Halloween traz pouca doçura para o negócio das fabricantes de chocolate

“Doçura ou travessura?” Quando se ouvir esta frase esta noite, 31 de outubro, há o risco de as crianças ficarem desiludidas com o que vão levar no saco. Com os preços do chocolate mais caros, os consumidores norte-americanos estão a gastar bem menos em doces do que nos últimos halloween. Bolachas de quinoa e arroz, pipocas e snacks mais saudáveis estão a ganhar espaço nas prateleiras dos supermercados e nas casas dos norte-americanos.
As vendas de chocolate neste halloween baixaram 33,1 milhões de dólares nas nove semanas terminadas a 17 de outubro, face ao período homólogo, a maior quebra em pelo menos três anos, segundo dados citados pela Reuters. A descida do consumo foi liderada pelo chocolate de leite, enquanto as vendas de chocolate branco e a procura por chocolate negro subiu.
O aumento do custo de vida é um dos grandes desafios para as fabricantes de chocolate, como a Hershey ou a Mondelez, com os consumidores a darem prioridade à compra de outros produtos.
Além dos preços mais elevados, o negócio do chocolate está a ser pressionado pelas mudanças nos hábitos de consumo, com as pessoas a procurarem soluções com menos açúcar e outros snacks alternativos aos doces tradicionais.
De acordo com um relatório da fabricante dos chocolates Reese’s, a Hershey, e da empresa de análise de dados Morning Consult, publicado em agosto, dois terços dos pais já tinham comprado guloseimas para o Halloween durante o verão.
A fabricante de chocolate reviu em baixa a sua meta de crescimento para as vendas para este ano, com o CEO da Hershey, Kirk Tanner, a afirmar, esta quinta-feira, que a empresa precisava que os consumidores “aparecessem” nos últimos dias, que descreveu como cruciais, antes do Halloween.
A forte subida dos preços do cacau obrigou os fabricantes de confeitaria a aumentar os preços ao longo dos últimos três anos. No entanto, a matéria-prima caiu para menos de 3.000 dólares por tonelada, face ao máximo histórico de 12.000 dólares registado em 2024.
O diretor financeiro da Mondelez International, Amit Banati, também admitiu, em declarações feitas esta quinta-feira, que o impacto da descida dos custos do cacau começava a sentir-se, depois de a dona da Cadbury ter registado volumes estáveis na América do Norte e um aumento de preços de 1,6% no terceiro trimestre.
O crescimento trimestral da Mondelez foi impulsionado mais pelo volume do que pelos preços, pela primeira vez desde o final de 2021. O diretor de operações, Luca Zaramella, afirmou que a empresa seria muito seletiva na definição dos preços, à medida que procura proteger a sua quota de mercado e manter a dinâmica dos volumes.
Snacks saudáveis e opções com menos açúçar
As escolhas mais saudáveis também estão a transformar as prateleiras de doces. “Os consumidores estão a fazer escolhas muito diferentes em termos de tamanho das embalagens, preço e produto“, afirmou Chris Costagli, responsável pelas análises sobre alimentação e bebidas não alcoólicas da NIQ e vice-presidente de análise estratégica, citado pela Reuters.
As vendas de embalagens pequenas aumentaram 24% em valor, enquanto todos os formatos de maior dimensão registam uma quebra. “Estamos a assistir a um aumento dos doces com alegações de ausência, baixo teor ou redução de açúcar […], bem como ao crescimento das vendas de bolachas de arroz e milho para o Halloween, em formato pequeno, snacks cobertos de iogurte, barras e pipocas prontas a consumir”, refere Sally Lyons Wyatt, vice-presidente executiva global e consultora principal para as áreas de bens de consumo e restauração da Circana.
Para responder às mudanças no consumo, a Mondelez anunciou esta semana a aquisição da Undercover Snacks, cujas bolachas crocantes de quinoa cobertas de chocolate são comercializadas sob o lema “ingredientes saudáveis disfarçados”.
Já a Chobani, fabricante de iogurtes, está a promover o seu creme para café Ube Sweet Cream, uma edição especial de Halloween, com a mensagem “sem ingredientes assustadores“. “As pessoas estão cada vez mais atentas ao que os seus alimentos contêm — ou não contêm”, conclui Niel Sandfort, diretor de inovação da empresa.