
A mineradora Vale registrou lucro líquido de R$ 6,436 bilhões no terceiro trimestre deste ano. O resultado representa uma queda de 53% em relação aos R$ 14,617 bilhões apurados no mesmo período do ano passado. Na comparação com o segundo trimestre deste ano, o recuo foi de 6%.
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Segundo a empresa, a queda no lucro líquido foi influenciada principalmente pela redução do resultado operacional da companhia, além de efeitos contábeis e tributários. A receita de vendas da companhia, por exemplo, caiu 4% na comparação anual, totalizando R$ 54,462 bilhões.
De acordo com a mineradora, também pesou o resultado negativo de empresas coligadas e joint ventures, principalmente em razão de um ajuste na provisão da Samarco, que teve impacto negativo de US$ 322 milhões, para cobrir obrigações e despesas ligadas à reparação dos danos do desastre de Mariana, em Minas Gerais, com o rompimento da barragem de Fundão em 2015.
Outro fator foi o aumento dos tributos sobre o lucro, influenciado sobretudo por efeitos cambiais sobre prejuízos fiscais de subsidiárias, com impacto negativo de US$ 276 milhões.
Esses efeitos foram parcialmente compensados por um resultado positivo de US$ 610 milhões com operações financeiras utilizadas para proteção contra oscilações de preços e moedas, como a marcação a mercado e a liquidação de contratos de derivativos.
A companhia destacou ainda que a geração de caixa foi afetada pelos preços mais baixos do minério de ferro no mercado internacional, pelo aumento dos custos de produção e de frete, além da valorização do real frente ao dólar, que elevou despesas da operação brasileira quando convertidas para o dólar. Mas parte desse impacto foi compensada pelos preços mais altos do cobre e do níquel . Assim, o Ebitda ajustado da Vale totalizou R$ 17,095 bilhões, uma queda de 28% no terceiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado.
— Em um ambiente de mercado dinâmico, a flexibilidade do nosso portfólio, a estratégia de frete e o programa de hedge contribuíram para proteger nossas margens e sustentar uma sólida geração de fluxo de caixa, fortalecendo ainda mais nosso balanço — afirmou Gustavo Pimenta, CEO da Vale, em mensagem aos acionistas.
Brumadinho e Mariana
A Vale informou ainda que os trabalhos de reparação relacionados ao rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, em 2019, continuam avançando. Até o terceiro trimestre de 2026, aproximadamente 84% dos compromissos previstos no Acordo de Reparação Integral haviam sido concluídos, em linha com os prazos estabelecidos. Segundo a companhia, as obrigações financeiras classificadas como “a pagar” no acordo foram integralmente concluídas neste mês de outubro.
Em relação a Mariana, o programa de reparação da Samarco já havia contabilizado R$ 83,8 bilhões em desembolsos até 30 de setembro. Até 20 de outubro, mais de 649 mil pessoas haviam sido indenizadas, das quais 322 mil por meio do Programa Indenizatório Definitivo (PID). Em agosto, outros 19 municípios aderiram ao acordo, elevando para 45 o número de cidades signatárias, de um total de 49 elegíveis.
Minério de ferro
O minério de ferro, principal área de negócios da Vale, foi afetado pela queda dos preços internacionais e pelo aumento dos custos operacionais e de frete. O segmento de Soluções de Minério de Ferro, que reúne as atividades de extração, produção de pelotas e logística, registrou resultado operacional de US$ 2,6 bilhões, uma redução de 34% na comparação anual.
A queda dos preços internacionais foi influenciada principalmente pelo enfraquecimento da demanda chinesa, dizem analistas. As siderúrgicas do país, maior consumidor mundial de minério de ferro, enfrentaram margens menores e reduziram o ritmo de produção, diminuindo a procura pela matéria-prima. No terceiro trimestre, o preço médio recebido pela Vale nas vendas de finos de minério de ferro foi de US$ 85,10 por tonelada, US$ 9,90 abaixo do registrado no trimestre anterior.
A companhia também foi afetada pelo aumento dos custos de frete, especialmente em razão dos preços mais altos dos combustíveis marítimos, além da valorização do real frente ao dólar, que pressionou as despesas quando convertidas para a moeda americana.
A produção de minério de ferro totalizou 88,4 milhões de toneladas no terceiro trimestre, seis milhões de toneladas a menos que no mesmo período do ano anterior, refletindo a menor disponibilidade de minério bruto em Serra Norte, no Pará, devido a restrições operacionais. A expectativa é que, no próximo trimestre, a produção no Sistema Norte (que inclui Serra Norte, Serra Sul e Serra Leste) seja superior à registrada no quarto trimestre de 2025.
Apesar do cenário, a Vale informou que pretende atingir neste ano as projeções de produção de minério de ferro (335 milhões a 345 milhões de toneladas) e de pelotas (30 milhões a 34 milhões de toneladas).
A operação de Serra Sul, em Carajás, no Pará, onde fica a mina S11D, registrou a maior produção trimestral de sua história. No período, a Vale iniciou as operações do projeto Britador de Compactos (equipamento que permite processar uma rocha mais dura e ampliar a capacidade de aproveitamento do minério). A iniciativa, em conjunto com o projeto Serra Sul +20 (expansão que acrescentará 20 milhões de toneladas por ano à capacidade de produção da unidade), dará mais flexibilidade às operações e contribuirá para o aumento da produção a partir de 2027, diz Pimenta:
— No setor de minério de ferro, estamos construindo uma plataforma operacional mais flexível e competitiva. O início das operações do projeto Serra Sul +20, juntamente com o próximo comissionamento do projeto Britador de Compactos, aprimorará ainda mais o desempenho do S11D e reforçará sua posição como um ativo de classe mundial. Essas iniciativas nos posicionam bem para ter um forte encerramento do ano.
Cobre e níquel
Por outro lado, a área de Metais Básicos foi um dos destaques positivos da companhia no terceiro trimestre. O resultado operacional da divisão de cobre aumentou 66% na comparação anual, para US$ 1 bilhão, favorecido pelos preços mais altos do metal e também de subprodutos, como ouro e prata. Já o níquel registrou queda de 14% no resultado operacional, para US$ 98 milhões, pressionado pelo aumento dos custos de produção. Segundo a Vale, pesaram principalmente a utilização de estoques de matéria-prima produzida a custos mais elevados no trimestre anterior, os gastos com manutenções programadas e a redução do teor de níquel encontrado no minério extraído, em linha com o planejamento das operações.
A produção de cobre atingiu 85,5 mil toneladas, queda de 6% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, devido à manutenção programada na planta de Sossego, no Pará. O impacto foi parcialmente compensado pelo desempenho da mina de Salobo, também no Pará, que registrou a maior produção de sua história para um terceiro trimestre.
A Vale, no entanto, afirmou que espera atingir neste ano a faixa superior de suas projeções de produção de cobre (360 mil a 380 mil toneladas) e de níquel (185 mil a 200 mil toneladas). No acumulado do ano, a produção de cobre e níquel aumentou 4% e 8%, respectivamente, em relação ao mesmo período do ano anterior.
No trimestre, a Vale anunciou a antecipação, para o primeiro semestre de 2028, do início da operação de um projeto que separa o cobre da rocha através de novas tecnologias (chamado CPF ), no complexo de Salobo. Isso deve dobrar a produção de cobre até 2035.