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Distribuidoras podem receber até 32,3% menos energia de Itaipu em 2027

29 October 2026 at 07:30

As cotas de energia de Itaipu destinadas às distribuidoras brasileiras podem cair até 32,3% em 2027, segundo cálculos feitos pela Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica). A entidade alerta que a ampliação da contratação da Ande, estatal responsável pela gestão de energia naquele país, pode exigir compras adicionais pelas concessionárias e pede uma definição antes do leilão de 13 de novembro para evitar que elas iniciem o próximo ano com contratos insuficientes.

As cotas de Itaipu são as parcelas do fornecimento da usina que as distribuidoras das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste são obrigadas a contratar. Essa energia compõe o conjunto de contratos das concessionárias para atender seus consumidores. Se o volume recebido diminuir, elas podem precisar comprar energia de outras fontes para cobrir a diferença.

Em carta, a Abradee pede que a agência defina, em conjunto com o MME (Ministério de Minas e Energia), o montante da Ande (Administración Nacional de Electricidad) a ser abatido das cotas de 2027 antes do leilão de energia existente marcado para 13 de novembro.

O problema está no calendário. As distribuidoras têm até amanhã, 30 de outubro, para ratificar ou retificar suas declarações de necessidade de compra para os leilões A-1, A-2 e A-3. A cota de Itaipu, porém, costuma ser definida perto do fim do ano, depois da contratação nos certames. O fornecimento dos contratos do A-1 começa em 1º de janeiro de 2027.

No cálculo da associação, a energia destinada às distribuidoras considera a garantia física total de Itaipu descontada da carga informada pela Ande. Quanto maior o volume reservado à estatal paraguaia, menor a parcela disponível para as concessionárias brasileiras.

A Abradee calcula que, se o abatimento passar a refletir o consumo efetivo da Ande, a cota das distribuidoras poderá diminuir 24,4%, ou 1.317,2 megawatts médios (MW médios). No cenário em que a parcela destinada às concessionárias fique limitada à metade brasileira da garantia física da usina, a redução chegaria a 32,3%, ou 1.745,2 MW médios.

A preocupação está ligada ao entendimento firmado pelos governos brasileiro e paraguaio em abril de 2024. O documento manteve até 2026 os termos do acordo operativo de 2007 e estabeleceu que o Paraguai aumentaria sua contratação de potência em pelo menos 10% ao ano nesse período. A partir de janeiro de 2027, o país se comprometeu a contratar toda a sua necessidade.

Segundo a Abradee, esse compromisso ainda não foi traduzido em ato normativo ou orientação que dê respaldo às distribuidoras para recompor seus contratos. A associação afirma que as empresas não estão incorporando os efeitos do entendimento às declarações de compra dos leilões de 2026.

Para 2026, a associação estima consumo de 3.421,7 MW médios, caso se mantenha o desempenho observado até setembro. O volume supera em 68,9% os 2.025,5 MW médios abatidos das cotas neste ano. Mantida a tendência, o consumo da Ande em 2027 se aproximaria da metade da garantia física de Itaipu, equivalente a 3.875,4 MW médios, segundo a entidade.

A principal preocupação da Abradee é ter previsibilidade sobre o volume de energia de Itaipu com que as distribuidoras poderão contar em 2027. A redução das cotas pode, inclusive, abrir espaço para contratações mais baratas no mercado brasileiro, diante da sobreoferta de energia e do custo de Itaipu, considerado elevado pelo setor.

Grandes consumidores

A carta cita o avanço de grandes consumidores de eletricidade no Paraguai, como mineração de criptoativos e data centers. Com base em comunicado da Ande, informa que a demanda total do sistema paraguaio cresceu 17,9% entre janeiro e agosto de 2026.

Vale lembrar que o departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou recentemente um acordo para que a energia elétrica da usina de Itaipu seja utilizada em um projeto de infraestrutura para inteligência artificial.

Para evitar um déficit de contratação, a Abradee pede que, após a definição da cota, as distribuidoras possam revisar suas declarações de compra para o A-1 antes do leilão de novembro, caso a mudança em relação a 2026 seja relevante.

Se não houver tempo, a alternativa proposta é realizar um leilão A-0 ou de ajuste em janeiro de 2027, depois da definição das cotas. A entidade afirma que a Aneel já reconhece como exposição involuntária a variação da cota de 2027 em relação à de 2026.

Além das medidas de contratação, a Abradee propõe que a estimativa da carga da Ande tenha como referência mínima o consumo realizado nos últimos 12 meses. Pede ainda articulação com o MME e o Ministério das Relações Exteriores para incluir, nos termos de 2027 e na revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu, a informação prévia da necessidade paraguaia e o tratamento das diferenças entre o volume informado e o efetivamente consumido.

Procurada, a Itaipu disse em nota que por se tratar de uma manifestação da Abradee à Aneel, referente a questões regulatórias do setor elétrico brasileiro, não cabe à Itaipu se posicionar a respeito.

Paraná River Floods Displace 4,200 Families in Paraguay

24 October 2026 at 10:07
Paraná River floods inundate neighborhoods in Ciudad del Este, Paraguay, and Paso de la Patria, Argentina, forcing families to evacuate.

Flooding in Paraguay and Argentina’s Corrientes province has inundated homes and damaged infrastructure, with further rises in water levels possible.


Flooding along the Paraná River has forced about 4,200 families to evacuate in eastern Paraguay and inundated neighborhoods in Argentina’s Corrientes province, as authorities warn that further rainfall could worsen conditions in the coming days.

RELATED: Paraguay Evacuates 4,200 Families as Parana River Overflows

Ciudad del Este, in Paraguay, is among the hardest-hit areas, with more than 1,000 households affected. In Argentina, a breached flood barrier in Paso de la Patria has sent water hundreds of meters inland, submerging streets and creating additional safety risks.

Heavy rainfall across the Paraná River basin has prompted civil protection agencies and local authorities in both countries to assist displaced residents, distribute sandbags and establish temporary shelters.

In Paraguay’s Alto Paraná department, the neighborhood of Remansito in Ciudad del Este has suffered severe flooding. Around 35 families involved in recycling were forced to leave their homes after their plots were inundated.

🌊 La crecida del río Paraná obligó a evacuar a unas 4.200 familias en el este de Paraguay. ⚠️ En Ciudad del Este hay más de 1.000 hogares damnificados y 35 familias del barrio Remansito debieron abandonar sus viviendas. #teleSUR #Paraguay #22Oct #AméricaLatina… pic.twitter.com/0TV9HiUCkP

— teleSUR TV (@teleSURtv) October 23, 2026

Residents have blamed the rapid rise in water levels on the opening of floodgates at the Itaipu Binacional hydroelectric plant. The dam’s administration has rejected claims that the operation was the main cause of the flooding, saying the gates were opened in accordance with technical safety protocols for operational contingencies.

The emergency has also severely affected Paraguay’s Ñeembucú department, particularly the localities of Ayolas and Cerrito. Residents have organized community kitchens to provide food and basic supplies to evacuees.

Across the border, Paso de la Patria has become one of the most vulnerable areas in Corrientes province after an embankment near the Don Julián cabin area gave way. Water levels at the town’s port reached 7.79 meters.

The breach allowed floodwaters to advance as far as 300 meters inland, inundating the Los Pescadores, La Isla and Señoran neighborhoods, as well as areas around the Huajó stream.

The rising water has also submerged the Pinín Palma amphitheater and Isla de los Pájaros. The presence of potentially dangerous wildlife, including caimans, in residential areas has added to concerns over public safety. The flooding has also hit a town whose economy relies heavily on tourism and sport fishing.

Residents have described the difficulty of escaping the rising waters. Ismael Ali, who lives in Los Pescadores, said he was surrounded by floodwater with nowhere to go, while neighbors fled as best they could and tried to rescue their dogs.

Although the Paraná’s level in the Argentine sector fell by 40 centimeters on Friday, authorities warned that the decline might be temporary. Heavy storms continuing upstream in Brazil could cause water levels to rise by as much as another meter in the coming days.

Paraguay’s Directorate of Meteorology and Hydrology has forecast continued rainfall through the weekend, raising the risk of landslides. Municipal authorities and rescue teams in both countries are continuing to distribute sandbags, open temporary shelters and monitor riverside areas. Residents have been warned to remain alert for further rainfall and possible hail.

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