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Unicorn Factory Lisboa alarga rede de inovação aos 18 municípios da AML

29 October 2026 at 17:58

Chama-se Rede Unicorn Factory Área Metropolitana de Lisboa e será apresentada oficialmente no dia 2 de novembro, no Beato Innovation District, para afirmar a região como um território de inovação, empreendedorismo e competitividade internacional. Esta parceria estratégica visa dinamizar o ecossistema empresarial, científico e tecnológico metropolitano nos 18 municípios do território.

Numa iniciativa conjunta da Área Metropolitana de Lisboa (AML) e da Unicorn Factory Lisboa, a nova rede de empreendedorismo e inovação vai permitir a colaboração e partilha de conhecimento, aproximando recursos e competências nos 18 municípios do território.

O objetivo, explica a AML, passa por “estimular o desenvolvimento de projetos inovadores” assim como “potenciar a capacidade de atração e retenção de talento e investimento”. Na prática, sustenta, será criado um ecossistema metropolitano de inovação, com ambição e projeção internacional.

A AML e a Unicorn Factory Lisboa inspiraram-se em modelos europeus de inovação colaborativa para a criação desta rede que “assenta numa visão integrada do território, em que a diversidade e as complementaridades dos municípios constituem uma vantagem competitiva”, detalha a AML numa nota enviada às redações.

Cluster da saúde apresenta plano para a década com investimentos até dois mil milhões

29 October 2026 at 13:14

O cluster da saúde em Portugal, que reúne empresas, hospitais, universidades, instituições de investigação e outras organizações, apresentou esta quinta-feira um plano de desenvolvimento do setor, para a próxima década, que inclui 14 propostas de iniciativas para reforçar a inovação e a competitividade. O programa estratégico do Health Cluster Portugal até 2035, criado com a consultora EY, assenta em cinco eixos estratégicos e estima um investimento de até dois milhões de euros.

O Plano de Desenvolvimento da Saúde 2.0 – Inovação, Conhecimento e Competitividade (PDS) está desenhado para ser implementado até 2035, embora a fase de maior intensidade e operacional e financeira esteja prevista para os próximos quatro anos. Entre as propostas está, por exemplo, a criação de uma Agência Nacional de Saúde Digital público-privada.

Das 14 propostas, oito são identificadas como prioritárias, entre as quais ter um quadro regulatório e operacional que permita a prescrição de ferramentas digitais de saúde. O documento, desenvolvido com stakeholders do setor, já foi partilhado com os ministérios da Saúde e da Economia e da Coesão Territorial, tendo em conta que é inclui ideias de políticas públicas e medidas para os privados.

O cluster considera que o sucesso do PDS depende de “uma estrutura de governação eficaz e de um modelo de monitorização contínua, capazes de assegurar o envolvimento dos principais stakeholders, da promoção da cooperação entre o setor público e o setor privado, de sinergias entre os diferentes atores e do alinhamento das iniciativas com a visão e os objetivos estratégicos definidos para o Ecossistema Nacional da Saúde até 2035”, bem como de uma monitorização frequente.

Na opinião dos mais de 200 membros deste cluster, o PDS permite uma resposta a desafios estruturais, como a fragmentação dos sistemas de informação, a falta de articulação entre as políticas de saúde, ciência e economia e a complexidade dos processos regulatórios e de certificação. Trata-se de uma atualização do primeiro plano de desenvolvimento da saúde, lançado em 2021, que esteve na origem da agenda mobilizadora Health from Portugal, no âmbito do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência, que contou com um investimento total elegível de 91,8 milhões de euros.

Quais os principais eixos estratégicos do plano de desenvolvimento da saúde?

  • Dados e transformação digital – A integração dos dados em saúde é uma das prioridades do segundo PDS, que defende o reforço da interoperabilidade entre os sistemas públicos e privados, criando condições para acelerar a utilização da inteligência artificial, da medicina personalizada e de modelos de gestão baseados em valor. É aí que surge a Agência Nacional de Saúde Digital, que seria responsável por coordenar a governação dos dados, definir normas de interoperabilidade e estabelecer condições para a sua utilização em investigação, inovação e definição de políticas de saúde.
  • Medicamentos inovadores e tecnologia – O PDS 2026-2035 identifica um potencial de investimento que pode atingir os dois mil milhões de euros em medicamentos inovadores e tecnologias. O objetivo é dinamizar o investimento das farmacêuticas nacionais e atrair multinacionais de referência e ter também enquadramento para prescrever e financiar soluções digitais. Ou seja, ter comparticipação e facilitar a sua integração nos cuidados de saúde.
  • Resiliência do sistema de saúde – Perante o envelhecimento da população, o crescimento das doenças crónicas e das desigualdades no acesso aos cuidados, propõe-se uma evolução para modelos assistenciais mais preventivos e descentralizados. Como? Reforço dos cuidados de proximidade, introdução sistemática da prescrição social, integração das farmácias comunitárias como pontos de acesso aos serviços de saúde, transição para modelos de financiamento baseados em valor (relação entre resultados clínicos e custos associados a cada condição clínica).
  • Valorização do conhecimento – Face à necessidade posicionar Portugal como um hub competitivo para o desenvolvimento de produtos, serviços e soluções de saúde, bem como para a realização de ensaios clínicos e atividades de investigação biomédica de elevada relevância internacional, apela-se à transformação do conhecimento científico aplicado em valor económico e social.
  • Acesso ao mercado – Modernizar os mecanismos de regulação e acesso ao mercado, reforçando o papel dos reguladores como parceiros estratégicos da inovação, promovendo a internacionalização da saúde portuguesa e acelerando a entrada de novas soluções através de instrumentos como sandboxes regulatórias e da criação de condições para acelerar a certificação, fortalecendo a competitividade do ecossistema nacional.

Empresas tradicionais de Pernambuco aceleram uso de IA e parceria com startups para destravar crescimento

29 October 2026 at 08:00

A busca por eficiência e competitividade levou o setor empresarial tradicional de Pernambuco a um momento de virada, onde a inovação deixou de ser uma promessa distante para se tornar prioridade na agenda da alta liderança. Impulsionadas pelo avanço acelerado da Inteligência Artificial (IA) e pela necessidade de modernizar suas operações, as companhias locais têm buscado na aproximação com startups o caminho para acelerar essa transformação. Segundo levantamento realizado pelo LIDE PE com 100 empresas de 11 setores do Estado, 71% das corporações já incluem a IA em suas discussões e planejamentos estratégicos. No entanto, a expansão dessas tecnologias ainda esbarra em gargalos históricos, como bases de dados fragmentadas e processos operacionais arcaicos.

O diagnóstico da pesquisa aponta que o custo de não inovar deixou de ser apenas um risco teórico e passou a impactar diretamente o caixa das organizações. Cerca de 63% dos executivos consultados relatam sofrer impacto financeiro direto devido a deficiências tecnológicas, sendo que 40% enfrentam perdas relevantes de eficiência operacional e 23% afirmam que o problema custa dinheiro e trava o crescimento do negócio. Diante desse cenário, a alta gestão encara a automação e a inteligência analítica como alavancas indispensáveis para proteger margens de lucro e expandir suas operações sem inflar os custos fixos desproporcionalmente.

Nesse ambiente de urgência, a colaboração entre grandes corporações consolidadas e startups tem surgido como a principal ponte para encurtar o ciclo de inovação. O estudo indica que 60% das empresas pernambucanas já buscaram parcerias externas ou soluções desenvolvidas por startups para resolver dores operacionais específicas. Entre as organizações que apostaram nessa integração, 68% alcançaram resultados bem-sucedidos ou mantêm os projetos em evolução contínua.

Apesar do entusiasmo com o potencial das novas ferramentas, a transição exige enfrentar desafios internos antes que os ganhos de produtividade se consolidem. A barreira mais frequente relatada pelos executivos é a falta de uma infraestrutura de dados organizada e confiável, já que informações dispersas em planilhas isoladas inviabilizam o funcionamento pleno da IA.

Além das dificuldades técnicas, a consolidação da inovação depende da superação da resistência cultural e do aumento do letramento digital das equipes internas. Para transformar a tecnologia em resultado, as lideranças destacam a necessidade de capacitação continuada e redesenho de rotinas de trabalho. 

"Ainda existe uma imaturidade dos empresários sobre o que é inteligência artificial, que nada mais é do que dados. O primeiro impacto de quem começa a investir em IA é se deparar com a realidade dos seus próprios dados. Às vezes a empresa tem o dado, mas não os têm estruturados", afirma o presidente do Lide Startups de Pernambuco, Philippe Magno.

O levantamento revela ainda uma mudança marcante na governança da inovação em Pernambuco, que deixou de ser um assunto restrito aos departamentos de TI para ocupar o centro das decisões da alta gestão. Em 46% das empresas pesquisadas — proporção que chega a 62% entre as pequenas e médias —, a liderança direta dos projetos de tecnologia cabe ao próprio CEO ou Presidente. Já nas grandes corporações, a condução migra para diretorias técnicas e executivos dedicados à inovação. 

Segundo Philippe, esta primeira edição da pesquisa servirá como base para direcionar as empresas à resolução das atuais dificuldades e ampliar o leque de alternativas de fomento à inovação que podem ser acessadas pelos negócios, desde a atuação conjunta com startups a linhas de crédito e fundos de fomento à inovação e universidades. "

Perfil e Amostra da Pesquisa

100 empresas de Pernambuco (102 executivos respondentes) abrangendo 11 setores da economia.

Porte financeiro: 41% das corporações faturam acima de R$ 200 milhões ao ano.
Quadro de colaboradores: 21% das organizações possuem mais de 1.000 funcionários.

Adoção e prioridades tecnológicas

Presença da IA: 71% das empresas citaram a Inteligência Artificial em seu planejamento — sendo 46% via escolha objetiva e 25% espontaneamente nas respostas abertas.

Áreas prioritárias para inovação:

IA e automação de processos: 46%
Vendas e relacionamento com cliente: 39%
Dados; inteligência de negócio: 34%
Financeiro  e gestão de custos: 28%
Operações e produção: 26%
Marketing e comunicação: 23%
RH e gestão de pessoas: 11%
Logística e supply chain: 10%
TI  e infraestrutura e jurídico: 9%

Relacionamento com startups e soluções externas

Aposta no ecossistema: 60% das organizações já buscaram inovar com startups ou fornecedores externos.
Taxa de sucesso: 68% das empresas que buscaram soluções externas obtiveram bons resultados ou mantêm os projetos em evolução.
Adoção por porte: buscaram parcerias externas 73% das grandes empresas, 65% das médias e 68% das pequenas.

© JC

Presidente do Lide Startups de Pernambuco, Philippe Magno
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