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Móveis de luxo dos escritórios do Banco Master vão a leilão a partir de R$ 51

30 October 2026 at 14:58

O mobiliário utilizado nos escritórios do Banco Master e do Will Bank, instituições ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, será colocado à venda em um leilão eletrônico marcado para 9 de novembro. São mais de 400 lotes, com preços iniciais que variam de R$ 51 a R$ 98 mil. A disputa será realizada pela plataforma Kwara, a partir das 9h30.

O catálogo reúne móveis corporativos, equipamentos eletrônicos e objetos de decoração que integravam a estrutura das instituições financeiras. Entre os destaques estão cadeiras das marcas Herman Miller e Haworth, peças assinadas por Charles Eames, além de mobiliário da Artefacto e do designer Fernando Jaeger.

Também estão disponíveis estações de trabalho, mesas, gaveteiros, poltronas, sofás e pufes. A relação inclui ainda televisores, monitores, notebooks e livros de grife.

A realização do leilão foi autorizada após solicitação da EFB Regimes Especiais de Empresas, responsável pela liquidação do Banco Master. A autorização foi publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 27 de outubro.

Acervo dos antigos escritórios do Banco Master e do Will Bank reúne móveis de luxo e equipamentos eletrônicos | Foto: Divulgação/Kwara

Desmonte da estrutura

Os bens foram retirados dos antigos escritórios das instituições e estão armazenados em um galpão da Kwara, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. A transferência começou em abril, quando terminou o contrato de locação do complexo Auri Plaza, na Vila Olímpia, onde funcionava a sede do Banco Master.

O banco ocupava aproximadamente 30 mil metros quadrados distribuídos em três edifícios.

A venda dos equipamentos ocorre no contexto do processo de liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. Na ocasião, Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez, um dia antes da decisão, quando tentava deixar o país.

O caso passou a envolver investigações sobre possíveis irregularidades financeiras e repercussões políticas e institucionais.

Como participar do leilão

Os interessados precisam realizar cadastro na plataforma Kwara e solicitar habilitação na página específica do evento. O procedimento deve ser concluído pelo menos uma hora antes da abertura da disputa.

Os lances já estão disponíveis pela internet, mas a etapa principal do leilão começa às 9h30 de 9 de novembro. Cada lote terá encerramento individual, em sequência.

É possível apresentar ofertas manualmente ou programar lances automáticos, estabelecendo previamente os valores máximos que o participante pretende pagar.

Uma particularidade prevista no edital é que a vendedora terá até cinco dias úteis para aprovar ou rejeitar as ofertas vencedoras. Também serão aceitos lances inferiores ao valor inicial, mas essas propostas dependerão de avaliação e aprovação.

O edital estabelece ainda a possibilidade de suspensão do leilão a qualquer momento.

Compradores devem ficar atentos às taxas

Os preços iniciais não representam o custo final da aquisição. Além do valor oferecido, o comprador deverá pagar comissão de 5% à leiloeira e uma despesa administrativa por lote, calculada conforme a faixa de arrematação.

Um produto arrematado por R$ 1 mil, por exemplo, terá custo adicional de R$ 396, sendo R$ 50 de comissão e R$ 346 de despesa administrativa. Nesse caso, o desembolso total será de R$ 1.396.

O pagamento deverá ser realizado por Pix ou mediante créditos disponibilizados pela própria plataforma, no prazo de até um dia útil após a aprovação da oferta.

Quem desistir da compra ou deixar de efetuar o pagamento estará sujeito às penalidades previstas no edital, incluindo multa de 5% de comissão e mais 30% do valor da arrematação. O participante também poderá ter o cadastro bloqueado e responder por eventuais medidas judiciais.

Produtos são vendidos sem garantia

Outro ponto de atenção é o estado de conservação dos equipamentos. Os itens serão comercializados nas condições em que se encontram, sem garantia de funcionamento, possibilidade de troca ou obrigação de reparo.

O edital informa que os produtos podem apresentar avarias, riscos, amassados, sujeira e sinais de desgaste. Também podem estar sem manuais, acessórios ou peças. No caso dos equipamentos eletrônicos, há possibilidade de senhas bloqueadas e outras limitações de utilização.

As fotografias, descrições e medidas disponibilizadas no catálogo têm caráter ilustrativo e não garantem que o produto corresponda integralmente às expectativas do comprador.

Antes de apresentar uma oferta, os interessados podem examinar presencialmente os bens, nas datas e nos locais indicados para cada lote. Entretanto, não será permitido testar ou manipular os equipamentos.

A retirada dos produtos será liberada somente após a confirmação do pagamento e apresentação da nota de venda. O comprador deverá providenciar transporte, equipe, ferramentas e eventuais serviços de desmontagem, além de respeitar os horários estabelecidos.

O edital completo, com a relação dos lotes, fotografias, valores iniciais e condições de participação, está disponível na plataforma responsável pelo evento.

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Defesa diz que 657 arquivos do celular de Vorcaro foram modificados

Logo Agência Brasil

A defesa de Daniel Vorcaro entregou nesta quinta-feira (29) ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma perícia particular realizada no aparelho celular do ex-banqueiro, que foi apreendido pela Polícia Federal (PF) no dia 17 de novembro de 2025.

O laudo apresentado concluiu que centenas de arquivos foram criados e modificados após a apreensão do aparelho, que é a principal prova das relações de Vorcaro com políticos e das supostas irregularidades financeiras no Banco Regional de Brasília (BRB). 

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De acordo com o documento, 657 arquivos que estavam no celular foram modificados e 436 criados. 

Para os advogados de Vorcaro, a perícia demonstra que não é possível verificar a integralidade do conteúdo do celular apreendido e avaliar o alcance das alterações nos arquivos.

"É estarrecedor que o perito tenha identificado que centenas de arquivos do celular apresentem registros de modificação quando já estavam sob custódia da Polícia Federal e do Estado", declarou a defesa.

Diante das conclusões periciais, a defesa pediu ao Supremo que a PF entregue os dados originais do celular para verificação e ressaltou que a soltura do ex-banqueiro é obrigatória após as revelações do laudo particular.

"É inconcebível que Daniel Vorcaro esteja custodiado há mais oito meses, com a liberdade restringida há quase um ano, sem que haja contra ele qualquer acusação formal ou perspectiva de processo, o que torna sua soltura urgente, necessária e obrigatória", afirmou a defesa.

Segundo o pedido, o registro de modificação, isoladamente, não permite concluir que a alteração tenha sido realizada diretamente por uma pessoa. “Evidencia, contudo, que o estado do arquivo foi alterado enquanto o aparelho se encontrava sob custódia estatal”.

Indiciamento 

Vorcaro e mais 14 investigados na Operação Compliance foram indiciados pela PF nesta quarta-feira (28). De acordo como o relatório do indiciamento da Polícia Federal, o ex-banqueiro teve "participação pessoal, reiterada e diretiva" nas operações com carteiras de créditos irregulares do Banco Master que causam prejuízos ao BRB.

"Na condição de controlador do Banco Master, Vorcaro ocupava o centro decisório da estrutura examinada e era o principal beneficiário econômico das operações destinadas à obtenção de liquidez para a instituição", concluiu a PF.

Todos os investigados foram acusados dos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Outro lado 

Após o indiciamento, os advogados do ex-banqueiro negaram que as operações do BRB tenham causado prejuízo ao banco público.

Na avaliação dos advogados, um ano após o início das investigações, a PF se "limita a repetir a mesma narrativa" e não conseguiu avançar nas investigações.

"O negócio envolvendo as carteiras da Tirreno não foi concluído. As carteiras foram substituídas por outros ativos, e a troca realizada demonstra que os negócios entre o Banco Master e o BRB geraram resultados positivos para o Banco de Brasília. Nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo", afirmou a defesa. 

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