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Brazil: defeated Flávio Bolsonaro ordered to surrender passports

Far-right senator banned from leaving country as supreme court judge’s ruling cites money-laundering case

The far-right senator Flávio Bolsonaro was banned from leaving Brazil and ordered to surrender his passports just hours after his dramatic loss in the presidential election to the leftist president Luiz Inácio Lula da Silva.

The ruling was issued by Alexandre de Moraes, the same supreme court justice who oversaw the trial of the senator’s father, the former president Jair Bolsonaro, for attempting a coup.

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© Photograph: Xinhua/Shutterstock

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Detentora dos direitos de Elvis Presley processa Anthropic por violação

26 October 2026 at 21:22

A Authentic Brands Group, organização que detém os direitos autorais e de imagem de Elvis Presley, acusa a Anthropic de usar 274 canções do cantor para treinar a inteligência artificial da empresa.

A instituição, a editora musical Raleigh Music Publishing, vários fundos patrimoniais e pelo menos uma pessoa física abriram um processo contra a desenvolvedora.

A ação, protocolado na Califórnia, não é a primeira contra uma companhia de IA. Gravadoras como Sony, Warner Records e Universal, e a Recording Industry Association of America, associação que representa a indústria fonográfica nos Estados Unidos, já abriram processos semelhantes, acusando empresas do setor de violação de direitos autorais.

No documento da ação, aberta na sexta-feira (23), o advogado Richard Busch alega que o Claude, principalmente modelo da Anthropic, foi projetado para usar conteúdo protegido por direitos autorais e gerar conteúdo que infringe esses direitos em “praticamente todas as músicas de todos os catálogos disponíveis na internet”.

“Os autores da ação judicial, que representam Elvis, movem este processo para fazer valer esses direitos exclusivos contra o réu, que construiu todo o seu modelo de negócios com base na violação de direitos autorais em uma escala nunca vista antes”, escreveu Busch no documento.

O processo acusa a Anthropic de utilizar 274 canções de Elvis Presley, incluindo “Can’t Help Falling in Love” e “All Shook Up”. Os detentores dos direitos pedem indenização de US$ 150 mil por faixa violada, ou cerca de US$ 41 milhões.

A ação ainda afirma que, mesmo com mecanismos de proteção para limitar a produção de conteúdos que violam direitos autorais, a Anthropic teria se envolvido “conscientemente” e continuaria a se envolver intencionalmente nesse tipo de violação.

Isso porque grandes modelos de linguagem, como o Claude, são treinados com dados disponíveis na internet. No caso das músicas, a IA aprende sons, letras e expressões que já existem para, em seguida, gerar suas próprias canções.

Em comunicado, a Anthropic afirmou que discorda das acusações e pretende se defender no processo.

 

Reeleito, Lula fala em criar IA brasileira e regular big techs

26 October 2026 at 20:24

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para um quarto mandato não consecutivo no domingo (25), falou na criação de uma inteligência artificial brasileira e em regular as big techs em discurso pós-reeleição, na Avenida Paulista, em São Paulo (SP).

“Iremos ensinar mais matemática e engenharia, porque eu não quero ficar dependendo de inteligência artificial chinesa ou americana. Eu quero criar uma brasileira”, afirmou.

Lula também falou em uma “intromissão vinda de fora através de plataformas digitais”, em alusão ao caso da Meta.

Desde o início do período eleitoral, a coligação liderada pelo PT e adversários do presidente, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), acusaram a Meta de tentar interferir no pleito, supostamente influenciando métricas dos candidatos de um lado e bloqueando conteúdos de outros. Na última semana da corrida eleitoral, a big tech voltou ao centro do debate, quando surgiram novas denúncias de interferência, cobranças da Justiça eleitoral e a admissão da própria empresa de que há “falhas recorrentes” no controle do conteúdo.

“Não podemos ter empresas monstruosas de grande ganhando milhões e bilhões, não pagando imposto, e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país”, disse Lula a apoiadores na Avenida Paulista.

Lula ainda afirmou que o Brasil é o País com maior potencial energético renovável para trazer data centers para solo nacional. No entanto, defendeu que as infraestruturas deverão armazenar também os dados brasileiros, não apenas o de empresas estrangeiras.

Investimento em IA e data centers fazem parte das propostas de Lula

As falas de Lula durante o discurso repetem pontos que já foram apresentados no plano de governo.

O documento traz medidas relacionadas à soberania digital, com o desenvolvimento de um ecossistema nacional de tecnologia.

Isso inclui supercomputadores desenvolvidos e operados por instituições nacionais, e a expansão de data centers e de outras infraestruturas de IA no país — seja acompanhada de proteções socioambientais, incluindo impactos sobre o sistema elétrico, híbrido e população local.

No plano, Lula também prometeu a criação de um modelo de linguagem em português, voltado para os problemas do país, junto de uma plataforma nacional que forneça os dados de treinamento.

Sobre as plataformas, o plano de governo menciona mecanismos para “assegurar que o ambiente digital esteja submetido às leis brasileiras, proteja os direitos fundamentais e sirva ao interesse público” e a regulamentação das plataformas de jogos e dos ambientes digitais.

Trump diz que eleição do Brasil pareceu fraudada, mas que gosta de Lula

26 October 2026 at 19:42

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (26), sem apresentar provas, que a votação para a Presidência do Brasil “pareceu mais uma eleição fraudada”, mas destacou que gosta de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que se dá bem com o petista.

Questionado por repórteres sobre sua avaliação do pleito, realizado no domingo (25), Trump disse que achou “terrível”. Flávio Bolsonaro (PL), que foi derrotado por Lula, anunciou que não reconhecerá o resultado da votação e que pedirá anulação.

“Não tomei partido, mas a imagem que passou para o mundo foi péssima; é mais uma eleição — e você sabe, eleições precisam ser inquestionáveis ​​—, por isso, para mim, a situação pareceu muito ruim”, adicionou.

“Não apoiei ninguém nem nada, mas acompanhei a eleição e ela pareceu tão corrupta”, acrescentou.

Em outro momento, o presidente dos Estados Unidos foi questionado se faria algo a respeito da eleição brasileira, respondendo que não comanda o Brasil e que tem bom relacionamento com Lula.

“Eu gosto do Lula, me dou muito bem com ele. Só acho que a forma como a apuração foi feita passou uma impressão muito ruim”, disse.

No domingo (25), dia do segundo turno, Donald Trump Jr., filho do presidente, criticou a extensão do horário de votação no Brasil, que teve fim adiado das 17h para as 19h.

“Se um governo conservador no Brasil fizesse isso, todo mundo na imprensa mainstream americana perderia a cabeça, mas acho que eles estão apenas escolhendo ficar em silêncio porque é tudo pela causa”, alegou.

Até agora, os Estados Unidos não reconheceram oficialmente o resultado da eleição presidencial brasileira. Outros países, como China, França, Espanha, Portugal e Alemanha, reconheceram a votação e parabenizaram Lula.

Outras autoridades dos EUA também se pronunciaram e saudaram o petista, como Gavin Newsom, governador da Califórnia, o senador Bernie Sanders e Zohran Mamdani, prefeito de Nova York.

Nações da América do Sul, como Chile, Peru e Colômbia, que são comandadas por líderes de direita, também reconheceram o resultado. A Argentina, de Javier Milei, não se pronunciou.

Campanhas de Flávio e Lula pediram extensão do horário de votação

A solicitação de extensão do horário da votação foi feita tanto pela campanha de Lula quanto pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O pedido do grupo de Lula usou como base relatos de problemas envolvendo o transporte de eleitores em todo o país.

Já a campanha de Fávio havia pedido o alongamento da votação ao TSE para os estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo por causa das fortes chuvas.

O PT (Partido dos Trabalhadores) também protocolou um pedido ao Supremo Tribunal Federal para prorrogação da votação por mais duas horas em todo o território nacional. Cristiano Zanin foi sorteado relator do caso às 16h30, no horário de Brasília.

O magistrado acatou a solicitação às 16h57, mas a decisão só entrou nos sistemas da Corte às 17h01. A apuração foi paralisada por volta das 17h06, com o TSE já tendo divulgado os números de algumas urnas.

Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, referendou a medida às 18h.

Autoridades do Brasil confirmam lisura da votação para presidente

O presidente do TSE também assegurou, ainda no domingo, que não houve irregularidades na eleição presidencial e que a prorrogação do horário de votação não comprometeu sua lisura.

“Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Temos absoluta confiança em todo o processo eleitoral”, declarou Nunes Marques.

Partidos que haviam declarado apoio a Flávio Bolsonaro também parabenizaram a reeleição do presidente Lula. Foi o caso de União Brasil, Republicanos e Podemos.

Os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, Davi Alcolumbre (União) e Hugo Motta (Republicanos), respectivamente, também se pronunciaram.

Alcolumbre disse que o resultado foi uma “vitória da democracia” e pediu respeito à “vontade soberana do povo”. Hugo também elogiou o sistema eleitoral brasileiro e afirmou que a data se trata de “um dia de alegria para nós, democratas”.

Votos após as 17h representaram 0,027% do total

Apenas 34.330 votos foram computados depois das 17h de domingo (25), horário previsto para o encerramento do segundo turno das eleições.

O número representa 0,027% dos 127,8 milhões de votos registrados no país e não teria peso suficiente para alterar o resultado da disputa presidencial.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com vantagem de cerca de 4,4 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro. O petista recebeu 64,2 milhões de votos, contra 59,8 milhões do adversário.

Exército português recebe primeiro Black Hawk de uma frota de quatro helicópteros

26 October 2026 at 19:33

O aparelho foi transportado num avião KC- 390 da Força Aérea, proveniente de Melbourne, Florida, nos Estados Unidos, com destino ao aeródromo militar de Tancos, em Santarém, onde aterrou no domingo.

O Exército português recebeu o primeiro de quatro helicópteros UH-60 Black Hawk que vão permitir criar uma capacidade própria de aviação militar para o ramo militar. A aquisição dos helicópteros está prevista na Lei de Programação Militar, representando um investimento de mais de 40 milhões de euros. O pedido para a compra tinha dado entrada em dezembro de 2025 na agência de procurement da NATO (NSPA).

Os quatro Black Hawk realizarão missões de transporte tático, projeção e extração de forças, apoio às operações militares e evacuação médica. Os aparelhos poderão também ser utilizados em situações de emergência civil, ampliando a capacidade de resposta das Forças Armadas a catástrofes e outras ocorrências.

O aparelho, proveniente de Melbourne, na Florida, vai integrar a Unidade de Helicópteros de Apoio, Proteção e Evacuação (HAPE), criada para reforçar o apoio às operações terrestres. A chegada marca o início da constituição de uma frota de helicópteros própria do Exército, que até agora não dispunha, dotando o Exército de meios de asa rotativa multifunções, capazes de apoiar operações militares e missões de assistência à população.

A aeronave aterrou no domingo no aeródromo militar de Tancos, em Santarém, local que tem em marcha um investimento de cerca de 50 milhões de euros para o projeto de Helicópteros de Apoio, Proteção e Evacuação (HAPE) — montante que engloba a compra de equipamentos, obras de requalificação do aeródromo, bem como todo o processo de formação dos futuros pilotos e mecânicos do Exército — e onde deverá ser instalada a futura escola de pilotos da Lufhansa.

Investimento ultrapassa 40 milhões

A aquisição dos helicópteros está prevista na Lei de Programação Militar (LPM) e integra o processo de modernização do Exército. O projeto representa uma despesa máxima autorizada de mais de 40 milhões de euros, à qual acresce IVA, quando aplicável.

O montante, estabelecido por um Despacho publicado em Diário da República em 2024, não corresponde exclusivamente ao preço das quatro aeronaves. Abrange também a formação, os componentes e a sustentação dos meios, incluindo os encargos necessários para assegurar a sua utilização e manutenção.

A chegada do primeiro aparelho ocorre numa altura em que Tancos está também no centro de outros investimentos na área da aviação militar. O Governo tem previsto para a infraestrutura um projeto “estratégico” de desenvolvimento da formação aeronáutica, tendo garantido que a utilização civil não deverá prejudicar as operações militares.

A nova frota do Exército deve ser distinguida dos Black Hawk já operados pela Força Aérea Portuguesa, que utiliza estes helicópteros sobretudo no combate aéreo a incêndios rurais. Com a aquisição agora em curso, o Exército passa a desenvolver uma capacidade própria, orientada para o apoio às forças terrestres e para a evacuação e proteção de militares.

Amazon fires trap Manaus in smoke as authorities target arsonists

MANAUS, Brazil — Midway through the conversation with Mongabay, Otacílio Farias, a 75-year-old farmer, stops to read a message on his phone: “Right now, there’s a fire near a friend’s house.” Farias has lived his entire life near the Autaz Mirim River, near Manaus, Brazil’s largest city in the Amazon. Forest fires have affected the area for more than 30 days. “Nearby, Lake Miriti was shrouded in haze at dawn, but it wasn’t morning mist: It was smoke,” he said. Farias says the nearby municipalities of Autazes and Careiro da Várzea are experiencing the worst fire crisis of his lifetime. “My throat and nose are in terrible shape,” he said. Farias’ community WhatsApp groups are packed with pleas to save crops and reports of elderly residents rescued as flames approached. Farias was at home on Oct. 1 when friends of his 18-year-old son, Fabrício, arrived on motorcycles, calling for help against fires approaching homes. Around 100 community members joined the effort. It wasn’t until Oct. 10, however, that the Amazonas state government declared an emergency in 36 municipalities, paving the way for federal assistance. Between Oct. 1 and 19, Brazil’s space agency, INPE, recorded 1,921 fire hotspots in Amazonas, up 202% from the same period in 2025. The daily average also rose 51.5% compared with late September 2026. Of these, 584 (30.4%) were in the Manaus metropolitan area: 197 in Autazes, 134 in Itacoatiara and seven in Manaus. Hotspots also spiked after the first round of Brazil’s presidential election: INPE…This article was originally published on Mongabay

Latin America’s left celebrates Lula’s victory: ‘The Pelé of progressivism’

26 October 2026 at 18:30

The weakened Latin American left is celebrating Luiz Inácio Lula da Silva’s epic comeback in grand style — the “Pelé of progressivism” who is preparing to become president of Brazil for a fourth time. From Mexico’s Claudia Sheinbaum to Colombia’s Gustavo Petro, and including Argentina’s Cristina Fernández de Kirchner and Chile’s Gabriel Boric, the bloc was quick to hail Lula’s victory as soon as it became irreversible, despite the defeated Flávio Bolsonaro’s promise to seek to annul the election. The right, split between acknowledging the result and remaining silent, has left Bolsonaro alone in his challenge.

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© Presidencia de Brasil (REUTERS)

Lula da Silva greets Claudia Sheinbaum in Rio de Janeiro, Brazil, in 2024.

Metro de Lisboa com serviços mínimos na greve de 28 e 30 de outubro, mas algumas estações vão estar encerradas

26 October 2026 at 18:08

O Tribunal Arbitral do Conselho Económico e Social (CES) determinou serviços mínimos para as greves parciais convocadas pelas organizações sindicais do Metropolitano de Lisboa para os dias 28 e 30 de outubro, entre as 5h e as 10h.

Os serviços mínimos garantem a abertura de 26 estações, incluindo terminais, estações de correspondência entre linhas e de ligação a outros operadores, bem como as que servem hospitais, universidades e tribunais. A distribuição é de dez estações na linha Azul, seis na Amarela, cinco na Verde e cinco na Vermelha.

As estações abrangidas pelos serviços mínimos estarão abertas ao público a partir das 7h. Na linha Azul, estarão em funcionamento as estações da Reboleira, Pontinha, Colégio Militar, Jardim Zoológico, Praça de Espanha, São Sebastião, Marquês de Pombal, Baixa-Chiado, Terreiro do Paço e Santa Apolónia.

Na linha Amarela, estarão abertas as estações de Odivelas, Campo Grande, Cidade Universitária, Entre Campos, Saldanha e Rato. Na linha Verde, o serviço será assegurado em Telheiras, Alameda, Rossio, Baixa-Chiado e Cais do Sodré. Já na linha Vermelha, estarão em funcionamento as estações do Aeroporto, Oriente, Alameda, Saldanha e São Sebastião.

Todas as restantes estações permanecerão encerradas ao público até às 10h. O Metropolitano de Lisboa prevê uma circulação significativamente reduzida, com tempos de espera superiores ao habitual.

Na fundamentação da decisão, o Tribunal Arbitral considera que as greves apresentam três características que as distinguem de paralisações anteriores analisadas pela jurisprudência e que justificam um novo equilíbrio entre os direitos em conflito. O primeiro fator apontado é a repetição dos protestos, uma vez que esta será a terceira ação de luta em seis meses e a segunda em apenas 15 dias.

O segundo prende-se com o horário das paralisações, que decorrem durante a hora de ponta da manhã de dois dias úteis, período em que se concentram as deslocações com horários impostos por terceiros. Segundo o tribunal, a adesão de uma pequena parte dos trabalhadores, cujas funções condicionam toda a operação, pode levar à supressão total do serviço durante esse intervalo, em vez de uma redução da oferta.

Por último, o tribunal teve em conta a proposta apresentada pelo Metropolitano de Lisboa para os serviços mínimos, que previa cerca de um quarto da oferta habitual entre as 7h e as 10h, em parte das estações. Essa solução permitiria que a maioria dos 110 trabalhadores abrangidos pelo pré-aviso de greve pudesse aderir à paralisação.

Ucrânia pressiona parceiros europeus para avançar com sistema antimíssil Freyja

26 October 2026 at 17:56

A Ucrânia diz ter concluído a sua parte no desenvolvimento do Freyja, um sistema europeu de defesa antimíssil balístico, e pressiona agora os parceiros internacionais para acelerarem os trabalhos. O projeto pretende criar uma alternativa europeia aos sistemas norte-americanos Patriot, numa altura em que a escassez de intercetores está a aumentar a pressão sobre as capacidades de defesa aérea da Ucrânia e de outros países europeus.

“Relativamente ao projeto do míssil antibalístico Freyja, a Ucrânia fez o que tinha a fazer”, afirmou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, aos jornalistas. O responsável acrescentou que o contributo dos parceiros continua em desenvolvimento e que dez países estão envolvidos na iniciativa, segundo a agência ucraniana Ukrinform, citada pelo Rapporteur.

As declarações de Zelensky sugerem que a indústria ucraniana, através da empresa de defesa Fire Point, terá concluído a componente do míssil intercetor. Os restantes participantes têm agora de avançar com elementos essenciais do sistema, incluindo os radares e a arquitetura de comando e controlo, necessários para detetar as ameaças, acompanhar a trajetória dos mísseis e orientar a interceção.

“Estão a trabalhar em sistemas deste tipo há décadas. Queremos fazê-lo muito rapidamente, porque não há tempo”, vincou Zelensky, defendendo uma aceleração do projeto.

O projeto surge num contexto de elevada procura de munições antimíssil. A guerra no Médio Oriente tem pressionado os stocks de intercetores norte-americanos, enquanto a Ucrânia continua a depender dos sistemas Patriot para enfrentar ataques russos com mísseis balísticos.

O líder ucraniano alertou esta segunda-feira que o país está “há quase um mês à espera” de aprovação do secretário norte-americano da Defesa, Pete Hegseth, para o fornecimento dos sistemas intercetores. “Estamos há quase um mês à espera que o Sr. Hegseth assine a autorização para os mísseis dos sistemas Patriot e NASAMS. Instruí a nossa equipa a levantar esta questão junto da parte americana mais uma vez. Conversações com outros países também estão em curso”, escreveu Zelensky na rede social X.

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Alternativa europeia aos Patriot

O Freyja foi lançado em julho, numa cimeira que juntou líderes de dez países europeus, incluindo o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e cerca de uma dúzia de fabricantes de defesa, com objetivo de construir, em tempo útil, um sistema que já consiga demonstrar resultados práticos até ao primeiro semestre de 2027.

A ucraniana Fire Point tem trabalhado para desenvolver o intercetor a partir do qual deverá ser construída a capacidade antimíssil do sistema. Em junho, a empresa anunciou ter realizado um voo de teste controlado com manobras do míssil, apresentado como a base do futuro intercetor.

Do lado dos aliados, a expectativa é que os parceiros europeus contribuam com tecnologia, radares modernos, sensores e conhecimento especializados em controlo de mísseis. Entre as empresas já associadas ao esforço estão a Eurosam, que produz o sistema intercetor SAMP-T, a italiana Leonardo, a francesa Thales e a sueca Saab.

A presidente da Comissão Europeia, Ursusla von der Leyen, durante o seu discurso do Estado da União, em setembro, salientou a necessidade de reduzir a dependência de um único fornecedor de defesa e, para tal, pretende contar com a ajuda da Ucrânia.

“O elemento central desta cooperação é o Freyja. Aqui, reunimos a experiência de combate e a capacidade de inovação da Ucrânia com a liderança tecnológica da Europa. E, claro, a nossa considerável capacidade de produção”, afirmou a líder do executivo comunitário.

Helsing desenvolve sistemas intercetores que “põem fim ao dilema da defesa aérea”

26 October 2026 at 16:41

A alemã Helsing apresentou um novo sistema de defesa aérea controlado por inteligência artificial (IA), concebido para detetar e intercetar ataques em larga escala com drones e mísseis. A solução, denominada Contra, integra dois novos intercetores — uma solução que escasseia na Europa — e pretende reduzir o custo de resposta a ameaças aéreas produzidas em massa, como os drones de ataque utilizados pela Rússia na guerra contra a Ucrânia.

O sistema combina sensores, radares e diferentes meios de interceção numa imagem aérea integrada, recorrendo à plataforma de comando e controlo Altra C2. Segundo a empresa, a arquitetura permite “detetar e coordenar respostas contra centenas ou milhares de alvos em simultâneo”, uma capacidade destinada a contrariar ataques de saturação, nos quais um grande número de drones e mísseis procura sobrecarregar as defesas.

“O Contra põe fim ao dilema da defesa aérea: drones lentos para clima favorável, ou mísseis de milhões de euros disparados contra alvos baratos e produzidos em massa. A nossa IA liga sensores e efetores existentes em tempo real e adiciona os nossos intercetores, AD-1 e AD-2. Com propulsão a jato e a foguete, um detetor de radar de baixo custo para qualquer tipo de clima e duas cadeias de abastecimento europeias independentes, eles oferecem superioridade de fogo autónoma até dez quilómetros de altitude — acessível e à escala industrial”, assinala Niklas Köhler, cofundador e presidente da Helsing, citado em comunicado.

O sistema autónomo de defesa aérea da alemã Helsing que apresenta dois novos intercetores: AD-1 Inferno (em baixo) e AD-2 Ambush (em cima).

A empresa de defesa alerta para o aumento sistémico na produção de drones por parte da Rússia, que está também a construir novas plataformas de lançamento para atacar Kiev. Esta escalada coloca o espaço aéreo dos países da União Europeia sob risco crescente, uma ameaça que se materializou nas últimas semanas com sucessivas violações de fronteiras, particularmente no Mar Negro.

Neste cenário regulado pela urgência, a Helsing garante que a sua tecnologia está pronta para responder à crise, vincando que “o Contra foi projetado especificamente para combater esta ameaça”. A alemã já está a demonstrar múltiplas destas integrações de hardware a clientes militares.

A apresentação insere-se na estratégia da tecnológica de desenvolver sistemas militares que combinam IA e equipamento produzido em escala industrial. A empresa pretende oferecer uma arquitetura que não dependa exclusivamente dos seus próprios intercetores, permitindo aos clientes integrar diferentes meios de defesa e adaptar a resposta às ameaças e aos recursos disponíveis.

O Contra integra dois novos intercetores, desenvolvidos para responder a diferentes tipos de ameaças aéreas. O AD-1 Inferno é propulsionado por um motor a jato e foi concebido para permanecer em voo numa determinada área, operar em enxame e voltar a tentar intercetar um alvo. Já o AD-2 Ambush utiliza um motor de foguete de combustível sólido e destina-se a interceções rápidas contra ameaças de maior velocidade.

Qual o salário necessário para viver confortável trabalhando em Lisboa ou no Porto? Faça as suas contas e descubra

26 October 2026 at 11:31

Decidir ir viver para fora do Porto ou Lisboa pode diminuir as despesas em mais de €900, consoante o meio de transporte utilizado. Mas o que se poupa em dinheiro pode perder-se em tempo. A escolha é sua. Simule e leia os testemunhos de quem vive nos arredores, mas trabalha nos grandes centros urbanos

“Não vi um único ônibus passar”: o dia em que Salvador votou de carona com estranhos

25 October 2026 at 21:15

Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.

Tássia Novaes saiu de carro com a filha neste domingo, 25 de outubro, dia do segundo turno. Entre 13h30 e 16h, rodou por três dos principais corredores de ônibus de Salvador, entre eles a região do Acesso Norte, estação de transbordo, e a Avenida Bonocô. “Nesse período eu não vi um único ônibus passar”, conta. Ela parava de ponto em ponto, baixava o vidro e perguntava quem ainda não tinha votado. “Tinha gente que falava assim: eu tô aqui há duas horas e não passou ônibus.”

Levou cerca de dez pessoas até os locais de votação. Um casal, uma senhora com o filho, outros grupos pequenos. “Em ponto de transbordo, que é onde geralmente tem mais ônibus circulando, não tinha ônibus. É surreal”, reclama. “Pela primeira vez eu tô vendo isso, de não ter ônibus em Salvador para as pessoas irem votar.”

Ao longo do dia, a Secretaria de Mobilidade de Salvador (Semob) confirmou que pelo menos 75 ônibus foram impedidos de sair das garagens. A justificativa foi a presença de adesivos com o número do candidato Lula (PT) nos veículos, como mostrou a Agência Pública. O secretário da Justiça da Bahia, Felipe Freitas, contou 252 veículos parados em três garagens. O Procon-BA autuou a empresa OT Trans depois de encontrar 55 ônibus estacionados no pátio.

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Às 13h15, o presidente do TRE-BA, desembargador Mauricio Kertzman Szporer, mandou a Polícia Federal prender em flagrante o secretário de Mobilidade, Pablo Souza, que estava em Paris. A decisão também obrigou a prefeitura a colocar 100% da frota nas ruas em uma hora, com tarifa zero, sob multa de R$ 1 milhão por hora. Para o magistrado, a retenção “frustra a participação eleitoral dos cidadãos soteropolitanos”. Pouco depois das 17h, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou a votação até as 19h em todo o país.

O prefeito Bruno Reis (União Brasil), aliado da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), negou ter dado ordem para “reduzir ou impedir a circulação dos ônibus”. Disse que a saída atrasou porque foi preciso retirar propaganda irregular dos veículos, que a operação foi normalizada por volta das 10h30 e criticou a “politização” do episódio. Os relatos colhidos pela Pública contam outra história. Oito dias antes, a Câmara Municipal havia entregado a Flávio o título de cidadão soteropolitano, em cerimônia no Farol da Barra, ao lado de um comício do candidato. No primeiro turno, Lula teve 65,26% dos votos válidos na cidade, a maior votação dele entre as capitais.

“Não, deixa tudo aí, vai”

Clara Matos não deu carona porque estava com a filha pequena no carro. Mas cruzou cerca de 20 quilômetros da cidade entre o meio-dia e o fim da tarde. “Contando, vimos dois ônibus em cinco avenidas grandes”, diz. Perto do meio-dia, segundo ela, ainda havia “ônibus zero” e pontos cheios.

Por volta das 15h, numa loja de material de construção, o funcionário que carregava o carro da família comentou que ainda não tinha votado. Estava no trabalho desde cedo e só seria liberado depois das três. “Já soube que não tem ônibus, e não sei se eu vou conseguir chegar a tempo para votar”, contou ele. Clara dispensou o serviço: “Não, deixa tudo aí, vai”. Ela não sabe se ele conseguiu chegar a tempo.

Mais tarde, numa lanchonete perto de casa, a atendente do caixa de McDonald disse que só sairia às 16h15 e que sua seção ficava longe. “De ônibus, ela levaria no mínimo uma hora para chegar, se conseguisse ônibus”, diz Clara. O marido dela se ofereceu para pagar um Uber, “muito discretamente”, porque o gerente acompanhava a conversa. A moça aceitou.

“Os ônibus foram sequestrados”, resume Maíra

Maíra Rocha já tinha levado de manhã uma pessoa que votava no mesmo colégio que ela e outra pessoa até São Caetano, no Subúrbio Ferroviário. “Notei que no Subúrbio tava muito cheio”, conta. Quando os grupos de mensagens começaram a convocar caronas, depois do almoço, ela hesitou. “Fiquei receosa de sair sozinha e de cadastrar meu telefone”, diz. Chamou um amigo do Rio Vermelho para acompanhá-la.

Às 15h, a caminho de Periperi, também no Subúrbio, ela já via muitos carros oferecendo carona e os primeiros ônibus de volta às ruas, depois da ordem judicial. Na Federação, embarcou um grupo que ia votar na Faculdade de Arquitetura. Ao todo, levou cerca de seis pessoas aos seus locais de votação. Quem ela pegou no ponto contou que, pela manhã, até viu ônibus passar, mas vazios e com o letreiro “Garagem”.

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