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A água da torneira saiu branca? EPAL esclarece que não há perigos para a saúde

25 October 2026 at 17:20

Abrir a torneira e encontrar uma água aparentemente branca ou leitosa pode levantar dúvidas sobre se existe algum problema com aquilo que vai beber. No entanto, esta alteração visual pode ter uma explicação bastante simples e não significa necessariamente que a água esteja imprópria para consumo.

O aspeto esbranquiçado resulta normalmente da presença de ar dissolvido na água, que origina numerosas microbolhas, segundo esclarece a EPAL. Trata-se de uma situação passageira que, nas condições descritas pela entidade, não altera a qualidade da água.

Microbolhas são responsáveis pela cor branca

Quando a pressão existente nas tubagens ou nos reservatórios sofre oscilações, o ar dissolvido pode formar pequenas bolhas. Como são muito numerosas e de reduzida dimensão, fazem com que a água pareça branca logo depois de sair da torneira.

Não se trata, portanto, de uma substância branca misturada na água. O efeito visual é provocado pelo ar e tende a desaparecer pouco depois, à medida que as microbolhas se libertam.

Copo transparente permite fazer a experiência

A própria EPAL sugere uma forma simples de observar o fenómeno. Basta encher um copo ou um jarro transparente e deixar a água repousar durante alguns instantes.

À medida que as bolhas desaparecem, a água volta progressivamente a apresentar um aspeto límpido. Esta mudança ajuda a perceber que a tonalidade inicial estava relacionada com o ar presente na água e não com uma alteração permanente da sua cor.

Ruídos nas canalizações podem ter a mesma origem

O ar também pode explicar outro comportamento ocasional das torneiras. Depois de uma interrupção no abastecimento ou de um período prolongado sem utilização, como durante umas férias, podem ouvir-se ruídos nas canalizações.

Nessas circunstâncias, a água também pode sair de forma irregular, aos chamados “jorros”. Segundo a mesma entidade, a presença de ar nas tubagens está novamente na origem do fenómeno, sendo aconselhado deixar correr a água durante alguns minutos.

Cheiro a cloro tem uma explicação diferente

Já um eventual cheiro ou sabor a cloro não está relacionado com as microbolhas. O cloro é utilizado durante o tratamento da água para preservar a sua qualidade microbiológica ao longo do percurso entre as estações de tratamento, a rede de distribuição e as torneiras.

Quando esse cheiro ou sabor se torna percetível, a EPAL recomenda deixar a água repousar durante alguns minutos. A entidade explica que o cloro é utilizado em doses reduzidas, destinadas a manter a proteção microbiológica durante a distribuição.

Canalizações também podem alterar algumas características

Nem todas as alterações observadas na água têm origem na rede pública. A idade e o estado de conservação das canalizações existentes dentro dos edifícios, bem como de eventuais equipamentos hidropressores, podem influenciar características como a cor, o cheiro ou o sabor.

A temperatura também pode mudar a perceção do sabor, sendo a água fresca geralmente mais agradável ao paladar. Assim, quando a água sai branca da torneira e recupera rapidamente a transparência depois de repousar, a explicação indicada pela EPAL é a presença temporária de microbolhas de ar, fenómeno que não afeta, de forma individual, a qualidade da água.

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Nos Açores há uma pequena localidade onde se cultiva café e a explicação está no clima

25 October 2026 at 11:40

Portugal não é propriamente conhecido como produtor de café, mas há um recanto do arquipélago dos Açores onde os cafezeiros encontraram condições para crescer. Trata-se da Fajã dos Vimes, na ilha de São Jorge, onde o grão é cultivado, colhido e transformado localmente, num caso pouco habitual no contexto europeu.

Segundo o portal do Turismo dos Açores, a explicação encontra-se no microclima existente em algumas fajãs de São Jorge. Estas condições permitiram desenvolver culturas agrícolas pouco comuns nesta latitude, entre as quais os cafezeiros da Fajã dos Vimes, cujo café é descrito pela entidade como tendo sabor e aroma intensos.

Arribas ajudam a criar um clima diferente

As fajãs são pequenas superfícies relativamente planas existentes junto ao mar, formadas por escoadas de lava ou pela acumulação de materiais provenientes de desabamentos. Em São Jorge existem mais de 40 e representam uma das características mais marcantes da paisagem da ilha.

No caso das fajãs formadas junto a grandes arribas, a própria configuração do terreno pode criar condições diferentes das que se encontram nas zonas altas. Um guia oficial do Visit Azores explica que estes locais ficam protegidos pelas falésias e apresentam frequentemente um clima mais ameno, favorável até ao cultivo de espécies de caráter mais tropical.

Café chega a ser produzido para consumo local

É precisamente isso que acontece na Fajã dos Vimes. As condições microclimáticas permitem manter plantações de café destinadas ao consumo local, uma particularidade que se tornou uma das imagens de marca deste ponto da costa sul de São Jorge.

Os grãos utilizados são colhidos na própria fajã. O portal do Turismo dos Açores considera mesmo estas plantações uma das “raridades agrícolas” proporcionadas pelo microclima e classifica a existência de cafezeiros neste território como um caso raro na Europa.

Solo fértil também ajuda a explicar o fenómeno

O clima não é a única característica favorável. A Fajã dos Vimes situa-se na costa sul de São Jorge, na freguesia da Ribeira Seca, concelho da Calheta, e apresenta terrenos descritos pelas entidades regionais como férteis e adequados a diferentes culturas agrícolas.

O portal ambiental SIARAM, dos Açores, refere especificamente a combinação de clima ameno e solo fértil, indicando o café entre as culturas existentes no local. Três linhas de água chegam ainda a esta fajã, onde existe também uma nascente de água mineral gaseificada.

Ilha tem mais de 40 fajãs junto ao mar

O cenário é muito diferente das grandes regiões produtoras de café associadas ao Brasil ou à Colômbia. São Jorge mede cerca de 54 quilómetros de comprimento e apenas 6,9 quilómetros na sua largura máxima, sendo atravessada por uma cordilheira central que contrasta com uma costa alta e recortada.

As fajãs aparecem junto à base dessas arribas e algumas têm acessos exclusivamente pedestres. Entre as mais conhecidas encontram-se a Caldeira de Santo Cristo, associada às amêijoas, a Fajã dos Cubres, com a sua lagoa, e a Fajã do Ouvidor, procurada pelas piscinas naturais.

Fajã dos Vimes guarda outra tradição

O café não é, contudo, a única particularidade deste pequeno território. Na Fajã dos Vimes mantém-se também a produção de colchas em antigos teares de madeira, tradição que continua associada ao artesanato de São Jorge.

É assim entre as arribas da costa sul açoriana, longe das regiões tropicais normalmente relacionadas com esta cultura, que os cafezeiros encontraram um pequeno espaço para prosperar. O abrigo proporcionado pelo relevo, um microclima mais ameno e os solos férteis ajudam a explicar por que razão na Fajã dos Vimes é possível colher e beber café produzido em território português.

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Perto de Tavira há uma pequena localidade onde telhas e tijolos ainda são feitos à mão com barro retirado da própria terra

25 October 2026 at 08:10

Há uma localidade no Algarve onde o barro retirado dos próprios terrenos continua a ser utilizado para fabricar telhas, tijolos e ladrilhos através de métodos tradicionais. Numa altura em que grande parte dos materiais de construção é produzida industrialmente, esta atividade artesanal mantém-se ligada às características naturais da região e ao conhecimento dos seus habitantes.

A tradição continua presente em Santa Catarina da Fonte do Bispo, uma freguesia do concelho de Tavira, situada entre o barrocal e a serra algarvia. De acordo com o portal do Município de Tavira, a produção de cerâmica artesanal constitui uma das atividades características da localidade, onde a composição dos solos favoreceu o desenvolvimento deste ofício.

Segredo está no barro retirado da própria região

A existência de terrenos argilosos e calcários ajuda a explicar a ligação de Santa Catarina da Fonte do Bispo à indústria cerâmica. É precisamente desta terra que se extrai o barro utilizado na produção de diferentes materiais, permitindo aproveitar uma matéria-prima disponível na região sem depender exclusivamente de recursos provenientes de outros locais.

Segundo a mesma fonte, os telheiros da freguesia continuam a produzir ladrilhos, telhas artesanais e os chamados tijolos de burro. Entre as peças fabricadas encontram-se elementos de inspiração mourisca, cuja confeção permanece essencialmente manual, mantendo técnicas associadas à construção tradicional e à identidade arquitetónica algarvia.

Associação ajuda a preservar esta atividade

A produção artesanal está associada ao trabalho desenvolvido pela Associação de Telheiros Artesanais, entidade referida pelo Município de Tavira como responsável pela continuidade desta atividade histórica. O fabrico dos materiais mantém uma ligação às técnicas tradicionais, num processo em que o trabalho manual continua a desempenhar um papel importante.

A autarquia destaca ainda a procura por materiais de construção com características ecológicas e valor estético, fatores que contribuem para manter a relevância dos produtos fabricados na freguesia. Assim, as telhas e os tijolos tradicionais continuam a ter utilização na construção, preservando simultaneamente uma atividade ligada ao património local.

Paisagem também explica as tradições da freguesia

Santa Catarina da Fonte do Bispo ocupa uma área de 11.920 hectares, distribuída entre o barrocal e a serra. Além da cerâmica, a economia local está historicamente associada à agricultura, à pecuária, ao artesanato e ao turismo rural, atividades que refletem as características naturais deste território do interior algarvio.

A paisagem apresenta amendoeiras, alfarrobeiras e sobreiros, além de terrenos utilizados para diferentes culturas agrícolas. A produção de aguardentes, licores e medronho também integra as tradições locais, numa zona onde a diversidade do solo e da vegetação influenciou as atividades desenvolvidas pela população.

Há outros espaços que preservam a história da localidade

Quem visita Santa Catarina da Fonte do Bispo pode ainda conhecer a cooperativa agrícola da freguesia, que conserva um antigo lagar industrial. O espaço permite descobrir aspetos relacionados com a produção tradicional de azeite, incluindo utensílios utilizados e diferentes etapas do processo, contando também com uma loja dedicada aos produtos regionais.

Outro dos edifícios de interesse é a Igreja Paroquial de Santa Catarina da Fonte do Bispo, cuja construção começou na primeira metade do século XVI. O templo conserva elementos associados às arquiteturas manuelina e renascentista, incluindo características visíveis na capela-mor e nos contrafortes exteriores, constituindo outro testemunho do património histórico desta freguesia do concelho de Tavira.

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