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Venda de máquinas cai 21,6% no ano, mas mostra recuperação em setembro

28 October 2026 at 18:56

A receita líquida da venda de máquinas agrícolas somou R$ 5,2 milhões em setembro, o que representa uma queda de 15,7% em relação ao mesmo mês de 2025. Em relação a agosto, houve um aumento de 8,2%, segundo a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).

No ano, a queda é ainda mais pronunciada, de 21,6%, com um total de vendas acumulado de R$ 41,5 milhões.

O desempenho ocorre em um cenário de restrição ao investimento dos produtores rurais, marcado pelo endividamento e pelo custo elevado do financiamento. Esses fatores têm limitado a renovação do parque de máquinas agrícolas e pressionado as vendas no mercado brasileiro. Entretanto, a expectativa da Abimaq é uma estabilidade e um leve crescimento daqui para frente.

Mais cedo, a Abac, que representa o setor de consórcios, divulgou que a movimentação do setor chegou a R$ 17,57 bilhões em créditos comercializados de janeiro a setembro de 2026, queda de 10,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Exportações avançam

Enquanto o mercado doméstico permanece enfraquecido, as exportações de máquinas e equipamentos agrícolas apresentam desempenho positivo. Em setembro, as exportações alcançaram US$ 161,69 milhões, alta de 21,2% em relação a agosto e de 8,4% na comparação anual.

Entre janeiro e setembro de 2026, as exportações totalizaram US$ 1,312 bilhão, 12,1% acima do mesmo período de 2025.

Importações recuam no acumulado

As importações de máquinas e implementos agrícolas somaram US$ 902,6 milhões de janeiro a setembro, queda de 4,2% na comparação com os nove primeiros meses de 2025.

Somente em setembro, as compras externas totalizaram US$ 91,71 milhões, recuo de 4,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, apesar do aumento de 1,6% ante agosto.

Com exportações de US$ 161,69 milhões e importações de US$ 91,71 milhões em setembro, o segmento registrou superávit comercial de US$ 69,98 milhões no mês.

Tratores e colheitadeiras

Em unidades, foram comercializados 7.159 tratores em setembro de 2026, 1,28% abaixo dos 7.252 tratores negociados em agosto de 2026. Do total, 3.577 foram vendidos para o usuário final, 7,6% acima do mês anterior, porém 32,5% menos do que setembro de 2025.

Outros 3.140 foram comercializados para fábricas, 8,7% menos do que em agosto de 2026 e 48,4% menos do que setembro de 2025.

Os 442 tratores restantes foram destinados à exportação, que registrou queda de 9,4% em comparação a agosto de 2026, e queda de 12,6% em relação a setembro de 2025.

BTG reitera compra de 3tentos e vê potencial de valorização de 139%

28 October 2026 at 15:23

O BTG Pactual reiterou a recomendação de compra para as ações da 3tentos (TTEN3) e manteve a companhia como sua principal escolha no setor de agronegócios. O banco estabeleceu preço-alvo de R$ 26 para os próximos 12 meses, ante cotação de R$ 10,90 em 27 de outubro, o que representa potencial de valorização de 138,5%, sem considerar dividendos.

Em relatório sobre as perspectivas para o terceiro trimestre de 2026, o BTG avalia que a pressão sobre as margens industriais da companhia pode estar próxima do fim. A recuperação dos preços do farelo de soja e do biodiesel tende a favorecer a rentabilidade do processamento de soja, enquanto o banco projeta uma normalização gradual dos resultados industriais em 2027.

O BTG também destaca o avanço da produção de etanol de milho como vetor de crescimento. Para 2027, a instituição estima lucro bruto de R$ 419 milhões com a operação, considerando utilização média de 95% da capacidade da planta e processamento de 930 mil toneladas de milho.

Outro fator de potencial melhora é a redução dos custos logísticos. A joint venture com a Caramuru, que prevê investimentos conjuntos de R$ 400 milhões em infraestrutura no corredor de exportação do Arco Norte, poderá gerar economia anual de R$ 60 milhões a R$ 70 milhões para a 3tentos quando estiver plenamente operacional. Esses ganhos ainda não estão incorporados às estimativas do banco.

O balanço da companhia será divulgado dia 12 de novembro.

A recomendação considera, porém, que o curto prazo continua pressionado. Para o terceiro trimestre, o BTG projeta lucro líquido de R$ 155 milhões, queda de 24% na comparação anual. O segmento de grãos deve registrar recuo de 45% no volume negociado, após vendas excepcionalmente fortes de soja no primeiro semestre.

No segundo trimestre, o lucro líquido da empresa recuou 86,3% na comparação anual, para R$ 14,4 milhões. Segundo o CEO, João Marcelo Dumoncel, o resultado foi pressionado pelo desempenho do biodiesel, pelo atraso na entrada em operação de novas capacidades industriais e por uma mudança no mix de receitas, com maior participação do segmento de grãos, de margens mais baixas.

Apesar das incertezas, o banco considera atrativa a avaliação da companhia. As ações negociam a cerca de seis vezes o lucro estimado para 2027, enquanto o BTG projeta crescimento anual dos resultados superior a 20% até 2029.

Consórcio de máquinas agrícolas cai 10,8% até setembro

28 October 2026 at 12:09

O consórcio de máquinas agrícolas movimentou R$ 17,57 bilhões em créditos comercializados de janeiro a setembro de 2026, queda de 10,8% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o volume chegou a R$ 19,70 bilhões. Os dados são de levantamento da Abac (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios), que estima os indicadores do segmento a partir de sua participação no mercado de veículos pesados.

O recuo nos negócios acompanha a redução de 9,2% nas adesões. Foram vendidas 70,95 mil cotas nos nove primeiros meses do ano, ante 78,15 mil no mesmo intervalo de 2025.

O número de participantes ativos no segmento, entretanto, aumentou 4,8% no ano e chegou a 488,17 mil pessoas em setembro.

E o tíquete médio das operações (cotas) aumentou 10,6% no mês passado, em comparação a 2025, e ficou em R$ 284,42 mil por mês.

Segundo a Abac, os resultados do segmento de veículos pesados refletem as oscilações do mercado interno de transporte e de equipamentos destinados ao agronegócio, com expectativa de recuperação gradual. A entidade, porém, não detalha no levantamento o peso individual de fatores como custo do crédito, renda agrícola ou preços das commodities sobre o resultado dos consórcios.

As contemplações, que se referem a consorciados que tiveram oportunidade de comprar bens, somou 35,49 mil pessoas neste ano, o que representa uma retração de 2,5% na relação anual.

O volume de crédito disponível no acumulado do período ficou em R$ 8,74 bilhões, com queda de 4,3%.

Países querem reduzir dependência de proteínas e mudam comércio global

27 October 2026 at 11:02

Governos de diferentes regiões estão reorganizando suas políticas agrícolas e industriais para reduzir a dependência externa de proteínas, em um movimento que pode alterar os fluxos internacionais de soja, rações, carnes e ingredientes alimentares. A tendência, que combina proteção da produção doméstica, investimento em tecnologia e controle sobre cadeias de abastecimento, transforma a proteína em um ativo estratégico de segurança nacional e não apenas em uma commodity negociada no mercado internacional.

A mudança tem implicações diretas para o Brasil. O país ocupa posição central no fornecimento mundial de soja e proteínas animais, mas sua competitividade exportadora passa a conviver com uma nova variável, a disposição de grandes compradores de investir para produzir internamente o que hoje importam.

O fenômeno é denominado “nacionalismo das proteínas” pelo Eurasia Group, que, em relatório publicado em setembro de 2026, diz que o risco não se limita à imposição de tarifas ou cotas. Envolve a possibilidade de mudanças estruturais na demanda, o surgimento de concorrentes subsidiados e a disputa pelo domínio de tecnologias de produção e processamento.

O relatório identifica a convergência entre fragmentação geopolítica, demanda crescente por proteínas e maior intervenção dos Estados na produção e no comércio de alimentos. No cenário considerado mais provável pela consultoria, países continuarão adotando medidas para proteger o abastecimento doméstico e ampliar sua autonomia produtiva, enquanto as restrições comerciais tendem a ganhar espaço.

China no centro da transformação

A China representa a transformação mais relevante para os exportadores agrícolas. Mas o movimento não é exclusivo de Pequim; os Estados Unidos procuram ampliar a produção de carne bovina; a União Europeia quer reduzir a dependência de proteínas vegetais importadas para alimentar seus rebanhos; e a Índia investe para diminuir a necessidade de comprar leguminosas de outros países. Ao mesmo tempo, economias como Dinamarca, Países Baixos, Coreia do Sul e Singapura tentam conquistar espaço na produção de proteínas alternativas.

Embora partam de condições distintas, essas iniciativas apontam para uma mesma direção, governos querem maior controle sobre a origem, a oferta e o custo das proteínas consumidas por suas populações e utilizadas por suas indústrias.

China mira autossuficiência e pode reduzir compras externas

O caso chinês concentra a principal ameaça potencial aos fornecedores tradicionais. Depois de se tornar a maior importadora mundial de carnes, laticínios e rações, a China procura reduzir sua exposição ao mercado internacional, aumentar a produtividade doméstica e desenvolver tecnologias que permitam substituir importações e, no longo prazo, conquistar mercados externos.

O 15º Plano Quinquenal chinês, para o período de 2026 a 2030, coloca a segurança alimentar entre as prioridades nacionais, próxima à defesa. A estratégia inclui o desenvolvimento de sementes geneticamente modificadas, a expansão das áreas cultivadas, o aumento da eficiência na produção de ração e o investimento em fermentação de precisão, agricultura celular, aminoácidos e biomanufatura.

O objetivo não é necessariamente eliminar as importações no curto prazo, mas diminuir a vulnerabilidade do país a fornecedores estrangeiros e às oscilações do comércio internacional. Em maio de 2026, uma análise da Reuters já apontava que os ganhos de produtividade e a redução da dependência de rações importadas poderiam provocar uma mudança estrutural na demanda chinesa por produtos agrícolas, com efeitos especialmente relevantes para Brasil e Estados Unidos.

Para o Brasil, a questão é particularmente sensível porque a China ocupa posição central nas exportações de soja e carne bovina. Se o país asiático conseguir produzir mais proteína animal com menor utilização de insumos importados, poderá reduzir a necessidade de comprar soja e farelo no exterior, mesmo que o consumo de carnes continue crescendo.

Há, porém, uma diferença entre reduzir a intensidade das importações e eliminá-las. A capacidade chinesa de substituir fornecedores dependerá da produtividade agrícola, da terra e água, dos custos de produção e da velocidade de adoção tecnológica. O relatório do Eurasia Group projeta queda nas compras chinesas de soja e rações a partir de 2027, mas não quantifica o impacto sobre os volumes exportados pelo Brasil.

A segunda frente de risco é a concorrência. Além de tentar produzir internamente o que hoje importa, a China pretende ampliar as exportações de carne de aves, laticínios, ovos e produtos aquáticos. Caso avance nessa estratégia, poderá disputar mercados com fornecedores tradicionais, apoiada por políticas industriais e investimentos estatais.

EUA protegem a pecuária, mas recorrem à importação para conter preços

Nos Estados Unidos, a soberania das proteínas aparece de outra forma: o governo procura recompor a produção doméstica de carne bovina, mas precisa considerar o efeito da oferta insuficiente sobre os preços pagos pelos consumidores.

O rebanho americano está em seu menor nível em 75 anos, segundo o relatório do Eurasia Group e o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA). Para estimular a produção, o governo adotou medidas de apoio aos pecuaristas, como garantias de empréstimos, ampliação do acesso a pastagens e maior fiscalização sobre grandes frigoríficos.

Ao mesmo tempo, Washington ampliou o acesso de fornecedores estrangeiros ao mercado de carne bovina para tentar aliviar os preços internos. Em setembro de 2026, segundo o relatório, o governo aumentou para 300 mil toneladas as cotas de importação com isenção tarifária destinadas a países selecionados, tendo o Brasil como principal beneficiário.

A aparente contradição revela o dilema das políticas de soberania alimentar. Ampliar a produção doméstica é um objetivo de longo prazo, mas não resolve imediatamente uma restrição de oferta. Enquanto a capacidade produtiva não reage, importações podem ser necessárias para conter a inflação e garantir o abastecimento.

O episódio também mostra que a política comercial pode ser utilizada simultaneamente para atender a interesses domésticos e fortalecer relações diplomáticas. O governo americano ampliou benefícios comerciais à Argentina, por exemplo, em uma estratégia que o Eurasia Group associa à aproximação política entre Donald Trump e Javier Milei.

Para os exportadores brasileiros, isso significa que o acesso a mercados pode depender não apenas de preços e competitividade, mas também de decisões políticas, negociações bilaterais e necessidades de abastecimento dos países compradores.

União Europeia quer diminuir a dependência de soja importada

A União Europeia também passou a tratar o abastecimento de proteínas como uma questão de autonomia estratégica. Em julho de 2026, a Comissão Europeia apresentou um plano para aumentar a resiliência e a autonomia do sistema europeu de proteínas, com foco na diversificação da produção e na redução de dependências externas.

O objetivo é ampliar a produção europeia de proteínas vegetais, utilizadas tanto na alimentação humana quanto na fabricação de rações. O plano prevê incentivos à diversificação das culturas, investimentos em pesquisa e inovação e fortalecimento das cadeias de processamento.

A dependência de insumos importados é considerada uma vulnerabilidade porque expõe a produção pecuária europeia a oscilações de preços, interrupções logísticas e tensões geopolíticas. O problema não se limita à soja, fertilizantes e energia também são insumos críticos para o funcionamento da cadeia.

A Europa dispõe de limitações naturais e econômicas para ampliar determinadas culturas na mesma escala dos grandes exportadores das Américas. Para o Eurásia Group, a redução da dependência, portanto, exigirá mudanças graduais na produção, incentivos aos agricultores e desenvolvimento de fontes alternativas de proteína.

Para o Brasil, a consequência potencial é uma disputa mais intensa pelo mercado europeu de ingredientes para alimentação animal. Isso não significa que a União Europeia deixará de importar soja brasileira, mas que pretende ampliar as alternativas disponíveis e reduzir a exposição a um conjunto restrito de fornecedores.

Índia investe para substituir importações de leguminosas

A busca por autonomia também está presente na Índia, que lançou um programa de US$ 1,3 bilhão para alcançar a autossuficiência em leguminosas secas até dezembro de 2027. A iniciativa, prevista para o período de 2025 a 2030, procura reduzir a dependência de importações de países como Canadá e Austrália.

O exemplo mostra que a soberania das proteínas não se restringe à carne. Leguminosas, grãos ricos em proteínas e ingredientes utilizados na alimentação animal também são considerados estratégicos porque influenciam o custo das dietas, a segurança alimentar e a dependência comercial.

Em países populosos, a vulnerabilidade a preços internacionais elevados pode ter consequências econômicas e políticas importantes. Incentivar a produção doméstica torna-se, assim, uma forma de reduzir a exposição a choques externos, embora a substituição de importações dependa de produtividade, disponibilidade de terras, rentabilidade para os agricultores e condições climáticas.

A disputa tecnológica vai além da pecuária convencional

A corrida pela autonomia não se limita a produzir mais carne, leite ou ovos. Parte dos governos procura dominar tecnologias que possam alterar a estrutura futura do mercado de proteínas.

Países Baixos, Dinamarca, Reino Unido, Coreia do Sul e Singapura investem em pesquisa, desenvolvimento e produção de proteínas vegetais, ingredientes obtidos por fermentação e carne cultivada. A China também incorporou essas tecnologias à sua estratégia de segurança alimentar.

O interesse é econômico e geopolítico. O domínio de processos industriais, patentes, equipamentos e ingredientes pode criar novas fontes de receita e reduzir a dependência de cadeias tradicionais de produção animal.

O relatório, contudo, não prevê uma substituição rápida da pecuária convencional. Os custos de produção das proteínas alternativas continuam elevados, e o setor enfrenta obstáculos regulatórios e resistência de consumidores. Por isso, o Eurasia Group considera mais provável que as proteínas animais continuem predominantes até 2030.

A disputa tecnológica pode avançar mesmo sem uma transição acelerada do consumo. Países que desenvolverem capacidade industrial e regulatória poderão ocupar posições estratégicas no fornecimento de ingredientes e tecnologias, ainda que a carne convencional permaneça dominante.

Demanda crescente com canetas emagrecedoras

O nacionalismo das proteínas ganha força em um momento de aumento da demanda global. A popularização de dietas ricas em proteínas, o envelhecimento da população e a expansão das classes médias urbanas sustentam o consumo de carnes, laticínios, ovos e suplementos.

Os medicamentos para emagrecimento da classe GLP-1 também influenciam os hábitos alimentares. Como reduzem o apetite, levam profissionais de saúde a recomendar maior atenção à ingestão de proteínas para preservar a massa muscular.

Nos Estados Unidos, as diretrizes alimentares publicadas em 2026 elevaram a recomendação diária de consumo de proteínas para uma faixa de 1,2 a 1,6 grama por quilo de peso corporal, ante 0,8 grama anteriormente. A mudança reforça a presença do nutriente nas políticas públicas e pode influenciar outros mercados.

A expansão do consumo, entretanto, não garante crescimento proporcional das exportações dos países que hoje dominam a oferta. Uma parcela maior da demanda pode ser atendida por produção doméstica, enquanto governos estimulam substitutos, impõem restrições comerciais ou favorecem produtores nacionais.

O descompasso entre a velocidade das mudanças de consumo e o tempo necessário para ampliar a oferta também pode gerar volatilidade. A produção agrícola depende de ciclos biológicos, disponibilidade de insumos, clima e investimentos realizados com antecedência. Quando a demanda muda mais rapidamente, os preços podem reagir antes que a oferta consiga responder.

O cenário descrito pelo Eurasia Group combina essas pressões com guerras comerciais, custos voláteis de fertilizantes e energia e riscos climáticos. O resultado pode ser maior intervenção governamental justamente em um mercado que, até aqui, se apoiou fortemente na especialização internacional da produção.

Para o Brasil, diversificação e valor agregado ganham importância

A posição brasileira como grande produtor e exportador de soja e carnes oferece vantagens relevantes em um mundo que continuará precisando de proteínas. Mas a dependência de grandes mercados compradores também expõe o país a mudanças de política comercial e a estratégias de autossuficiência de seus parceiros.

O desafio é distinguir duas tendências. Uma é o protecionismo de curto prazo, que se manifesta por tarifas, cotas e barreiras regulatórias. Outra é a transformação estrutural da capacidade produtiva dos países importadores, que pode reduzir a demanda externa ao longo de vários anos.

A primeira exige negociação comercial, defesa de acesso a mercados e adaptação às regras sanitárias e técnicas. A segunda demanda uma estratégia de competitividade de longo prazo, com ganhos de produtividade, diversificação de destinos e ampliação do processamento doméstico.

O Eurasia Group recomenda aos exportadores de proteínas diversificar mercados, investir em produtos de maior valor agregado e participar da definição dos padrões comerciais. Para o Brasil, isso significa não depender exclusivamente do crescimento das compras chinesas nem pressupor que a atual divisão internacional da produção permanecerá inalterada.

 

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