Marine Tondelier, secretária nacional do partido francês Les Écologistes, saiu em defesa de Kylian Mbappé, depois da polêmica provocada pelas declarações do atacante do Real Madrid sobre Mao Tsé-Tung.
“Kylian Mbappé tinha toda a razão ao qualificar Mao Tsé-Tung como ditador. As dezenas de milhões de mortos pelos quais Mao é responsável e a natureza totalitária do seu regime são confirmadas por todos os historiadores”, escreveu Tondelier, que defendeu que o jogador não expressou uma opinião, mas sim fatos históricos.
“Ceder sistematicamente às pressões econômicas da China é um sinal de fraqueza. É admitir que aquilo em que acreditamos tem menos valor do que aquilo que temos para vender”, acrescentou.
A rápida queda de popularidade de Kylian Mbappé na China, após declarações sobre Mao Tsé-Tung, seguiu um roteiro já conhecido no país: indignação nas redes sociais, afastamento de empresas, restrições em plataformas digitais e intervenção oficial.
Em menos de 24 horas após viralizar um trecho de podcast no qual o capitão da seleção francesa se referiu a Mao como “um cara qualquer — acho que ele é um ditador chinês”, patrocinadores como Mengniu Dairy, Shanghai Milkground e a fabricante de bebidas energéticas Eastroc encerraram suas parcerias com o atacante do Real Madrid.
Mbappé pediu desculpas após meme de Mao Tsé-Tung • Reprodução
A emissora estatal CCTV retirou do ar publicidade relacionada a Mbappé, enquanto plataformas chinesas de redes sociais restringiram o acesso às contas do jogador. Mbappé pediu desculpas na terça-feira e classificou suas declarações como “infelizes”.
A velocidade das consequências é familiar para empresas, marcas e celebridades com negócios ou exposição no mercado chinês. Segundo analistas, o episódio é mais um lembrete de um risco comercial que continua difícil de administrar, apesar de anos de controvérsias semelhantes.
Marcas estrangeiras já enfrentaram repetidamente fortes reações do público na China. Entre os episódios estão o cancelamento do desfile da Dolce & Gabbana em Xangai, em 2018; os pedidos de desculpas de Versace, Dior, do grupo LVMH, e Coach, da Tapestry, em 2019; além dos boicotes contra H&M, Nike e Adidas relacionados ao algodão de Xinjiang.
A NBA também enfrentou consequências no país depois que um dirigente do Houston Rockets manifestou apoio ao movimento pró-democracia de Hong Kong, episódio que provocou um rompimento com a CCTV.
Embora os detalhes variem em cada caso, o padrão costuma ser semelhante: uma declaração, imagem ou posicionamento ganha força nas redes sociais, parceiros comerciais passam a ser pressionados a reagir e os danos à reputação rapidamente superam a dimensão da ofensa original.
“Você não precisa pensar como um chinês para ter sucesso na China, mas precisa entender como o público chinês vai reagir e as implicações culturais de não fazer esse autocontrole”, afirmou Michael MacRitchie, fundador do MGI Group, empresa que conecta celebridades internacionais a marcas chinesas.
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Mbappé não participou do primeiro jogo do Real Madrid no Mundial • Maria Gracia Jimenez/Soccrates/Getty Images
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Mbappé comemora um de seus gols pelo time merengue • Divulgação/Real Madrid
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Mbappé comemora gol contra o Celta de Vigo pelo Espanhol • Divulgação/Real Madrid
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Mbappé em treino do Real Madrid • Divulgação/Real Madrid
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Mbappé comemora seu hat-trick contra o Manchester City • M Gracia Jimenez/Soccrates/Getty Images
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Mbappé comemora o gol que marcou contra a Atalanta, antes de sofrer uma lesão • Reprodução/X @realmadrid
Uma questão de respeito
Uma das principais questões em episódios desse tipo é determinar até que ponto a reação representa uma indignação genuína da população e quanto dela é amplificada pela mídia estatal, pelas plataformas digitais e por agentes oficiais.
O caso Mbappé ilustra como essa distinção pode ser difícil de estabelecer. À medida que a controvérsia avançava, as declarações originais sobre Mao estavam, em grande parte, inacessíveis na internet chinesa, submetida a forte censura.
Com isso, muitos consumidores tiveram mais contato com notícias de que patrocinadores haviam abandonado Mbappé e de que veículos oficiais o estavam condenando do que propriamente com aquilo que o jogador havia dito.
“O que tivemos nesta situação foi, até certo ponto, uma indignação fabricada”, afirmou Mark Dreyer, analista esportivo e autor de “Sporting Superpower”, livro sobre as ambições esportivas da China.
Ainda assim, Dreyer considera imprudente que ligas, clubes e atletas subestimem as reações que episódios como esse podem provocar.
“Eles não podem parecer estar dando uma orientação explícita aos jogadores para que não digam nada que possa ofender a China”, afirmou. “Claro que, nos bastidores, tenho certeza de que as pessoas estão sendo orientadas: apenas tenham cuidado, sejam sensatas e estejam cientes de que esse tipo de reação pode acontecer.”
Zak Dychtwald, fundador da BridgeWorks Global, consultoria que assessora organizações multinacionais, afirmou que, embora controvérsias desse tipo continuem relativamente comuns, elas podem ser evitadas.
“Se você participa desse mercado, existe a expectativa de que respeite a narrativa que a China constrói sobre si mesma e tenha uma compreensão básica sobre ela. A educação sobre as linhas vermelhas deve estar na base de tudo”, afirmou.
Linhas vermelhas nem sempre são claras
Outro desafio para marcas, ligas e celebridades é que, embora as chamadas linhas vermelhas políticas e culturais da China sejam amplamente conhecidas, elas raramente são definidas de maneira clara.
Essa incerteza pode incentivar empresas e parceiros comerciais a se distanciarem de figuras envolvidas em controvérsias antes mesmo que a dimensão de uma eventual ofensa esteja totalmente estabelecida.
“Não existe uma regra escrita em preto e branco sobre o que ultrapassa o limite”, afirmou Wei Kan, fundador da consultoria Conduit Asia.
Segundo ele, esse limite muda dependendo “de como os consumidores se sentem, do clima mais amplo da sociedade e de como plataformas e veículos de comunicação amplificam uma história”.
Para empresas estrangeiras, as sensibilidades da China já não deveriam ser uma surpresa. Ainda assim, analistas afirmam que riscos políticos e culturais muitas vezes continuam sendo tratados como questões secundárias, em vez de perigos comerciais rotineiros.
MacRitchie afirmou que sua empresa inclui cláusulas comportamentais e de reputação em contratos de publicidade. Outros especialistas apontam treinamentos específicos para cada mercado, preparação para entrevistas e planejamento de resposta a crises como mecanismos cada vez mais necessários, e não apenas precauções opcionais.
“Quando dá certo, todo mundo comemora”, afirmou Dychtwald. “Mas, quando você erra com a China, a retaliação pode ser extraordinariamente dolorosa e rápida.”
A Real Federação Espanhola de Futebol informou que as 24 partidas da Copa do Rei previstas para esta quarta-feira (28) foram suspensas em razão do acidente fatal envolvendo dois trens ocorrido na província de Toledo.
De acordo com a mídia local, o acidente ocorreu pouco depois das 9h (horário local) entre as cidades de Los Yébenes e Urda. Pelo menos 30 pessoas morreram após a colisão de dois trens de alta velocidade.
“A grande família do futebol espanhol permanece unida pela dor desta tragédia, colocando-se à disposição das autoridades para servir de ajuda às vítimas deste acidente desolador”, disse a RFEF em nota.
A federação afirmou que comunicará em breve o reagendamento da rodada com os novos dias e horários dos jogos da Copa do Rei.
O presidente do país, Pedro Sánchez, se pronunciou sobre o acidente nas redes sociais. Ele disse que já está em contato com o ministro dos Transportes, Oscar Puentes, e com o presidente da Junta de Comunidades de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page.
Governo regional pede doações de sangue
O governo regional de Castilla-La Mancha solicitou doações de sangue após o acidente ferroviário ocorrido nesta quarta-feira.
“Doem sangue”, diz uma publicação no X. “Hoje, a sua solidariedade é muito importante.”
A publicação pede doações em Alcázar de San Juan, Ciudad Real e Toledo.
O Barcelona recebeu uma multa de 602 euros (cerca de US$ 672) da Federação Espanhola de Futebol nesta terça-feira (27), após uma denúncia do Atlético de Madrid sobre o contato do clube catalão com o atacante Julián Álvarez.
O Atlético acusou o Barcelona de abordar o argentino, cujo contrato com o clube madrilenho vai até junho de 2030, sem notificá-lo previamente por escrito.
A punição está prevista no artigo 133 do regulamento da federação. O Atlético também apresentou uma queixa à Fifa, mas a entidade afirmou não ter jurisdição para analisar o caso.
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Para Álvarez, porém, o trabalho para reparar a relação com a torcida tem sido muito mais público.
Julián Álvarez pede desculpas à torcida do Atlético de Madrid
“Foi um erro. Entendo por que os torcedores estão bravos. Se eu fosse torcedor, também estaria. Principalmente considerando o apoio que eles me dão desde que cheguei”, afirmou Álvarez.
O jogador se referia a uma entrevista concedida durante a Copa do Mundo de 2026, na qual declarou que “queria realizar o sonho” de jogar pelo Barcelona. A fala desencadeou uma disputa envolvendo uma possível transferência, que se estendeu por toda a janela de transferências do verão europeu.
Vaiado com frequência pela torcida da casa nesta temporada, Álvarez recebeu aplausos de pé de parte dos torcedores após marcar no sábado. A reação foi um sinal de que a relação entre o atacante e os fãs do Atlético, no Estádio Metropolitano, começa a melhorar.
Alexia Putellas parecia intocável há quatro anos. Capitã do Barcelona e destaque do futebol feminino, a espanhola se tornou a primeira mulher a conquistar o Bola de Ouro Feminino em duas edições consecutivas. Na segunda-feira, a resposta veio em grande estilo, voltando a conquistar o principal prêmio individual do futebol feminino e chegou a sua terceira conquista.
“Todas as crianças do mundo, meninos e meninas: se vocês amam futebol e querem jogar futebol, joguem. Não importa se você é menino ou menina, nem de onde você vem. Não dê ouvidos a quem disser que você não consegue. Acredite em si mesmo”, declarou Putellas durante o discurso de agradecimento.
Alexia Putellas comemora a conquista da Champions League Feminina • Judit Cartiel -UEFA/Getty Images
Lesão no joelho interrompeu auge de Alexia Putellas
No verão europeu de 2022, Putellas já havia se consolidado como a principal jogadora do futebol feminino. A espanhola liderou o Barcelona na consolidação entre as principais equipes da Europa. O clube havia conquistado sua primeira Champions League em 2021.
A trajetória, porém, sofreu uma interrupção brusca. Poucos dias antes da estreia da Espanha na Eurocopa Feminina de 2022, a meio-campista rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho. A lesão a tirou do torneio e ameaçou mudar os rumos de sua carreira.
A recuperação a afastou dos gramados por quase um ano. Mesmo após retornar, Putellas ainda precisou recuperar o ritmo e a melhor condição física. Na Copa do Mundo Feminina de 2023, a espanhola continuava em busca de sua melhor forma e, posteriormente, passou por outra cirurgia no joelho após um novo problema.
Putellas se recupera e volta a brilhar pelo Barcelona
Pela primeira vez na carreira, a meio-campista precisou correr atrás do nível que ela própria havia estabelecido. Enquanto o Barça continuava conquistando títulos e novas jogadoras ganhavam destaque, Putellas trabalhava para recuperar seu espaço.
A reconstrução foi gradual. Primeiro, voltou a demonstrar sua qualidade técnica e depois, recuperou a confiança e a influência que a haviam transformado em uma das principais referências do futebol mundial.
A última temporada foi uma demonstração dessa retomada. Alexia conquistou seu décimo título espanhol e sua décima Copa da Rainha com o Barcelona, além da quarta Champions League. Ao longo da temporada, marcou 20 gols em todas as competições.
• Reprodução/Instagram
Alexia Putellas troca Barcelona pela Inglaterra
Em julho Putellas se transferiu para o London City Lionesses, equipe da Women’s Super League, a liga inglesa de futebol feminino. A espanhola aceitou o desafio de liderar o projeto da proprietária Michele Kang, que busca desafiar a hierarquia estabelecida no futebol inglês.
Fora de campo, a jogadora também tem utilizado sua visibilidade para aproximar o público do futebol feminino. A conquista desta segunda-feira representa mais do que o reconhecimento por uma temporada de destaque.
A terceira vitória da premiação confirma o retorno de Putellas ao topo após o período mais difícil de sua carreira e reforça seu lugar entre as principais jogadoras da era moderna.
Kylian Mbappé reagiu à recente polêmica com a China que o fez, inclusive, perder um contrato milionário. O francês, que ficou em segundo na votação para a Bola de Ouro, utilizou as redes sociais para pedir desculpas ao povo chinês.
Em uma entrevista recente, o atacante do Real Madrid foi questionado sobre qual é seu meme favorito. O jogador de 27 anos respondeu que o preferido é o que o comparam com Mao Tsé-Tung, líder político chinês.
“Estou sempre usando com os meus amigos”, admitiu, entre sorrisos.
Também nesta terça, Mbappé reagiu e pediu desculpas, confessando que o comentário infeliz não tinha como intenção ofender o povo chinês.
“Durante uma entrevista recente, reagi a uma imagem minha. O meu comentário foi imprudente e compreendo agora que magoou muitas pessoas na China e nas comunidades chinesas em todo o mundo”, disse o atleta em um comunicado oficial.
“Peço desculpa a todos aqueles que as minhas palavras tenham ofendido. Não era de forma alguma essa a minha intenção. Tenho um profundo respeito pelo povo chinês e pela sua história, e lamento sinceramente”, concluiu.
As espanholas conquistaram os quatro principais títulos que disputaram: Champions League Feminina, Campeonato Espanhol, Copa da Rainha e Supercopa da Espanha.