❌

Normal view

Trump diz que Lula pediu que ele não tomasse partido na eleição brasileira

29 October 2026 at 15:12

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a dizer que as eleições brasileiras foram uma vergonha nesta quinta-feira (29) depois de duas declarações semelhantes nos últimos dias, e que não tomou partido durante a campanha a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O país até agora não parabenizou ou reconheceu oficialmente a vitória de Lula à reeleição.

Trump disse que achou a eleição “uma grande vergonha para o povo do Brasil”, mas que conversará com o petista em breve.

“Eu assisti à eleição. Não tomei partido. Deixei como estava. Fui orientado a não tomar partido pelo presidente, o atual presidente [Lula]”, afirmou ele ao ser questionado por jornalistas. “Mas quando vi o que aconteceu no Brasil, foi uma desgraça. Bem, o mercado diz isso. Quer dizer, o mercado deles despencou. Achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil.”

Não interferência

O presidente Lula disse, em entrevista à âncora da CNN Christiane Amanpour em setembro, que Donald Trump o comunicou que não pretende interferir nas eleições do Brasil.

“Ele [Donald Trump] já disse para muita gente, para muita gente, sabe, que ele não vai se envolver nas eleições brasileiras. E é bom que seja assim. É bom que seja assim”, destacou Lula. “É esse o papel que eu espero de um presidente da República. Esse é o meu comportamento”, acrescentou.

“As eleições dos Estados Unidos é um problema do povo americano. Quem ganha é ela e quem perde é ela. As eleições do Brasil é um problema do Brasil. Quem ganha é ela e quem perde é ela”, prosseguiu.

O chefe do Planalto relatou ter pedido que Trump não interferisse no pleito de outubro pra não acabar com a relação “sofisticada” entre o Brasil e os EUA.

“Eu já disse ao presidente Trump, é o seguinte, é muito importante que os Estados Unidos não se metam nas eleições do Brasil”, disse Lula.

“É muito importante, porque nós temos uma relação diplomática de 203 anos, é uma relação muito sólida e o Brasil não é um país anti-americanista. O Brasil tem uma relação muito sofisticada com os Estados Unidos. E eu já disse, é importante que vocês não se metam nas eleições do Brasil, como eu não me meto nas eleições de vocês”, continuou.

Em relatório enviado no fim de agosto ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) alertou sobre possibilidade de influência dos Estados Unidos no pleito de outubro. A chance de interferência, segundo a agência, aumentou para um “nível de criticidade”.

O relatório cita documentos do governo norte-americano entre novembro de 2025 e maio de 2026. Conforme a Abin, há uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e uma “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA”.

Em atualização*

Departamento de Estado dos EUA diz à CNN que emitirá vistos para Flávio

27 October 2026 at 21:11

O Departamento de Estado dos Estados Unidos emitirá vistos para Flávio Bolsonaro (PL) e seus familiares, além de permitir a entrada deles no país, segundo confirmou um alto funcionário do órgão à CNN Brasil.

“O Departamento de Estado emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitirá a entrada deles nos Estados Unidos”, afirmou o funcionário.

Aliados do senador e candidato derrotado à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmaram, nesta terça-feira (27), que o político fugiu do país com a família em direção aos Estados Unidos. A informação também foi confirmada por autoridades americanas à agência de notícias Reuters.

A decisão acontece após a PF (Polícia Federal) solicitar a entrega dos passaportes do senador na segunda-feira (26).

Ainda na manhã desta terça, a PF acionou autoridades argentinas sobre um eventual risco de fuga de Flávio. O senador teria até as 11h para entregar os documentos à PF, segundo determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), o que não ocorreu.

Com isso, a corporação cancelou tanto o passaporte comum como o diplomático, destinado a autoridades, levando a uma restrição aos documentos nos portos e aeroportos ao redor do mundo nos sistemas de migração.

O STF determinou a entrega dos passaportes e seus cancelamentos após receio de fuga por parte de investigadores da PF que tocam o inquérito contra Flávio por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

A medida também se baseou na fala do irmão Eduardo Bolsonaro, que disse em uma entrevista na internet que apoiava a saída do Brasil de Flávio caso ele perdesse as eleições presidenciais, como ocorreu no domingo (25).

Segundo apurou a CNN, até agora, porém, o governo brasileiro não tem informações de que o senador esteja no Brasil.

Mais cedo, aliados e a própria defesa de Flávio Bolsonaro, ouvidos pela CNN, não sabiam do paradeiro do senador. Os advogados afirmaram que o último contato teria ocorrido às 16h30 desta segunda e que deveriam encontrar o senador nesta terça para recolher os passaportes.

O site argentino Infobae publicou nesta terça que o candidato derrotado nas eleições havia cruzado a fronteira entre Brasil e Argentina em um voo privado. Informação não confirmada até o momento.

O sumiço do senador tem gerado incômodo entre os próprios aliados. A avaliação de membros do PL (Partido Liberal) é de que especulações sobre uma possível fuga do Brasil são negativas para o bolsonarismo.

Políticos próximos ao senador o cobram para gravar um vídeo ou soltar uma nota para esclarecer a situação. Aliados relataram à CNN que procuraram pelo senador após o início das especulações, mas afirmam não ter notícia de Flávio.

Além disso, o governo de Javier Milei negou que Flávio tenha entrado na Argentina. O Ministério da Segurança, responsável pelo departamento de Imigração e pela Polícia de Segurança Aeroportuária, afirmou para a reportagem que o ex-candidato do PL não entrou, nem pediu para entrar no país.

“Não tem nenhum pedido de asilo e não há nada mais para acrescentar [quanto a isso]”, disse em coletiva de imprensa o porta-voz da Casa Rosada, Adrián Ravier, à CNN Brasil.

No fim da manhã desta terça, a Casa Rosada também informou em comunicado que a Direção Nacional de Migrações “não registrou qualquer entrada de Flávio Bolsonaro na República Argentina”.

“Em razão da repercussão midiática sobre a presença de um avião privado no Aeroporto Internacional de Iguazú, as autoridades procederam com os controles correspondentes à aeronave e à tripulação”, acrescentou o texto.

 

❌