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Indígenas Kayapó se colocam em risco para bloquear garimpo ilegal na Terra Indígena Baú

25 September 2026 at 08:00

Menos de dois meses depois de uma operação da Polícia Federal, o avanço de uma invasão de garimpeiros na Terra Indígena Baú, no sudeste do Pará, forçou indígenas Kayapó a tomarem uma atitude de alto risco. Desde segunda-feira, 21 de setembro, um grupo de guerreiros Kayapó bloqueia a via de acesso a um garimpo ilegal chamado Pista Velha, próximo ao rio Curuazinho, no meio do território.

Com o bloqueio, os indígenas tentam frear a logística de abastecimento do garimpo, que vem atraindo cada vez mais invasores pelo alto volume de ouro extraído no local. Segundo informações das organizações da Rede Xingu+, que atuam nas terras indígenas Baú e Menkragnoti e monitoram o local, o número de garimpeiros quadruplicou apenas nos últimos dois meses, chegando a aproximadamente 400 pessoas.

A cada dia de espera, cresce a tensão e o medo de um novo conflito. Informações passadas ao grupo que está bloqueando o acesso ao garimpo apontam que há armas de vários calibres no local, incluindo armas pesadas, como pelo menos quatro fuzis. Por conta desse armamento, os indígenas suspeitam de participação de facções criminosas ligadas ao narcotráfico na extração ilegal de ouro.

Ainda assim, os indígenas afirmam que não estão dispostos a sair do local enquanto não houver uma ação do poder público para retirar os invasores. À reportagem, a Polícia Federal (PF) afirmou estar acompanhando a situação. 

O garimpo criminoso na Terra Indígena (TI) Baú é um problema desde 2019 e tem provocado vários conflitos entre garimpeiros e indígenas Kayapó (autodenominados Mebengôkre), que tentam proteger o território. A atividade, porém, vem se intensificando desde o ano passado, sem que as autoridades tenham conseguido desestruturá-la de forma efetiva. 

No final de julho, a PF e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizaram uma operação na Terra Indígena Baú. Na ação, as equipes realizaram autuações, registraram as áreas degradadas e inutilizaram dois acampamentos, além de pás-carregadeiras, motores usados em balsas de garimpo, gerador, tanque e galões de combustível. Mas a operação não chegou ao garimpo de Pista Velha e apenas dispersou os infratores momentaneamente, segundo as organizações que acompanham de perto a situação. A TI Baú é um vasto território de 1,5 milhão de hectares (dez vezes a cidade de São Paulo), onde vivem os povos Kayapó e os isolados Pu´rô.

Foto aérea mostra ferida aberta pelo garimpo de nome Pista Velha em Terras Indígenas Baú, dos Kayapó, visível em imagem de satélite do Google Earth
Ferida aberta pelo garimpo Pista Velha na Terra Indígena Baú é visível em imagem de satélite do Google Earth

Meses antes da operação, em fevereiro, a Rede Xingu+, formada por 53 organizações indígenas, ribeirinhas e da sociedade civil com atuação na bacia do rio Xingu, alertou a vários órgãos do governo federal que uma expedição de vigilância realizada pelos Kayapó havia interceptado dois grupos de garimpeiros. Na ocasião, um dos responsáveis pelo garimpo disse que havia dezenas de mineradores ilegais instalados no território, e os próprios indígenas apreenderam duas armas de fogo.

No começo do ano, o trabalho de vigilância dos Kayapó identificou outro ponto de garimpo ilegal, além do Pista Velha, e informou às autoridades a localidade que serviria como “porta de entrada” para a invasão do território. Agora, com a chegada de mais garimpeiros ao Pista Velha, os indígenas da TI Baú e da vizinha Terra Indígena Menkragnoti se uniram para tentar impedir a continuidade do funcionamento do garimpo.

Nesta quinta-feira, 24 de setembro, uma equipe indígena de vigilância encontrou uma espingarda calibre 28 e um motor de barco escondidos em uma área próxima ao Pista Velha. Em sites na internet, esse motor custa entre R$ 10 mil e R$ 12 mil.

O medo é que o garimpo cresça ainda mais nos próximos meses. Ali, a extração ilegal de ouro se dá em barrancos abertos no meio da floresta. As árvores são derrubadas, a vegetação é destruída e o solo é revirado na busca predatória por minério. A atividade de mineração é proibida em terras indígenas pela legislação e, além de provocar impactos graves para a natureza, também causa conflitos sociais nas comunidades indígenas.

A Agência Pública procurou o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), mas não teve resposta até a publicação desta reportagem.

Já a PF afirmou que a operação na TI, realizada entre os dias 28 de julho e 1º de agosto, empregou três aeronaves para combater “atividades ilegais de extração mineral na região e em áreas externas que, conforme informações reunidas pelos órgãos participantes, impactam cursos d’água e comunidades indígenas”.

“Diante da situação, a Polícia Federal segue atuando no acompanhamento da região e na adoção de medidas cabíveis para o enfrentamento de atividades ilícitas”, completou o órgão.

Desde 2019, ano em que o garimpo Pista Velha foi reativado, a área afetada pela mineração ilegal na Terra Indígena Baú vem crescendo. A maior parte da expansão garimpeira se deu durante o governo Bolsonaro. Até 2017, 150 hectares haviam sido desmatados no território, mas apenas entre 2018 e 2022, as áreas de garimpo superaram 308 hectares, segundo levantamento do Instituto Socioambiental. Em 2025, elas chegaram a um total acumulado de 332 hectares, o equivalente a cerca de 460 campos de futebol, conforme dados disponibilizados pela plataforma Amazon Watch.

No ano passado, já haviam sido detectados vários pontos ativos de garimpo em diversas partes do território, e um sobrevoo confirmou que havia mineração ilegal em expansão na área do Pista Velha. Ao longo de 2025, a Rede Xingu+ enviou alertas formais aos órgãos governamentais com denúncias sobre a atuação criminosa.

Além dos pontos de garimpo identificados dentro do território, há vários outros dispostos ao longo das fronteiras oeste das Terras Indígenas Baú e Menkragnoti. Em maio, uma decisão da Justiça Federal no Pará determinou que o Ibama realizasse ações de fiscalização para desmobilizar um desses garimpos, o “Esperança IV”. Às margens do rio Curuá, a atividade minerária ilegal ameaça diretamente o rio – e todos que dependem dele e de seus mais de cem igarapés e afluentes.

Imagem de sobrevoo realizado neste ano mostra o garimpo “Esperança IV”, localizado às margens do rio Curuá, na região que faz fronteira com a Terra Indígena Baú.
Imagem de sobrevoo realizado neste ano mostra o garimpo “Esperança IV”, localizado às margens do rio Curuá, na região que faz fronteira com a Terra Indígena Baú

Uma análise do monitoramento da Rede Xingu+ mostra que a área desmatada por garimpo no entorno oeste das duas terras indígenas cresceu 11% entre 2024 e 2025 e que quase 80% dessas áreas de garimpo não possuíam autorização da Agência Nacional de Mineração (ANM) para exploração.

A Terra Indígena Baú tem uma longa história de resistência à pilhagem da natureza. No início dos anos 1990, quando o território foi declarado como de posse indígena, invasores impediram várias vezes a demarcação física da área. Em 2003, quando o processo de demarcação foi retomado, os Kayapó aceitaram abrir mão de uma faixa equivalente a 3 mil km² do lado oeste da terra indígena com a promessa de que as invasões seriam interrompidas. A homologação do território, etapa final da demarcação, só aconteceu cinco anos depois.

Os demais territórios Kayapó no eixo da rodovia BR-163 (que liga Cuiabá, no Mato Grosso, a Santarém, no Pará) também sofrem os impactos da extração ilegal de ouro. No caso das TI Panará e da TI Menkragnoti, há denúncias de contaminação dos rios, que têm adquirido um aspecto barrento, ameaçando a disponibilidade de água para as comunidades indígenas.

As terras onde vivem os Kayapó fazem parte de um mosaico de territórios indígenas e unidades de conservação que formam uma grande área contínua de conservação na bacia do Xingu. Na região, o garimpo tem promovido o avanço do desmatamento também nas Terras Indígenas Kuruaya, Trincheira Bacajá e Apyterewa e em outras cinco áreas protegidas. Uma das situações mais críticas, segundo o monitoramento da Rede Xingu+, é na Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo, onde nascem vários dos rios que banham a bacia.

Technocracy’s Appeal: 800,000 Have Applied For Citizenship In “Liberland”

15 September 2026 at 03:28
A micro-state Utopia for crypto billionaires who eschew taxes, government, and regulations of any kind. These so-called “network states” are popping up all around the world. Peter Thiel has backed Praxis and Prospera, which is in Honduras. Reportedly, Thiel now calls Prospera home. Praxis doesn’t have a home yet, but they are hoping for Greenland. ⁃ Patrick Wood Editor.

More than 800,000 people are hoping to move to a self-proclaimed crypto micronation called ‘Liberland’ that is on a patch of muddy floodplain along the Danube River.

The uninhabited seven-square-kilometre land on the border of Serbia and Croatia was founded by Czech libertarian politician Vit Jedlicka who claimed the territory in 2015.

There, Mr Jedlicka said he founded a new country with the aim of creating a libertarian state founded on the blockchain technology underpinning cryptocurrencies – or, as a haven for crypto billionaires.

According to the self-declared president, the small ‘nation’ has received 804,000 citizenship applications – enticed by the eradication of tax and government regulation. Its motto is: To Live and Let Live.

It comes as the UK faces an exodus in the tech sector after nearly 6,000 entrepreneurs fled the UK in the past two years, with many fleeing to destinations with more forgiving tax regimes, such as Dubai.

The group of 30 tech billionaires are using blockchain – effectively a secure digital ledger – to construct the first decentralised autonomous government and also the world’s ‘freest country’.

The micronation of around 1,200 citizens has its own official language of ‘Liberlandish’, will be holding a congressional election later this month, has its own passports as well as its own navy, known as the ‘Liberty’.

Meanwhile, its ‘administration’ has appointed three ‘legal professionals’ to form a Supreme Court to oversee applications. It added an app will soon be used to fast track applications from those without a criminal record.

Vit Jedlicka had a vision to create a nation which eradicates tax and government regulation

In lieu of tax, a voluntary monthly contribution system was created that is claimed ‘inherently superior to forced tax’ which allows one to ‘become a true co-owner’ of the ‘nation’.

Liberland citizens use cryptocurrency to pay voluntary taxes for the upkeep of the heavily-forested island and its navy. The tokens are the Liberland Dollar, which handles money and network fees; and Liberland Merit, which handles voting and laws. Both can be bought with bitcoin.

One’s ‘dedication’ will be ‘recognised’ through the Liberland app and a rating ‘badge’ system based on monthly contributions – spanning from Bronze (one to ten Merits) to Diamond (more than 10,000 Merits). The chart will be published publicly monthly, justified as a way to maintain ‘radical transparency’.

‘Liberland,’ officially known as the Free Republic of Liberland, joins a movement by the ultra-wealthy of creating micro-states and special economic zones.

These ‘bubbles of capitalism’ have popped up in Honduras, where Peter Thiel, a PayPal co-founder, financially supported the founding of the private city of Prospera. Elsewhere, a ‘Crypto City’ is being built in Venezuela, while ‘Liberstad’, a private member-based city, is being created in Norway.

Liberland is yet to be recognised by other nations, with a lack of proper infrastructure and 200 registered companies. Those behind the project have set up a permanent outpost across the river called ‘Ark Village’ which has shared rooms, kitchenettes and a meeting room.

The territory had been long contested between Croatia and Serbia since the dissolution of Yugoslavia and the 1990s Balkan wars. Mr Jedlicka claimed the land on the principle of ‘terra nullius’, effectively that unclaimed land belongs to the first person to occupy it.

Croatia deployed border police units and patrol boats to prevent repeated attempts by Liberland organisers to reach the area when it was first set up in 2015. Serbian police prevented them from crossing the border from their side.

Since being declared independent by Mr Jedlicka, there are now more than 1,262 registered citizens and 804,000 applications for citizenship.

A settlement on the island – which is about the size of Gibraltar – has been up and running since August 2023, with a core group of people maintaining a continuous physical presence.

They have been developing the land, having already constructed the first house, set up basic infrastructure and marina facilities.

Liberland’s website states that non-EU visitors who cross into the area from the Croatian side are usually issued a notice requiring them to leave Croatian territory within seven days, accompanied by a temporary re-entry ban.

However, it also says those seven days are ‘more than enough to earn full Liberland citizenship’, by helping with construction, clearing land, building infrastructure or other community projects.

Other individuals in Europe have previously declared the formation of a micronation state – including the Principality of Sealand, an abandoned North Sea oil rig off the coast of Suffolk which declared independence in 1967.

An exodus of the wealthy from the UK has been fuelled from changes to Capital Gains Tax, the mansion tax on properties worth more than £2million, Inheritance Tax changes and VAT on private schools.

The figures showed that 5,940 business owners left the UK between January 2024 and January 2026. The analysis showed that 10 per cent of those leaving were from the software sector, more than three times higher than the next most affected, property development.

The United Arab Emirates – which includes Dubai and Abu Dhabi – as well as Spain and the US were among popular destinations for business owners, according to wealth managers Rathbones.

Michelle White, head of Rathbones’ private client office, said: ‘We are talking to more individuals and families – particularly younger business owners – considering relocation.’

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El mensaje de Pedro Sánchez a sus alcaldes ante la alarma en el PSOE por 'el efecto Ceuta'

14 September 2026 at 07:12
"Súperdomingo electoral no va a haber". Por tercera vez desde junio, Pedro Sánchez descartó con rotundidad que las elecciones generales coincidan con las municipales y autonómicas del próximo 23 de mayo. La última fue esta semana, en la entrevista que concedió a Esther Palomera y Jesús Cintora en Televisión Española. Es lo único que el presidente del Gobierno ha dejado claro sobre el calendario electoral que tiene en la cabeza.

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