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Alterações climáticas prejudicam aparecimento de cogumelos em Trás-os-Montes

27 October 2026 at 17:59

As alterações climáticas sentidas nos últimos dois ou três anos estão a prejudicar o aparecimento de várias espécies nobres de cogumelos comestíveis, devido ao terreno seco e falta de humidade, disse hoje à Lusa um especialista do setor.

Segundo o presidente da Associação Micológica A Pantorra, Manuel Moredo, com sede em Mogadouro, no distrito de Bragança, este ano está a ser péssimo para o aparecimento de cogumelos devido ao tempo quente e seco, o que leva a que estes fungos não se desenvolvam e consequentemente não aparecem no território do interior norte.

“O terreno está muito seco e não há perspetivas de chuva para as próximas duas semanas, pelo menos. Mesmo as espécies mais nobres, como os boletos, amanita caesarea ou setas de cardo, não vão aparecer por falta de humidade e apenas algum calor, o que torna este ano atípico para a apanha dos cogumelos silvestres.

De acordo com o micólogo, haverá ainda algumas espécies como as sanchas que poderão aparecer porque aguentam com algum frio e podem surgir até ao final de novembro.

Por esta altura do ano, lameiros, florestas, soutos e pinhais são locais ideais para a apanha, que são batidos palmo a palmo pelos recoletores de cogumelos silvestres, alguns dos quais o fazem por gosto e outros porque encontraram nesta atividade uma forma de sustento, que este ano “será fraca”.

Os preços das mais variadas espécies de cogumelos silvestres em fresco podem variar entre os 15 euros por quilo, no caso dos boletos, e os três euros, para as setas dos pinheiros.

“Estes preços dos cogumelos silvestres são variáveis em função das quantidades existentes. Como este ano a apanha será praticamente nula, há a tendência para uma forte quebra de rendimento para quem nesta altura do ano tenha esta fonte de rendimento extra”, vincou Manuel Moredo.

Sanchas ou setas, boleto, repolgas, línguas de vaca, frades ou míscaros são, entre outras espécies nesta altura do ano, dos fungos mais procurados pelos apreciadores e recoletores na região.

“Já percorremos vários pontos do Nordeste Transmontano, desde a Serra de Bornes, no concelho de Macedo de Cavaleiros, até Mogadouro, e o cenário é sempre o mesmo: não há cogumelos”, sublinhou o especialista em micologia.

Em zonas mais húmidas do país ainda começaram a aparecer várias espécies de cogumelos, mas em Trás-os-Montes isso não vai acontecer este ano.

O turismo micológico é igualmente um atrativo no Nordeste Transmontano e que este ano também poderá sentir uma forte quebra de amantes da micologia, devido à falta de cogumelos silvestres para estudo ou simplesmente para um passeio de identificação das mais variadas espécies que em anos normais aparecem.

A Pantorra já identificou mais de 1.200 espécies de cogumelos silvestres no Nordeste Transmontano em mais de duas décadas, num trabalho conjunto de vários especialistas em micologia da Universidade de Trás-os-Montes (UTAD) e da Universidade Politécnica de Bragança (UPB) para identificar as espécies, já que muitas delas são tóxicas e algumas até letais.

As espécies mais predominantes num ano normal são as sanchas ou setas, boleto, repolgas, línguas de vaca, frades ou míscaros, fungos procurados pelos apreciadores e recoletores na região.

O território do Planalto Mirandês tem ainda apetências naturais para o aparecimento de trufas negras, sendo este o fungo de maior valor gastronómico conhecido.

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População garante que não vai desistir de lutar contra mina de lítio em Trás-os-Montes

27 October 2026 at 13:43

Opositores à mina de lítio do Barroso, em Boticas, que bloquearam os trabalhos da Savannah Resources garantiram que não vão desistir de lutar, já a empresa disse que hoje não estavam previstas ações naquele espaço.

Ao início da manhã, cerca de 30 pessoas que se opõem à extração de lítio em Covas do Barroso, no concelho de Boticas, distrito de Vila Real, região de Trás-os-Montes, repetiram um bloqueio aos trabalhos realizados pela Savannah numa área baldia, incluída na servidão administrativa que permite à empresa entrar nos terrenos para a realização de trabalhos de geotecnia.

Os manifestantes colocaram-se em frente a uma das máquinas de trabalho indo, de seguida, para o caminho florestal onde, ao longo da manhã, se foram juntando mais pessoas.

Contactada pela agência Lusa, fonte da empresa avançou que não estavam previstos trabalhos para aquele local no dia de hoje, que estão seguranças no espaço porque a sua “prioridade” é garantir a proteção de pessoas e máquinas e que os trabalhos em “todas as outras frentes continuam”.

Entre os manifestantes estavam proprietários de terrenos abrangidos pela segunda servidão administrativa, autorizada pelo Ministério do Ambiente em maio.

Armando Gonçalves, de 72 anos, referiu que tem “bastante área” incluída na servidão, onde pastoreia o rebanho de ovelhas e onde plantou pinheiros após um incêndio que há 16 anos deixou tudo negro.

“Foi uma destruição e agora estamos a ver outra. A outra destruição ainda nos deixou a casa, ainda nos deixou a aldeia. Esta próxima destruição que está a querer aparecer é para nos mandar mesmo daqui embora”, referiu o morador da aldeia de Romaínho, junto a Covas do Barroso.

Continua a levar as ovelhas para o lameiro, mas referiu que não cultivou mais os terrenos e que a nascente de água que ali tinha secou.

Armando Gonçalves contou que se juntou ao protesto para lutar “pelo presente e pelo futuro” destas comunidades e também dos vizinhos.

“Porque isto não vai afetar, não vai só dar cabo da freguesia de Covas. A freguesia de Covas, se isto for para a frente, é para desaparecer, mas os nossos concelhos vizinhos vão ficar todos afetados porque o pó vai muito longe e o rio vai até ao mar e o rio vai ficar completamente contaminado”, realçou.

Maria Loureiro, de 58 anos, também é de Romaínho e esta é já a segunda vez que tem os terrenos incluídos na servidão administrativa.

“É um bocado de terreno, lameiros e olivais”, contou, afirmando ser contra a mina porque aqui nasceu, foi criada e gosta da agricultura e daquilo que faz.

E é por isso que garantiu que não desiste de lutar e recusa aceitar que, no futuro, tenha perdido uma luta por não participar.

“Quero preservar os meus terrenos, o meu modo de vida. Os meus pais deixaram e eu quero deixar aos meus filhos e aos meus netos. Quero participar e quero preservar o futuro de nós todos, aquilo de bem que temos, esta paisagem, esta floresta, os lameiros e os nascentes, temos água pura, o sossego que tínhamos, que hoje não temos, portanto, quero lutar pelo bem que tínhamos e que gostava de continuar a ter”, salientou.

José Fernandes, de 71 anos, reside na localidade de Muro, e tem também terrenos na área da servidão, onde tem mais de 500 eucaliptos e lenha que disse que dava para si e para os seus filhos, que desistiram de fazer casa na aldeia por causa da mina e foram para a vila de Boticas.

“Talvez o futuro seja eu sair daqui”, apontou.

Por causa de um futuro que diz ser incerto associou-se a este protesto e muitos outros que têm sido realizados.

“Muita gente, de Ribeira de Pena, de Cabeceiras, de Mondim, por aí abaixo, não pensam no que isto vai prejudicar as águas que eles bebem, que vão sair todas daqui envenenadas ou estariam talvez aqui ao nosso lado a ajudar-nos, mas ainda não se aperceberam disso. Quando se aperceberem vai ser tarde”, lamentou.

É que depois de a mina abrir, advertiu, “vai ser tarde” e “já não vai haver nada que a feche”.

“Por isso é lutar enquanto podemos, mas não está fácil”, frisou.

Logo pela manhã, Nélson Gomes, presidente da Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB), frisou que estes moradores não querem uma mina à porta das suas casas, garantindo que os bloqueios vão continuar “enquanto for preciso”.

Já no dia 09 de outubro, a associação interrompeu os trabalhos da empresa, com a GNR a identificar 27 opositores à mina de lítio, que a Savannah quer explorar na zona de Covas do Barroso. Hoje, a GNR não esteve no local.

“Numa altura que tanto se fala da habitação é precisamente também a nossa casa que está em risco, é a nossa habitação porque ter uma mina à porta de casa corremos o risco de um dia ter que sair das nossas casas e ser obrigados a abandonar a aldeia, coisa que não queremos”, realçou Nélson Gomes.

Em maio, o Ministério do Ambiente autorizou uma segunda servidão administrativa que permite à Savannah entrar em terrenos comunitários e privados para trabalhos de geotecnia, a qual foi contestada em tribunal através de uma providência cautelar interposta pelo Conselho Diretivo dos Baldios da Freguesia de Covas do Barroso, que levou à suspensão das prospeções por cerca de 20 dias.

O projeto mineiro foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) com a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023.

A empresa Savannah Resources pretende iniciar a construção em 2027 e alcançar a primeira produção em 2028.

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Empresa de Braga leva fibra ótica a mais 1.300 casas em Trás-os-Montes

27 October 2026 at 10:33

A dstelecom, do Grupo DST, de Braga, está a reforçar a sua rede de fibra ótica multioperador no concelho de Freixo de Espada à Cinta, no distrito de Bragança, região de Trás-os-Montes, com uma operação de expansão que permitirá levar conectividade de última geração, pela primeira vez, a Mazouco, Lagoaça e Fornos, num total de mais de 1.300 casas.

“Com esta intervenção, o concelho passará a contar com cerca de 3.300 casas abrangidas até ao final de 2026, atingindo uma taxa de cobertura de 95%”, salienta a dstelecom, em comunicado enviado hoje a O MINHO.

Segundo a empresa, “esta intervenção vem reforçar a infraestrutura já existente em Ligares e em Freixo de Espada à Cinta, contribuindo para uma cobertura cada vez mais abrangente do território e criando melhores condições de conectividade para famílias e empresas”.

“Acreditamos que o acesso a infraestruturas digitais de qualidade não pode depender do local onde se vive ou trabalha. Ao levarmos fibra ótica a mais 1.300 casas em Freixo de Espada à Cinta, estamos a criar melhores condições para as famílias, para as empresas e para o desenvolvimento económico deste território. É este o nosso compromisso: aproximar o interior das oportunidades do mundo digital”, afirma Ricardo Salgado, CEO da dstelecom, citado no comunicado.

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Populares voltam a bloquear trabalhos em mina de Trás-os-Montes

27 October 2026 at 07:56

Cerca de 30 pessoas que se opõem à extração de lítio em Covas do Barroso, Boticas, distrito de Vila Real, repetem hoje um bloqueio aos trabalhos realizados pela Savannah numa das áreas da servidão administrativa.

“Estamos a fazer um novo bloqueio, dissemos que não íamos parar e não vamos parar, nada nos vai desmobilizar da nossa luta, vamos continuar a defender a nossa aldeia com dignidade, que é aquilo que queremos, é esta forma de vida que queremos continuar a levar e é isso que vamos defender”, afirmou à agência Lusa o presidente da Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB), Nélson Gomes.

Pelas 06:00, cerca de 30 pessoas juntaram-se nos terrenos assinalados para os trabalhos de sondagem da Savannah Resources e formaram um cordão humano em frente a uma máquina de prospeção, procurando travar o avanço dos trabalhos.

Com a chegada dos seguranças da empresa ao local, foi também chamada a GNR.

“Não queremos uma mina à porta das nossas casas”, frisou Nélson Gomes.

“Numa altura que tanto se fala da habitação, é precisamente também a nossa casa que está em risco, é a nossa habitação porque ter uma mina à porta de casa, corremos o risco de um dia ter que sair das nossas casas e ser obrigados a abandonar a aldeia, coisa que não queremos”, acrescentou.

Já no dia 09 de outubro, a associação interrompeu os trabalhos da empresa, com a GNR a identificar 27 opositores à mina de lítio, que a Savannah quer explorar na zona de Covas do Barroso.

“Estamos em terrenos de baldios, terrenos esses onde nós já tivemos projetos de intervenção, quer dizer, fomos incentivados a preservar a floresta, a fazer investimento na floresta e agora aquilo que estamos a ver é que as máquinas entram, fazem decapação, cortam pinheiros, cortam árvores, fazem a mobilização do solo como se vê, só deixam pedras à vista e é isto que nós não queremos”, referiu ainda o responsável.

Em maio, o Ministério do Ambiente autorizou uma segunda servidão administrativa, que permite à Savannah entrar em terrenos comunitários e privados para trabalhos de geotecnia, a qual foi contestada em tribunal através de uma providência cautelar interposta pelo Conselho Diretivo dos Baldios da Freguesia de Covas do Barroso, que levou à suspensão das prospeções por cerca de 20 dias.

Paulo Pires, pastor de Romainho, referiu que esta “luta é também pela defesa do modo de vida da comunidade”.

“Esta luta também é pela defesa da nossa casa, que é a nossa aldeia. Ninguém quer viver a 200 metros de uma mina a céu aberto (…).Trabalhámos a vida toda para termos os terrenos e o gado que temos. E agora é o nosso próprio Governo que nos quer tirar isso à força. Não aceitamos”.

Para a presidente da Junta de Covas do Barroso, Rita Mó, o bloqueio é também um protesto contra a atuação da União Europeia (UE).

“Temos de recorrer a este bloqueio porque esgotámos todas as outras opções. De cima só vêm ordens, e nenhuma abertura para escutar a população. Temos por exemplo uma UE que se vangloria constantemente de representar o continente dos direitos. Para quem? Onde se vê essa Europa dos direitos, quando as suas populações rurais são assim tratadas como descartáveis? Quando somos ameaçadas de uma expropriação em massa dos nossos terrenos”, questionou.

Considerando que é “a própria Comissão Europeia que promove um projeto de mineração que não só é um atentado ambiental, como vai contra a expressa vontade das populações locais”.

“É preciso lembrar que, à boleia deste projeto, esta comunidade vive com câmaras de vigilância e segurança privada instaladas na aldeia. É um abuso”, referiu a autarca.

Nélson Gomes garantiu que os bloqueios vão continuar “enquanto for preciso”.

O projeto mineiro foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023.

A empresa Savannah quer iniciar a construção em 2027 e alcançar a primeira produção em 2028.

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