A tartaruga-marinha Molly, da espécie Caretta caretta, regressou ao oceano na quarta-feira, 28 de outubro, após um processo de reabilitação comportamental no Porto d’Abrigo do Zoomarine Algarve, que procurou reforçar as competências necessárias à sua sobrevivência em ambiente selvagem. A devolução decorreu a cerca de 10 milhas náuticas da costa algarvia, a bordo de um navio da Marinha Portuguesa.
Resgatada na Irlanda há cerca de duas décadas, com lesões nas duas barbatanas anteriores, Molly permaneceu sob cuidados humanos no Dingle Oceanworld Aquarium, uma vez que, na altura, o regresso ao oceano foi considerado inviável. A evolução do conhecimento científico e novas avaliações veterinárias permitiram, contudo, reavaliar o caso e considerar a possibilidade de a tartaruga voltar ao seu habitat natural. Molly chegou ao Porto d’Abrigo do Zoomarine em maio deste ano.
Durante os meses de acompanhamento, uma equipa multidisciplinar trabalhou a autonomia do animal e o reforço de comportamentos naturais. A decisão de a devolver ao oceano teve por base uma avaliação clínica favorável, uma condição corporal adequada e a capacidade física e comportamental para sobreviver em ambiente selvagem.
Entre os critérios considerados estiveram a exploração ativa do ambiente, a alimentação autónoma, os movimentos natatórios coordenados e o afastamento das rotinas e dos cuidados humanos.
“Este momento demonstra a importância da ciência, do acompanhamento especializado e da cooperação entre instituições na conservação das espécies marinhas”, afirma João Neves, diretor de Ciência e Conservação do Zoomarine Algarve.
Também Maria Foley, responsável pela gestão animal do Dingle Oceanworld Aquarium, destaca o significado deste regresso, depois de cerca de duas décadas de cuidados prestados à tartaruga. “Durante muito tempo, o regresso ao oceano parecia não ser uma possibilidade. Poder agora acompanhar esta nova etapa, graças à colaboração com o Zoomarine, é motivo de enorme satisfação e um momento muito especial para toda a nossa equipa”, refere.
A operação contou com a colaboração do Zoomarine Algarve, da TAP Cargo, do Dingle Oceanworld Aquarium e da Marinha Portuguesa. A bordo do NRP Oríon, o navio da Marinha partiu durante a manhã do Ponto de Apoio Naval de Portimão para realizar a devolução ao habitat natural.
Para o capitão-de-mar-e-guerra Conceição Duarte, comandante da Zona Marítima do Sul, o regresso de Molly constitui “um exemplo notável de como a ciência, a dedicação das equipas técnicas e a cooperação entre instituições podem contribuir para a preservação das espécies marinhas”.
Fundado em 2002, o Porto d’Abrigo do Zoomarine foi o primeiro centro de reabilitação de espécies marinhas em Portugal e realizou mais de 742 intervenções até ao final de 2025. Em 2026, recebeu um investimento de cerca de um milhão de euros na modernização das infraestruturas, com o objetivo de reforçar a capacidade de resposta a processos de reabilitação mais complexos.