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Exército recupera fuzil e munições levados por soldado preso em PE

28 October 2026 at 16:50

O Exército Brasileiro recuperou um fuzil calibre 7,62 mm e 20 munições que tinham sido levados pelo soldado Pedro Gabriel Bezerra do Nascimento, no bairro do Cabanga, no Recife. O armamento foi subtraído em 17 de outubro, quando o rapaz realizava o serviço de sentinela na unidade militar.

Segundo o Comando Militar do Nordeste, a recuperação ocorreu após uma operação integrada entre o Exército, o Ministério Público Militar, a Polícia Militar de Pernambuco e a Polícia Civil do estado.

O soldado desapareceu após deixar o quartel com o armamento individual. A Justiça Militar da União decretou a prisão preventiva do militar.

Na madrugada de 21 de outubro, ele se apresentou à 7ª Delegacia de Polícia de Homicídios, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife. Na ocasião, entregou-se sem o fuzil e as munições e alegou ter tido um lapso de memória sobre o paradeiro do material.

Com a recuperação das armas, as investigações continuam por meio de um Inquérito Policial Militar, que busca esclarecer as circunstâncias do caso e identificar possíveis envolvidos.

Em nota, o Exército reafirmou o compromisso com a disciplina e a segurança de suas instalações e declarou que não admite tentativas de desvio de bens sob sua responsabilidade.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

Teresa Leitão diz que neutralidade de Raquel não afetará relação com Lula

27 October 2026 at 17:33

A senadora Teresa Leitão (PT), líder do governo no Senado, afirmou, nesta terça-feira (27), que a neutralidade da governadora reeleita Raquel Lyra (PSD) durante a disputa presidencial não prejudicará a relação institucional entre os governos de Pernambuco e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao Jornal do Commercio, a parlamentar garantiu que não haverá retaliação política nem interrupção dos investimentos federais no estado após a reeleição do petista.

"Institucionalmente, eu não vejo nenhuma alteração (na relação). Raquel vai continuar sendo recebida pelo presidente, como todos os governadores que assim o quiserem, inclusive os do PL. Não vai haver nenhum boicote a um governador porque ele ficou neutro ou porque ele apoiou Flávio Bolsonaro", afirmou Teresa.

A governadora manteve a neutralidade durante os dois turnos da eleição presidencial, enquanto seu principal adversário na disputa estadual, João Campos (PSB), participou ativamente da campanha de Lula. 

"Os dois candidatos que disputaram o governo, os dois principais, tiveram posições absolutamente diferentes em relação ao Governo Federal. Raquel manteve a neutralidade e João Campos foi para a campanha. Eu acho que isso demonstra um pouco o cenário", disse Teresa.

A senadora afirmou que houve uma mudança na correlação de forças políticas no estado e atribuiu o crescimento da votação de Lula no segundo turno à mobilização em torno da própria candidatura do presidente.

"Houve uma mudança de força muito grande e uma das primeiras questões que eu destaco é que o presidente Lula cresceu no segundo turno por sua própria força", declarou.

Em Pernambuco, Lula obteve 69,20% dos votos válidos no segundo turno, contra 30,80% de Flávio Bolsonaro (PL). O petista recebeu 4.117.513 votos, um crescimento de 563.542 em relação ao primeiro turno, quando havia conquistado 63,45% dos votos válidos.

Apesar das diferenças políticas, Teresa assegurou que o governo federal manterá o atendimento às demandas apresentadas pela gestão de Raquel. A parlamentar destacou que a nova composição do Senado também contará com três representantes pernambucanos alinhados politicamente a Lula: ela própria, Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT), eleitos em outubro.

"A bancada de senadores (de Pernambuco) foi uma bancada eminentemente lulista. Então não vai haver problema para Pernambuco continuar recebendo todos os investimentos do governo federal que ele já recebeu", afirmou.

 

Teresa ponderou, entretanto, que o PT precisa acompanhar mais de perto os investimentos federais realizados em Pernambuco. A líder governista mencionou a atuação da base política do partido e dos prefeitos que se manifestaram durante a disputa presidencial, mas ressaltou que a relação institucional com o governo estadual permanecerá preservada.

"O que eu acho que o PT precisa ter é mais atenção a esses investimentos, ver onde de fato a prioridade de uma base que se manifestou, de prefeitos que se manifestaram, é importante, mas a relação institucional está preservada e ela vai continuar", declarou.

Atuação da bancada pernambucana no Congresso Nacional

A senadora também descartou dificuldades na articulação entre os parlamentares pernambucanos no Congresso Nacional diante da chegada de novos deputados ligados à direita e ao bolsonarismo. Segundo Teresa, as diferenças partidárias não têm comprometido a destinação de recursos ao estado. Atualmente, a bancada pernambucana é coordenada pelo deputado federal Augusto Coutinho (Republicanos) e tem Carlos Veras (PT) como adjunto.

"Nunca houve problema de destinação de recursos para Pernambuco através da bancada federal", afirmou.

A parlamentar explicou que a bancada possui um método de trabalho consolidado para discutir a destinação das emendas parlamentares e defendeu sua continuidade na próxima legislatura, independentemente da composição partidária.

"A gente tem um método de trabalho e esse método de trabalho tem funcionado, porque os deputados e senadores têm direito a um montante de emenda, ninguém tem mais do que outro. Então isso facilita a nossa discussão para permanecer", explicou.

Para Teresa, a atuação conjunta deve prevalecer sobre as divergências políticas entre os integrantes da bancada pernambucana na Câmara dos Deputados e no Senado.

"O Estado de Pernambuco, em termos de emenda do PL ou de emenda do PT, o Estado precisa e tem o direito de receber todas essas emendas", concluiu.

© Waldemir Barreto/Ag. Senado

Teresa Leitão (PT-PE), líder do Governo Lula no Senado

Lula perdeu apenas em uma cidade do RN e de PE; veja mapa

26 October 2026 at 22:14

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perdeu em apenas uma cidade do Rio Grande do Norte e de Pernambuco neste domingo (25), quando aconteceu o segundo turno das eleições que reelegeram o mandatário para seu quarto mandato.

No primeiro turno, Lula teve 65,72% dos votos no Rio Grande do Norte, enquanto seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL), teve 34,28%. O senador havia vencido em duas cidades: Guamaré e Parnamirim, com 48,34% e 50,92% dos votos, respectivamente.

Já no segundo turno, Flávio teve 51,08% dos votos em Parnamirim, enquanto Lula conquistou 48,92%. Em Guamaré, a diferença foi de 70,30% para o presidente e 29,70% para o senador.

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Em Pernambuco, Lula teve 63,45% dos votos no primeiro turno, enquanto Flávio foi a escolha de 31,03% dos eleitores pernambucanos. Já no pleito do dia 25, Lula atingiu 69,20% dos votos, enquanto Flávio obteve 30,80%.

No âmbito municipal, Flávio ganhou em apenas uma cidade no primeiro e no segundo turnos: Santa Cruz do Capibaribe. O senador teve 52,71% dos votos no município no primeiro turno e 53,60% no segundo.

No pleito geral, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos a nível nacional, o que representa cerca de 64 milhões. Já Flávio venceu em 48,21% das urnas, um total de 59 milhões de votos.

Homem preso por engano deve receber R$ 30 mil de indenização do Estado pernambucano

20 October 2026 at 17:26

Antônio Severino de Souza, de 40 anos, foi preso no próprio local de trabalho, em um hospital do Recife, por crimes que não cometeu. Depois de passar 12 dias encarcerado, ele conseguiu a liberdade e agora tem direito a receber R$ 30 mil por danos morais, conforme sentença da Justiça de Pernambuco. O governo estadual, no entanto, recorreu da decisão.

Auxiliar de serviços gerais terceirizado no Hospital Eduardo Campos da Pessoa Idosa, na zona oeste da capital pernambucana, Souza foi detido em 9 de janeiro de 2025. A prisão ocorreu diante de colegas de trabalho, superiores, pacientes e visitantes. No dia seguinte, ele foi levado ao Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, na região metropolitana do Recife.

O período na unidade prisional deixou marcas. Em relato sobre os dias de encarceramento, Souza descreveu as condições da cela onde ficou com outros detentos.

“Cheguei naquele lugar, com 183 homens dentro de uma cela. Eu dormi no chão, deitava lá no chão, no esgoto, a água caindo em mim”, contou.

Investigação confundiu dois homens

A prisão teve origem em uma investigação sobre um ataque a tiros ocorrido em 15 de dezembro de 2022, no bairro de Nova Descoberta, na zona norte do Recife. Segundo a denúncia do Ministério Público de Pernambuco, dois homens armados atiraram contra duas pessoas durante uma disputa territorial ligada ao tráfico de drogas. Uma delas morreu e a outra ficou ferida.

Souza foi apontado como um dos autores dos disparos e associado ao apelido de “João Capeta”. Ao contestar a prisão, sua defesa alegou que a investigação o havia identificado equivocadamente como suspeito dos crimes.

Após ser provocada pela defesa, a Polícia Civil produziu um relatório que reconheceu a possibilidade de a vítima sobrevivente ter confundido Souza com o verdadeiro suspeito. O documento identificou semelhanças entre os dois homens, incluindo características físicas e o fato de morarem na mesma comunidade.

Outro ponto destacado foi a semelhança entre os nomes das mães dos dois, que se diferenciavam pela presença do sobrenome “Silva” em um deles. Segundo o relatório policial, porém, o verdadeiro suspeito tinha qualificação e histórico diferentes dos de Souza.

Ele deixou a prisão em 21 de janeiro de 2025. Ao recordar o momento, descreveu a soltura como um recomeço.

“Foi como se eu nascesse de novo, voltasse ao mundo novamente”, afirmou. Ele também disse que, mesmo sabendo que era inocente, chegou a perder a esperança de sair da cadeia.

Justiça reconhece danos morais

A sentença foi assinada em 28 de setembro pelo juiz Breno Duarte Ribeiro de Oliveira, da 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital, vinculada ao Tribunal de Justiça de Pernambuco. O magistrado considerou que a prisão indevida provocou danos que ultrapassaram os transtornos comuns do cotidiano.

Na decisão, ele destacou o constrangimento de Souza ter sido detido diante de outras pessoas no trabalho e depois encaminhado a uma unidade prisional.

O trabalhador havia pedido R$ 500 mil de indenização por danos morais. O juiz, entretanto, considerou o valor desproporcional e fixou a reparação em R$ 30 mil. Entre os fatores considerados estava o reconhecimento do erro pela autoridade estatal após a defesa questionar a prisão.

O Estado de Pernambuco sustentou no processo que a medida havia sido baseada em informações fornecidas pela vítima sobrevivente à polícia. Argumentou ainda que a atuação ocorreu no exercício regular das funções policiais e judiciais, sem abuso de poder ou intenção de causar dano.

Governo recorre da condenação

A Procuradoria-Geral do Estado apresentou recurso em 13 de outubro. Na apelação, defendeu que a investigação foi corrigida pela própria Polícia Civil e que eventuais equívocos na coleta de indícios não significam, por si só, que houve conduta passível de indenização.

O órgão afirma que a prisão não decorreu de dolo, má-fé ou erro grosseiro indenizável. A Secretaria de Defesa Social informou que a Corregedoria-Geral instaurou um procedimento preliminar para apurar o caso.

Além dos efeitos emocionais, Souza afirma que a prisão teve consequências na vida profissional. Ele foi demitido em abril de 2026 e acredita que o desligamento está relacionado ao período em que ficou preso.

Desempregado, diz que deseja voltar a trabalhar com carteira assinada e recuperar a estabilidade para sustentar os filhos. Sua defesa também avalia recorrer da sentença para tentar elevar o valor da indenização.

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