Bruxelas propõe alocar 31,7 mil M€ do empréstimo a Kiev para área da Defesa em 2027
O apoio orçamental estará sujeito a condições rigorosas em matéria de Estado de direito, luta contra a corrupção, resiliência económica e sustentabilidade.

O apoio orçamental estará sujeito a condições rigorosas em matéria de Estado de direito, luta contra a corrupção, resiliência económica e sustentabilidade.

Centenas de pessoas de uma cidade ocupada no sul da Ucrânia, que sobreviveram durante meses sem suprimentos básicos, são retiradas nesta sexta-feira (30), sob um acordo de cessar-fogo negociado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump.
A cidade de Oleshky, na região de Kherson, no sul da Ucrânia, está sob ocupação russa contínua desde abril de 2022. Segundo autoridades ucranianas, cerca de duas mil pessoas — incluindo 50 crianças — permanecem presas no município, que se encontra severamente destruído.
Todas as vias de acesso foram fortemente minadas ou estão repletas de drones, tornando a fuga impossível.
A situação humanitária deteriorou-se nos últimos meses. Segundo autoridades ucranianas, a cidade ficou sem alimentos e outros suprimentos em setembro, sem acesso à eletricidade, ao gás, a medicamentos e a outros itens essenciais.
Esse cenário crítico gerou preocupação em todo o mundo, levando organizações internacionais, líderes religiosos e outros a pedirem providências urgentes.
Relatos indicam que os moradores têm recorrido à busca por restos de comida e ao consumo de ervas silvestres, enquanto os corpos de pessoas que faleceram permanecem nas ruas.
A trégua temporária entrou em vigor na terça-feira (27) e, desde então, estendeu-se por toda a região de Kherson. O cessar-fogo também trouxe alívio à cidade — capital da região sob controle ucraniano —, que tem sido alvo de ataques quase constantes por drones russos.
O cessar-fogo deve expirar no domingo (1º).
O ombudsman da Ucrânia, Dmytro Lubinets, viajou a Oleshky para acompanhar pessoalmente os retirados até o território sob controle ucraniano — tornando-se a primeira autoridade ucraniana de alto escalão a viajar abertamente para áreas ocupadas sob controle russo desde o início da guerra.
“Estamos em Oleshky”, disse ele em um comunicado. “Pessoas que desejam ir para o território da Federação Russa estão se reunindo aqui, e há pessoas que querem partir para o território da Ucrânia. Todos terão essa oportunidade.”
A homóloga russa de Lubinets, Yana Lantratova, também estava presente em Oleshky; os dois foram vistos em vídeos, lado a lado, conversando com moradores locais.
A retirada estava programada para começar no início da tarde, no horário local. Segundo Lubinets, 25 ônibus, com capacidade para 750 passageiros, fazem parte da operação.
A previsão é que eles passem pela Crimeia, pela Rússia e pela Bielorrússia, chegando à fronteira ucraniana em algum momento do sábado.
Cerca de 40% da população da cidade, que antes da guerra era de aproximadamente 24 mil habitantes, conseguiu fugir para territórios sob controle ucraniano quando isso ainda era possível, no início do conflito — segundo o Instituto para o Estudo da Guerra (Institute for the Study of War), uma organização sediada nos EUA que monitora conflitos. Milhares de outras pessoas escaparam desde então, mas muitas permaneceram no local, seja por não conseguirem sair ou por não desejarem fazê-lo.
A cidade desempenha um papel importante nas operações militares da Rússia na região. Ela está situada perto das margens do rio Dnipro, exatamente em frente às posições ucranianas.
À medida que os dois lados trocam disparos, os moradores de Oleshky acabam ficando no meio do fogo cruzado.
Todas as rotas de fuga em direção à Ucrânia desapareceram gradualmente com a intensificação da ocupação russa.
E, embora antes fosse possível escapar da cidade seguindo mais para dentro do território controlado pela Rússia, isso também se tornou impossível nos últimos meses, com a intensificação dos combates e o fato de todas as rotas de saída terem sido minadas ou estarem repletas de drones.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de minar as vias de acesso à cidade, em uma tentativa de impedir a saída dos moradores.
As autoridades da região russa de Bryansk acusaram as forças ucranianas de dispersar engenhos explosivos através de drones perto de três escolas e 17 creches no distrito de Bezhitski, levando à interdição de várias ruas e ao confinamento preventivo da população local enquanto decorrem trabalhos de desminagem.

Também a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, considera que a ofensiva demonstra que Moscovo não está interessada na paz e defende que a Rússia tem de ser responsabilizada.

Vladimir Putin enalteceu o papel da primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, na mediação de uma trégua temporária e na organização de uma missão humanitária na localidade ocupada de Oleshky, na região ucraniana de Kherson, num momento em que Moscovo e Kiev procuram aproximação a Washington antes de eventuais conversações tripartidas.

Um drone embateu numa plataforma onde se encontrava um comboio e vários passageiros.

O Ministério russo reportou também novos ataques com drones contra infraestruturas portuárias e embarcações na Ucrânia, incluindo um ataque contra um navio.

Drones navais atingiram um navio cargueiro na costa búlgara do Mar Negro nesta quarta-feira (28), segundo o proprietário da embarcação e o governo do país. O ataque é o mais recente de uma série de incidentes que aumentaram a preocupação com a expansão do alcance da guerra da Rússia contra a Ucrânia.
Não está claro quem realizou o ataque ao navio grego, que navegava sob bandeira da Libéria na zona econômica exclusiva (ZEE) da Bulgária, nem qual era a carga transportada pelos 421 contêineres da embarcação.
“Um navio cargueiro foi atingido por três drones navais, a aproximadamente 21 milhas náuticas a sudeste de Shabla”, afirmou o ministro da Defesa, Dimitar Stoyanov, a jornalistas durante uma reunião regional de segurança.
O Ministério dos Transportes da Bulgária informou, em comunicado, que quatro embarcações da Marinha e da polícia foram enviadas para prestar assistência ao navio, que seguia do porto israelense de Haifa para Constanța, na Romênia. Os 18 tripulantes foram retirados da embarcação.
A proprietária do navio, a empresa Contships Management, confirmou o ataque. Um representante da companhia informou que todos os tripulantes estavam em segurança e em terra: 14 filipinos e quatro ucranianos.
Uma fonte de segurança marítima com conhecimento do caso afirmou que o navio sofreu danos graves e estava adernando.
Ataques com drones contra navios mercantes na costa da Bulgária provavelmente causaram a morte de cerca de duas dezenas de tripulantes internacionais nas últimas semanas, segundo comunicados do governo sobre pessoas desaparecidas. Pelo menos seis embarcações comerciais foram atacadas.
Os ataques ocorreram na zona econômica exclusiva da Bulgária, área que se estende além das águas territoriais do país, mas na qual a Bulgária tem direitos exclusivos de exploração e gestão de recursos.
Os incidentes provocaram condenação internacional e preocupação com o alcance crescente da guerra na Ucrânia. Integrante da União Europeia e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a Bulgária tem buscado ajuda de aliados para reforçar a segurança marítima.
A Ucrânia atribuiu os ataques à Rússia, e o primeiro-ministro búlgaro, Rumen Radev, afirmou que os incidentes parecem beneficiar Moscou. O governo russo, porém, negou envolvimento.
Em um sinal da preocupação internacional, o ministro da Defesa da Turquia, Yaşar Güler, advertiu Rússia e Ucrânia nesta quarta-feira contra ataques a embarcações comerciais no Mar Negro. Ele afirmou que Ancara se reserva o direito de tomar medidas legais em resposta aos ataques.
Por que Donetsk é ponto de discórdia para encerrar guerra na Ucrânia?
Presidente ucraniano compara possível encontro entre os líderes dos EUA, Rússia e China à Conferência de Ialta de 1945, que redefiniu o equilíbrio de poder na Europa após a Segunda Guerra Mundial.

As autoridades ucranianas não se pronunciaram ainda sobre o anúncio de Moscovo.

O Ministério da Defesa da Rússia indicou que, durante a noite passada, as defesas antiaéreas “intercetaram e destruíram 531 drones ucranianos de asa fixa” sobre 13 regiões russas.

Realizada por iniciativa dos dois líderes nórdicos a conversa com Vladimir Putin "foi franca e substancial", disse o Presidente finlandês, Alexander Stubb.
