❌

Reading view

O que explica o Google perder meio trilhão de dólares em um só dia?

As ações da Alphabet –  empresa controladora do Google – despencaram mais de 12% na quinta-feira (29), o pior dia já registrado — uma queda histórica maior do que qualquer sessão durante a pandemia de Covid-19 ou a crise financeira de 2008.

A queda apagou aproximadamente meio trilhão de dólares do valor de mercado da Alphabet, a segunda maior destruição de valor em um único dia da história, atrás apenas da queda de quase US$ 600 bilhões da Nvidia no início de 2025.

O que está acontecendo?

Os investidores estão examinando cada vez mais a corrida de gastos com IA das grandes empresas de tecnologia e como a tecnologia está afetando seus próprios negócios — e a Alphabet é o alvo mais recente.

As ações da empresa caíram acentuadamente à medida que os investidores se preocuparam com a desaceleração do crescimento no negócio de publicidade em buscas do Google, ocorrendo simultaneamente a uma contínua aceleração dos gastos com IA.

As maiores empresas de tecnologia do mundo estão gastando centenas de bilhões de dólares para construir data centers, em uma corrida para tentar figurar entre os vencedores do boom da inteligência artificial.

Wall Street está ficando mais cautelosa, tentando identificar quais empresas estão gastando de forma racional, como esses desembolsos estão impactando outras partes de seus negócios e quem realmente se beneficiará do impacto transformador da IA na sociedade.

A Alphabet divulgou na quarta-feira os resultados de vendas trimestrais que ficaram abaixo das expectativas dos analistas.

Os investidores ficaram consternados com o resultado aquém do esperado nas vendas, o que reacendeu preocupações antigas sobre se a principal fonte de receita da empresa — o negócio de publicidade em buscas do Google — será capaz de resistir à pressão dos consumidores que utilizam cada vez mais os próprios chatbots de IA do Google (e dos concorrentes) em substituição à busca tradicional.

“O temor é que esse deslocamento possa acontecer mais rápido do que o Google consegue reagir e redirecionar seus negócios”, disse Jed Ellerbroek, gestor de portfólio da Argent Capital Management.

 

A empresa também divulgou um segundo trimestre consecutivo de fluxo de caixa livre negativo, outro indicador que está gerando preocupação entre os investidores.

Desde sua abertura de capital em 2004, o Google — que se tornou Alphabet em 2015 — não havia registrado um único trimestre de fluxo de caixa livre negativo até este ano.

Um fluxo de caixa livre robusto é um sinal de uma empresa saudável, capaz de pagar dividendos, realizar recompras de ações e reinvestir em seus negócios.

A Alphabet registrou US$ 51,4 bilhões em despesas de capital apenas no terceiro trimestre, em comparação com US$ 91,4 bilhões em todo o ano de 2025.

À medida que a empresa intensifica seus gastos com IA, incluindo a construção de data centers, sobra menos caixa para o tipo de gratificação imediata que os investidores apreciam, como recompras de ações e dividendos.

Em nítido contraste com o fluxo de caixa livre negativo da Alphabet, a Microsoft divulgou esta semana que registrou US$ 18,6 bilhões em fluxo de caixa livre no terceiro trimestre, mesmo continuando a gastar bilhões em sua expansão de IA.

As ações da Microsoft encerraram o dia estáveis na quinta-feira, enquanto as ações da Alphabet caíram mais de 12%.

“Agora estamos começando a ver quem está gastando de forma racional em IA e quem não está”, disse Richard Reyle, diretor de investimentos da Questar Capital Partners.

Pode parecer estranho que as ações de uma das maiores big techs não estejam em alta depois que a Anthropic protocolou seu tão aguardado prospecto de oferta pública inicial apenas alguns dias antes.

A Anthropic está se comprometendo a gastar muito dinheiro para alugar capacidade computacional de empresas de tecnologia como a Alphabet.

Mas essa promessa futura não é garantida, especialmente se a expansão dos data centers não ocorrer conforme o planejado ou se a IA não for tão lucrativa quanto o esperado.

A Alphabet está pedindo aos investidores que acreditem em sua visão para a IA e para a construção de data centers, ao mesmo tempo em que tenta monetizar a IA e demonstrar que é capaz de gerar retornos sólidos com a tecnologia.

O crescimento nas divisões de computação em nuvem das big techs é um sinal de que a demanda por IA continua robusta. Mas o mercado está tenso diante de qualquer coisa que possa dar errado para o boom da IA.

Big techs como a Alphabet estão recorrendo a dívidas e aos mercados financeiros para captar mais capital e impulsionar suas ambições. Embora as empresas afirmem estar tentando acompanhar a demanda, a concorrência por recursos dos investidores está aumentando.

“Todo mundo está tentando passar pela porta ao mesmo tempo, e isso faz as pessoas hesitarem”, disse Ted Mortonson, estrategista de investimentos da Baird especializado no setor de tecnologia.

Wall Street está ficando cada vez mais preocupada com a expansão dos data centers, e as empresas que estão consumindo o fluxo de caixa livre estão sendo penalizadas.

 

  •  

Fed mantém taxa de juros e decisão pode representar erro crasso

O custo de vida é o tema número 1 para os eleitores que se dirigem às urnas, mas o Fed (Federal Reserve) observou o persistente problema de inflação dos Estados Unidos na quarta-feira (28) e optou por não fazer nada a respeito. Pelo menos nas próximas seis semanas, de qualquer forma.

Apesar de os preços ao consumidor terem subido 3,7% no último ano e de o indicador de inflação preferido do Fed permanecer teimosamente 50% acima da meta do banco central, a decisão de manter as taxas de juros estáveis era amplamente esperada.

Isso porque alterar as taxas é um instrumento contundente que pode causar sérios danos à economia quando mal utilizado ou aplicado no momento errado.

“As taxas de juros penetram em todas as brechas”, disse o presidente do Fed, Kevin Warsh, em uma coletiva de imprensa na quarta-feira. “Elas afetam tudo.”

Os banqueiros centrais elevaram as taxas pela primeira vez em mais de três anos no mês passado, e querem aguardar um pouco para ver como a economia responde antes de golpeá-la novamente com outro aumento de juros.

“Garantir a estabilidade de preços e monitorar a inflação não é sobre uma data fixa no calendário ou um dado isolado”, disse Warsh. “É sobre garantir que tenhamos objetivos claros e a política monetária correta.”

Warsh afirmou estar encorajado com a redução nas expectativas de inflação desde que o Fed elevou as taxas em setembro.

Ao esperar, porém, o Fed também está assumindo um risco significativo. O banco central arrisca repetir um erro semelhante ao de 2021, quando presumiu que o monstro da inflação encarando diretamente a economia poderia ser derrotado simplesmente sendo ignorado. (O Fed estava desastrosamente errado).

Desta vez pode ser realmente diferente, e não agir com pressa pode se mostrar uma decisão acertada.

Ou pode forçar o banco central a aplicar à economia uma espécie de terapia de choque em dezembro, que poderia ter sido evitada com um aumento de juros em outubro.

Por que o Fed não elevou os juros?

Empregos. Elevar as taxas aumenta os custos de empréstimo das empresas, deixando-as com menos dinheiro para contratar.

Este pode ser um momento perigoso para mexer no mercado de trabalho: a economia dos EUA criou apenas 29.000 empregos em setembro, bem abaixo das expectativas. E o relatório de setembro mostrou que a economia criou 60.000 empregos a menos nos dois meses anteriores do que se acreditava anteriormente.

O mercado de trabalho não está de forma alguma em mau estado, mas tem se mostrado instável. A economia dos EUA perdeu 10.000 empregos em julho e em sete dos últimos 16 meses. Embora o desemprego permaneça em um saudável 4,2%, os economistas descrevem a economia como “baixa contratação, baixa demissão”.

Em outras palavras, sua posição pode não estar em risco, mas se você deixar seu emprego, pode ter dificuldade em encontrar um novo.

Mercados. Os rendimentos dos títulos do Tesouro subiram desde o último aumento de juros do Fed, com os rendimentos dos títulos atingindo em determinado momento as máximas de várias décadas.

Os rendimentos recuaram um pouco desde então, retornando ao patamar em que estavam em meados de setembro, mas os rendimentos dos títulos ainda relativamente altos podem ajudar a dar cobertura ao Fed, pois têm um efeito semelhante ao da taxa dos fundos federais, desacelerando a economia e a inflação.

O Fed também não gosta de surpreender os investidores – mesmo na nova era de “mantê-los adivinhando” de Warsh. O mercado havia precificado uma chance de 91% de que o Fed manteria as taxas, de acordo com a ferramenta FedWatch da CME, e um aumento poderia ter levado os mercados a um reequilíbrio doloroso.

Timing. A decisão do Fed também pode ter sido influenciada, pelo menos em parte, pela eleição que se aproxima. Narayana Kocherlakota, ex-presidente do Fed de Minneapolis, disse ao meu colega Matt Egan que o Fed hesitou em aumentar as taxas na quarta-feira porque queria se isolar das críticas do presidente Donald Trump. Mas o Fed, ao longo de sua história, mudou as taxas muitas vezes justamente quando os eleitores se dirigiam às urnas, observou também minha colega Elisabeth Buchwald.

Por que manter as taxas pode ser um erro?

O erro “transitório”: O Fed normalmente não intervém quando choques de oferta, como a crise energética induzida pela guerra com o Irã, causam inflação. Eles são notoriamente temporários, difíceis de prever e insensíveis a mudanças nas taxas.

Mas os choques de oferta às vezes levam a problemas maiores que o Fed pode ajudar a resolver. O Fed deveria saber disso: acabou de passar por isso.

Quando a economia emergiu da pandemia, o Fed cometeu um erro em relação à inflação, declarando-a resultado de um choque de oferta “transitório” relacionado à guerra Rússia-Ucrânia e aos enormes gargalos nas cadeias de suprimentos.

O problema acabou se tornando o mais significativo de uma geração em termos inflacionários. O Fed, pego de surpresa, foi forçado a elevar as taxas em um ritmo histórico – três altas consecutivas de três quartos de ponto percentual.

No fim, o Fed conseguiu reduzir a inflação descontrolada a níveis mais administráveis, mas não antes de os preços ao consumidor atingirem o pico de uma taxa anual de 9,1%, a mais alta em quatro décadas.

Desta vez pode não ser diferente: a inflação já está se espalhando para outras partes da economia.

Particularmente preocupante no relatório de inflação ao consumidor de setembro foi a surpreendente recuperação nos custos de moradia e aluguel, um contribuidor significativo para a inflação que havia arrefecido na primavera e no verão.

E o custo de outros serviços também subiu mais do que o esperado – preços que tendem a aumentar (e permanecer altos) à medida que estúdios de yoga, serviços de jardinagem e similares cobram mais de seus clientes para compensar seus custos crescentes.

Também impulsionando a inflação: os investimentos em data centers e em tecnologia que alimenta a IA empurraram a economia para o limite – e talvez tenham contribuído para seu superaquecimento.

Os preços de eletricidade, materiais de construção, mão de obra e tecnologia pessoal, como smartphones e laptops, todos subiram como resultado.

Mais guerra? Essa alta nos preços de energia pode piorar antes de melhorar. Trump sinalizou fortemente (e a CNN noticiou) que os Estados Unidos e Israel poderiam escalar a guerra com o Irã após as eleições de meio de mandato, potencialmente elevando ainda mais os preços do petróleo.

Seria imprudente para o Fed tomar uma decisão com base em um rumor. E os preços de energia podem cair rapidamente.

Por exemplo, o anúncio do governo Trump de um cessar-fogo energético com a Rússia se manteve surpreendentemente bem, aumentando dramaticamente a quantidade de diesel produzida pela Rússia nas últimas semanas, o que poderia reduzir significativamente os preços globais do diesel – caso a Ucrânia continue a se abster de seus ataques de drones às refinarias russas.

Mas a prolongada alta nos preços de energia já está elevando os preços em toda a economia, e esperar para voltar a aumentar as taxas pode colocar o Fed em desvantagem.

Sapos em água fervente. As altas de juros funcionam com efeito retardado, e mudanças mais bruscas nas taxas podem ter efeitos deletérios sobre o sistema financeiro, os mercados e a economia. Esse sapo econômico tende a permanecer na panela quando o calor é aumentado gradualmente.

Se as escaladas na guerra do Irã e na guerra Rússia-Ucrânia forem retomadas, isso poderia colocar o Fed em uma posição difícil, obrigando-o a elevar as taxas ainda mais do que o esperado em sua próxima reunião em dezembro – potencialmente em meio ponto, em uma espécie de ajuste compensatório.

As massivas e sucessivas altas de juros ao longo de 2022 levaram o mercado de ações à sua maior queda anual desde a crise financeira e paralisaram o mercado imobiliário. Mas a economia não entrou em recessão – um feito que o Fed raramente conseguiu quando eleva as taxas de juros.

Não é uma aposta que muitos economistas estejam ansiosos para fazer novamente.

Entenda por que Trump acusa diretora do Fed de “fraude hipotecária”

 

  •  

O que se sabe da colisão entre trens na Espanha com dezenas de mortos

Dezenas de pessoas morreram após dois trens colidirem na Espanha na quarta-feira (28), em um acidente que as autoridades afirmam ter sido causado por falha no sistema de computador e aparente erro humano.

Pelo menos 69 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas após um trem colidir pela traseira com outro trem próximo à cidade de Urda, na província de Toledo, na linha de alta velocidade que conecta Madri e Sevilha.

Um dos trens, operado pela empresa ferroviária nacional da Espanha, a Renfe, colidiu com um trem parado operado pela empresa privada Iryo, em um momento em que todo o tráfego ferroviário na área estava interrompido devido a um problema com o sistema de segurança de gerenciamento de trens LZB.

O acidente marca o terceiro incidente ferroviário fatal na Espanha neste ano, após uma grande colisão em janeiro na província de Córdoba, na qual mais de 40 pessoas morreram, e um acidente perto de Barcelona que matou um maquinista.

“Hoje, a Espanha está de luto. Toda a Espanha está de luto”, disse o primeiro-ministro Pedro Sánchez no local do acidente na quarta-feira (28), ao expressar sua “total solidariedade” com as famílias das vítimas.

O que causou a colisão?

O ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, afirmou que uma falha no sistema de computador gerou um problema com o sistema de segurança ao longo de um trecho de 63 quilômetros (40 milhas) de trilhos, fazendo com que todos os trens na área fossem parados automaticamente.

Nesse momento, a empresa estatal que gerencia as ferrovias da Espanha, a ADIF, assumiu o controle manual do sistema e foi tomada a decisão de permitir que o trem de alta velocidade da Renfe continuasse em direção ao sul pelos trilhos, apesar de um sinal vermelho.

O trem da Renfe foi autorizado a prosseguir sem nenhuma restrição de velocidade devido a uma ordem equivocada de um controlador ferroviário. Como resultado, Puente afirmou que entre 8h36 e 8h52, horário local, o trem retomou a marcha a cerca de 124 milhas por hora, colidindo eventualmente com o trem parado da Iryo.

“Havia um sinal vermelho proibindo a circulação, mas o trem foi autorizado a prosseguir”, disse o ministro dos Transportes em uma coletiva de imprensa na quarta-feira. “É uma decisão tomada em circunstâncias inexplicáveis.”

Após os comentários de Puente, o sindicato espanhol CSIF pediu a demissão do ministro dos transportes, afirmando: “Exigimos que o Governo respeite a investigação e a presunção de inocência do chefe de tráfego da ADIF.” A CNN entrou em contato com o ministério dos transportes da Espanha para obter um comentário.

Entre as vítimas fatais, 24 estavam no trem da Renfe, que viajava de Madri para Sevilha, e 44 estavam no trem da Iryo, também com destino entre Madri e Sevilha.

Puente acrescentou que haverá uma investigação completa sobre o incidente.

Sánchez disse que “se houve negligência, isso virá à tona. E se houve falhas no sistema de segurança, elas serão tratadas com a máxima firmeza.”

O que disseram os passageiros?

Passageiros disseram à CNN que o momento da colisão na quarta-feira (28) foi “muito caótico”, e as pessoas foram imediatamente arremessadas de seus assentos e umas por cima das outras dentro dos vagões.

Um passageiro sobrevivente disse que três dos vagões do trem em particular “estavam em estado terrível.”

“Um estava em chamas, em outro havia pessoas presas e chorando”, disse a passageira, que preferiu não revelar seu nome. “E então no principal (impactado) — havia pessoas soterradas sob os escombros.”

Outro passageiro, Yoander, 25 anos, disse: “Eu estava dormindo, e quando acordei já estava batendo nos assentos à minha frente.”

“Machuquei meu rosto e minha perna”, ele disse ao produtor da CNN no local. “Estou com dor, mas há pessoas que precisam de mais ajuda do que eu.”

Uma mulher que viajava no trem de alta velocidade da Renfe também descreveu cenas “horríveis” enquanto as pessoas eram arremessadas para o ar.

Em entrevista à CNN, Patricia disse que seu trem havia parado por cerca de 20 minutos antes do acidente, com um anúncio explicando que havia muito tráfego. “Depois disso, partimos, e talvez nem três minutos depois, houve uma colisão”, ela disse.

“Algumas pessoas foram arremessadas para o ar… foi horrível”, disse ela. “Parte da estrutura do trem entrou na nossa vagão, e o nosso vagão nem era o pior (afetado).”

Havia 151 passageiros no trem Iryo e 393 passageiros no trem Renfe, de acordo com a atualização mais recente do governo regional de Castilla e La Mancha.

Como as autoridades responderam?

Dezenas de caminhões de bombeiros, ambulâncias e viaturas policiais correram ao local do acidente imediatamente após o ocorrido. A Guarda Civil espanhola montou várias tendas para o que se tornou uma enorme operação de emergência, segundo a equipe da CNN no local.

Mais de 500 socorristas foram mobilizados para o local do acidente a fim de auxiliar nas operações de resgate, informou o Ministério do Interior da Espanha, além de pelo menos três helicópteros e vários drones.

Os socorristas vasculharam os escombros de alguns dos vagões gravemente danificados do trem Iryo. Vários vagões do trem de alta velocidade Renfe, de propriedade estatal, ficaram inclinados de lado após descarrilarem.

As autoridades transportaram de ônibus os passageiros que não apresentavam ferimentos graves para longe do local. Vários passageiros sendo transportados tinham ferimentos leves, incluindo cortes no rosto e ao redor dos olhos, e o que pareciam ser narizes sangrando.

Os passageiros evacuados incluíam cidadãos de várias nacionalidades, entre elas Espanha, Brasil e outros países, segundo o produtor da CNN no local. O Departamento de Estado dos EUA afirmou que “vários” americanos ficaram feridos na colisão de trens.

A cidade de Urda, a aproximadamente cinco milhas do local do acidente, recebeu dezenas de ambulâncias e veículos de serviços de emergência, de acordo com uma segunda equipe da CNN na área. Trabalhadores da Cruz Vermelha que operam a partir do centro esportivo da cidade estão atendendo os feridos.

A Guarda Civil Espanhola anunciou que abriu quatro escritórios em diferentes cidades espanholas para identificar rapidamente as vítimas do acidente.

Enquanto isso, o governo regional convocou urgentemente doações de sangue após o acidente ferroviário, pedindo aos cidadãos que doem sangue em locais nas cidades de Alcázar de San Juan, Ciudad Real e Toledo.

As equipes de resgate continuaram a busca por possíveis vítimas presas nos destroços na noite de quarta-feira, sob a luz intensa de refletores.

O serviço na linha ferroviária, que conecta Madri à região sul da Andaluzia, na Espanha, foi suspenso.

Qual é o histórico de segurança ferroviária da Espanha?

O primeiro-ministro Sánchez afirmou na quarta-feira que “está claro que sofremos duas tragédias terríveis envolvendo trens de alta velocidade no mesmo ano”, reconhecendo o outro grande acidente na província de Córdoba que matou mais de 40 pessoas em janeiro.

O acidente de quarta-feira ocorreu a cerca de 130 milhas do local do desastre ferroviário de janeiro, perto da cidade de Adamuz, ao longo da mesma rota de alta velocidade que liga Madri a Sevilha.

No entanto, a causa do acidente ferroviário no início deste ano foi marcadamente diferente. Aquela colisão envolveu a descarrilagem de um trem devido a uma ruptura na via, que cruzou para uma linha adjacente, de acordo com a emissora pública espanhola RTVE.

Antes do desastre ferroviário de Adamuz, o sindicato dos maquinistas de trem da Espanha, Semaf, havia levantado preocupações sobre as altas velocidades causando vibrações e o consequente desgaste nas linhas ferroviárias de alta velocidade, conforme relatou à CNN uma fonte do sindicato na época.

Os maquinistas de trem da Espanha darão prosseguimento a uma greve nacional pré-planejada na quinta-feira, informou o Semaf, para exigir medidas de segurança mais rigorosas.

Um terceiro acidente neste ano, perto de Barcelona — ocorrido dias após o desastre ferroviário de Adamuz —, envolveu a descarrilagem de um trem de passageiros em um dia de fortes chuvas. Esse acidente matou o maquinista e deixou dezenas de passageiros feridos, de acordo com o governo regional da Catalunha na época.

Os incidentes sucessivos levantaram preocupações sobre a infraestrutura ferroviária da Espanha, os sistemas de informática e a manutenção de ambos.

Mas antes deste ano, as estatísticas da União Europeia mostram que o histórico de segurança ferroviária da Espanha era melhor do que o de muitos outros países europeus.

Em 2023, a Espanha registrou menos de 1 morte ferroviária por milhão de habitantes — o que lhe conferiu o melhor índice na UE naquele período, segundo um relatório do Eurostat. A maioria das mortes ferroviárias na UE resulta de pessoas não autorizadas nas vias, e não de incidentes que matam passageiros ou funcionários dentro dos trens, mostram os dados.

  •  

Ter um carro voador na garagem ainda é um sonho distante; entenda por quê

As pessoas desejam carros voadores desde os primórdios da aviação e dos automóveis. A demonstração feita pela Tesla no início deste mês de uma versão “voadora” do seu novo Roadster significa que estamos perto disso?

Se você procura um carro que possa trafegar com segurança em estradas e rodovias e também voar distâncias significativas, então não.

Mas se você quer uma máquina voadora pessoal que opere em altitudes relativamente baixas e percorra a distância da maioria das viagens de carro, isso está mais próximo da realidade.

Bem-vindo ao mundo em rápida expansão das aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, conhecidas pelo acrônimo um tanto complicado de eVTOLs. Elas não podem trafegar em rodovias, e algumas nem mesmo têm rodas.

Mas muitas empresas têm corrido para desenvolver veículos saídos diretamente de filmes e desenhos animados de ficção científica, com algumas já vendendo aeronaves.

“A ideia do “carro voador” capturou a imaginação do público por gerações, e hoje essa empolgação está impulsionando investimentos e inovações reais em todo o setor”, disse Kristina Menton, vice-presidente de voo da Pivotal, uma das empresas que fabricam eVTOLs.

“O apelo é fácil de entender. Por que passar 90 minutos no trânsito quando você poderia passar 20 minutos no céu?”

Os eVTOLs são muito leves em comparação com os carros tradicionais, têm capacidade de carga limitada e geralmente conseguem voar no máximo 100 milhas de uma vez (161 km/h). Eles também não podem operar em estradas.

Mas mesmo sem trafegar pelo asfalto, alguns defensores acreditam que os eVTOLs deveriam ser considerados um automóvel na definição mais estrita da palavra — um veículo capaz de transportar você do ponto A ao ponto B.

Os “carros” voadores podem atrair motoristas que querem evitar “estradas (que são) problemáticas e congestionadas”, disse Rani Plaut, cofundadora e CEO da Air, uma empresa israelense que planeja construir eVTOLs em uma instalação na Flórida.

Uma empresa que afirma estar desenvolvendo um verdadeiro carro voador é a start-up californiana Alef. O CEO Jim Dukhovny disse que a versão inicial, que terá uma velocidade máxima de cerca de 55 mph (88,5 km/h), foi projetada para ser tanto uma aeronave quanto um carro, em vez de adaptar um ou outro.

O veículo de 254 libras (115 quilogramas) usa oito hélices em seu interior para decolar, mas também possui quatro rodas e foi projetado para dirigir.

O “Model A” só pode transportar uma pessoa que pese menos do que o veículo vazio e não conta com equipamentos de segurança padrão, como airbags.

Mas Dukhovny quer que ele seja visto como um carro, não como um eVTOL.

“Os eVTOLs são para o mercado de aviação”, disse ele. “Nossa concorrência é Toyota, Ford, Tesla.”

Mas tentar fazer as duas coisas — operar como carro e como aeronave — enfrenta muitos problemas básicos de engenharia, disse Roger Connor, curador da coleção de voo vertical do Smithsonian”s National Air and Space Museum.

Isso porque as aeronaves são sensíveis ao peso, enquanto os carros precisam de equipamentos pesados.

“Algo que é um híbrido entre os dois vai ser uma aeronave de baixo desempenho e um veículo de baixo desempenho”, disse ele à CNN.

Ainda assim, a Federal Aviation Administration tem incentivado o desenvolvimento de eVTOLs, lançando uma série de programas de testes em 26 estados em março.

“O futuro da aviação chegou — e vai melhorar dramaticamente a forma como pessoas e produtos se movem”, disse o Secretário de Transportes Sean Duffy ao anunciar o programa.

Uma das questões que a FAA está investigando é quem terá permissão para pilotar essas aeronaves.

A expectativa é que seja necessário muito menos treinamento para pilotar um eVTOL do que para pilotar um pequeno avião, helicóptero ou avião de passageiros — talvez apenas alguns dias. Mas isso ainda está em desenvolvimento, disse Connor.

“Ainda não licenciamos ninguém nessas novas categorias de aeronaves”, disse ele à CNN. “Isso é um pouco novo para todos, e é especialmente assim para a FAA, já que as aeronaves não são aviões e não são helicópteros.”

Apesar do interesse da FAA, os eVTOLs ainda estão em grande parte em desenvolvimento. Muito poucos foram construídos e entregues a clientes, e os disponíveis são muito caros.

Versões maiores, ou “táxis aéreos” que transportam alguns passageiros, custarão mais de US$ 1 milhão cada (mais de R$ 5,3 milhões), disse Connor.

As de uso pessoal serão vendidas por menos, mas ainda assim custarão entre US$ 60.000 e US$ 400.000 (até R$ 2,1 milhões) por uma aeronave de dois lugares com alguma autonomia e alcance.

“Por US$ 60.000, você basicamente está comprando um drone sofisticado capaz de carregar cerca de 160 libras (72 quilos) por talvez 10 minutos”, acrescentou.

A Tesla ainda não informou quanto custará uma versão “voadora” do seu Roadster, e nenhuma versão, voadora ou terrestre, estará à venda antes de pelo menos 2028.

Ao contrário da maioria dos eVTOLs, que utilizam hélices, o Roadster usou jatos de ar comprimido para saltar sobre outros carros e se projetar do topo de uma rampa de seis ou sete andares durante a apresentação do produto no início deste mês.

O Roadster também não voou nenhuma distância apreciável, pousando aquém dos próprios 120 pés que os Irmãos Wright alcançaram durante seu primeiro voo em Kitty Hawk, Carolina do Norte, em 1903.

O próprio site da Tesla adverte que o modelo de teste “não está aprovado para uso em vias públicas”.

Ainda assim, a demonstração espetacular fez muitos no setor comemorarem.

“Quando uma empresa com o alcance da Tesla coloca a ideia de pessoas comuns decolando do chão diante de milhões de espectadores, isso amplia a conversa, e o setor se beneficia dessa curiosidade”, disse Menton, da Pivotal.

Mas ela adverte que sua empresa não é uma montadora de carros.

“Nós fabricamos aeronaves, não carros voadores“, disse ela.

Geração Z: 51% dos jovens pretendem comprar carro nos próximos 3 anos

  •  

Como a IA pode abalar a aparente tranquilidade nos mercados dos EUA

Na superfície, os mercados parecem estáveis. As ações estão próximas de recordes históricos, e os títulos estão mais ou menos onde estiveram nos últimos dois meses.

Mas olhando por baixo do capô, é possível ver sinais de que os investidores estão ficando cada vez mais nervosos — principalmente por causa da IA.

Desta vez, a ansiedade não é porque a IA vai nos matar a todos (isso foi MUITO no mês passado). A preocupação mais recente: a IA pode ser um atoleiro financeiro.

E se o ar começar a sair da bolha da IA, isso pode ameaçar derrubar a base que sustenta o boom econômico americano.

As coisas estranhas

O mercado de ações é tão grande e diversificado que às vezes é útil para os investidores medi-lo de maneiras criativas, comparando duas medições para descobrir se há uma tendência que os números principais não conseguem mostrar.

Por exemplo, é possível medir o índice de referência S&P 500 de várias maneiras. A forma mais comum é ponderar cada ação pelo seu valor de mercado — dando às gigantescas empresas de tecnologia, avaliadas em trilhões de dólares, considerável influência sobre as altas e baixas do mercado de ações.

Mas se você observar o S&P 500 de outra forma, ponderando cada ação igualmente, às vezes é possível obter uma imagem mais clara de como o mercado está se saindo entre os setores.

A ponderação igualitária das ações garante que empresas de setores menores não sejam ofuscadas por empresas gigantes, como as de Big Tech.

Ao comparar essas duas medições em 22 de outubro, o resultado foi seriamente bizarro — tão estranho que havia acontecido apenas duas vezes antes nas últimas três décadas.

O índice principal, ponderado pelo valor de mercado, caiu 1,2%. Mas o índice de ponderação igualitária ganhou 0,5%. Desde 1995, essa enorme divergência entre as duas medições havia ocorrido apenas duas vezes antes: em 14 de abril de 1999 e em 30 de março de 2000, observou James Reilly, economista sênior de mercados da Capital Economics.

O que isso significa? Uma pista pode ser encontrada em outra coisa estranha que aconteceu naquele mesmo dia.

Também na quinta-feira, o rendimento dos Treasuries de 10 anos freou bruscamente e entrou em reversão, caindo abaixo de 5% e registrando a maior queda em um único dia desde 10 de março de 2023 — o dia em que o Silicon Valley Bank implodiu.

Assim, os investidores estavam retirando dinheiro da tecnologia e direcionando-o para os Treasuries e ações não tecnológicas em um ritmo histórico.

É um sinal de que a IA está deixando algumas pessoas em Wall Street um tanto nervosas.

O que mudou?

Os títulos vinham caindo (e os rendimentos, como consequência, vinham subindo para máximas de várias décadas) por três razões principais:

  • Irã
  • A dívida crescente dos Estados Unidos
  • IA

A guerra no Irã provocou uma forte retomada da inflação, cortando o fornecimento mundial de petróleo e combustível e fazendo os preços dispararem.

Os investidores em títulos, diante da inflação em alta, passaram a exigir rendimentos maiores para compensar a parcela de seus investimentos que a inflação vinha corroendo.

Enquanto isso, a dívida dos Estados Unidos disparou para US$ 40 trilhões, e seu déficit orçamentário saltou para US$ 2 trilhões no último ano fiscal.

Políticos de todo o espectro político continuam a defender políticas populistas, incluindo redução de impostos e aumento de gastos, sem dar aos investidores qualquer esperança de que uma onda de responsabilidade fiscal tome conta de Washington em breve.

Isso significa que o Tesouro precisará continuar tomando empréstimos — em grande volume, inundando o mercado com títulos.

E os enormes investimentos em IA têm sustentado o crescimento econômico sustentado dos Estados Unidos nos últimos anos. Mas a infraestrutura necessária para alimentar a IA é cara — cerca de US$ 1 trilhão por ano e em crescimento.

As empresas de tecnologia estão captando enormes quantias de dinheiro de investidores, na forma de títulos, disputando a demanda por outras dívidas, incluindo os Treasuries.

Nada disso mudou fundamentalmente.

Na verdade, a guerra no Irã, a inflação e os problemas com a dívida podem estar prestes a piorar ainda mais. Os preços do petróleo estão nas máximas de quatro anos, e os preços dos combustíveis estão explodindo em algumas partes dos Estados Unidos.

E o presidente Donald Trump sinalizou que a custosa guerra no Irã está prestes a ganhar novo impulso após as eleições de meio de mandato.

Mesmo nesse cenário, os títulos do governo, que os investidores viraram as costas por meses, de repente voltaram a ser populares.

Recentemente, os investidores começaram a fazer perguntas sérias sobre a parte de IA desse tripé que vinha sustentando os rendimentos dos títulos. Essa perna instável da IA deixou as pessoas preocupadas.

E quando os traders ficam nervosos, eles correm para casa em busca de segurança. E o lar mais seguro do planeta oferece a segurança do dólar americano e dos Treasuries.

O que há de errado com a IA?

Se estamos no meio de uma mudança de paradigma, o ponto de virada pode ter começado com a CoreWeave.

A empresa neocloud, que aluga poder computacional para empresas de IA, é movida a dívida. Seus custos de empréstimo dispararam para impressionantes 15% no início deste mês, à medida que os investidores ficaram preocupados com suas perspectivas financeiras.

Isso supera em muito sua taxa de retorno sobre os investimentos.

Em outras palavras: a CoreWeave está perdendo muito dinheiro e pode não conseguir pagar sua dívida.

A CoreWeave pode ser um caso isolado — ou pode não ser. Uma reportagem do Wall Street Journal sobre o rascunho do pedido de IPO da Anthropic mostrou um prejuízo de quase US$ 81 bilhões no primeiro semestre de 2026 — no ritmo de superar o recorde do maior prejuízo anual já registrado por uma empresa de capital aberto (caso a Anthropic abra capital este ano).

A Meta informou que gastou US$ 2 bilhões a mais em caixa do que produziu no terceiro trimestre, fazendo suas ações despencarem 7% na quinta-feira.

Os balanços instáveis da IA levantaram questões sobre todo aquele esquema de financiamento circular que os investidores há muito questionam, mas que o setor e muitos traders varreram para debaixo do tapete.

Se cada empresa de tecnologia está investida em cada empresa de tecnologia, será que tudo isso não passa de um castelo de cartas altamente alavancado? E o que acontece quando uma dessas cartas cai?

Assim, alguns traders estão fazendo uma pausa para repensar o quanto Wall Street tem valorizado a IA — e se esses níveis de endividamento são sustentáveis.

“O que estamos vendo é uma volatilidade elevada em torno de algo que parece, se sente e cheira como uma bolha”, disse Joe Brusuelas, economista-chefe da RSM US.

O que não está claro é por quanto tempo esse esfriamento da IA vai durar.

A Nasdaq está no meio de uma queda de 6% ao longo de duas semanas, mas já passamos por esse caminho antes, com investidores ficando nervosos em torno de temporadas de resultados passadas, temendo que as empresas de tecnologia estejam gastando demais com IA — apenas para reinvestir dinheiro em ações de IA quando algumas empresas reportam sinais de demanda sustentada.

E mesmo que a bolha da IA estourasse, isso não significaria necessariamente que a economia afundaria junto com ela, observou Reilly. Cada bolha financeira tem seu próprio caráter distinto.

Nos últimos anos, economistas descreveram a economia como estando em uma “recessão rotativa”, à medida que vários setores prosperaram e outros entraram em colapso, equilibrando-se mutuamente e impedindo que toda a economia entrasse em recessão.

Desta vez pode ser o mesmo. Ou diferente. Ninguém sabe.

Então o mercado ficou um pouco fora de controle. Os rendimentos dos títulos despencaram. E o mercado de ações fez algo que só aconteceu três vezes desde 1995.

Pode ser o início de algo — ou pode ser apenas mais um obstáculo no caminho.

  •  
❌