “e nunca à violência”, afirmando que não gostou das imagens que viu, mas que aguarda o resultado dos inquéritos sobre a atuação policial sobre manifestantes.

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos “verdadeiramente acessíveis” à renda.

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