❌

Reading view

Jovens do Recife e da França produzem curtas sobre seus territórios

 

Jovens do Recife e de Nantes, na França, estão produzindo curtas-metragens para contar histórias sobre os lugares onde vivem. A iniciativa Diálogo Além-Mar promove oficinas de formação audiovisual e intercâmbio cultural entre participantes de 16 a 25 anos das duas cidades. No Recife, as atividades são realizadas no bairro do Totó, na Zona Oeste da capital pernambucana.

O projeto começou em maio de 2026 e segue até maio de 2027, com oficinas presenciais, encontros virtuais e produção de vídeos. A proposta é estimular os jovens a registrar e interpretar aspectos de seus territórios, como cultura, memória, história, festividades e culinária.

A iniciativa integra a Cooperação Internacional Recife-Nantes e é desenvolvida no âmbito do FICOL 2, programa francês de financiamento de projetos conjuntos entre cidades de diferentes países. No Brasil, participam a Prefeitura do Recife, a Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES), o Consulado Geral da França no Recife e a ONG Cores do Amanhã, sob realização do Capibaribe Festival.

Para a presidente da ARIES, Mariana Pontes, o projeto permite que os jovens assumam o protagonismo na construção de narrativas sobre suas cidades.

“A cooperação internacional ganha uma dimensão ainda mais potente quando cria espaços para que os jovens sejam não apenas participantes, mas autores das narrativas sobre seus territórios”, afirmou.

Na França, a iniciativa é conduzida pela organização Makiz’art, com participação de Nantes Métropole, da Pays de la Loire Coopération Internationale (PDLCI), da SAMOA e da Agência Francesa de Desenvolvimento.

Curtas já foram exibidos

Os primeiros vídeos produzidos pelos jovens recifenses foram exibidos em setembro, durante a Conferência do Capibaribe Festival 2026. A formação inicial abordou linguagem audiovisual, criação de roteiros, funções na produção e exercícios de narrativa visual.

Até o fim de 2026, o planejamento prevê novas atividades, incluindo fotografia de cinema, roteirização, storyboard e filmagens em campo. As produções poderão abordar temas como cores, manifestações culturais e festas, além de explorar espaços relacionados à cultura afro-brasileira e à memória da escravidão.

De acordo com Marcos Toscano, secretário executivo de Relações Internacionais da Prefeitura do Recife, a iniciativa amplia o acesso dos jovens à cena cultural internacional e permite que apresentem suas próprias experiências.

“É uma forma de utilizar a cooperação internacional como instrumento de formação, expressão cultural, empoderamento e conexão entre juventudes”, declarou.

Audiovisual em expansão

A escolha do audiovisual também considera a presença dos vídeos no cotidiano da população brasileira. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 89,3% dos usuários de internet no país assistiram a vídeos, incluindo programas, séries e filmes, em 2025.

O setor também registrou crescimento nos investimentos. De acordo com a Agência Nacional do Cinema (ANCINE), o audiovisual recebeu R$ 1,41 bilhão em recursos efetivamente desembolsados em 2025, o maior volume da série histórica e 29% acima do registrado no ano anterior.

Além da formação técnica, o intercâmbio tem despertado a curiosidade dos jovens recifenses sobre a rotina dos participantes franceses, incluindo seus hábitos, alimentação e atividades cotidianas. As conversas também permitem identificar semelhanças entre os territórios, especialmente em relação à história e à cultura.

A proposta do Diálogo Além-Mar é fortalecer a relação entre Recife e Nantes, cidades-irmãs que mantêm uma parceria de cooperação técnica e cultural há mais de 20 anos, por meio da troca de experiências e da produção de narrativas feitas pelos próprios jovens.

Siga o Jornal do Commercio no Instagram e fique por dentro de tudo

© Divulgação

Jovens do Recife e da França produzem curtas sobre seus territórios
  •  

Janela Internacional de Cinema do Recife começa na quarta-feira (28), no Cinema São Luiz

A 17ª edição do Janela Internacional de Cinema do Recife começa na próxima quarta-feira (28), às 17h, no Cinema São Luiz, onde segue até 1º de novembro. Em formato especial, o festival reúne 31 filmes, entre curtas e longas-metragens nacionais e internacionais, além de uma série. A curadoria é assinada pelo cineasta Kleber Mendonça Filho e pelo programador, crítico e pesquisador Pedro Azevedo Moreira.

A programação inclui 15 produções pernambucanas, entre obras contemporâneas e clássicos restaurados. Entre os títulos estão À Margem do Rio, de Matheus Farias e Enock Carvalho; Yellow Cake, de Tiago Melo; Cão Sem Plumas, de Camila Valença; Vivo 76, de Lírio Ferreira; Coração de Lona, de Tuca Siqueira; e a série Delegado, de Marcelo Lordello e Leonardo Lacca. Parte dessas produções passou recentemente por festivais como os de Locarno, Biarritz, Brasília e Rio de Janeiro, além da Mostra de São Paulo.

DIVULGAÇÃO
O documentário "Vivo 76", dirigido por Lírio Ferreira, é uma viagem lisérgica e histórica pelo universo do cantor e compositor pernambucano Alceu Valença - DIVULGAÇÃO

Homenagem

O festival também presta homenagem ao escritor e cineasta Jomard Muniz de Brito, que morreu recentemente, com a exibição de dois curtas-metragens dirigidos por ele: Amanhecendo, em codireção com Rucker Vieira, e Imitação da Vida. Os filmes serão exibidos em cópias restauradas a partir dos originais em Super-8, em parceria com a Cinelimite.

Outra restauração em destaque é a de That's a Lero Lero (1994), de Lírio Ferreira e Amin Stepple. Realizada pelo Janela, com supervisão de Débora Butruce, a recuperação do curta permite rever a obra que aborda a passagem do cineasta norte-americano Orson Welles pelo Recife na década de 1940.

Produções internacionais e parceria com festival de Nova York

Entre os longas estrangeiros inéditos na programação está Tudo pode ser visto, de Nathan Fielder e Lance Oppenheim, que terá sua segunda exibição na América Latina. A seleção internacional inclui ainda Once Upon a Time in Harlem, de William Greaves e David Greaves; La Gradiva, de Marine Atlan; Seis Meses no Prédio Rosa e Azul, de Bruno Santamaría Razo; Club Kid, de Jordan Firstman; Paper Tiger, de James Gray; e Iron Boy, de Louis Clichy.

A cineasta francesa Céline Sciamma também participa da programação com Tutti Frutti, média-metragem encomendado pelo Centre Pompidou. O festival terá a primeira sessão da obra no continente.

Em parceria inédita com o New York Film Festival, o Janela apresenta uma sessão especial da mostra Spotlight Shorts, com curtas de realizadores do Brasil, da Colômbia, da Palestina, da China e da França. A seleção reúne Masao Adachi Takes a Passport Photo, de Kamal Aljafari; Una Película Robada, de Camilo Restrepo; Torino Shadow, de Jia Zhangke; South of Tehran, de Kleber Mendonça Filho; e Pier Paolo Pasolini - Agnès Varda - New York - 1967, de Agnès Varda.

Clássicos restaurados

Entre os clássicos brasileiros, a programação traz Maracatu, Maracatus, de Marcelo Gomes, em nova restauração 4K, e Luciana, a Comerciária, de Mozart Cintra, em cópia restaurada pela Cinemateca Brasileira.

A sessão de Luciana, a Comerciária será acompanhada de uma entrevista inédita, gravada em 2003 por Kleber Mendonça Filho com Celeida Cintra, esposa e codiretora de Mozart Cintra, responsável por guardar uma cópia do filme durante 50 anos.

Na seleção internacional, um dos destaques é Os Demônios (The Devils), filme de terror dirigido por Ken Russell na década de 1970. A sessão será precedida pelo curta-metragem belga inédito Melk, de Filip Anthonissen.

Sobre o formato desta edição, Kleber Mendonça Filho destaca a concentração da programação em um único espaço.

“Essa talvez seja a programação mais compacta do Janela, e até por isso está muito concentrada. Todos os dias são sessões muito fortes. O fato de todas as sessões serem no São Luiz cria um clima charmoso, de um grupo de pessoas que estão compartilhando filmes marcantes, atuais e de arquivo, como o That’s a Lero Lero, de Lírio Ferreira e Amim Stepple, que foi uma restauração que o Janela fez, e Os Demônios (The Devils), de Ken Russell”, destaca Kleber Mendonça.

Pedro Azevedo Moreira aponta a organização dos curtas-metragens entre obras nacionais, estrangeiras, clássicas e contemporâneas como um dos aspectos da seleção deste ano.

“Arriscamos criar relações intuitivas entre os filmes. A inclusão dos curtas foi bastante processual nesse sentido, íamos entendendo o que fazia sentido com o quê, na medida em que a grade ia sendo construída”, afirma Pedro Azevedo.

Atividades formativas e espaços de memória

A programação inclui ainda atividades da Janela Crítica, iniciativa formativa presente no festival desde 2008. Neste ano, serão realizadas as oficinas O Corpo Negro no Cinema e O Cinema com Raiva, coordenadas pelo cineasta, escritor e roteirista Dodô Azevedo. As atividades são voltadas a pessoas interessadas na prática da crítica cinematográfica.

Durante o festival, o público também poderá visitar o Centro de Referência do Audiovisual Pernambucano (Cena) e a Sala Imersiva Geraldo Pinho, instalados no primeiro e no segundo andar do Cinema São Luiz, respectivamente.

O Cena reúne objetos de época, videoinstalações, arquivos de filmes, entrevistas com personalidades da arte e da cultura pernambucana, além de cordéis, partituras e fotografias que percorrem a história do cinema no Estado. Já a Sala Geraldo Pinho homenageia o programador, cuja atuação teve importância para o cinema brasileiro, e aborda a questão dos cinemas de rua.

O Janela Internacional de Cinema do Recife é realizado pela Cinemascópio. A direção artística é de Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux, e a produção, de Dora Amorim e Juliana Soares. Esta edição tem patrocínio da Fundação Itaú e apoio da Cinemateca Brasileira.

Serviço

17º Janela Internacional de Cinema do Recife

Data: 28 de outubro a 1º de novembro

Local: Cinema São Luiz — Rua da Aurora, nº 175, Boa Vista, Recife.

Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada).

Venda antecipada: perfil do Cinema São Luiz no Instagram, @cinemasaoluizpe, e site www.ingressosfundarpe.com.br.

Bilheteria presencial: abre uma hora antes de cada sessão.

Programação completa: @janeladecinema, no Instagram.

© Divulgação/Fundarpe

Cinema São Luiz, no Centro do Recife
  •  
❌