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Em 15 distritos do país mais de 40 locais iluminam-se de roxo na próxima noite

31 October 2026 at 08:55

Em 15 distritos de Portugal, mais de 40 locais vão iluminar-se de roxo na noite de sábado para domingo como objetivo de sensibilizar a população para os riscos sísmicos, segundo o Quake – Museu do Terramoto de Lisboa, promotor da campanha.

A campanha de cariz cívico, promovida pelo Quake e o Movimento “Recordar 1755“, visa preservar a memória do grande terramoto, que causou milhares de mortos, e sensibilizar para a importância da preparação sísmica, segundo veiculado pelo Notícias ao Minuto citando um comunicado.

O promotor deste Movimento adianta que na noite de sábado para domingo espaços emblemáticos do país vão iluminar-se de roxo, a cor simbólica da iniciativa e às 09:40 horas de domingo, hora do terramoto de 1755, corporações de bombeiros e embarcações no Tejo “irão juntar-se num coro de sirenes“.

“Entre os espaços que se associam à iniciativa encontram-se alguns dos locais mais simbólicos do património histórico, cultural e religioso português, como a Praça do Comércio, o Cristo Rei, a Casa da Música no Porto, o jardim das Portas do Sol em Santarém e a Fortaleza de São João Baptista em Angra do Heroísmo“, indica o Quake em comunicado.

A iniciativa conta com o apoio de autarquias de todo o país, a Liga dos Bombeiros Portugueses, a Transtejo Soflusa e a Associação Portuguesa de Seguradores.

Ricardo Clemente, fundador do movimento e do museu Quake, disse, citado na nota, que a “adesão crescente de entidades e municípios de norte a sul do país confirma a importância de preservar a memória de 1755 e de a transformar numa mensagem de prevenção“.

“Ver o Movimento ‘Recordar 1755‘ chegar a tantos pontos do país mostra que esta causa é capaz de unir comunidades em torno de uma memória comum. Cada monumento iluminado representa uma homenagem às vítimas, mas também um compromisso coletivo com um país mais consciente e preparado”, referiu.

O comunicado recorda que em 2024, a iniciativa esteve concentrada em Lisboa e, em 2025, chegou a cinco distritos. Já em 2026, a adesão estende-se a 70% dos distritos e regiões autónomas do território nacional.

No dia 01 de novembro de 1755, pelas 09:40 hrs, um intenso terramoto atingiu a cidade de Lisboa, destruindo a maioria dos seus edifícios, ruas e praças.

Ao terramoto seguiu-se um tsunami com ondas de cerca de cinco metros de altura vindas do rio Tejo, que inundaram a zona ribeirinha da cidade, aproximadamente até à zona onde hoje se situa o Arco da Rua Augusta.

Simultaneamente, deflagraram inúmeros incêndios, originados pelos fogões nas casas e pelos candelabros nas igrejas. Estima-se que morreram entre 10.000 a 90.000 pessoas.

Estragos do terramoto de 1755 no património do antigo concelho de Monsaraz em exposição

31 October 2026 at 08:45

Reguengos de Monsaraz, vai receber na Praça da Liberdade, entre 31 de outubro a 8 de novembro, a exposição “Ecos de 1755 – O Terramoto no termo de Monsaraz”, numa organização do Município integrada no movimento Recordar 1755 – Quake, associado às comemorações dos 271 anos do terramoto de Lisboa.

A mostra revela os estragos provocados pelo sismo em monumentos religiosos, civis e militares no antigo concelho de Monsaraz, como a Igreja de Nossa Senhora da Lagoa, a Igreja de Santiago, a Ermida de São Bento, o castelo e as muralhas de Monsaraz, os antigos Paços do Concelho e o pelourinho medieval.

“Pouco tempo depois do intenso terramoto ocorrido no dia 1 de novembro de 1755, um aviso do Secretário de Estado dos Negócios do Reino, Sebastião José de Carvalho e Melo (que seria o futuro Marquês de Pombal), fazia remeter, através dos principais prelados, e para todos os párocos do reino, os interrogatórios sobre as paróquias e sobre os estragos provocados pelo sismo.

A pergunta 26 desse questionário estava relacionada com esta ocorrência e perguntava aos párocos ‘se padeceu alguma ruína no terramoto de 1755, e em quê, e se está reparado?’…”

A nota de imprensa da autarquia de Reguengos de Monsaraz, salienta que com base nesses testemunhos paroquiais, “a exposição pretende mostrar as consequências que o terramoto teve no antigo concelho de Monsaraz, reunindo informação sobre as consequências do sismo no território, dando a conhecer episódios de destruição e recuperação de monumentos que integram a história e a identidade da região.”

A Igreja de Nossa Senhora da Lagoa, em Monsaraz, sofreu danos materiais que, segundo o testemunho do prior António José Guião, já tinham sido reparados em 1758. O religioso descreveu as obras realizadas com tanto cuidado que o templo parecia novo, tendo a igreja sido também alvo de intervenções de valorização, entre as quais, a construção de duas torres e de um frontispício com uma imagem de Nossa Senhora da Conceição.

No castelo e nas muralhas de Monsaraz, as estruturas defensivas, que já apresentavam um estado de degradação considerável em meados do século XVIII, sofreram novos estragos, sobretudo nas muralhas da vila, na Torre de Menagem e na Torre das Feiticeiras.

Também os antigos Paços do Concelho, um dos edifícios civis mais representativos de Monsaraz, registaram estragos consideráveis. O imóvel, construído no segundo quartel do século XIV e posteriormente transformado em aljube civil, acolheu uma sala de tribunal decorada, no século XV, com o fresco conhecido como “Bom e Mau Juiz”.

Nas proximidades, o antigo pelourinho medieval foi completamente destruído pelo sismo, tendo sido substituído por outro em mármore branco de Estremoz, que reutilizou elementos da estrutura original.

Igreja de Santiago

Entre os edifícios religiosos atingidos encontra-se ainda a Igreja de Santiago, que sofreu danos durante o terramoto, contribuindo para o estado de ruína em que chegou à década de 1980. E apesar de o pároco Manuel Gomes Cunqueiro Velho não ter referido estes estragos no seu testemunho, a documentação histórica e o inventário artístico permitem identificar os efeitos do sismo no monumento.

Igualmente afetada, a Ermida de São Bento, situada no arrabalde de Monsaraz, foi um dos edifícios mais atingidos. De acordo com a resposta ao inquérito paroquial e com o Inventário Artístico de Portugal, sofreu danos graves, que terão sido reparados pouco depois.

A Ermida foi fundada nos finais do século XVI, conserva na capela-mor pinturas murais datadas de 1629, com símbolos associados ao seu padroeiro. O edifício chegou, contudo, aos nossos dias em estado de completa ruína, num processo que poderá estar relacionado com reparações posteriores pouco eficazes e com o abandono progressivo do lugar.

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Ermida de São Bento

A autarquia reguengense descreve ainda na sua nota, distribuída à imprensa, que os efeitos do terramoto estenderam-se também à antiga freguesia da Caridade e à região de São Pedro do Corval. Na Ermida de Nossa Senhora da Caridade, a igreja paroquial sofreu três pequenas fendas, enquanto a Ermida de São Romão registou danos mais significativos, com as paredes a ficarem bastante abatidas, embora nenhuma tenha caído.

Os efeitos do terramoto estenderam-se também à antiga freguesia da Caridade e à região de São Pedro do Corval. Na Ermida de Nossa Senhora da Caridade, a igreja paroquial sofreu três pequenas fendas, enquanto a Ermida de São Romão registou danos mais significativos, com as paredes a ficarem bastante abatidas, embora nenhuma tenha caído.

Na freguesia de São Pedro do Corval, os danos atingiram a própria igreja paroquial, cujos três arcos de sustentação sofreram estragos consideráveis, o frontispício abriu em ambos os lados, as paredes ficaram separadas e foram também afetados o arco da capela-mor e o fecho da abóbada.

Na Aldeia do Mato, atual São Pedro do Corval, a Ermida da Santa Caridade sofreu danos no arco da capela, a Ermida de Santa Margarida registou estragos nas paredes-mestras e a Ermida de Santo Ildefonso apresentou danos nas paredes-mestras e no arco da capela, que segundo o testemunho paroquial, já tinham sido reparados.

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