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Trump queria Flávio e reconciliação EUA-Lula será difícil, diz especialista

27 October 2026 at 07:15

Ao WW, Brian Winter, editor-chefe da Americas Quarterly, avaliou os rumos da relação entre Brasil e Estados Unidos após a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em entrevista, o jornalista afirmou que o governo do presidente americano, Donald Trump, preferia um resultado diferente nas urnas brasileiras, mas reconheceu que há uma relação cordial entre os dois líderes.

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Trump queria Flávio Bolsonaro eleito

Segundo Winter, o governo Trump desejava claramente um parceiro mais alinhado à sua agenda.

“Eles queriam a eleição do Flávio Bolsonaro“, afirmou o especialista, explicando que o interesse não se limitava à afinidade ideológica.

Para ele, a Casa Branca acredita em iniciativas voltadas ao combate ao crime organizado, que vem crescendo no continente sul-americano e latino-americano ao longo dos últimos dez anos, como o chamado “Escudo das Américas”, entre outras ações.

Relação cordial, mas com cicatrizes

Apesar da preferência pelo candidato derrotado, Winter reconheceu que Trump mantém respeito por Lula.

“O Trump respeita o Lula como ele respeita os líderes de grandes países importantes ao redor do mundo”, declarou.

No entanto, o especialista alertou que cicatrizes deixadas pelo processo político dos últimos 13 anos podem dificultar uma aproximação genuína entre os dois governos.

Reconciliação será difícil

Winter demonstrou ceticismo quanto à capacidade do governo Lula de “pacificar” rapidamente as relações com Washington. Para ele, o governo brasileiro não estará tão pronto para reconciliar e tratar de temas sensíveis como o de terras raras.

“Acho que vai ter que costurar alguma coisa ou talvez essa coisa vai ficar um pouco tensa”, disse o especialista, acrescentando que Brasília pode buscar relações mais próximas com a Europa, a Ásia e talvez o Canadá.

“Acho que o caminho aqui para uma reconciliação entre Washington e Brasília vai ser difícil mesmo”, concluiu Winter.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.

CEO da AtlasIntel: Volatilidade entre turnos dificultou pesquisa eleitoral

27 October 2026 at 07:02

A volatilidade entre o primeiro e o segundo turno das eleições foi o principal fator que impediu os institutos de pesquisa de registrarem com precisão as intenções de voto dos eleitores. A avaliação é de Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, em entrevista ao programa WW, da CNN Brasil.

Roman recorreu a uma analogia para explicar as limitações das pesquisas eleitorais. “A gente poderia fazer uma analogia, talvez, entre as pesquisas e um raio-x. Às vezes, existe uma doença um pouco mais complicada e difícil de detectar”, afirmou.

Para ele, o ciclo eleitoral em questão foi marcado por duas ondas de mobilização que se moveram em direções opostas, tornando o cenário especialmente desafiador para os institutos.

Pêndulo entre os turnos surpreendeu os institutos

Segundo Roman, a desmobilização da base de esquerda no primeiro turno não foi antecipada corretamente pelas pesquisas, o que gerou incerteza sobre o tamanho real do comparecimento no segundo turno.

“Se o padrão do segundo turno da eleição fosse coerente com o padrão do primeiro turno, talvez nossa dificuldade teria sido muito menor, mas o que aconteceu no segundo turno foi basicamente uma completa reversão do primeiro”, explicou. Essa inversão, impulsionada por grandes movimentos de mobilização nas ruas e nas redes sociais, pegou os institutos de surpresa.

Roman também destacou que a pesquisa eleitoral vai além de um simples levantamento de opinião. “A pesquisa eleitoral não é apenas uma pesquisa de opinião de um conjunto estático de pessoas”, disse.

Ele apontou que o fenômeno do comparecimento envolve aspectos de psicologia social, nos quais eleitores podem declarar a intenção de votar e não comparecer às urnas — ou o contrário. “Muitas vezes as pessoas declaram que vão votar e não vão, e às vezes o oposto também pode acontecer”, acrescentou.

Erros não foram tão significativos, avalia Roman

Apesar das imprecisões, Roman defendeu que os erros das pesquisas não foram tão expressivos quanto pareceram à primeira vista. “As pesquisas não tiveram erros tão significativos quanto poderia parecer, principalmente em relação a ciclos anteriores”, afirmou.

Ele ponderou que a percepção de falha foi amplificada pelo contexto de uma eleição acirrada, em que as margens entre os candidatos eram muito apertadas desde o início até o final do ciclo.

“Se a gente observar com mais atenção as margens, elas eram muito apertadas desde o início do ciclo até o final”, concluiu Roman, reforçando que o chamado “pêndulo da mobilização” é um fenômeno de difícil mensuração apenas por meio de perguntas diretas aos eleitores.

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Lula não liga gasto público aos juros altos, avalia Samuel Pessôa

27 October 2026 at 06:45

Samuel Pessôa, pesquisador do BTG Pactual e do Ibre-FGV, avaliou ao WW, que a queda da bolsa e o aumento do dólar registrados na segunda-feira (26) refletem uma antecipação do mercado financeiro diante de preocupações estruturais com a política fiscal brasileira.

Segundo ele, o problema central está no ritmo de crescimento do gasto público primário.

O diagnóstico fiscal

O pesquisador explicou que o gasto obrigatório do governo cresce, por força de regras de indexação, a uma velocidade maior do que o crescimento da economia.

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“Se todo ano o gasto primário precisa crescer, por questões de regras, a uma velocidade maior do que a base material que sustenta o Estado brasileiro, isso pressiona a base material, gera uma pressão inflacionária e, consequentemente, obriga que nós tenhamos juros elevados”, afirmou Pessôa.

Para o pesquisador, a solução passa por estabelecer regras que permitam ao gasto primário crescer na mesma velocidade da economia. No entanto, ele reconheceu que essa negociação política ainda não foi alcançada.

“Isso a gente não consegue politicamente digerir entre nós, negociar entre nós, e esse é o problema”, disse.

Crítica à compreensão de Lula sobre os juros

Pessôa acrescentou que a situação é agravada pelo fato de que, aparentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não compartilha desse diagnóstico.

Segundo o pesquisador, Lula parece atribuir os juros elevados a pressões externas, como as da Faria Lima, sem estabelecer a conexão com o crescimento dos gastos públicos.

“Parece que o presidente Lula não faz uma ligação entre o crescimento do gasto primário do governo central a uma velocidade maior do que o crescimento da economia e os juros elevados”, afirmou.

Para Pessôa, essa falta de clareza sobre as causas dos juros altos gera preocupação, pois sinaliza dificuldades à frente.

“Como ele não faz esse vínculo, a gente tem uma liderança que não tem muita clareza nos motivos dos juros serem elevados no Brasil. Isso gera uma preocupação, porque sinaliza que teremos problemas à frente e os mercados acabam antecipando”, concluiu o pesquisador.

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Waack: Mercado duvida de Lula e das regras do Brasil

27 October 2026 at 01:02

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acordou nesta segunda-feira (26) após a noite de celebrações diante da dura realidade de que seu governo não desperta confiança nos agentes econômicos.

Ao contrário, a julgar pelos desastrosos números de juros futuros, depreciação do real, e destruição do valor de empresas na bolsa. Nenhuma surpresa, dada o fato de que Lula deixou para si mesmo uma perigosa armadilha fiscal, que ele passou a campanha sequer reconhecendo.

Na verdade, tornou-a pior.

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Venceu a eleição presidencial, mas perdeu a Legislativa no primeiro turno.

No desenho que nós brasileiros fizemos de nosso sistema de governo, os mais de 60 milhões de votos que Lula recebeu valem pouco num Congresso dominado claramente pela oposição de centro direita.

Por isso que agentes econômicos olham para um governo minoritário, diante de uma grave crise fiscal, e se perguntam o que vai acontecer com um presidente que chama de “babaquice” fazer superavit primário.

Tem mais ainda.

Lula voltará a depender de um STF (Supremo Tribunal Federal) envolvido na pior degradação institucional de sua história, que deu um exemplo de sua capacidade de produzir insegurança jurídica pouco mais de 24 horas atrás, com a canetada de um ministro prorrogando o prazo de votação.

Não, não é isso que decidiu a eleição.

Mas o que isso fez foi reiterar a pergunta, sempre repetida por agentes econômicos dentro e fora do Brasil, sobre quais são as regras do jogo e quanto tempo duram.

Quem manda nelas por último? Não sabem bem qual a resposta.

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