O governo mexicano autorizou a entrada de cargas de carne de frango brasileira que já estavam a caminho do país quando foi confirmado um foco de doença de Newcastle em Santa Catarina. A informação foi publicada pela Globo Rural e confirmada ao CNN Agro por fontes de mercado.
A autorização contempla embarques realizados até 19 de outubro, exceto os provenientes de Santa Catarina, estado onde o foco foi identificado. O primeiro caso foi confirmado pelo governo brasileiro em 18 de outubro.
Segundo estimativas de exportadores, a medida pode beneficiar até 20 mil toneladas de carne de aves que já estavam em navios com destino ao México.
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A decisão reduz as perdas inicialmente esperadas pelo setor exportador para outubro. A indústria calcula que as restrições comerciais impostas por países importadores podem retirar de 30 mil a 40 mil toneladas mensais dos embarques brasileiros de carne de aves.
Confira as restrições adotadas pelos países importadores de aves do Brasil no documento do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) mais recente, assinado nesta quinta-feira (29):
Restrição nacional: Marrocos, Malásia, México (ovos férteis e pintos de até três dias), Uruguai e Síria. Para essas categorias, não há aceitação de compartimentos reconhecidos pelo Brasil.
Restrição ao estado afetado: Chile, Malásia, Paraguai, Peru, Rússia, Turquia e União Aduaneira Euroasiática. Chile, Paraguai e Peru aceitam compartimentos reconhecidos, conforme as categorias indicadas no documento. Para a Malásia, há condições específicas para embarques provenientes de estados não afetados.
Restrição à zona afetada: África do Sul, Angola, Arábia Saudita, Argélia, Argentina, Bahrein, Bolívia, Botsuana, Burkina Faso, Camarões, Colômbia, Coreia do Sul, Cuba, Egito, Emirados Árabes Unidos, Equador, Grã-Bretanha, Guiné Equatorial, Jordânia, Lesoto, Mianmar, Nigéria, Quênia, República Dominicana, Senegal, Suazilândia, Sudão, União Europeia, Uruguai, Venezuela e Zimbábue. A aceitação de compartimentos varia conforme o país e o produto. Em alguns casos, a restrição considera um raio específico em torno do foco.
Restrição a estabelecimentos afetados: Cabo Verde, Etiópia, Estados Unidos, Filipinas, Guiana, Índia, Israel, Japão, Moçambique, Paquistão, Sri Lanka e Tanzânia. Para categorias específicas, a lista também estabelece regras próprias para ovos SPF da Argentina, do Equador e do Paraguai, além de ovos SPF do México, da Colômbia e do Peru e ovos férteis de perus da Venezuela.
As exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia somaram US$ 12,2 bilhões entre maio e setembro de 2026, alta de 14,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando as vendas alcançaram US$ 10,6 bilhões. O avanço representa um incremento de US$ 1,57 bilhão em cinco meses.
Os dados são do Agrostat, sistema de estatísticas de comércio exterior do agronegócio brasileiro do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), e abrangem os 27 países do bloco europeu.
A aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercosul e a UE começou em 1º de maio de 2026. O tratado prevê a redução ou eliminação de tarifas de importação para diferentes produtos, de acordo com cronogramas específicos e condições negociadas para cada classificação tarifária.
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As condições variam conforme o produto. Enquanto determinados itens podem ter tarifas eliminadas desde o início da aplicação do acordo, outros seguem cronogramas de redução ao longo de vários anos ou estão sujeitos a condições específicas.
Entre os setores que registraram crescimento nas exportações, estão:
Complexo soja: as vendas passaram de US$ 3,12 bilhões para US$ 4,19 bilhões, alta de 34,2%. Em valor, o avanço foi de US$ 1,07 bilhão. Regime tarifário: redução ou eliminação gradual de tarifas, conforme os cronogramas previstos no acordo, que podem chegar a 12 anos.
*Carnes: as exportações passaram de US$ 604,4 milhões para US$ 1,23 bilhão, crescimento de 103,5%. A diferença entre os períodos foi de US$ 625,8 milhões. Regime tarifário: ampliação do acesso ao mercado europeu por meio de cotas para carnes bovina, de aves e suína. A implementação será gradual, em seis etapas anuais. A carne de aves terá tarifa zero dentro da cota; para as carnes bovina e suína, há condições tarifárias específicas.
Produtos florestais: as vendas aumentaram de US$ 1,20 bilhão para US$ 1,48 bilhão, alta de 23%, ou US$ 276,5 milhões. Regime tarifário: redução ou eliminação de tarifas conforme os cronogramas aplicáveis, que podem variar de 4 a 12 anos.
Produtos oleaginosos, exceto soja: o segmento passou de US$ 63,1 milhões para US$ 164,5 milhões, crescimento de 160,7%. Regime tarifário: redução ou eliminação tarifária conforme os prazos estabelecidos para os produtos abrangidos pelo acordo.
Produtos apícolas (mel e derivados): as vendas subiram de US$ 2,3 milhões para US$ 10,8 milhões, alta de 367,1%. Regime tarifário: o acordo prevê uma cota de 45 mil toneladas de mel com tarifa zero dentro do limite estabelecido, cuja implementação será gradual, em seis etapas anuais. Como o Agrostat reúne diferentes produtos apícolas, não é possível determinar quanto do valor exportado corresponde especificamente ao mel.
Complexo sucroalcooleiro: as exportações passaram de US$ 218,6 milhões para US$ 261,9 milhões, aumento de 19,8%. Regime tarifário: cotas e condições específicas para açúcar e etanol. Para o açúcar, há uma cota de 180 mil toneladas com tarifa zero. Para o etanol, são previstas cotas de 450 mil toneladas para uso industrial, com tarifa zero, e de 200 mil toneladas para outros usos, com tarifa reduzida. A implementação das cotas será gradual, em seis etapas anuais.
Frutas, nozes e castanhas: as exportações cresceram 15%, de US$ 274,1 milhões para US$ 315,1 milhões. Regime tarifário: algumas frutas, como abacate, limão, lima, melão, melancia, uva de mesa e maçã, terão eliminação tarifária sem cotas. Os dados agregados não permitem identificar quais produtos contribuíram para o crescimento.
Café e sucos registram queda
Apesar do crescimento geral das exportações do agronegócio, alguns setores registraram recuo no período:
Café: as vendas para a UE caíram 7,7%, de US$ 2,66 bilhões para US$ 2,46 bilhões. Mesmo com a redução, o produto permaneceu entre os principais itens da pauta exportadora brasileira para o bloco.
Sucos: as exportações recuaram 35,7%, de US$ 692,6 milhões para US$ 445,6 milhões. Para o suco de laranja, o acordo prevê desgravação gradual ou margem de preferência, conforme a categoria do produto.
Cereais, farinhas e preparações: as vendas caíram 16,5%, de US$ 572,4 milhões para US$ 478,1 milhões.
Fumo e seus produtos: as exportações diminuíram 15,9%, de US$ 677,4 milhões para US$ 570 milhões.
As vendas somaram US$ 379,7 milhões nos primeiros cinco meses de aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu, ante US$ 160 milhões em 2025.
Entre os produtos analisados, os abacates frescos registraram a maior expansão percentual. As exportações passaram de US$ 3,8 milhões, entre maio e setembro de 2025, para US$ 19,9 milhões no mesmo período de 2026, alta de 421,2%.
As vendas de mel natural avançaram 367,1%, de US$ 2,3 milhões para US$ 10,8 milhões. Já as exportações de óleo de milho cresceram 266,3%, de US$ 35,3 milhões para US$ 129,4 milhões.
O etanol também apresentou aumento expressivo. As vendas ao mercado europeu passaram de US$ 67,5 milhões para US$ 131,8 milhões, crescimento de 95,2%.
No caso do óleo essencial de laranja, as exportações avançaram 75,8%, de US$ 47,1 milhões para US$ 82,7 milhões. As vendas de maçãs frescas cresceram 28,8%, de US$ 4 milhões para US$ 5,1 milhões.
Nota: Mesmo com crescimento em diversos setores, a comparação relacionada aos dados do Agrostat não permite atribuir diretamente o avanço às concessões comerciais, já que outros fatores também influenciam o desempenho das vendas externas.
Além disso, os dados agregados não permitem identificar, em todos os casos, quais produtos específicos foram beneficiados pelas novas condições de acesso ao mercado europeu.
Cabe ainda destacar que o Mapa e o Mdic utilizam metodologias diferentes.