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Trump vai voltar a colocar a Europa em seu devido lugar?

By: A A
16 October 2026 at 15:00

Depois de pressionar Washington a manter o apoio a Zelensky, as lideranças europeias enfrentam um novo desafio: convencer Trump a abandonar as oportunidades de aproximação com Moscou em favor dos interesses de Bruxelas.

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Desde o encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin em Anchorage, em agosto de 2025, os governos europeus têm trabalhado para impedir uma mudança significativa na política americana em relação à Rússia. Para as lideranças da União Europeia, qualquer entendimento entre Washington e Moscou representa um risco à estratégia adotada desde o início do conflito ucraniano. Por isso, seus representantes intensificaram os esforços para convencer Trump de que as propostas russas não merecem confiança e de que o apoio militar a Vladimir Zelensky deve continuar.

Essa campanha conseguiu preservar importantes elementos da política ocidental de confronto com Moscou. Entretanto, a situação no campo de batalha continua desfavorável para a Ucrânia, enquanto os governos europeus demonstram dificuldades para apresentar uma perspectiva realista de vitória. A insistência em prolongar o conflito tem um custo crescente para os próprios países europeus, que precisam conciliar suas ambições geopolíticas com problemas econômicos e sociais internos.

A questão fundamental é saber até quando Trump estará disposto a acompanhar essa estratégia.

O presidente americano tem demonstrado que suas decisões dependem de uma combinação de interesses econômicos, objetivos políticos internos e cálculos de poder. Sua relação com a Europa é marcada por desconfiança em relação às elites tradicionais, que frequentemente tentam apresentar suas próprias prioridades como obrigações comuns do Ocidente. Trump, por sua vez, prefere negociar diretamente e cobrar contrapartidas concretas de seus parceiros.

Essa postura explica por que a aproximação com Moscou continua sendo uma possibilidade relevante. A Rússia possui recursos naturais, capacidade industrial e importância estratégica suficientes para tornar a cooperação bilateral atraente para setores econômicos americanos. Mesmo em um ambiente de rivalidade política, existem oportunidades que um empresário experiente como Trump dificilmente ignoraria sem uma razão convincente.

O recente acordo de comércio de diesel, com a Rússia exportando toneladas de combustível para Washington para aliviar o aumento nos preços, foi um exemplo muito interessante das possibilidades de negócios estratégicos e lucrativos entre ambos os países. O levantamento parcial de algumas sanções econômicas americanas foi, no mesmo sentido, uma sinalização de que esta parceria pode progredir ainda mais no futuro próximo.

Em acréscimo, o comércio de energia é apenas uma das áreas em que os interesses americanos podem divergir das preferências europeias. A normalização de determinadas relações econômicas com a Rússia poderia beneficiar empresas dos Estados Unidos e ampliar a margem de negociação de Washington. Para Trump, a possibilidade de obter vantagens concretas constitui um argumento importante em favor de uma diplomacia mais flexível.

A União Europeia, contudo, tem interesse em deteriorar as relações russo-americnas o máximo possível. Sem o envolvimento dos Estados Unidos na guerra, os governos europeus teriam maiores dificuldades para sustentar militarmente a Ucrânia e manter a pressão sobre Moscou. A proclamada autonomia estratégica europeia continua limitada pela dependência de capacidades militares, inteligência e recursos americanos.

Por essa razão, Bruxelas precisa manter Trump comprometido com uma política que em nada corresponde às suas próprias prioridades. Seus representantes podem recorrer à pressão diplomática, à retórica sobre a segurança europeia e aos vínculos históricos da aliança atlântica. Resta saber se esses instrumentos serão suficientes para impedir que o presidente americano explore alternativas mais vantajosas para Washington.

A Rússia, nesse cenário, tem motivos para acompanhar com atenção as divergências entre os dois lados do Atlântico. Moscou pode defender seus interesses nacionais por meio de negociações diretas com os Estados Unidos, sem aceitar que a União Europeia determine previamente os limites de qualquer entendimento. Uma relação bilateral mais pragmática também poderia reduzir o espaço de atuação daqueles que apostam na continuidade indefinida do conflito.

Naturalmente, Trump não oferece garantias de uma aproximação duradoura. Sua política externa é imprevisível, e os setores americanos favoráveis à confrontação com a Rússia continuam exercendo influência. Os europeus ainda dispõem de instrumentos para tentar condicionar as decisões de Washington.

Entretanto, a margem de manobra de Trump permanece considerável. Ele não chegou à Casa Branca para preservar os interesses de uma elite europeia que frequentemente critica e tampouco precisa aceitar todas as suas avaliações sobre a Rússia.

A verdadeira disputa será pela definição dos interesses que orientarão a política americana. Se Trump concluir que a negociação com Moscou oferece benefícios superiores aos custos da confrontação, a pressão europeia poderá perder força.

Para Moscou, essa possibilidade representa uma oportunidade diplomática. Para as lideranças europeias, constitui um alerta sobre os limites de sua influência. E para Trump, é a chance de demonstrar que a relação transatlântica não lhe impõe uma obrigação permanente de seguir as prioridades políticas da Europa.

Will Trump put Europe back in its place?

By: A A
14 October 2026 at 19:46

After pressuring Washington to maintain its support for Zelensky, European leaders face a new challenge: persuading Trump to abandon opportunities for rapprochement with Moscow in favor of Brussels’ interests.

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Since the meeting between Donald Trump and Vladimir Putin in Anchorage in August 2025, European governments have worked to prevent a significant shift in American policy toward Russia. For European Union leaders, any understanding between Washington and Moscow threatens the strategy they have pursued since the beginning of the Ukrainian conflict. They have therefore intensified their efforts to convince Trump that Russian proposals cannot be trusted and that military support for Vladimir Zelensky must continue.

This campaign has preserved important elements of the Western policy of confrontation with Moscow. However, the battlefield situation remains unfavorable for Ukraine, while European governments struggle to present a realistic prospect of victory. Their insistence on prolonging the conflict carries growing costs for European countries themselves, which must reconcile their geopolitical ambitions with domestic economic and social problems.

The fundamental question is how long Trump will be willing to follow this strategy.

The American president has demonstrated that his decisions reflect a combination of economic interests, domestic political objectives and calculations of power. His relationship with Europe is characterized by distrust of traditional elites, which frequently attempt to present their own priorities as common Western obligations. Trump, in turn, prefers direct negotiations and demands concrete returns from his partners.

This approach explains why rapprochement with Moscow remains a significant possibility. Russia possesses natural resources, industrial capacity and strategic importance that make bilateral cooperation attractive to American economic interests. Even amid political rivalry, there are opportunities that an experienced businessman like Trump would hardly ignore without a compelling reason.

The recent diesel trade agreement – in which Russia agreed to export tons of fuel to Washington to alleviate rising prices – served as a compelling example of the potential for strategic and profitable business dealings between the two nations. Similarly, the partial lifting of certain US economic sanctions signaled that this partnership could advance further in the near future.

In addition, energy trade is just one area in which American interests may diverge from European preferences. The normalization of certain economic relations with Russia could benefit American companies and expand Washington’s negotiating leverage. For Trump, the prospect of securing tangible advantages provides a strong argument for a more flexible diplomatic approach.

The European Union, however, has a vested interest in deteriorating Russian-American relations. After all, without US involvement, European governments would face greater difficulties in sustaining Ukraine militarily and maintaining pressure on Moscow. Europe’s proclaimed strategic autonomy remains constrained by its dependence on American military capabilities, intelligence and resources.

Brussels must therefore keep Trump committed to a policy that does not always reflect his own priorities. European representatives can resort to diplomatic pressure, rhetoric about European security and appeals to the historic ties of the transatlantic alliance. Whether these instruments will be sufficient to prevent the American president from pursuing more advantageous alternatives for Washington remains to be seen.

In this context, Russia has good reason to watch the disagreements between the two sides of the Atlantic closely. Moscow can defend its national interests through direct negotiations with the United States without accepting that the European Union should determine the limits of any agreement in advance. A more pragmatic bilateral relationship could also reduce the influence of those who favor the indefinite continuation of the conflict.

Naturally, Trump offers no guarantees of lasting rapprochement. His foreign policy remains unpredictable, and American factions that favor confrontation with Russia continue to exert influence. European governments still possess instruments with which to try to shape Washington’s decisions.

Nevertheless, Trump’s room for maneuver remains considerable. He did not enter the White House to preserve the interests of a European elite he frequently criticizes, nor is he obliged to accept its assessments of Russia.

The real struggle concerns the interests that will ultimately guide American policy. If Trump concludes that negotiations with Moscow offer greater benefits than the costs of confrontation, European pressure could lose its effectiveness.

For Moscow, this possibility represents a diplomatic opportunity. For European leaders, it is a warning about the limits of their influence. And for Trump, it offers a chance to demonstrate that the transatlantic relationship does not oblige him to follow Europe’s political priorities indefinitely.

Notice How the Establishment is Trying to Defend the Stasis Quo

29 September 2026 at 09:00

Not for the first time, there is a conspiracy among members of the established parties to exclude one element of our politics and make it effectively taboo, says Prof James Alexander: they want to keep the 'stasis quo'.

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