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Polícia descobre esquema de venda de dados de mortos para funerárias em SP

29 October 2026 at 22:09

A Polícia Civil de São Paulo investiga um esquema suspeito de venda de dados sigilosos de pessoas mortas para empresas funerárias. A suspeita é que as informações fossem usadas para abordar familiares logo após a morte de parentes e oferecer serviços funerários por preços abusivos.

Segundo a investigação, os envolvidos obtinham ilegalmente informações sobre mortes recentes em hospitais particulares, no Instituto Médico Legal (IML) e no Serviço de Verificação de Óbitos (SVO). Os dados seriam repassados a empresas funerárias, que abordavam familiares enlutados para oferecer serviços com preços acima dos praticados no mercado.

A apuração envolve suspeitas de acesso indevido a dados sigilosos, corrupção e lavagem de dinheiro.

Na segunda fase da Operação Luctus, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão. As diligências alcançaram a SP Regula, uma delegacia, um escritório de contabilidade e outras empresas funerárias. Entre os alvos estão um policial civil, um servidor municipal e empresários do setor funerário.

A ação foi realizada de forma integrada pela Polícia Civil, por meio da Corregedoria-Geral, pela Prefeitura de São Paulo e pela Controladoria-Geral do Município. Segundo a nota oficial, a investigação começou após uma solicitação da Prefeitura. Um policial civil foi alvo de uma ordem de afastamento funcional.

Durante as buscas, foram apreendidos 15 celulares, cinco computadores portáteis, dois tablets, um HD externo, uma CPU, um dispositivo USB, um aparelho Alexa, documentos, um relógio de pulso, quatro máquinas de cartão, cheques, dinheiro em espécie e moedas estrangeiras. Também foram apreendidas oito armas de fogo, dois veículos e uma lancha. Os materiais recolhidos serão submetidos à perícia.

A investigação busca esclarecer como os dados sigilosos eram acessados e repassados, identificar os possíveis envolvidos e verificar eventuais falhas nos controles internos. A operação também tem como objetivo identificar vulnerabilidades e aprimorar os mecanismos de governança, integridade e proteção de informações sensíveis, além de combater a corrupção, o crime organizado e possíveis práticas de lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos.

Nesta fase da operação, não foram cumpridos mandados de prisão, segundo a SSP.

Em nota, a funerária Velar afirmou que tomou conhecimento da operação pela imprensa e que ainda não teve acesso aos autos da investigação nem à decisão judicial. A empresa declarou repudiar práticas ilegais, reafirmou seu compromisso com a conduta ética e o respeito às famílias e disse estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

A Polícia Civil do Estado de São Paulo e a Prefeitura de São Paulo afirmaram em nota que reafirmam seu compromisso com a apuração rigorosa de qualquer irregularidade na administração pública

Jair Renan Bolsonaro se torna réu por suspeita de lavagem de dinheiro

29 October 2026 at 18:45

O deputado federal eleito por Santa Catarina, Jair Renan Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, passou a responder a uma ação penal na Justiça Federal do Distrito Federal. Ele é investigado por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e uso de documentos falsos. A denúncia apresentada pelo Ministério Público foi aceita pela 5ª Vara Criminal na segunda-feira (26) e inclui outras cinco pessoas.

Com o recebimento da denúncia, os acusados deverão apresentar suas defesas à Justiça. O prazo é de dez dias, contados a partir da notificação. Na decisão, o juízo considerou que há elementos suficientes para dar início ao processo criminal. Em agosto do ano passado, Jair Renan já havia sido alvo de uma operação de busca e apreensão relacionada ao caso.

De acordo com a acusação, os envolvidos teriam adulterado registros fiscais da RB Eventos e Mídia, empresa pertencente a Jair Renan, para apresentar uma situação financeira mais favorável do que a real. A suspeita é de que os documentos tenham sido utilizados para viabilizar empréstimos bancários que somaram R$ 291 mil entre 2022 e 2023.

O caso veio à tona após o não pagamento dos valores contratados. Com a inadimplência, o banco iniciou a cobrança da dívida, que alcançou R$ 360 mil com a incidência de juros e encargos. Entre os documentos questionados está um registro que atribuía à empresa uma movimentação financeira anual de R$ 4,6 milhões.

Na denúncia, o Ministério Público sustenta que os investigados teriam praticado os crimes entre 2020 e 2023. Segundo o órgão, eles teriam ocultado ou dissimulado a origem, a movimentação e a propriedade de bens e valores supostamente relacionados a crimes como falsidade ideológica, estelionato e falsificação de documentos públicos e particulares.

A defesa de Jair Renan nega o envolvimento dele nas irregularidades. Alega que o vereador foi vítima de uma fraude cometida por outra pessoa e sustenta sua inocência.

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© Joédson Alves / Agência Brasil

Jair Renan Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é investigado por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e uso de documentos falsos

Deputado italiano pede investigação sobre processo de cidadania da família Bolsonaro

29 October 2026 at 16:55

O deputado italiano Angelo Bonelli, do partido Europa Verde, afirmou nesta quarta-feira (28), que apresentou um requerimento aos ministérios das Relações Exteriores e do Interior da Itália para saber se Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro tiveram tratamento privilegiado para obter a cidadania italiana.

Como mostrou o Estadão, os registros migratórios do governo da Argentina mostram que Flávio usou um passaporte italiano para entrar no país vizinho. De lá, ele seguiu para os Estados Unidos, com uma parada no Equador.

Processo de cidadania acelerado

Segundo Bonelli, Flávio e Eduardo pediram para entrar na lista de espera da Embaixada da Itália em Brasília em 2020.

O deputado afirmou que, em 8 de novembro de 2022, nove dias após o segundo turno das eleições presidenciais, quando o pai deles, Jair Bolsonaro, foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio e Eduardo compareceram pessoalmente à embaixada para cobrar o andamento do processo. Segundo ele, naquela época, estavam sendo convocadas as pessoas inscritas em 2018. Ainda assim, em 2023, os dois conseguiram a cidadania italiana.

Bonelli disse que Carlos obteve a cidadania italiana em 2024. "Em muitas repartições consulares no Brasil, a espera chega a dez anos ou mais, e muitas pessoas são obrigadas a recorrer à Justiça contra o Estado", afirmou o deputado em uma publicação nas redes sociais.

"Há também uma hipocrisia insuportável. Com o decreto de março de 2025, o governo fechou as portas da cidadania para milhares de descendentes de italianos que estavam na fila havia anos. Já para os aliados políticos da Liga, tudo correu sem problemas", disse. Conhecido como Liga, o partido de direita Lega per Salvini Premier é liderado por Matteo Salvini, atual vice-primeiro-ministro da Itália.

Segundo a RFI, os irmãos Bolsonaro conseguiram a cidadania italiana com base no princípio jurídico do jus sanguinis, pelo qual uma pessoa pode adquirir a cidadania de um país com base na nacionalidade de seus pais ou antepassados. A RFI afirmou que a família apresentou a ascendência de um bisavô de Jair, originário da região do Vêneto.

Carla Zambelli citada

Em sua publicação, Bonelli citou a ex-deputada federal Carla Zambelli, que também tem cidadania italiana. No ano passado, ela foi condenada a 10 anos de prisão por sua participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mas deixou o Brasil e foi para a Itália antes de ser presa.

No entanto, em julho de 2025, ela foi detida em um apartamento em Roma. Na época, Bonelli afirmou que a prisão ocorreu após ele descobrir o endereço de Zambelli e denunciá-la para a polícia italiana. A ex-deputada passou quase dez meses presa e foi solta em maio deste ano.

"Vimos com Carla Zambelli o que isso significa: uma condenada que chega à Itália declarando-se intocável graças ao passaporte italiano. A Itália não pode se tornar um refúgio para quem precisa responder à Justiça de seu próprio país", escreveu Bonelli na quarta-feira.

Flávio deixou o Brasil na noite de terça-feira, 27, dois dias após ser derrotado por Lula no segundo turno das eleições presidenciais. O petista foi reeleito com 51,79% dos votos, enquanto Flávio recebeu 48,21% dos votos.

Já nos EUA, o senador publicou, na noite de quarta-feira, uma carta de teor golpista na qual chegou a se autodeclarar "verdadeiro presidente eleito do Brasil". Posteriormente, fez alterações no texto e publicou pelo menos outras duas versões, nas quais passou a se autointitular "o líder do Brasil".

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© Reprodução/YouTube/TV Celular Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro viajou com a família para os Estados Unidos

Megaoperação no RJ: nenhuma morte foi registrada por bodycams, aponta ONG

29 October 2026 at 13:57

Um relatório da Human Rights Watch aponta falhas no uso de câmeras corporais e na investigação das mortes durante a Megaoperação Contenção, realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na zona Norte do Rio, em 28 de outubro de 2025. Segundo a organização, nenhum dos 117 mortos que não eram policiais teve a morte registrada pelas câmeras analisadas.

A pesquisa examinou 4,4 mil horas de gravações de 527 policiais, além de laudos de necropsia, documentos oficiais e quase 600 vídeos e fotografias. Os pesquisadores também entrevistaram 41 testemunhas, familiares de vítimas e autoridades.

O relatório identificou 278 ocorrências de obstrução de câmeras envolvendo 132 policiais. Entre os casos, há registros de equipamentos retirados do corpo, lentes cobertas e câmeras deixadas em viaturas. Em 146 ocorrências, a organização encontrou indícios de possível manipulação intencional.

Segundo dados do governo estadual enviados ao STF (Supremo Tribunal Federal), apenas 23% dos cerca de 2,5 mil policiais mobilizados na operação usavam câmeras corporais.

A entidade também apontou falhas na investigação das mortes. De acordo com o levantamento, equipes de perícia não foram enviadas aos locais dos assassinatos, e a Polícia Civil reuniu informações básicas sobre as circunstâncias das mortes de apenas duas das 117 vítimas que não eram policiais.

Mais de 60% dos mortos foram atingidos por quatro ou mais disparos, segundo o relatório. A análise dos laudos de necropsia levantou indícios de uso excessivo da força e de possíveis mortes intencionais. A organização ressalta que eventuais vínculos das vítimas com o tráfico não justificam execuções ou uso ilegal da força.

O documento também relata episódios de agressão a um adolescente de 16 anos, registrados por câmeras corporais, e aponta que a retirada dos corpos sem perícia nos locais prejudicou a coleta de provas.

A imagem a seguir registra um dos episódios que mostram a câmera sendo coberta por um policial durante a operação. Veja abaixo: 

Na ocasião, a operação mobilizou policiais civis e militares para cumprir mandados contra integrantes do Comando Vermelho. Ao fim da ação, 117 civis e cinco agentes morreram.

Até a elaboração do documento, 19 policiais aguardavam julgamento por acusações como invasão de domicílios, roubo e manipulação de câmeras corporais.

Segundo a Human Rights Watch, nenhum havia sido acusado de uso ilegal da força, e os comandantes responsáveis pelas decisões operacionais não tinham sido responsabilizados.

A CNN Brasil entrou em contato com as polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro. O espaço segue aberto.

PF investiga Paulo Guedes por suspeita de crimes contra sistema financeiro

29 October 2026 at 13:38

O ex-ministro da Economia Paulo Guedes, que comandou a equipe econômica durante o governo Jair Bolsonaro (PL), está na mira de uma investigação da Polícia Federal (PF) por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da empresa OnilX, também figura entre os investigados.

A apuração tramita sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná. O inquérito foi aberto em 10 de fevereiro de 2026 e envolve suspeitas relacionadas à legislação que trata dos crimes contra o sistema financeiro. As informações sobre o caso foram divulgadas pelo portal Metrópoles, a partir de documentos judiciais.

A investigação ocorre em meio a questionamentos sobre a atuação da OnilX no mercado de ativos digitais. A empresa enfrenta processos movidos por investidores que afirmam ter dificuldades para recuperar os recursos aplicados em produtos ligados a criptomoedas e stablecoins.

Relação com a empresa entrou no foco da apuração

A ligação de Guedes com a OnilX envolve prestação de consultoria, participação em reuniões estratégicas e encontros com potenciais investidores. A empresa também utilizou a imagem do ex-ministro em materiais de divulgação.

Em uma publicação da própria companhia, Guedes aparece ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa em uma reunião apresentada como estratégica. O economista foi descrito pela empresa como alguém que contribuía com orientação e visão para os negócios.

O ex-ministro também participou de eventos voltados a investidores e assessores da companhia. Em uma dessas ocasiões, diante de uma plateia de aproximadamente 500 pessoas, elogiou a atuação da empresa e destacou sua importância no desenvolvimento do mercado digital.

A participação de Guedes na companhia passou a aparecer também em ações judiciais movidas por clientes. Em um dos processos, um casal cobra R$ 876,5 mil da OnilX e afirma ter mantido e ampliado os investimentos após participar de uma reunião com o ex-ministro na sede da empresa, em abril.

Segundo o relato apresentado à Justiça, os investidores tentaram recuperar os recursos quatro meses depois, mas não conseguiram concluir o resgate.

Em outro processo, uma assessora da empresa teria mencionado a presença de Guedes na estrutura do negócio ao tentar atrair um potencial investidor. Uma mensagem anexada aos autos indicava a possibilidade de marcar uma reunião com o economista para discutir estratégias financeiras, caso o interessado dispusesse de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões para aplicar.

As alegações apresentadas pelos investidores fazem parte de processos judiciais e não representam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal dos investigados.

CVM suspendeu ofertas de valores mobiliários

A OnilX também entrou no radar da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão responsável pela fiscalização do mercado de valores mobiliários no Brasil.

Em janeiro de 2026, a autarquia determinou a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários realizadas pelo grupo. Em abril, o colegiado manteve a determinação e esclareceu que a restrição não abrangia a simples intermediação de criptoativos, como Bitcoin, Ethereum e USDT, quando não houvesse promessa de rendimento ou contrato de investimento.

A empresa passou a enfrentar uma série de disputas judiciais. Entre 12 de junho e 10 de setembro, foram identificadas 108 ações contra o grupo, segundo o levantamento publicado pelo Metrópoles.

Nos processos, investidores relatam dificuldades para retirar valores aplicados em produtos relacionados a criptomoedas e stablecoins. Alguns também levantam suspeitas de funcionamento de um esquema de pirâmide financeira.

A OnilX nega as acusações e afirma atuar regularmente no mercado de ativos virtuais.

Processo segue sob sigilo

Os registros judiciais indicam que a investigação teve movimentações ao longo de 2026. Em 21 de setembro, houve despacho judicial e expedição de intimações relacionadas a Fábio Lino, à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal (MPF).

Em outubro, o processo continuou a registrar petições e diligências policiais. Como o inquérito tramita sob sigilo, não há informações públicas suficientes para detalhar todas as medidas adotadas nem estabelecer a conduta atribuída individualmente a cada investigado.

Paulo Guedes é representado pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, que também atuam na defesa de Fábio Lino. Segundo a reportagem original, a defesa não respondeu aos contatos feitos pela publicação até o fechamento do texto.

A investigação não equivale a uma condenação. A eventual responsabilidade dos envolvidos dependerá da apuração dos fatos e das decisões das autoridades competentes.

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Estudo desvenda nova informação sobre os impactos da diabetes gestacional e da obesidade no coração de recém-nascidos

29 October 2026 at 11:55

Um estudo coordenado pelo Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) / Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia (CiBB) identificou uma relação entre o metabolismo materno e o stress cardíaco no recém-nascido, sobretudo quando a diabetes gestacional coexiste com excesso de peso ou com obesidade materna antes da gravidez.

Em concreto, ao analisar gravidezes com e sem diabetes gestacional, os cientistas descobriram o aumento de um marcador de stress cardíaco nos casos em que as mães apresentavam excesso de peso ou obesidade antes da gravidez. Estes novos dados podem abrir caminho à futura identificação de sinais de vulnerabilidade para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

O estudo é particularmente relevante num cenário em que o excesso de peso e a obesidade em idade reprodutiva se tornam cada vez mais frequentes, e em que a diabetes gestacional – uma condição que surge durante a gravidez em mães que não eram anteriormente diabéticas – afeta cerca de 15% das gravidezes a nível mundial. Já a doença cardiovascular é habitualmente associada à idade adulta, ao estilo de vida ou à genética. Contudo, o coração começa a desenvolver-se muito antes disso e, durante a gravidez, adapta-se continuamente ao ambiente em que se encontra.

Neste estudo, a equipa queria “compreender a ligação entre a diabetes gestacional, o desenvolvimento fetal e a doença cardiovascular, que pode surgir décadas mais tarde. Tentámos avaliar se a diabetes gestacional deixa sinais mensuráveis de stress cardíaco no bebé antes do nascimento, influenciando a sua saúde cardiovascular futura, e como o ambiente metabólico materno pode comunicar com o coração do bebé antes mesmo de ele nascer”, explica a investigadora e também aluna do Programa Doutoral em Biologia Experimental e Biomedicina do CNC-UC, Carolina Tocantins.

A investigação foi feita através da análise do sangue do cordão umbilical de 82 recém-nascidos, com foco na presença de um marcador de stress cardíaco – a molécula NT-proBNP –, informação que foi cruzada com características metabólicas, hormonais e inflamatórias da mãe e do bebé.

Ao analisar o sangue do cordão umbilical de gravidezes com e sem diabetes gestacional, a equipa descobriu um aumento de cerca de 26% dos níveis da NT-proBNP nos casos que apresentavam excesso de peso ou obesidade materna antes da gravidez. Esta abordagem permitiu identificar esta molécula como um possível ponto de ligação entre o metabolismo da mãe, a resposta metabólica do bebé e a potencial adaptação do coração do bebé.

“Conseguimos relacionar a NT-proBNP com o índice de massa corporal e a glicemia materna, o peso da placenta e a secreção de insulina fetal. Encontrámos ainda uma relação inversa com o cortisol no sangue fetal do cordão umbilical”, revela a investigadora que coordenou o estudo no CNC-UC, Susana Pereira.

“Isto não significa que possamos atualmente usar a molécula NT-proBNP para prever se o bebé desenvolverá doença cardiovascular, mas abre-se uma possibilidade de vir a combinar biomarcadores obtidos ao nascimento com informação clínica”, adiantam as investigadoras. “Identificar precocemente sinais de vulnerabilidade poderá, no futuro, contribuir para estratégias de prevenção mais personalizadas para estas doenças”, refere Susana Pereira, da Unidade de Ciências Biomoleculares Aplicadas e do Instituto para a Saúde e a Bioeconomia do Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa.

O estudo, desenvolvido no âmbito do doutoramento de Carolina Tocantins, foi realizado em colaboração com a Universidade Médica de Graz (Áustria) e com a Universidade NOVA de Lisboa. O trabalho contou com financiamento do Fundo Austríaco para a Ciência, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e do programa Horizonte Europa, através do projeto PAS GRAS: redução de riscos metabólicos, determinantes ambientais e comportamentais da obesidade em crianças, adolescentes e jovens adultos.

O artigo Maternal BMI modulates cord plasma NT-proBNP in gestational diabetes linking cardiac stress to insulin-cortisol crosstalk (O IMC materno modula os níveis plasmáticos de NT-proBNP no cordão umbilical na diabetes gestacional, estabelecendo uma ligação entre o stress cardíaco e a interação entre a insulina e o cortisol, em português) está publicado na revista Cardiovascular Diabetology e disponível clicando AQUI.

Adolescente de 16 anos denuncia MC Poze por estupro após festa no Rio

28 October 2026 at 23:36

A Delegacia da Criança e do Adolescente investiga a denúncia de uma adolescente de 16 anos que afirma ter sido estuprada pelo cantor MC Poze do Rodo. A jovem registrou a ocorrência nesta quarta-feira (28), mas caso teria acontecido em 26 de setembro, por volta das 22h.

Segundo o boletim de ocorrência, na ocasião, a adolescente teria sido convidada por uma amiga para ir a uma festa na casa do cantor.

A vítima disse que estava sob efeito de drogas, como o “Black Lança”, uma variação clandestina do lança-perfume, além de bebidas alcoólicas. Segundo o relato, no momento da relação sexual, ela não estava plenamente consciente.

De acordo com a advogada criminalista Daiana Andrade, que representa a adolescente, a jovem deixou claro que só aceitaria manter relações sexuais com o uso de preservativo. Ainda segundo a advogada, a condição teria sido desrespeitada pelo cantor, que teria se recusado a usar o método de proteção e dado continuidade ao ato.

Ainda segundo o boletim de ocorrência, cerca de dois dias depois, a adolescente teria sido coagida por Poze a retornar à residência. No local, ele teria tomado o celular da jovem e a forçado a ingerir medicamentos que teria comprado.

A vítima relatou ainda que, caso se recusasse a tomar os medicamentos, teria sido ameaçada pelo cantor, que afirmou que pediria a um dos amigos para fazê-la desaparecer.

Em nota, a Polícia Civil informou que os supostos autores serão intimados a prestar esclarecimentos. As investigações seguem em andamento.

A CNN Brasil procurou a defesa do cantor MC Poze do Rodo e aguarda retorno.

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