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Fundos europeus ajudaram a financiar estágios para 198 mil pessoas

29 October 2026 at 12:10

Os fundos europeus ajudaram a financiaram estágios profissionais para 198 mil pessoas desde 2014, com uma taxa de empregabilidade de cerca de 70%. O balanço foi anunciado esta quinta-feira pelo programa Pessoas 2030.

Os estágios profissionais são uma medida de política ativa de emprego implementada pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e apoiada pelo Pessoas 2030, programa que integra o Portugal 2030, com financiamento do FSE+ e do Estado Português”.

O objetivo desta iniciativa é facilitar a entrada no mercado de trabalho, “promovendo a transformação de qualificações em oportunidades de integração profissional sustentável e de qualidade”. Representa também uma oportunidade para as empresas atraírem e captarem talento.

Ora, desde 2014, 198 mil pessoas beneficiaram destes estágios cofinanciados por fundos europeus e 72.396 entidades empregadoras beneficiaram de apoios para acolhimento de estagiários ao abrigo desta medida, com um impacto particularmente expressivo na região Norte.

“O impacto da medida reflete-se também na integração profissional dos participantes após o fim do período de estágio, com uma taxa de empregabilidade de 70%“, é destacado em comunicado.

No total, os estágios profissionais implicaram um investimento de 1,1 milhões de euros, dos quais 999 milhões provenientes de fundos europeus.

“Podem beneficiar de Estágios Profissionais as pessoas desempregadas inscritas no IEFP, nomeadamente jovens, adultos e públicos específicos, nas condições previstas nestas medidas ativas de emprego. Os estágios podem realizar-se em entidades privadas com ou sem fins lucrativos, incluindo empresas, associações, ONG e empresários em nome individual, desde que cumpram os requisitos aplicáveis“, é ainda sublinhado na nota enviada às redações.

Mercado de trabalho estável. Taxa de desemprego mantém-se em 5,6%

29 October 2026 at 11:15

Em setembro, pelo segundo mês consecutivo, a taxa de desemprego situou-se em 5,6%, de acordo com os dados divulgados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Já a população empregada aumentou face ao ano passado, mas diminuiu em comparação com agosto, totalizando agora cerca de 5,3 milhões de pessoas.

“A taxa de desemprego situou-se em 5,6%, valor igual ao do mês anterior, mas inferior ao de três meses antes (0,1 pontos percentuais) e do mês homólogo de um ano antes (0,3 pontos percentuais)“, informa o gabinete de estatísticas, num destaque publicado esta manhã.

Deste modo, o desemprego registado em Portugal manteve-se em mínimos de 2002, sendo que, no total, no nono mês do ano, havia 313 mil pessoas desempregadas em Portugal, isto é, sem trabalho, mas a procurar ativamente uma nova oportunidade e disponíveis para preencher uma vaga de emprego. São menos 16,3 mil pessoas do que há um ano.

Há, contudo, diferenças etárias a assinalar. Enquanto a taxa de desemprego de adultos ficou, pelo terceiro mês consecutivo, em 4,6% (o valor mais baixo desde abril de 2002), a taxa de desemprego dos jovens foi de 19,1%, mantendo-se como um dos “entorses” do mercado de trabalho nacional.

Por outro lado, a população empregada aumentou 0,6% (cerca de 32 mil pessoas) em comparação com o mês de setembro de 2025. Encolheu, no entanto, face a agosto de 2026. Em causa está um recuo de 0,1%, o que significa que, no total, havia cerca de 5,3 milhões de pessoas empregadas no país em setembro.

O INE realça que, após ter atingido em maio o valor mais elevado desde fevereiro de 1998, a população empregada (e a respetiva taxa de emprego) tem diminuído desde então, mês após mês.

Ora, com esta evolução do emprego e do desemprego, a população ativa diminuiu 0,2% em cadeia, mas aumentou 0,3%, abrangendo agora em torno de 5,6 milhões de pessoas. “Em setembro de 2026, a população ativa diminuiu pelo quarto mês consecutivo após o valor máximo observado em maio do mesmo ano”, destaca o INE.

Já a população inativa aumentou tanto em cadeia, como em termos homólogos (0,6% e 1,2%, respetivamente), para quase 2,5 milhões de pessoas.

O INE acrescenta, no destaque publicado esta manhã, que a taxa de subutilização do trabalho situou-se em 9,6%, valor igual ao do mês anterior e inferior ao do mesmo mês de 2025 em 0,4 pontos percentuais.

(Notícia atualizada às 11h37)

Prolongar prazo não basta. Empresários pedem apoio para resgates ao Fundo de Compensação do Trabalho

29 October 2026 at 06:37

Com 434 milhões de euros por levantar e apenas dois meses para as empresas o fazerem, já está consensualizado que será preciso prolongar esse prazo, anunciou o Governo. É uma medida positiva, mas não basta, avisa o presidente da Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção (ANIVEC) em conversa com o ECO. César Araújo deixa claro que é preciso que a Segurança Social dê mais apoio aos empresários e que os constrangimentos informáticos sejam resolvidos.

“Tenho recebido algumas preocupações de vários empresários, que estão há meses a tentar aceder ao FCT e o sistema não valida o ficheiro. Têm mudado pontos para vírgulas, e vírgulas para pontos e vírgulas. O pior é que a Segurança Social não tem apoio às empresas“, relata o responsável.

César Araújo revela também que, quando o pedido é submetido, é preciso esperar para que o sistema indique se há erros ou não, e este só aponta uma falha de cada vez, obrigando a que a submissão seja feita múltiplas vezes até que se consiga, efetivamente, resolver todos os pontos e, assim, atingir o sucesso.

“O Estado devia pôr um call center a dar respostas aos empresários. Isto é dinheiro das empresas, nem devíamos ter esta burocracia, mas, uma vez que existe, tem de haver alguém a apoiar os empresários na submissão”, salienta o presidente da ANIVEC, que reforça que o alargamento do prazo é positivo, mas “só por si” não resolve o problema.

É preciso que haja um manual e que se indiquem os erros todos de uma vez. É preciso que haja uma linha de apoio aos empresários.

César Araújo

Presidente da ANIVEC

“É preciso que haja um manual e que se indiquem os erros todos de uma vez. É preciso que haja uma linha de apoio aos empresários“, assegura César Araújo, que avisa que, sem resolver estas questões, no fim do novo prazo (que ainda está por decidir) ainda haverá muitas empresas sem conseguir resgatar os seus saldos.

Criado durante a troika com o objetivo de cobrir parte das compensações por despedimento, o FCT foi alimentado, durante vários anos, com contribuições dos empregadores. Até que em 2023, com a entrada em vigor da chamada Agenda do Trabalho Digno, as empresas deixaram de ter de fazer descontos e, a partir de fevereiro de 2024, passaram a poder resgatar os milhões que aí estavam acumulados.

O processo foi definido ainda pelo Governo de António Costa, em negociação com os parceiros sociais, e prevê que os empregadores podem avançar com levantamentos pelas seguintes razões: financiamento de qualificação e formação certificada dos trabalhadores; apoio aos custos e investimento com habitação dos trabalhadores; apoio a outros investimentos de interesse mútuo para empregador e trabalhadores (como refeitórios e creches); e ainda compensações por despedimento.

Está ainda estabelecido que as empresas cujo saldo global seja inferior a 400 mil euros podem solicitar a mobilização até duas vezes, independentemente do valor de cada um dos levantamentos. Já as que têm um saldo global igual ou superior a 400 mil euros podem fazer até quatro resgastes.

Neste momento, está previsto que os resgastes devem ser feitos até 31 de dezembro deste ano, e que os saldos sobrantes revertem para o Fundo de Garantia de Compensação do Trabalho. No entanto, o Governo já sinalizou que o prazo será prolongado, tendo em conta que a maioria das verbas (434 milhões de euros dos cerca de 600 milhões de euros disponíveis originalmente) ainda está por levantar.

Aos jornalistas, a a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho explicou, contudo, que ainda não está decidido qual será a duração desse adiamento, sendo que tanto as confederações empresariais como a UGT defendem um prolongamento de seis meses.

Os empresários defendem também que até a um certo montante (por exemplo, mil euros) seja possível apenas levantar os fundos, sem ter o canalizar para os fins específicos já mencionados.

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