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Café recua em NY com avanço dos estoques e desvalorização do real

28 October 2026 at 18:48

A pressão sobre a oferta brasileira e o avanço dos estoques certificados influenciaram as negociações do café nesta sessão de quarta-feira (28). Na Bolsa de Nova York, o contrato futuro com vencimento em dezembro recuou 2,38%, encerrando o pregão cotado a US$ 2,86 por libra-peso.

De acordo com o Barchart, a desvalorização do real brasileiro também contribui para o movimento de baixa. Na segunda-feira, a moeda caiu cerca de 9% após o resultado das eleições presidenciais no fim de semana. Embora tenha recuperado parte das perdas, o real ainda acumula desvalorização de aproximadamente 8% na semana. Com a moeda brasileira mais fraca, os exportadores podem receber mais em reais pelas vendas externas, o que aumenta o incentivo à comercialização do café brasileiro no mercado internacional.

Outro fator que pressiona as cotações é o volume de café que aguarda classificação nos armazéns monitorados pela ICE. Na terça-feira, mais de 36 mil sacas de café brasileiro estavam nessa condição, o maior número em cinco semanas. Após a aprovação nos testes de classificação, os lotes passam a integrar os estoques certificados da bolsa.

O volume de café brasileiro nos armazéns da ICE aumentou desde meados de setembro e alcançou 80.084 sacas na semana passada, o maior nível em nove meses. Na terça-feira, os estoques recuaram ligeiramente, para 79.867 sacas, mas permanecem próximos do pico recente, reforçando a pressão sobre os preços futuros.

Açúcar

O contrato futuro do açúcar com vencimento em março fechou a sessão com alta de 0,73% na Bolsa de Nova York, cotado a 19,34 centavos de dólar por libra-peso.

O avanço foi sustentado por dados da S&P Global Energy, que apontaram uma redução na produção de açúcar das usinas do Centro-Sul do Brasil na primeira quinzena de outubro. Segundo a consultoria, o volume produzido ficou em 2 milhões de toneladas, abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. As chuvas persistentes associadas ao fenômeno El Niño prejudicaram a colheita da cana-de-açúcar e reduziram o ritmo de moagem nas unidades produtoras.

Apesar da recuperação registrada na sessão, as cotações ainda acumulam perdas expressivas em relação à semana anterior. Na segunda-feira, os preços recuaram acentuadamente em meio à forte desvalorização do real brasileiro, que chegou a cair 9% após o resultado das eleições presidenciais no fim de semana. A moeda apresentou recuperação parcial, mas ainda acumula queda de cerca de 8% na semana, movimento que pode favorecer as exportações brasileiras e pressionar os preços internacionais do açúcar.

Cacau

O contrato futuro do cacau com vencimento em dezembro encerrou o pregão com desvalorização de 2,17% na bolsa, cotado a US$ 5.456 por tonelada.

A queda é influenciada por preocupações de que a desvalorização do real brasileiro possa estimular os exportadores nacionais a ampliar as vendas da commodity, conforme destacou o Barchart. Com a moeda brasileira mais fraca em relação ao dólar, os vendedores podem receber mais em reais pelas negociações internacionais, o que tende a favorecer a oferta no mercado global.

Embora o Brasil tenha participação menor no comércio mundial de cacau em comparação com os países da África Ocidental e o Equador, o país ocupa a sétima posição entre os maiores produtores globais, respondendo por cerca de 4% a 5% da produção mundial, segundo estimativas da Organização Internacional do Cacau (ICCO).

Outro fator de pressão sobre as cotações é o aumento dos estoques monitorados pela ICE. Na segunda-feira, os volumes atingiram 3.684.698 sacas, o maior patamar em dois anos e meio. Na terça-feira, houve um leve recuo para 3.679.744 sacas, mas o nível elevado dos estoques continua pesando sobre os preços futuros.

Suco de Laranja

Na Bolsa de Nova York, o contrato futuro do suco de laranja com vencimento em janeiro encerrou a sessão em alta de 0,87%, cotado a US$ 1,44 por libra-peso.

Algodão

O contrato de algodão para entrega em dezembro encerrou a sessão com valorização de 0,12% na Bolsa de Nova York, cotado a 78,15 centavos de dólar por libra-peso.

https://stories.cnnbrasil.com.br/?post_type=web-story&p=530179

Cacau tem maior recomposição da oferta desde 2021, mas déficit é esperado

28 October 2026 at 15:24

O balanço global de cacau da temporada 2025/26 foi revisado para um superávit de 494 mil toneladas, consolidando o maior movimento de recomposição da oferta desde 2020/21. Os dados constam na quinta e última revisão do relatório da StoneX Brasil, elaborada pelo analista Lucca Bezzon e Leonardo Rossetti, especialista de Inteligência de Mercado.

A revisão, referente ao ciclo de outubro a setembro, foi impulsionada principalmente pelo aumento das estimativas de produção nos principais países produtores. Na Costa do Marfim, a projeção foi ajustada para 2,05 milhões de toneladas. 

O Equador encerrou o período com exportações recordes, enquanto o Brasil registrou uma das melhores safras da série histórica. Em Gana, informações que citam o Cocobod, órgão regulador do setor cacaueiro do país, indicam uma produção próxima de 700 mil toneladas.

Camarões foi uma exceção entre as origens analisadas. Segundo o relatório, o país foi afetado pelas temperaturas elevadas e pela intensificação do fenômeno climático Harmattan, caracterizado por ventos secos que atingem partes da África Ocidental.

Pelo lado da demanda, a StoneX elevou a estimativa em 30 mil toneladas, para 4,69 milhões de toneladas. O ajuste ocorreu após a moagem de cacau apresentar resultado acima do esperado no terceiro trimestre. A consultoria ressalta, porém, que parte desse aumento está associada à recomposição de estoques e ao processamento nos países de origem, sem representar necessariamente uma expansão equivalente do consumo de chocolate.

Oferta menor e déficit previsto para 2026/27

Para a temporada 2026/27, também compreendida entre outubro e setembro, a StoneX projeta um déficit global de 64 mil toneladas. A estimativa indica uma interrupção no processo de recomposição dos estoques observado no ciclo anterior.

A revisão incorpora os efeitos de um evento de El Niño de forte intensidade, que vêm afetando de maneira distinta as principais regiões produtoras. Na Costa do Marfim, o relatório aponta chuvas abaixo da média e lentidão na colheita. Na Indonésia, o destaque é a seca severa, enquanto o Equador enfrenta excesso de umidade.

Com esse cenário, a oferta global de cacau deve diminuir 9,6% em 2026/27. A estimativa foi reduzida em 90 mil toneladas em relação à projeção de julho. Ao mesmo tempo, a demanda deve continuar em recuperação gradual.

Apesar do déficit previsto, o volume é menor do que os registrados nas temporadas entre 2021/22 e 2023/24. Ainda assim, de acordo com a análise da StoneX, o mercado deve iniciar o próximo ciclo com menor margem de segurança nos estoques, aumentando a sensibilidade dos preços a eventuais deteriorações das condições climáticas, especialmente na África Ocidental.

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