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Polícia de Nova York assume investigações de violência sexual em Cornell

30 October 2026 at 06:06

A Polícia Estadual de Nova York ficará responsável pelas futuras investigações de denúncias de agressão sexual na Universidade Cornell, anunciou a governadora Kathy Hochul na quinta-feira (29), em mais um desdobramento das críticas à forma como a instituição lidou com uma suposta violência sexual coletiva no campus.

O anúncio ocorre após críticas generalizadas à conduta da universidade no caso e questionamentos sobre a ausência de acusações criminais depois que uma mulher identificada apenas como Jane Doe afirmou ter sido estuprada por integrantes de uma fraternidade de Cornell.

A Polícia Estadual de Nova York e a Universidade Cornell assinaram um acordo segundo o qual denúncias de crimes sexuais, normalmente sob a jurisdição da polícia do campus, serão encaminhadas à corporação estadual para investigação criminal, a menos que a denunciante solicite o contrário, afirmou Hochul em comunicado.

“Quando alguém denuncia uma agressão sexual, merece ser ouvido, tratado com compaixão e saber que suas alegações serão levadas a sério e investigadas minuciosamente”, disse Hochul no anúncio.

Ao se referir às acusações de Jane Doe como “horripilantes”, Hochul afirmou: “As vítimas precisam poder confiar nas instituições responsáveis por protegê-las. Não podemos decepcioná-las”.

A Universidade Cornell não respondeu imediatamente a um pedido de comentário após o horário normal de expediente.

Anteriormente, Hochul nomeou a procuradora-geral Letitia James como promotora especial para reabrir a investigação criminal sobre a denúncia de Jane Doe. Um comitê do conselho administrativo de Cornell também designou a ex-vice-procuradora-geral dos Estados Unidos Sally Yates para analisar a resposta da universidade às denúncias de violência sexual.

Votação de desconfiança em andamento

Jane Doe afirmou que foi drogada e estuprada coletivamente durante uma visita à sede da fraternidade Chi Phi, em outubro de 2024, segundo uma ação judicial civil apresentada neste ano.

Integrantes da fraternidade a pressionaram a consumir cetamina e cometeram violência sexual contra ela durante várias horas, enquanto estava intoxicada demais para consentir, alega o processo, que cita sete ex-alunos.

Os advogados dos integrantes da fraternidade negaram as acusações. Alguns afirmaram que a atividade sexual foi consensual, enquanto outros contestaram a participação de seus clientes nos acontecimentos descritos na ação.

Embora Cornell tenha expulsado ou aplicado medidas disciplinares a vários estudantes envolvidos no episódio, nenhuma acusação criminal foi apresentada.

O processo provocou críticas generalizadas à universidade, localizada em Ithaca, Nova York, com estudantes, ex-alunos e defensores de vítimas cobrando mais transparência sobre a forma como a instituição lida com denúncias de violência sexual.

O Senado do Corpo Docente de Cornell está atualmente avançando com uma votação de desconfiança na administração da universidade. Cerca de 135 integrantes do órgão deliberativo poderão votar na resolução, que não tem caráter vinculante, entre esta sexta-feira e 6 de novembro, informou o jornal Cornell Daily Sun.

“O Senado do Corpo Docente não confia na capacidade da administração central de lidar de forma eficaz com a crise contínua de violência sexual na Universidade Cornell”, diz o texto da resolução.

Operação mira ex-líder de centro espírita investigado por violência sexual

27 October 2026 at 13:40

O Ministério Público de Goiás deflagrou, na manhã desta terça-feira (27), uma operação para investigar crimes contra a dignidade sexual supostamente praticados pelo ex-presidente e líder espiritual da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, em Goiânia.

Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, expedidos pelo 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Goiânia. As buscas ocorreram em endereços ligados ao investigado na capital, incluindo a sede da comunidade espírita.

A Justiça também autorizou o afastamento do sigilo de dados telemáticos e determinou medidas cautelares diversas da prisão. Entre elas, estão o comparecimento mensal em juízo e a proibição de acessar ou frequentar a sede da entidade, além de participar de atividades e eventos promovidos pela comunidade em outros endereços.

Segundo o Ministério Público, o investigado teria se aproveitado da fé das mulheres assistidas pela instituição e de sua posição de autoridade espiritual para submetê-las a condutas que configuram crimes contra a dignidade sexual.

Abuso da liderança e violação sexual

A investigação teve início após uma notícia-crime apresentada por uma integrante do centro religioso. De acordo com Ministério Público, o homem usava da liderança religiosa para submeter fiéis a crimes contra a dignidade sexual, como violação sexual mediante fraude.

Segundo as apurações, há indícios de que o ex-presidente tenha divulgado, sem consentimento, fotografias e vídeos íntimos de uma das vítimas.

De acordo com o órgão, os elementos reunidos na investigação também apontam que outras mulheres podem ter sido vítimas de condutas semelhantes no mesmo contexto institucional.

Exploração da vulnerabilidade social das vítimas

As provas reunidas até o momento indicam que o investigado teria explorado a vulnerabilidade social de pessoas atendidas pelo programa assistencial da comunidade.

Segundo a investigação, ele teria usado a distribuição de cestas básicas como contrapartida para obter material de conteúdo sexual.

Em julho deste ano, uma assembleia geral extraordinária destituiu o investigado da presidência da comunidade. Desde então, conforme a promotoria, a sede está temporariamente fechada e sob nova administração.

O Ministério Público ainda recebeu informações de que o ex-líder estaria desenvolvendo atividades religiosas em Santa Helena de Goiás e articulando a abertura de um novo centro espírita.

A possibilidade de retomada dessas atividades aumentou a preocupação de que ele volte a usar a posição de liderança religiosa para se aproximar de outras mulheres em situação de vulnerabilidade.

A operação é conduzida pela Procuradoria-Geral de Justiça, com apoio da 44ª Promotoria de Justiça de Goiânia, do Centro de Apoio Operacional Criminal, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e do Navita (Núcleo de Apoio às Vítimas).

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