O desastre de 1940 que fez uma ponte virar ‘vela no vento’ e obrigou a engenharia a criar pistas com formato de asa
Em 1940, nos Estados Unidos, uma pista fina e comprida colapsou após entrar em um movimento contínuo de torção provocado por ventos de cerca de 60 km/h. O impacto do ar atuou sobre a estrutura horizontal como uma vela no vento, aumentando progressivamente a oscilação até a ruptura.
O evento na Ponte de Tacoma Narrows, ocorrido no estado de Washington, nos Estados Unidos, marcou a história da engenharia civil e forçou a reformulação no projeto de grandes travessias, resultando na criação do tabuleiro aerodinâmico com bordas afinadas no formato de asa.
O efeito da aerodinâmica em grandes estruturas
Antes do acidente, o desenvolvimento focava no suporte a cargas verticais e no uso de cabos de aço em leque (estais) para sustentar o peso da pista sobre rios de até 1 km. No entanto, a queda da estrutura demonstrou que superfícies planas e oferecem grande resistência frontal à passagem do ar.
Para evitar a retenção do vento, os projetistas alteraram o perfil das pistas. Ao afinar as bordas na forma de asa de avião, o ar passou a fluir sobre e sob a estrutura sem gerar turbulência. A alteração reduziu a pressão exercida pelas rajadas e eliminou movimentos de torção.
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Salvaguardas físicas em pontes estaiadas
A adoção do tabuleiro aerodinâmico passou a compor um conjunto de soluções físicas integradas.
Entre as tecnologias aplicadas estão as juntas de dilatação com dentes de aço, projetadas para absorver variações térmicas que fazem uma pista de 1 km expandir até 40 cm do frio para o calor, e aparelhos de apoio de borracha, que evitam o desgaste pelo atrito sobre os pilares.
Adicionalmente, ilhas de pedra (defensas) passaram a ser posicionadas no entorno das bases para bloquear colisões de navios desgovernados.
*Publicado por Beto Souza da CNN Brasil