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O fim da calça manchada: cientistas criam mictório revolucionário inspirado em cães

28 October 2026 at 01:22

A incômoda experiência de se sujar ao usar um banheiro público pode estar com os dias contados. Para resolver o constrangimento de ficar com respingos visíveis nas calças ou no chão, o professor Zhao Pan, da Universidade de Waterloo, decidiu aplicar a engenharia mecânica a um problema antigo que parecia esquecido.

A ideia surgiu para Pan durante o próprio uso de um banheiro. Em parceria com o pesquisador Randy Hurd, da Universidade Estadual de Weber, e com os estudantes Mabel Song, JD Zhu, Ethan Barlow e Kaveeshan Thurairajah, a equipe desenvolveu modelos cerâmicos inovadores. Os resultados foram apresentados na conferência da Sociedade Americana de Física, em Indianápolis.

A física por trás do modelo

Os modelos criados foram apelidados pelo formato que lembram uma fatia de maçã e um ‘J’ alto e fino com abertura estreita. Embora o mictório tradicional tenha sido criado há mais de 100 anos, pouca evolução ocorreu para reduzir respingos até o surgimento desses novos projetos, que visam resolver uma falha histórica no design sanitário.

A solução baseia-se na física da mecânica dos fluidos. Quando um jato atinge uma superfície em um ângulo de incidência raso, o respingo diminui; ao atingir um ângulo crítico menor que 30 graus, as gotas desaparecem. A inspiração veio da observação de cães, que erguem a pata para urinar em superfícies verticais justamente para reduzir o ângulo de impacto e os respingos.

Do laboratório ao mercado

Os testes foram realizados em laboratório utilizando um aparato com bomba, reservatório e bocal adaptado à geometria humana, disparando jatos contra mictórios comuns e os protótipos criados. Além de resolver o problema prático, o projeto envolve equações diferenciais, sustentabilidade com a economia de água e produtos de limpeza, além de design industrial e educação STEM.

Embora ainda não haja uma data para a chegada aos banheiros públicos, uma grande loja de departamentos entrou em contato demonstrando interesse em testar os novos mictórios. A pesquisa demonstra como o método científico pode transformar um incômodo cotidiano em inovação tecnológica.

Até onde vai a honestidade? Estudo revela como o “efeito maçã podre” se espalha em um grupo de pessoas

28 October 2026 at 00:21

A ideia de que tomamos decisões de maneira inteiramente independente acaba de ser contestada pela ciência. Um estudo publicado na revista Proceedings of the Royal Society B revelou como o chamado efeito da “maçã podre” influencia o comportamento coletivo.

Presenciar outras pessoas violando regras pode incentivar o observador a cometer infrações ainda maiores, sobretudo quando as transgressões são graves e vêm de indivíduos com os quais compartilhamos afinidades políticas.

Para investigar essa dinâmica, a equipe liderada por Lucas Molleman, da Universidade de Amsterdã, recrutou 750 participantes nos Estados Unidos, divididos em partes iguais entre republicanos e democratas.

Eles realizaram um teste on-line repetido seis vezes, que envolvia observar uma estrela cadente animada em uma sequência de 100 quadrados para identificar o de maior brilho.

As escolhas certas nem sempre eram as mais rentáveis financeiramente, pois selecionar quadrados à direita da resposta correta gerava prêmios maiores, criando um incentivo direto para descumprir as instruções.

O incentivo da transgressão

Após cada escolha, os voluntários viam a decisão de outra pessoa, a gravidade de eventual infração cometida por ela e sua filiação política, podendo ajustar a própria resposta em seguida. A disposição para transgredir já existia antes do contato social, pois 23% das escolhas iniciais envolveram o quadrado de maior recompensa.

Porém, a observação do comportamento alheio mudou os passos seguintes: ver alguém cumprindo as regras reduziu ligeiramente a tendência de trapacear, enquanto pequenas violações a aumentaram de forma discreta.

O impacto mais expressivo ocorreu quando os participantes presenciaram infrações mais flagrantes. Nesses cenários, eles passaram a desrespeitar as regras com mais intensidade, chegando a superar o nível de transgressão que haviam observado.

Com base nesses dados, a equipe realizou simulações computacionais em grupos maiores, mostrando que uma minoria disposta a intensificar as violações pode desencadear uma escalada coletiva e fazer todo um grupo perder o controle.

Identidade política e limites da influência

A identificação política desempenhou um papel central no fenômeno. O efeito do comportamento alheio mostrou-se mais robusto quando o participante compartilhava a mesma inclinação política da pessoa observada.

O achado indica que a disposição para imitar atitudes depende não apenas da ação em si, mas de quem a pratica, mostrando que a expressão “maçã podre” pode ser insuficiente para explicar o contágio social, já que a interpretação e a reprodução da conduta pelos pares impulsionam sua disseminação.

Apesar dos achados, o estudo não determinou um contágio automático. Cerca de um terço dos participantes seguiu as regras de forma consistente, mesmo abrindo mão da maior recompensa. Além disso, os autores destacam que o experimento foi abstrato, on-line e sem penalidades reais, exigindo novas investigações para cenários concretos.

Comentando a pesquisa, o professor Stephen Reicher, da Universidade de St Andrews, ressaltou que presenciar tumultos não faz as pessoas participarem deles automaticamente, lembrando que muitos observadores reagem ajudando na limpeza posterior.

Mensagem sobre “sequestro” lançada ao mar em 1973 reaparece e emociona irmã

27 October 2026 at 23:20

Em agosto de 1973, duas irmãs deixaram à deriva no oceano, na costa de Nova Jersey, uma garrafa de vidro com uma mensagem escrita à mão.

Dentro do recipiente, um bilhete dramático relatava um suposto sequestro no Atlântico.

Passados 53 anos, o vidro flutuante finalmente retorna para as mãos de uma das autoras.

Pescadores impiedosos e tubarões fictícios

A mensagem foi escrita por Allison Spencer, então com 16 anos, motivada por uma história inventada por sua irmã caçula, Laurie Blair, de apenas 9 anos. A carta começava com o alerta: “Esta garrafa foi lançada ao mar em 20 de agosto de 1973, na praia da Second Street, em Ocean City, enquanto meus captores me transportavam para uma ilha no Atlântico”.

O texto pedia para avisar a família que “um grupo de pescadores de esponjas impiedosos” as obrigava a mergulhar em águas infestadas de tubarões, terminando com a assinatura: “Você pode ter salvado minha vida! Obrigada! Laurie Blair”.

O achado no pântano

A garrafa permaneceu nas águas por mais de cinco décadas até ser recuperada por John Kauterman, cofundador da organização sem fins lucrativos Tidelands Initiative. Kauterman recolhia lixo em zonas úmidas do estado quando avistou o recipiente antigo e percebeu de imediato que se tratava de um achado especial.

“Eu pensei: ‘Nossa… a garrafa é antiga.’ Dei uma olhada dentro e… pensei: ‘Caramba, é verdade, temos uma boa aqui’”, disse ele em entrevista ao programa As It Happens, da rádio CBC.

Um verdadeiro milagre

Kauterman localizou Allison Spencer, atualmente professora de biologia em Ann Arbor, Michigan, e entregou-lhe a carta mantida intacta por 53 anos. A devolução teve um significado profundo para Allison. Sua irmã Laurie faleceu há nove anos, vítima de um câncer de mama, quando tinha pouco mais de 50 anos.

“Sinto muita falta dela, então é realmente algo maravilhoso e especial para mim que o bilhete tenha voltado”, declarou Allison durante a entrevista. Para a professora, ver a imaginação fértil de Laurie ressurgir do oceano após tanto tempo traz um conforto inestimável e a lembrança de momentos felizes.

“Laurie é quem tem a imaginação e está sempre inventando histórias malucas. Ela se divertiria muito com esses eventos. Parece-me um verdadeiro milagre que essa carta tenha voltado para mim”, concluiu.

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