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EUA “ganharam” 1 milhão de barris de petróleo da Venezuela, diz Trump

29 October 2026 at 13:13

O presidente Donald Trump fez um anúncio esta semana: a Venezuela presenteou os Estados Unidos com 1 milhão de barris de petróleo — e isso não custou um centavo sequer aos contribuintes americanos.

O anúncio feito na terça-feira (27) aparentemente surpreendeu uma parte importante do acordo: o produtor do petróleo venezuelano.

A NABEP (North American Blue Energy Partners), parceira do governo dos EUA em um grande investimento petrolífero na Venezuela, informou inicialmente, na terça-feira, que os Estados Unidos haviam comprado o 1 milhão de barris de petróleo, ainda que por um preço substancialmente reduzido.

Após Trump afirmar que o petróleo era gratuito, a NABEP alterou sua declaração para alinhar-se à versão do presidente: o petróleo chegaria a um porto no Texas sem qualquer custo para o contribuinte americano.

Ambas as afirmações eram tecnicamente precisas: a Venezuela está dando aos Estados Unidos um grande presente em petróleo.

O presente é ainda maior do que o 1 milhão de barris de petróleo “gratuito”.

O que Trump disse

Trump fez o anúncio da doação de petróleo a caminho de um comício político em Corpus Christi, no Texas, onde ele exibiria navios-tanque chegando ao porto com os primeiros frutos da parceria da NABEP na Venezuela.

“Assumimos o controle da Venezuela com muito sucesso, e eles me enviaram, como presente, um carregamento de um milhão de barris de petróleo; estou repassando isso aos Estados Unidos da América”, disse Trump a repórteres.

Não se tratava de uma figura de linguagem. O petróleo seria gratuito para os contribuintes americanos, escreveu Trump mais tarde em uma publicação na rede social Truth Social.

“Graças à nossa relação renovada com a Venezuela — que se revelou verdadeiramente excelente —, o petróleo está sendo fornecido aos Estados Unidos SEM custo algum para o contribuinte americano”, escreveu Trump.

Em um comício na noite de terça-feira, Trump afirmou que a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, em janeiro — que resultou na destituição do presidente Nicolás Maduro —, representou “a maior vitória petrolífera da história”.

“Estão vendo aquele naviozinho ali? Ele traz 1 milhão de barris de petróleo da Venezuela, e nós estamos comemorando”, disse Trump. “Ao vencedor pertencem os espólios, não é?”

Como funciona a matemática

Em um acordo firmado em agosto, que a Casa Branca classificou como o “maior negócio de petróleo da história mundial”, o Pentágono adquiriu uma participação acionária na empresa proprietária da NABEP, a segunda maior produtora privada de petróleo na Venezuela.

A proprietária da NABEP é controlada pela família de Alejandro Betancourt López, um controverso empresário internacional radicado no Reino Unido.

Como parte do acordo, o Departamento de Estado dos EUA tem o direito de comprar os primeiros 20% do petróleo venezuelano produzido pela NABEP ao preço de US$ 30 (cerca de R$ 160) por barril — o custo de produção.

Esse valor é significativamente inferior ao preço que o produto poderia alcançar no mercado aberto.

A NABEP anunciou na terça-feira (27) que a primeira remessa decorrente de sua parceria com o governo dos EUA chegaria a Corpus Christi em dois navios-tanque.

“A carga faz parte do direito do governo dos EUA de adquirir 20% da produção da NABEP a preço de custo, sem margem de lucro — uma disposição prevista no acordo firmado em agosto pela empresa com os Departamentos de Estado e de Guerra dos EUA”, informou a NABEP em um comunicado.

Mais tarde naquele dia, a NABEP atualizou seu comunicado.

“Para reconhecer a natureza histórica do acordo entre a NABEP e seu novo comprador principal, o governo dos Estados Unidos, a NABEP entregou o primeiro milhão de barris de petróleo sem custo algum para o contribuinte norte-americano”, acrescentou a empresa em seu comunicado à imprensa retificado.

Como isso é possível?

A NABEP concordou em entregar o 1 milhão de barris de petróleo sem custo inicial.

A empresa compensaria isso cobrando do governo um valor mais alto pelo petróleo nas entregas subsequentes.

“A carga está sendo entregue em conformidade com um acordo comercial, segundo o qual o seu valor é quitado por meio de ajustes nos preços de futuras retiradas, em vez de um pagamento em dinheiro feito de imediato”, afirmou uma pessoa a par dos termos da transação.

Em outras palavras, o primeiro milhão de barris foi vendido aos Estados Unidos por US$ 0 o barril.

A empresa recuperará esses custos por meio de pagamentos diferidos.

Por exemplo, o milhão de barris seguinte poderia ser vendido aos Estados Unidos por US$ 60 (aproximadamente R$ 321) o barril.

Essas remessas resultariam em uma média de US$ 30 por barril.

Um porta-voz da Casa Branca reconheceu que apenas a primeira remessa proveniente da NABEP não teria custo para o contribuinte americano.

Portanto, todos disseram a verdade: o petróleo entregue aos Estados Unidos esta semana foi, tecnicamente, fornecido sem custo para o contribuinte americano.

E isso fazia parte de um contrato de compra previamente estabelecido (e, na terça-feira, ligeiramente alterado) com a NABEP.

O verdadeiro ‘presente’

Mesmo a US$ 60 o barril, o petróleo, tecnicamente, não terá custo algum para o contribuinte.

Isso ocorre porque o petróleo venezuelano está sendo vendido a US$ 80 (cerca de R$ 428).

Portanto, a Venezuela enviará petróleo aos Estados Unidos a um preço bem inferior ao que poderia obter no mercado aberto.

A administração Trump argumenta que, sem investimento estrangeiro, o país não conseguiria aproveitar suas riquezas petrolíferas.

E o acordo, independentemente do preço do petróleo, ajudará a manter empregos na Venezuela.

Isso pode ser verdade.

Os regimes socialistas da Venezuela deixaram sua infraestrutura petrolífera se deteriorar ao longo das últimas décadas, reduzindo a capacidade de produção de petróleo para cerca de 1,2 milhão de barris por dia — uma queda em relação aos mais de 3 milhões de barris diários registrados na década de 1990.

No entanto, segundo críticos, o fato de os Estados Unidos extraírem petróleo a baixo custo para vendê-lo com uma margem de lucro elevada é, na melhor das hipóteses, algo que pega mal e, na pior, uma forma de exploração.

“O presidente Trump ocultou deliberadamente os detalhes de seu esquema envolvendo o petróleo da Venezuela”, disse à CNN o deputado democrata por Illinois, Dan Casten, um crítico ferrenho da política do governo para a Venezuela. “Ainda não sabemos exatamente quanto dinheiro está envolvido nem para onde esse dinheiro está indo.”

Mas Trump sempre afirmou que o petróleo da Venezuela estava à disposição dos Estados Unidos.

No dia 3 de janeiro, ao anunciar a captura de Maduro, Trump declarou que a operação militar visava garantir os recursos da Venezuela, os quais seriam fundamentais para tornar os Estados Unidos ricos.

“O futuro será determinado pela capacidade de proteger o comércio, o território e os recursos que são essenciais para a segurança nacional”, disse Trump. “Eles são fundamentais para a nossa segurança nacional. Assim como as tarifas — que tornaram nosso país rico e fortaleceram nossa segurança nacional, deixando-a mais robusta do que nunca. Essas são as leis férreas que sempre determinaram o poder global. E vamos manter as coisas assim.”

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Governo Trump promove demissões em massa no alto comando militar

29 October 2026 at 13:09

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afastou o principal oficial de planejamento do Pentágono, em um momento em que o presidente Donald Trump avalia novos ataques contra o Irã, informou à CNN uma fonte a par da situação.

O tenente-general Brett Sylvia, que ocupava o cargo de diretor de estratégia, planos e políticas — conhecido como J5 — no Estado-Maior Conjunto, está deixando a função de forma abrupta, confirmou um porta-voz do general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto.

Nenhum motivo foi apresentado para o afastamento de Sylvia, e não está claro quem assumirá suas responsabilidades.

A CNN entrou em contato com o gabinete de Hegseth em busca de um posicionamento.

Essa saída é a mais recente em uma longa série de afastamentos de oficiais de alto escalão do Pentágono durante a administração Trump e desde que Hegseth assumiu o cargo, período marcado por cortes significativos no alto comando militar.

Segundo o Estado-Maior Conjunto (Joint Chiefs), a função J5 é um papel estratégico voltado para a elaboração de planos de engajamento internacional dos EUA.

“O J5 do Estado-Maior Conjunto propõe estratégias, planos e recomendações de políticas ao Presidente do Estado-Maior Conjunto, a fim de subsidiar o fornecimento de aconselhamento militar — abrangendo todo o espectro de questões de segurança nacional — ao Presidente e a outros líderes nacionais”, afirmou o site do Estado-Maior Conjunto.

“O objetivo é garantir que tais recomendações sejam fundamentadas em um contexto estratégico mais amplo — em coordenação com agências governamentais e parceiros de alianças —, levem em conta a perspectiva e as necessidades dos comandantes de forças combatentes, e avaliem os riscos associados à execução da Estratégia Militar Nacional”, completou no site.

Sylvia, que anteriormente comandou a 101ª Divisão Aerotransportada do Exército, foi indicada para o cargo pelo ex-secretário de Defesa Lloyd Austin, perto do fim da administração Biden.

Na noite de quarta-feira (28), a biografia de Sylvia havia sido removida do site do Estado-Maior Conjunto (Joint Chiefs).

“O presidente [do Estado-Maior Conjunto], o Estado-Maior Conjunto e a Força Conjunta expressam sua profunda gratidão ao tenente-general Brett Sylvia e à sua família pelos 32 anos de serviços distintos prestados à nossa nação. Desejamos a ele e à sua família o melhor, à medida que avançam rumo a novas oportunidades e aos próximos capítulos de suas vidas”, afirmou um porta-voz do Estado-Maior Conjunto.

A saída de Sylvia ocorre em um momento crucial para o Pentágono.

Conforme noticiado pela CNN, duas autoridades americanas informaram à emissora, no início desta semana, que as forças dos EUA no Oriente Médio estão preparadas para lançar novas operações militares — potencialmente de grande escala — contra o Irã, “dentro de 96 horas após o recebimento” de uma ordem de Trump.

“Será um grande esforço”, disse uma das autoridades à CNN.

Essa avaliação é compartilhada por outros funcionários e ex-funcionários do governo americano, a par das discussões internas sobre planejamento militar — alguns dos quais afirmam que não se trata de saber “se” Trump emitirá uma ordem de ataque, mas “quando” ele o fará.

Eles acreditam que a ordem pode ser dada a qualquer momento antes do fim do ano, embora, muito provavelmente, ocorra após as eleições de meio de mandato nos EUA.

Autoridades afirmam que Trump ainda não decidiu o que fará após as midterms, mas que ele parece inclinado a ordenar uma ação de grande escala.

Contudo, essas mesmas autoridades ressaltam que, no passado, Trump já demonstrou inclinação para determinadas medidas, mas acabou recuando no último instante.

O presidente declarou anteriormente que nenhum ataque ocorreria antes das eleições de meio de mandato, marcadas para terça-feira (3).

Sylvia junta-se a uma lista de altos funcionários e oficiais do Pentágono dispensados ​​durante o mandato de Hegseth como secretário de Defesa.

Entre eles, destaca-se o chefe do Estado-Maior do Exército, general Randy George, que foi forçado a se aposentar em abril, um dia depois de Trump sinalizar que planejava intensificar a guerra contra o Irã.

Ele também demitiu mais de duas dúzias de oficiais de alto escalão, afastou um secretário da Marinha com quem entrou em conflito e, segundo relatos, interveio em promoções nos diversos ramos das Forças Armadas, moldando diretamente a liderança.

O antecessor de Sylvia, o tenente-general Joe McGee, também deixou o cargo em outubro de 2025 sob pressão de Hegseth — informaram fontes à CNN na ocasião, acrescentando que McGee frequentemente “resistiu” às posições do secretário de Defesa e de Caine em questões que variavam de Rússia e Ucrânia a operações militares no Caribe.

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EUA e Kremlin negociam fim de sanções a fundo soberano da Rússia

29 October 2026 at 11:57

A administração Trump e o Kremlin estão discutindo a possível suspensão das sanções dos Estados Unidos contra o fundo soberano multibilionário da Rússia, segundo declarou um assessor do Kremlin — informação divulgada pela mídia estatal russa.

O movimento representaria mais uma concessão dos EUA a Moscou no âmbito das negociações para encerrar a guerra na Ucrânia.

Yuri Ushakov, assessor de política externa do presidente russo Vladimir Putin, afirmou a jornalistas que as negociações com os Estados Unidos para suspender as sanções contra o Fundo Russo de Investimento Direto (uma entidade estatal) já ocorrem “há algum tempo”, informou a agência de notícias estatal russa TASS na quarta-feira (28).

“Não sei qual será o resultado”, acrescentou ele.

Segundo Ushakov, o CEO do fundo e enviado presidencial, Kirill Dmitriev, tem mantido contato ativo com autoridades americanas para tratar da suspensão das sanções.

A administração Biden impôs as sanções na esteira da invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, classificando-as como um “fundo secreto” conhecido, utilizado por Putin e seu círculo íntimo.

A CNN entrou em contato com a Casa Branca e o Departamento de Estado dos EUA em busca de um posicionamento.

O jornal New York Times noticiou pela primeira vez, na terça-feira (27), que a administração Trump estava cogitando suspender as sanções.

O presidente Donald Trump defendeu concessões feitas recentemente à Rússia no que diz respeito a sanções — medidas que provocaram críticas de ambos os lados do espectro político em Washington e criaram um distanciamento entre os EUA e seus aliados ocidentais.

No início deste mês, Trump anunciou um acordo que permite a exportação de diesel russo para os mercados globais de energia e suspendeu uma nova série de sanções — recém-promulgadas — relacionadas à venda de combustíveis fósseis russos.

A legislação, cuja aplicação foi suspensa, teria imposto tarifas de até 100% sobre, entre outros itens, mercadorias importadas pelos EUA provenientes dos cinco maiores compradores de petróleo bruto ou gás da Rússia — cujas vendas são fundamentais para financiar a máquina de guerra do Kremlin.

O acordo entre EUA e Rússia sobre o diesel prevê a suspensão, por seis meses, das sanções à exportação desse combustível, permitindo sua comercialização a preços de mercado; contudo, especialistas questionam qual será o real impacto dessa medida nos mercados globais de diesel.

A Rússia proibiu as exportações de diesel no início de julho, depois que ataques de drones ucranianos às suas refinarias provocaram uma escassez generalizada de combustível em todo o país.

A Casa Branca está tentando aliviar a pressão sobre os preços do petróleo e do diesel nos EUA, às vésperas de eleições de meio de mandato cruciais na próxima semana.

Trump também afirmou que sua decisão de suspender algumas sanções contra a Rússia teve como objetivo manter Moscou na mesa de negociações.

“Estou em processo de negociação de paz na guerra entre a Rússia e a Ucrânia, e não quero fazer nada que, de forma imprudente, afaste a Rússia da mesa de negociações”, escreveu Trump em uma publicação na rede social Truth Social, no dia 18 de outubro.

Trump atribuiu à Ucrânia a responsabilidade pelos altos preços globais dos combustíveis e pressionou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a interromper os ataques a refinarias russas — mesmo enquanto a Rússia continua seus ataques contra vilarejos, cidades e a infraestrutura energética da Ucrânia.

Há uma preocupação crescente, em Kiev e na Europa, de que a administração Trump faça novas concessões a Moscou na tentativa de levar Putin a aceitar um acordo de paz.

Recentemente, Zelensky declarou ao programa “Meet the Press”, da rede NBC, que as isenções fortaleceram a guerra de Putin contra a Ucrânia, justamente em um momento em que Moscou vinha fracassando no campo de batalha.

Kiev defende há muito tempo sanções mais rigorosas às exportações russas de energia.

Na semana passada, Putin afirmou que o Kremlin estaria disposto a retomar as negociações de paz trilaterais entre Rússia, EUA e Ucrânia após meados de novembro, a pedido do enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, que se reuniu com o líder russo em São Petersburgo.

Durante as conversas, Putin manifestou interesse em restabelecer a cooperação econômica com os EUA.

Entenda o que está por trás da tensão entre Trump e Zelensky

 

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