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Reforma Tributária - SIEG revela que já preparou todos os sistemas de retaguarda para rodar nova plataforma de impostos

No mês de outubro, enquanto o Brasil se voltava para as eleições gerais, tanto no dia 4, quando ocorreu o primeiro turno, quanto no dia 25, quando ocorreu o segundo, empresários, tributaristas, contadores e dezenas de empresas de suporte cuidavam de outra pauta.

Na segunda-feira após o primeiro turno (6), iniciou-se a contagem de prazos em meses relativos às etapas de adequação e às frentes operatórias da transição da Reforma Tributária, prevista para começar em janeiro de 2027. No dia 16, ocorreu o início dos testes de integração da plataforma pública, Split Payment, em ambiente controlado.

Nesta segunda-feira (26) começou o prazo para homologação das Notas Técnicas referentes aos ajustes de campos e validações de IBS e CBS em documentos fiscais e, finalmente, nesta próxima sexta-feira (30) terminou o prazo para empresas do Simples Nacional conferirem por CNPJ o resultado de solicitações e regularizarem pendências de enquadramento.

Existe um longo calendário a ser percorrido, mas empresários e tributaristas já sabem que o papel do contador terá uma elevação do seu nível de importância para a empresa, que alguns analistas do setor automobilístico comparam à sua presença na empresa como a da bateria num carro elétrico, muito longe da bateria nos carros movidos a combustão.

O papel do contador efetivamente mudará de patamar quando a reforma rodar os sistemas de captação de informações a partir da nota fiscal eletrônica, que passou a ser a principal porta de entrada de informações no relacionamento das empresas com seus clientes, fornecedores e o Fisco, tendo em vista que os documentos fiscais serão gerados a partir das informações que o emissor da e-NF inserir no seu preenchimento.

Tão definitivo que, com essas informações e usando o Split Payment, começa a interferir na rotina das empresas, seja porque já separa a “parte do leão” (se for usada a linguagem figurada), seja para os tributos a serem recolhidos em tempo real. E isso provoca um redesenho do próprio caixa da empresa, que, pelo atual sistema, recolhe os tributos em até 45 dias, o que acaba funcionando como capital de giro que agora desaparece.

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Carmellino Filho Sócio da SIEG - DIVULGAÇÃO

Contabilidade vira estratégia do negócio

Muda fundamentos do jogo na contabilidade e na própria visão estratégica do negócio, admite Henrique Carmelino Filho, CEO da SIEG, segundo maior empresário do Brasil no setor, com suporte em tempo real, 20 mil deles que, no conjunto, processam 480 milhões de documentos/mês, e que são usuários dos seus sistemas de gestão fiscal, imposto de renda, gestão de documentos fiscais e folha de pessoal.

O carro-chefe da casa fica com a gestão de documentos fiscais.
E ela está atrás apenas da multinacional Thomson Reuters, que atende outros 45 mil clientes. A SIEG é uma empresa de TI que orgulha-se em ser genuinamente pernambucana. E, surpreendentemente, não é nativa do Porto Digital.
A complexidade mudou de lugar e as empresas precisam se preocupar não apenas com a carga tributária, mas com o serviço que entregam. E isso fará do contador um conciliador dos encontros decorrentes do processamento dos novos documentos que a Reforma Tributária apresenta, diz Carmelino Filho.

Do ponto de vista da tecnologia de suporte, a empresa está tudo pronto e podendo rodar, garante o empresário, mas o modelo de negócio de contabilidade está sendo elevado a um nível porque o Fisco vai saber muito mais sobre a empresa desde que ela emite uma nota fiscal eletrônica.

E isso tem consequências. Sem o colchão do tributo no caixa por até 45 dias, não precificar com precisão pode colocar em risco a companhia. Se o empresário não se preparou e não preparou a empresa acompanhando os pássaros do fornecedor, o Fisco será um componente muito sério no processo.

O fato novo que decorre da operação prática da Reforma Tributária é que o processo nasce com a nota fiscal eletrônica que vai acompanhar toda a vida contábil e fiscal num processamento muito diferente.
O que, para Carmelino Filho, exige um olhar muito atento do empresário para o fiscal. Porque ele vira dinheiro.

O desafio é extraordinário e muitos analistas e contadores têm dúvidas se vai funcionar. Se ele vai rodar 100%. Até porque os prazos não estão sendo cumpridos.

Claro que o documento fiscal já existe. Os sistemas de contabilidade estão disponíveis. E as empresas já estão rodando em paralelo e, mais recentemente, rodando os processos. Mas não se pode avançar muito sem a definição da alíquota final que vai juntar os percentuais da CBS com o IBS.

Mas a verdade é que a maioria das empresas ainda não se preparou, talvez esperando um adiamento ou porque vê 2027 com o olhar de dezembro e não de janeiro.

E não é exagero que uma parte importante ainda não se deu conta da nova realidade em que o processamento dos documentos de forma correta é fator estratégico. Não é mais um problema do contador; é de toda empresa, a começar pelo dono.

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Escritório Recife SIEG - DIVULGAÇÃO

Proteger o caixa para formar preço

Isso, na opinião de Carmelino Filho, cria novos desafios. “Um erro no procedimento contábil é um problema que a retaguarda pode resolver e a nossa empresa tem isso projetado no que entregamos.

Porém, o desafio é maior e começa uma nova abordagem da própria formação do preço que terá de ser ajustada em função da concorrência, mas também pela importância que a proteção do caixa assume a partir de agora.

Proteger o caixa sempre foi a lição número um de toda empresa. Mas essa decisão ganha muito mais significado depois que o Fisco passa a ser um ator importante dentro do negócio.

E aí entra a questão do split payment que, desde o começo da operação, já começa a reter dinheiro em 2027. Os testes de integração entre prestadores de serviços de pagamento e a plataforma pública começaram no último dia 15, em ambiente controlado, e a Receita Federal garante que nenhuma transação é processada em caráter definitivo e não há penalidades nessa fase; a lei e o regulamento preveem implantação gradual do recolhimento na liquidação financeira. Será real.

Por isso, a projeção de caixa deve dizer em quais transações e a partir de qual data considerou o mecanismo. A data dos testes não autoriza retirar dinheiro dos recebimentos projetados. Veja o que são os testes do split payment de 15 de outubro.

E tem repercussão na hora em que a empresa busca capital de giro. Já se sabe que essa talvez seja a grande demanda quando a Reforma Tributária começar a se instalar de fato, porque uma parte dela que a empresa deixou no caixa até o dia do vencimento do Documento de Arrecadação vai deixar de existir. Mas como os bancos vão atender essa demanda?

Para Carmelino Filho, esse será um momento importante porque a demanda terá de ser ajustada em função do processamento dos documentos fiscais a partir da nota fiscal.

Claro que o empresário será sempre o estrategista, o visionário e empreendedor que faz a roda da economia girar com sua energia criativa. E com a Reforma Tributária ele não vai virar o contador da empresa e deixar de liderar. Mas, o que passou a ser fundamento no jogo, numa economia em que o modelo fiscal vai rodar em tempo real, é que ele vai precisar tomar mais cuidado, e aí a função do contador e o suporte a ele ganham importância.

 

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Escritório Recife SIEG
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Conselho do FGTS aprova quase R$ 150 bilhões para habitação e mantém Saque-Aniversário que não ajudou a fazer nenhuma casa nova

O Conselho Curador do FGTS aprovou nesta quinta-feira (29) o orçamento para habitação em 2027 no valor total de R$ 144,5 bilhões, o mesmo liberado este ano, dos quais R$ 125,5 bilhões serão destinados às famílias de baixa renda e R$ 15 bilhões para a classe média do programa Minha Casa, Minha Vida.

É um número importante porque alavanca o setor da construção civil que lidera a contratação de empregados cada vez mais especializados, mas na mesma reunião o Conselho Curador decidiu não aprovar uma restrição maior para a antecipação de saque-aniversário que estava prevista para entrar em vigor no próximo domingo.

Apoio no colegiado

Ano passado, o colegiado decidiu que, em 1º de novembro deste ano, o trabalhador só poderia antecipar, em operações de crédito, o equivalente a três anos, o que até agora permite o trabalhador receber nos próximos cinco anos nos seus resgates de saque-aniversário. Entretanto, a restrição foi adiada para 31 de março de 2027, quando o assunto voltará a ser discutido pelos conselheiros.

A manutenção do saque de até cinco anos é ruim para a melhoria da performance do FGTS porque o saque-aniversário criado no governo Jair Bolsonaro em 2020 retirou do patrimônio do fundo 255,34 bilhões, dos quais R$ 117 bilhões já foram transferidos, enquanto outros R$ 138 bilhões estão reservados para transferência nos próximos anos.

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Crédito do Trabalhador. - Divulgação

Desvio de função

Para se ter uma ideia do desvio que o saque-aniversário provocou nos ativos do FGTS, basta comparar com o que aconteceu com o setor da habitação ano passado.

Em 2025, os recursos destinados à habitação somaram R$ 133,22 bilhões e foram efetivamente aplicados em financiamentos habitacionais, o equivalente a 105% do orçamento originalmente previsto. Isso se deu porque mais R$ 15,53 bilhões foram aplicados, tanto por suplementação quanto por remanejamento de outras áreas de aplicação, somando-se ao orçamento de R$ 126,8 bilhões.

Unidades habitacionais

Esse dinheiro possibilitou a contratação de aproximadamente
633 mil unidades habitacionais em 2025, com destaque para
o programa Apoio à Produção (300,4 mil unidades) e para o Programa Carta de Crédito Individual (283,1 mil unidades).

Isso quer dizer que o dinheiro transferido através do saque-aniversário poderia financiar dois anos de financiamento para mais de um milhão de novas habitações.

Subsídios às famílias

No orçamento de 2027, o volume de subsídios às famílias de baixa renda do programa será de R$13 bilhões. A linha pró-cotista, com juros mais baixos no financiamento habitacional, receberá R$4 bilhões em 2027.

O colegiado também aprovou os orçamentos plurianuais do FGTS para habitação para o período de 2028 a 2030, mantendo o volume de R$125,5 bilhões/ano.

Classe média

Já os recursos destinados à classe média no programa Minha Casa, Minha Vida caem para R$10 bilhões por ano, a partir de 2028. Essa faixa é contemplada com as faixas 3 e 4 para recebimento de subsídios.

Os desvios sob novas modalidades de saques já provocaram um dano irreversível aos ativos do fundo. Ano que vem, o FGTS destinará ao todo R$169 bilhões às políticas públicas de habitação, saneamento básico, projetos de infraestrutura e saúde.

Dilvulgação
A liberação do saque-aniversário chegou a R$ 38,12 bilhões, que deixaram de financiar a habitação - Dilvulgação

Saques diversos

Mas haverá redução no orçamento dos próximos exercícios por força das autorizações de saques especiais, resíduos nas contas vinculadas para quem aderiu ao saque-aniversário e foi demitido, além de empréstimos para a área da saúde, o que vem erodindo o valor total do fundo.

Enquanto no governo Bolsonaro o saque-aniversário impediu que milhares de residências fossem financiadas, no governo Lula o governo atravessou o saldo do fundo com a criação do Crédito do Trabalhador que permite ao empregado do setor privado antecipar parte de seu saldo depositado pagando juros sobre o seu próprio dinheiro.

Menos habitações

O Crédito do Trabalhador também virou um recebível, como o saque-aniversário, transformando o trabalhador credor de um depositante num devedor ao banco que faz a antecipação. O Crédito do Trabalhador também não ajudou a construir nenhuma casa.
O programa Crédito do Trabalhador movimentou mais de R$120 bilhões em empréstimos concedidos pelos bancos.

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Parceria com a National Mango Board (NMB - entidade de fomento ligada ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) - Divulgação

Venda de manga

O XVI Workshop Internacional da National Mango Board no Vale do São Francisco, que reuniu produtores, exportadores, responsáveis técnicos, engenheiros agrônomos, pesquisadores e consultores os produtores de manga do Vale do São Francisco, vão ampliar em 20% as exportações de manga para os Estados Unidos. Isto significa um aumento de 38 para 46 mil toneladas da fruta na safra 2026.

No workshop, realizado pela Valexport em parceria com a National Mango Board (NMB - entidade de fomento ligada ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), o público participou também de uma série de palestras sobre temas, a exemplo de produção, qualidade, fitossanidade e competitividade da manga do Vale do São Francisco.

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Indústria mais otimista para 2027. - Divulgação

Índice de Confiança

O Índice de Confiança do Empresariado Industrial (ICEI) de outubro registrou que 27 dos 29 setores da indústria aumentaram. O índice varia de 0 a 100 pontos e sinaliza falta de confiança dos empresários quando está abaixo dos 50 pontos e confiança quando está acima desse patamar. Com o resultado, cinco segmentos cruzaram a linha divisória de 50 pontos e passaram a demonstrar otimismo.

O número de setores industriais confiantes passou de quatro, em setembro, para oito, em outubro. Em dois segmentos, o ICEI caiu: equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos; e calçados e suas partes.

Sustentabilidade

O Natal Musical Plaza abrirá espaço para a solidariedade. Em parceria com a Divertec, o shopping promoverá oficinas infantis para a confecção de enfeites natalinos com materiais reaproveitados, incorporando conceitos de tecnologia, robótica e eletrônica básica. A atividade terá taxa de R$25 por criança. Parte da arrecadação será destinada à campanha Alimente a Vida, promovida pela Apesce em parceria com os shoppings da cidade.

Sob demanda

Liderado por Sofia Holanda, Marcelo Cherpak e Amir Posternak inaugura em dezembro a Oxia Medical Spaces, no Pina, voltada para a locação de consultórios de alto padrão por turnos ou diárias, permitindo que profissionais de saúde atendam sem investir em uma estrutura própria. O empreendimento alia, ainda, o marketing médico em seus serviços, uma novidade no Polo Médico do Recife.

Imobiliários

Os financiamentos imobiliários com recursos das cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) somaram R$ 13,62 bilhões em setembro de 2026, o sexto melhor resultado para o mês de setembro nos últimos 25 anos.

O volume ficou 19,7% abaixo do registrado em agosto e apresentou redução de 13,7% na comparação com setembro de 2025. No mês, foram financiadas a aquisição e a construção de 34,9 mil imóveis com recursos da poupança. A quantidade foi 25,3% inferior à registrada em agosto e recuou 24,4% na comparação com setembro do ano passado.

De janeiro a setembro, os financiamentos com recursos do SBPE alcançaram R$ 146,1 bilhões, crescimento de 30,3% em relação aos R$ 112,1 bilhões registrados no mesmo período de 2025. As contratações viabilizaram a aquisição e a construção de 419,6 mil imóveis nos nove primeiros meses deste ano, número 27,4% superior ao observado no mesmo intervalo do ano passado.

Pet & Veterinário

De 8 a 10 de novembro, das 13h às 21h, no Recife Expo Center tem a Feira Petnor 2026 reunirá empresas de diferentes segmentos da cadeia pet e veterinária em três dias dedicados à geração de negócios, relacionamento comercial e apresentação de produtos e serviços. Em 2025, o evento contou com mais de 160 expositores e 280 marcas, além de visitantes de 25 estados brasileiros.

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Brasil tem déficit de profissionais de tecnologia e a IA - Divulgação

Desenvolvedores

O novo relatório Octoverse 2026 revelou que o Brasil alcançou 10,2 milhões de desenvolvedores no GitHub em setembro de 2026. Apenas no último ano, a comunidade brasileira ganhou 3,28 milhões de novos usuários, o terceiro maior volume de adições do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia.

Com esse resultado, o Brasil consolida o quarto lugar global tanto em número de desenvolvedores quanto em contribuições (pushes) para repositórios públicos, reforçando sua relevância no ecossistema global de código aberto (open source). O relatório também destaca o setor brasileiro de fintechs, caracterizado por um mercado maduro e em rápido crescimento, como um dos grandes motores desse avanço.

Inclusão profissional

A psicóloga Frínea Andrade leva jovens autistas do Instituto Dimitri Andrade à 18ª MADE Pernambuco, em uma experiência de emprego apoiado. Até 9 de novembro, eles atuarão como vendedores e no atendimento ao público, no estande 10, no piso L3 do Shopping RioMar.

A iniciativa busca ampliar a inclusão profissional, a autonomia e a geração de renda para pessoas neurodivergentes. Segundo o Autism Speaks, cerca de 85% dos adultos autistas estão fora do mercado de trabalho.

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Se aprovada, medida permitirá que a Caixa Econômica Federal deposite automaticamente os valores nas contas
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O tamanho do estouro nas contas do governo depois das eleições

O Instituto Fiscal Independente (IFI), uma instituição do Senado criada para escrever relatórios e traçar cenários sobre as atividades do Governo, está entregando um importante pacote de informação sobre o que foi mesmo que o Governo Lula gastou nas eleições e o que, por consequência, terá que ajustar ainda este ano depois que o Congresso aprovar o Senado.

Em grandes números, o IFI que usou os valores oficiais e estimativas de gastos do próprio governo, Dotações no SIGA Brasil, Relatório de Avaliação e Receitas e Despesas Primárias do 4º bimestre (portanto, até agosto) e do Banco Central chegou à conclusão de que o estouro no caixa em 2026 e o que vai estourar em 2027 somam R$ 186 bilhões.

Quanto devemos

Portanto, se o presidente chamasse sua equipe e perguntasse o custo da eleição nesse e no primeiro ano do novo mandato, seria esse número. Porém, tem um “fiado” que Lula comprou que, segundo o IFI, chega a mais de R$ 134,2 bilhões, que é a conta do que continuará em 2028, 2029 e 2030. Portanto, em todo o novo período de governo.

Um “pendura” de R$ 320 bilhões fora o custo do subsídio dos juros contidos no programa Novos Indústria Brasil (NIB) que até o final do ano deve aportar nas empresas mais R$ 140 bilhões assusta qualquer pessoa minimamente preocupada com as contas públicas. A contribuição do IFI é interessante porque foi feita com dados públicos de documentos oficiais, o que não dá margem para contestação.

Estouro real

Está escrito que este ano, o estouro real deve ser de R$ 50,2 bilhões, com os gastos de R$ 36,2 bilhões com o subsídio aos combustíveis; R$ 6 bilhões de aportes a fundos garantidores; R$ 5,8 bilhões do reajuste do Bolsa Família e R$ 2,8 bilhões em renúncias fiscais.

Tem mais R$ 78,5 bilhões. Foram os R$ 30 bilhões do Move Brasil I, R$ 14,5 bilhões do Move Brasil II, R$ 12 bilhões do Brasil Soberano e mais R$ 22 bilhões de programas como Desenrola Adimplentes, FIES, empréstimo às companhias aéreas, mais R$ 1 bilhão para capital de giro das aéreas e R$ 9 bilhões para projetos de desenvolvimento tecnológico.

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Fachada do Banco Central do Brasil - Divulgação

Sem efeito

Difícil imaginar se R$ 1 bilhão para capital de giro na TAM, GOL e Azul tem algum efeito na ponta. Mas arrancar além desse valor mais R$ 4 bilhões de recursos públicos mostra o poder de pressão delas. Então, somando tudo, chegasse a um estouro de R$ 129,2 bilhões. Esse é o exato valor do problema ou do que custou a eleição de Lula.

Mas o problema é que, no calor da emoção, o Lula entendeu de fazer um “fiado” para o novo governo e contratou mais R$ 56,7 bilhões para 2027. O reajuste do Bolsa Família agregou mais R$ 23,4 bilhões ao orçamento do programa em 2027. Lembra das canetas emagrecedoras do SUS, do Desenrolar 3 e do Pé de Meia Universitário? Eles vão custar R$ 18,9 bilhões.

Débito futuro

Porém, a conta prossegue com o perdão do MEI e do PIX MEI e a renegociação das dívidas dos MEIs, que somam R$ 4,5 bilhões. Elas serão somadas aos R$ 5,2 bilhões que o governo vai deixar de arrecadar com as Bets e com o atraso do Imposto Seletivo da Reforma Tributária, que vai ficar para 2028.

O problema é que benefícios como o perdão das dívidas do MEI, o novo PIX MEI e os novos benefícios terão que ser incorporados aos orçamentos de 2028, 2029 e 2030. Eles terão que incluir valores de R$ 45,1 bilhões. Ou seja: o novo governo tem um “fiado” de R$ 134 bilhões.

Poder de pagar

O governo tem como pagar? Não! Vai ter que ter e, se não tiver, tem que sacar no cheque especial da Secretaria do Tesouro Nacional emitindo mais títulos públicos como as famosas LFT, LTN e NTN-B (títulos remunerados pelo IPCA).

Essa é uma coisa de que as pessoas não se dão conta. Quando o governo gasta mais, tem que ir ao mercado financeiro e tomar dinheiro emprestado.

Credibilidade

Quando o governo vai bem, os bancos imploram para emprestar, baixam os juros, aceitam receber títulos de mais de cinco anos e disputam os empréstimos nos leilões.
Quando o governo está encalacrado como o atual, o banco faz beicinho, diz que não aceita a taxa, quer um título com prazo de dois anos. E como o governo tem que pagar os compromissos, aceita o desaforo.

Juros na alta

O problema é que no governo Lula 3 vem aceitando desaforo do banco a ponto de ter aumentado o tamanho da dívida pública em mais 10,2 pontos percentuais até agora. Ela chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto, somando cerca de R$ 11,1 trilhões, segundo dados do Banco Central.

Um país como o Brasil dever R$ 11,1 trilhões; com a economia que tem, não seria motivo de grandes preocupações. O problema é o prazo de pagamento dos títulos que ele emite. O diabo é que hoje, 16,75% vencem em 12 meses, mais 16,59% em 24 meses e outros 15,69% em 36 meses.

Cheque especial

Ou seja, o Brasil está no cheque especial. Na verdade, apenas 25,90% de nossa dívida tem prazo de mais de cinco anos. Quando se compara com países equilibrados (a Áustria emitiu um título com prazo de 100 anos e o Japão com 40 anos em média), os prazos são de 10, 15 e até 20 anos, com o banco pedindo “pelo amor de Deus” que o governo venda títulos públicos.

E como tudo o que é ruim pode piorar, no Brasil o banco quer saber quanto vai ganhar. Em agosto, 40,71% dos títulos eram remunerados com taxa prefixada e apenas 33,13% com taxa flutuante. Ou seja, se os juros baixarem, o governo não se beneficia porque teve que aceitar um título que o credor (que negociou com juros altos) vai receber com base num juro alto.

Mal humor grande

A razão da reclamação dos analistas e economistas é que o Governo Lula “peita” o mercado no discurso e não conversa sobre ajustar as despesas. E essa angústia chegou a um nível tal que quando Flávio Bolsonaro prometeu cortar as despesas, o mercado apostou tudo nele.

Hoje se sabe que ele dificilmente faria grandes cortes. Porém, ele tinha “boa vontade” do mercado, que, quando ele venceu no primeiro turno, baixou a taxa de juros futuros em 2%. O problema é que a conversa não se sustentava e ele acabou prometendo quase tudo o que Lula havia prometido de benesses; feitas as contas, Flávio ficou igual, sem ter o repertório de Lula.

Então, quando ele “deu lavrando” e se mandou para os Estados Unidos, o mercado ficou ainda mais frustrado com a estúpida aposta nele e exige um ajuste antes do Natal que dificilmente Lula anunciará.

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Importação de insumos para indústria. - Divulgação

Números da indústria

A participação de bens estrangeiros no mercado brasileiro voltou a bater recorde e atingiu o maior nível da série histórica iniciada em 2003, de acordo com o estudo Coeficientes de Abertura Comercial (CAC), divulgado pela CNI nesta quarta-feira (28).

Em 2025, o coeficiente de penetração das importações alcançou 28,3%, um aumento de 1,6 ponto percentual (p.p.) em relação ao ano anterior. O levantamento também destaca o recorde no uso de insumos importados pela indústria brasileira e o aumento da parcela da produção industrial destinada ao mercado externo.

O ganho de espaço dos importados ocorreu em um cenário de estabilidade na produção da indústria nacional e de menor dinamismo na procura interna. A proporção de insumos industriais importados usados pelas fábricas brasileiras também atingiu recorde em 2025 e chegou a 25,8%. Esse é o segundo ano consecutivo em que o indicador bate recorde, após também ter atingido nível inédito em 2024. Muito ruim.

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Feira do Morar Bem em Caruaru. - Divulgação

Imóveis de Caruaru

Começa hoje em Caruaru a Feira de Imóveis de Caruaru,que vai até 1º de novembro, na Estação Ferroviária. O evento reunirá 19 construtoras e imobiliárias e contará com um estande do Governo do Estado para orientar o público sobre o programa, que já soma 6.529 aprovações no município.

O Morar Bem Pernambuco – Entrada Garantida será um dos destaques. Em Caruaru, das 8.679 unidades habitacionais disponibilizadas na modalidade, 2.147 ainda estão disponíveis, distribuídas em 58 empreendimentos. Com mais de 29 mil famílias aprovadas, o Morar Bem Pernambuco tem recursos garantidos para 2027.

Infratores ambientais

Um levantamento do Greenpeace Brasil sobre o primeiro turno das Eleições de 2026 mostra que foram eleitos 38 representantes com alguma autuação do Ibama. Juntos, eles receberam 78 infrações que somam R$ 102,2 milhões.

A maior parte dos 38 infratores ambientais eleitos está nas assembleias estaduais: são 20 deputados estaduais (52,6%), com 50 infrações registradas ao todo; 2 para vice-governador e 1 para governador, com 1 infração cada.

Na Câmara dos Deputados, são 10 parlamentares, com 16 infrações. No Senado, foram eleitos 6 infratores ambientais, incluindo suplentes, com 10 infrações ao todo. Quanto aos partidos, o Partido Liberal (PL) lidera a lista, com 9 eleitos infratores ambientais.

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Empresas hoje no Simples Nacional poderão duplicar faturamento - Divulgação

Simples Nacional

Mais de 270 mil pedidos de opção pelo Simples Nacional para 2027 foram indeferidos pela Receita Federal, segundo balanço divulgado. Ao todo, o órgão recebeu 469.498 solicitações, das quais 199.161 foram deferidas e 270.337 ainda apresentam pendências que impedem o enquadramento.

As empresas nessa situação têm até 30 de outubro para regularizar os problemas apontados e tentar garantir a entrada ou o retorno ao regime a partir de janeiro.O número chama a atenção porque há mais pedidos indeferidos do que aprovados.

Segundo a Receita, as solicitações com pendências ainda podem ser regularizadas dentro do prazo legal. O prazo para solicitar a opção pelo Simples terminou em 15 de outubro.O impacto, porém, vai além da forma de recolher impostos. Empresas que montaram orçamento, preços e projeções para 2027 considerando o Simples podem ter de rever essas contas caso não consigam concluir o enquadramento.

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Senai Pernambuco oferece vagas para cursos gratuitos; matrículas neste sábado, 6 - DIVULGAÇÃO

Via SENAI

O Via SENAI, plataforma de empregabilidade do SENAI Pernambuco, contabilizou, entre 2020 e 2026, mais de 13 mil vagas divulgadas, 100 mil candidaturas, 22 mil currículos cadastrados e 2 mil empresas participantes. A ferramenta ganha novas funcionalidades, como agendamento de entrevistas pelo aplicativo e acesso das empresas ao banco de currículos. As melhorias atendem a demandas das próprias organizações para facilitar o recrutamento e a seleção de profissionais.

Comprar comida

Levantamento revela que 59% dos consumidores apontam despesas com alimentação entre as que mais comprometem o orçamento; a terceira e quarta semanas do mês são as mais difíceis para 41% dos entrevistados. Quando o dinheiro pode não ser suficiente, 29% reduzem gastos não essenciais e 22% buscam renda extra;75% dos entrevistados afirmam planejar os gastos antes do início do mês frequentemente. Os gastos essenciais estão entre os principais desafios para fazer o dinheiro durar até o fim do mês.

Uma pesquisa da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box revela que alimentação e supermercado estão entre as despesas que mais pesam no orçamento para 59% dos brasileiros, seguidas por moradia, aluguel ou financiamento (40%) e contas da casa (32%). Nesse cenário, 41% dos entrevistados apontam a terceira e a quarta semana como os períodos mais difíceis para equilibrar as finanças, enquanto 13% afirmam enfrentar dificuldades durante todo o mês.

Gestão

A Associação Geral da Reserva do Paiva prevê encerrar 2026 investindo aproximadamente R$ 6 milhões no bairro, único planalto de Pernambuco. Os recursos vão para a operação e a zeladoria do lugar, incluindo manutenção, segurança, monitoramento e serviços essenciais.

 

 

 

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Ministro Dario Durigan da Fazenda.
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Com bom humor e enorme capacidade de interação, Eduardo Paes Mendonça criou um jeito próprio de ajudar a construir, na retaguarda, a marca Bompreço

O empresário Eduardo Paes Mendonça, que nos deixou nesta terça-feira tinha como marca o bom humor e a capacidade de se aproximar e fazer as pessoas se aproximarem dele, o que usava como estratégia de ação como empresário e no próprio Bompreço, onde entrou para cuidar da retaguarda da rede.

Ele cuidou do dia a dia da central de distribuição, da segurança, das compras de material, da embalagem, das obras e dos veículos. E foi ali que treinou o olhar para oportunidades de negócio enquanto era face do grupo que tratava com os fornecedores de serviços que davam lustro à imagem do Bompreco.

E nessa área, quem o conheceu e trabalhou para a rede sabe que Eduardo era um parceiro agradável, divertido e criativo, mas duro na negociação.

Pouca gente sabe, mas ele foi o autor de uma mudança importante no varejo de supermercados quando passou a exigir das grandes indústrias que entregassem as encomendas de grande porte diretamente nas lojas sem que elas fossem enviadas da Central de Distribuição, na Caxangá.

A lógica era simples e eficiente. Se uma cervejaria mandava para a CD dezenas de carretas que, pelo volume, teriam que ser recebidas e depois enviadas para a loja, por que não envia direto para as maiores lojas?

Isso começou com as cervejarias que passaram a enviar para as grandes lojas e hipermercados um caminhão com todo o pedido. Na verdade, a compra era a mesma, a negociação de preços era a mesma, apenas a entrega saía direto para a loja.

Claro que as cervejarias reclamaram. Mas aí entrou o jeito de Eduardo de conversar e processar o novo sistema que ele e sua equipe haviam desenhado. Virou padrão para o setor.

Foi uma mudança interessante porque, num tempo em que cerveja se vendia em embalagens de vidro de 600 ml e os refrigerantes em volume de 290 ml, as indústrias logo passaram a aproveitar o caminhão para receber os vasilhames vazios. Funcionou para os dois lados.

Eduardo, por sua vez, criou uma área de recepção de vasilhames das lojas no estacionamento que recebiam o crédito para os produtos que iriam comprar.

Ele levou esse aprendizado que depois virou empresário do setor de gráfica acompanhou de perto a transição da clássica do saco de papel para as sacolas plásticas que se tornaram padrão.

Esse contato com o setor gráfico, quando adquiriu a gráfica que fornecia embalagens e que tinham o Bompreço, teve momentos divertidos: o grupo comprava embalagens de outras empresas em função dos preços, o que fazia dizer aos clientes da gráfica que seu cliente mais duro na cotação de preços era João Carlos Paes Mendonça.

Ele continuou sua vida empresarial com a fábrica de elevadores, com a qual fez parceria com a Hyundai, onde o jeito de fazer negócios no Bompreço virou uma marca quando entrava na negociação.

O empresário seguiu os passos do irmão João Carlos Paes Mendonça na área de ação social, criando instituições para proteção de pessoas a partir de seu próprio exemplo de vida, seguindo uma ação diferenciada.

Talvez essa seja sua maior marca como empresário e fruto do aprendizado nas áreas de distribuição, segurança, compras de material e embalagem. Ele viu negócios onde pouca gente percebia e ocupou o espaço.

Sempre com a marca do bom humor que era como sempre era lembrado. Talvez porque tenha percebido na construção de sua personalidade que começar uma conversa de forma respeitosa garante metade da possibilidade de sucesso.

Por isso, a sua partida para o "andar de cima" dá uma saudade danada. 

 

© Acervo da família

Eduardo Paes Mendonça deixa uma trajetória que passa pelo Bompreço, pela Intergraf e pela criação da Casa Sorrir, no Recife
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Relatório do Banco Central faz ressonância para diagnosticar a crise da inadimplência nos bancos, mas não prescreve nenhum remédio

Divulgado nesta terça-feira (27), o Relatório de Atividade Financeira produzido pelo Banco Central diz que o Sistema Financeiro Nacional vai bem obrigado. Ele continua contribuindo para a resiliência do capital, mas o aumento das despesas de provisões tem pressionado a rentabilidade. Dito num português mais simples. O negócio bancário no Brasil é muito bom, mas a inadimplência obriga o controlador a guardar dinheiro para quem não paga em dia.

O documento revela que, no primeiro semestre, a rentabilidade do SFN recuou, sobretudo em razão do menor resultado de instituições públicas, como BB, Caixa e Banco do Nordeste, entre outras, que precisaram aumentar as despesas de provisão, frente a um cenário de maior materialização de risco.

Eficiência operacional

O BC diz que a eficiência operacional do SFN manteve-se estável diante da expectativa da materialização do risco de crédito e da desaceleração do crescimento do crédito bancário, em especial em modalidades de maior spread.

Mas num estudo especial, o relatório coloca uma luz sobre um tema muito importante relacionado ao aumento da inadimplência, que, como se sabe, chegou ao maior nível desde o início da série histórica. O documento diz que, a partir de 2025, as instituições financeiras a definir os critérios utilizados para determinar o momento de baixa a prejuízo, produzindo efeitos sobre os indicadores de inadimplência das carteiras de crédito.

Valores perdidos

E que até dezembro de 2024, a distribuição dos valores perdidos ficava na faixa entre 301 e 360 dias de atraso, classificada como prejuízo. Mas a partir de 2025, com a alteração na política dos bancos, as operações em atraso permanecerão por mais tempo em seus ativos, contribuindo para a elevação da inadimplência observada.

E aí, o relatório revela uma coisa bem interessante: a inadimplência também teria aumentado na ausência das mudanças regulatórias. Estima-se que, em junho de 2026, a taxa de inadimplência seria inferior caso os critérios de prejuízo vigentes até 2024 tivessem sido mantidos.

Baixa do crédito

Ou seja, os resultados sugerem que a alteração dos critérios de baixa a prejuízo afetou principalmente o nível da inadimplência observada e isso afetou a dinâmica de crescimento dela.

Na prática, isso quer dizer que se os bancos não deixassem os débitos nos seus balanços por até um ano, a taxa de crescimento já seria perceptível há mais tempo. Mas aí o nível de inadimplência em 2025 e 2026 acabou ficando tão alto que não deu mais para segurar nas bem escritas notas explicativas do balanço. Isso não quer dizer que os bancos perderam mais dinheiro, mas usaram o tempo que podiam para declarar PT, o que no balanço não provocou perda da rentabilidade.

Dvulgação
Endividamento das famílias no Brasil é preocupante - Dvulgação

A crise continua

Mas essa revelação não resolve o problema da inadimplência. A piora atingiu todas as modalidades no primeiro semestre. Em quatro delas, o indicador alcançou o maior patamar da série: cartão de crédito (chegou a 13,2% e fechou junho em 12,7%), crédito rural (10,3%), veículos (8,5%) e consignado (5,0%). No crédito pessoal não consignado, a taxa é de 14,9%, a mais alta entre as linhas, mas ainda abaixo do pico de 16,5% registrado em 2016.

Forte inadimplência

O problema é que a dificuldade na trajetória de crescimento da inadimplência ocorre com aumento na participação de modalidades de crédito mais caras para os tomadores, especialmente para os de menor renda.

O relatório revela que isso já vem acontecendo desde dezembro de 2023 e pegou a população de menor renda, em particular, a com renda de até dois salários mínimos. O aumento da participação das modalidades de cartão e de crédito não consignado foi ainda mais intenso.

Superendividamento

É um quadro muito ruim. E embora na sua linguagem hermética o Banco Central revela estar estudando adotar medidas macroprudenciais voltadas às linhas de maior risco para “reduzir o superendividamento”.

Isso quer dizer que o Banco Central vai exigir prudência mais dura para determinadas modalidades e um acompanhamento mais próximo da capacidade de pagamento dos tomadores. Isso quer dizer que financeiras e instituições de pequeno porte não poderão sair catando freguês para contratar crédito na rua. Mas o relatório não traz calendário para as medidas.

Banco mais forte

O BC avalia que “não há risco relevante para a estabilidade financeira” e que os bancos aumentaram as provisões para perdas e mantêm capitais e liquidez confortáveis. Certo, mas toda essa avaliação é boa para o banco. Ninguém acha que o robusto Sistema Financeiro Nacional corra qualquer risco.

Não é isso. Quem risco corre é o tomador que não vê horizonte para sair da crise, mesmo com programas como o Desenrola. E espera alguma ação que lhe dê prazo sem que o banco aplique todas as regras escritas em letrinhas que catapultam a dívida quando acontece o atraso.

Até agora não apareceu.

Divugação
Riomar Eventos recebeu mais de 250 mil pessoas no espaço dentro do shopping. - Divugação

Destino de experiências

Em 2026, o RioMar Recife se consolidou como um destino de experiências com a inauguração da nova área gourmet e de entretenimento, o Rooftop, e com o início da operação do RioMar Eventos, nova área projetada para oferecer versatilidade, conforto e estrutura de alto padrão para os mais diversos formatos de eventos.

Com 2.700 metros quadrados, o Rooftop, localizado no Piso L3, foi inaugurado em fevereiro deste ano e conta com vista panorâmica e privilegiada da cidade, integrando gastronomia e entretenimento com restaurantes renomados na capital pernambucana e operações de lazer.

Com agenda cheia ao longo de 2026, a nova área vai fechar o ano com 78 eventos sediados, com a circulação de mais de 250 mil pessoas no espaço. Para 2027, a área já conta com mais de 70% da taxa de ocupação preenchida, entre eventos comercializados e em negociação.

Apostas em Flávio

Um estudo econométrico feito pelo IBEVAR – FIA Business School analisando o primeiro turno da corrida presidencial revela que a votação do dia 4 de outubro foi diretamente responsável por metade da histórica queda de 116 pontos-base registrada na curva de juros futuros (DI para janeiro de 2029) no pregão seguinte. O levantamento analisou 94 pregões entre junho e outubro de 2026 para isolar o "ruído eleitoral" dos fundamentos puramente macroeconômicos.

O resultado aponta que, dos 115,6 pontos-base de recuo no dia 5 de outubro, cerca de 59 pontos foram motivados pelo recuo de 4,4% do dólar. Contudo, uma fatia expressiva de 51 pontos-base caiu por pura reação ao resultado das urnas, refletindo o alívio imediato na percepção de risco político por parte dos investidores.

Adesão ao Simples

Nesta sexta-feira (30) é a data-limite para regularizar pendências e pedidos de adesão ao Simples Nacional para 2027. É o fim do período para escolher se o IBS e a CBS serão recolhidos dentro do Simples ou pelo regime regular no primeiro semestre do próximo ano.

Segundo balanço divulgado pela Receita Federal em 16 de outubro, mais de 401 mil solicitações de adesão ao Simples Nacional haviam sido indeferidas por pendências, reforçando a importância de os empreendedores verificarem sua situação fiscal.

SIR Investimentos

A SIR Investimentos se integrou à rede de parceiros do BTG Pactual. Fundada na Paraíba e com atuação também em Pernambuco e no Rio Grande do Norte, a empresa mantém R$ 3,7 bilhões sob custódia e aposta na nova parceria para ampliar a oferta de serviços financeiros, fortalecer sua presença regional e atrair novos clientes e profissionais do setor.

Fundado em 2007, em João Pessoa, pelos empresários Sérgio Guedes, Rodrigo Guedes e Igor Zaccar, o escritório, liderado pelo CEO da SIR, Sérgio Guedes,conta com cerca de 50 profissionais e cinco unidades físicas, localizadas em João Pessoa, Recife, Natal, Caruaru e Mossoró.

Black da GAV

Primeiros empreendimentos da GAV Hotéis e Resorts a entrar em operação no Nordeste, o Porto 2 Life | GAV Hotéis e Resorts e o Porto Alto | GAV Hotéis e Resorts, ambos em Muro Alto, estão entre as apostas da rede na Black Friday.

Moda Mangue

Nesta terça-feira (27) e até 9 de novembro no Riomar Shopping, a feira reúne 80 expositores com produtos que valorizam o trabalho manual, a criatividade e a diversidade da produção artesanal. Entre os destaques desta edição estão a bolsa sereia, da Moda Mangue, confeccionada a partir de redes de pesca, e a possibilidade de personalizar bolsas e acessórios da Malvim. O evento que tem entrada gratuita acontece no piso L3.

Comtel Climatização

A pernambucana COMTEL Climatização conquistou o 32º Prêmio Destaques do Ano SMACNA Brasil, uma das principais premiações nacionais dos setores de climatização e engenharia termoambiental. A empresa venceu na categoria Melhor Obra Nova/Conforto, com os sistemas de climatização executados no Novotel Recife Marina e no Recife Expo Center. A cerimônia de premiação será realizada no dia 12 de novembro, em São Paulo.

Mercado de enxovais

Com abertura dentro de alguns dias, no Plaza Shopping, a Donare Home chega ao mercado recifense com uma proposta voltada ao segmento de cama e banho de alto padrão. A operação terá projeto arquitetônico assinado por Ana Neri e ocupará uma área de 38m². O diferencial está na curadoria de produtos conduzida pela proprietária, Gabriella Donato, que reúne enxovais de qualidade e uma linha própria de aromas. O portfólio da loja terá preços a partir de R$99, com foco em consumidores que valorizam conforto, qualidade e sofisticação nos ambientes domésticos.

Juliana Bonamin

A Mondelz International anuncia a executiva brasileira, Juliana Bonamin, como Presidente da Mondelz Ibéria, operação que abrange Espanha e Portugal. A executiva assume o cargo a partir de janeiro de 2027, tornando-se a primeira mulher a ocupar essa posição na história da companhia na região. Com mais de 20 anos de experiência no setor de bens de consumo, Juliana está na Mondel?z Brasil há seis anos.

Reforma Tributária

A Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon) em parceria com o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Conselho Regional de Contabilidade de PE (CRCPE) e Sescap/PE, e a Accape e Ascont promove nesta quarta (28) o debate sobre o projeto Reforma Tributária pelo Brasil em Caruaru. No Centro de Convenções do Senac - Caruaru. Inscrições pelo http://reformatributaria.unifenacon.org.br/

Famílias empresárias

O PORTE, círculo privado de acionistas, CEOs e famílias empresárias fundado pelo pernambucano André Farias, realiza no dia 29 de outubro, no Recife, uma edição do Family Day Future Leaders. Na mesa, três empresas familiares de longa trajetória: EZTEC, Florense e Randon. Anna Zarzur.

Mateus Corradi, presidente da Florense e terceira geração da família, conversa com Isabelle Randon, da RandonCorp, sobre a continuidade dos negócios entre gerações. Finalmente, Ana Maria Diniz, primogênita de Abilio Diniz, encerra a conversa.

 

 

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O endividamento das empresas no Brasil cresceu em 2026.
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O impacto da instalação de Data Centers no Brasil e a influência da Inteligência Artificial no setor elétrico são temas da Coniben 2026

Tema central nas discussões de empresários, governos e diretores de instituições que cuida do gerenciamento do setor elétrico em nível global a instalação de Data Centers move tanto interesses de investidores interessado retorno desse novo negócio, como de ambientalistas preocupados com o consumo água para a refrigeração de seus parque de máquinas. 

E ele esteve entre os temas tratados pelo presidente Lula no seu discurso de agradecimento pela vitória eleitoral deste domingo (25), quando prometeu dar condições para que o Brasil seja um grande destino desses capitais, destacando a função estratégica para a segurança nacional.

Faz sentido. Apenas no recorte dos grandes data centers, por exemplo, o consumo projetado passaria de aproximadamente 3 TWh em 2026 para 30 TWh em 2036. E impactaria o crescimento do consumo nacional em 3% em 2036, e a demanda em cerca de 10% no decênio.

O Brasil, de fato, tem vantagens importantes para receber esses investimentos: uma matriz elétrica predominantemente renovável, grande disponibilidade de recursos energéticos e uma extensa rede interligada.

Além disso, o próprio Plano Decenal de Energia (PDE 2036) elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética projeta que 88,8% da geração elétrica permanecerá renovável em 2036, com cerca de 65 GW adicionais de solar e eólica, incluindo geração distribuída.

Entretanto, para o planejamento, a abordagem disso não passa apenas por quanto esses empreendimentos vão consumir. E para o presidente da EPE, Thiago Prado, localização, potência demandada, cronograma de implantação, perfil horário e exigência de confiabilidade são igualmente importantes. Um data center de grande porte conectado em um ponto com capacidade disponível produz um impacto muito diferente do que um que exija reforços significativos na rede.

“Por isso, será necessário coordenar o crescimento dessas cargas com geração, transmissão e novas soluções de flexibilidade, como, por exemplo, resposta à demanda, autoprodução e armazenamento de forma isolada ou combinada”, adverte o executivo.

Ele chama a atenção para outro aspecto: a forma de planejar e operar também se transforma. Se antes cenários de perda da maior central geradora ou da maior máquina são considerados nos estudos de confiabilidade, o desligamento de grandes cargas também deverá ser objeto de estudo, antevendo os seus efeitos e perturbações no sistema elétrico.

“O desafio não é apenas produzir energia suficiente para os data centers; é garantir energia, potência, rede e confiabilidade no lugar e no momento em que essas novas cargas surgirem e passarem a operar continuamente na rede”, diz Thiago Prado.

Sua análise está em linha com a Assessora Executiva da Diretoria de Planejamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Sumara Ticom, ao revelar que o ONS vê a chegada dos data centers como parte de um movimento mais amplo, que a Agência Internacional de Energia chama de “Era da Eletricidade”, em que o consumo de eletricidade cresce bem mais rápido que o consumo total de energia.

No Brasil, desta Sumara Ticom, esse movimento já é concreto. Lembrando que, com a abertura da primeira Temporada de Acesso, em junho de 2026, o ONS havia recebido 144 pedidos de conexão de data centers à rede de transmissão, que somam 17,5 GW de demanda. Cerca de 8 GW desse total, viabilizados ainda no modelo anterior de acesso, já têm contrato assinado ou viabilidade de conexão confirmada.

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Thiago Prado EPE. - Divulgação

Empreendimentos de grande porte e impactantes

Mas não basta querer. O principal desafio é de tempo e de lugar, afinal um data center pode ser construído em dois ou três anos, enquanto linhas de transmissão e reforços de rede exigem prazos bem maiores. Além disso, esses empreendimentos tendem a se concentrar em poucos pontos da rede, com demandas de centenas de megawatts. “Sem planejamento, o consumo pode crescer mais rápido que a infraestrutura capaz de atendê-lo, criando gargalos de conexão”, adverte.

Para Sumara Ticom, as ações necessárias seguem quatro frentes: A primeira é a expansão da rede. A EPE, responsável pelo planejamento da expansão da transmissão, vem incorporando aos seus estudos as regiões que concentram os maiores pedidos de conexão e indicando os reforços e as novas instalações necessários para atendê-las, em estreita articulação com o ONS.

A segunda frente é a conexão planejada, com o objetivo de reduzir o descompasso entre o prazo de implantação das cargas e o da rede. A rede deve chegar aonde as cargas pretendem se instalar e as cargas também precisam ser orientadas para onde a rede já pode recebê-las, o que exige transparência sobre a capacidade disponível em cada ponto, destaca a analista.

A terceira, da lista dela, é a definição de requisitos técnicos que assegurem o bom desempenho dessas cargas diante de distúrbios na rede e, finalmente, a quarta é a discussão de modalidades de conexão flexível, “que permitam à carga se conectar mais rapidamente sem transferir riscos aos demais consumidores”.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas, como o órgão de planejamento de médio e longo prazo, o que a EPE define como as premissas para o suporte técnico que esse novo cliente exige?

O presidente da EPE avalia que a primeira premissa é justamente que não podemos tratar grandes cargas apenas como um acréscimo agregado de consumo. O planejamento precisa saber onde a carga pretende se conectar, qual sua potência, quando entrará em operação, qual seu perfil de consumo e quais são seus requisitos de continuidade e qualidade do fornecimento. O PDE 2036 explica o fato de que se trata da expansão das grandes cargas conjuntamente com a evolução da transmissão.

“Infraestrutura existente e expansão já planejada criam condições para atender parte importante da nova demanda. Mas a capacidade efetiva depende fortemente do ponto de conexão e das condições locais da rede, alerta Thiago Prado.

Mas não basta simplesmente construir novas linhas. Em São Paulo, por exemplo, o planejamento já avalia reforços e equipamentos de controle de fluxo para aumentar o aproveitamento da infraestrutura existente. Já no Nordeste, os estudos combinam a disponibilidade de grande volume de geração renovável com a possibilidade de entrada de novas cargas eletrointensivas.

 

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Torres de Transmissão para reforçar o Sistema Elétrico Nacional. - DIVULGAÇÃO

Função estratégica do planejamento

Do ponto de vista do ONS, que viverá esse planejamento na prática e em tempo real, a principal premissa é que a conexão de novas cargas aconteça de forma planejada e eficiente, com base na capacidade efetivamente disponível da rede.

Sumara Ticom lembra que para isso, o Brasil instituiu em 2025 a Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST), operacionalizada pelo ONS. No modelo anterior, os pedidos de conexão eram atendidos por ordem de chegada, em uma fila.

Mas esse modelo não alocava adequadamente a capacidade da rede de transmissão, que se tornou um recurso escasso em diversos pontos do sistema. Com a PNAST, os pedidos passam a ser reunidos em janelas periódicas, as Temporadas de Acesso, esclarece, explicando que o ONS publica a capacidade disponível em cada ponto da rede e avalia as solicitações em conjunto. Onde a capacidade é suficiente, os pedidos são atendidos, lembrando que a primeira temporada, realizada em 2026, mostrou o valor dessa transparência.

“Onde ela é insuficiente, os interessados competem pelo acesso, e os valores adicionais pagos por essa capacidade escassa são revertidos para a modicidade tarifária, em benefício dos consumidores. Olhar todos os pedidos ao mesmo tempo também mostra onde serão necessários reforços, informação que orienta o planejamento da expansão da transmissão.

“A segunda premissa é técnica. Assim como já ocorre com os geradores, as grandes cargas precisam atender a requisitos de conexão que assegurem seu bom desempenho diante de distúrbios na rede”, conclui Sumara Ticom.

As análises da assessora-executiva da Diretoria de Planejamento do ONS e do presidente da EPE têm a marca de pensar a instalação de Data Centers e, consequentemente, equacionar as necessidades de energia firme para um dos grandes mercados globais , até porque o Brasil pretende abrigar metade de todos os projetos na América Latina, inclusive por questões de segurança nacional na visão do governo.

Mas que energia devemos (ou podemos de fato) ofertar a esse novo mercado?
Para Sumara Ticom no Sistema Interligado Nacional, o impacto dos data centers depende menos do volume total e mais de onde essas cargas se instalam, de seu perfil de consumo e da flexibilidade que podem oferecer.

“A matriz predominantemente renovável e a base ampla de recursos energéticos são uma vantagem competitiva real para atividades que buscam energia de baixa emissão em grande escala, e o desafio é transformar essa vantagem em uma integração eficiente para o sistema.E existe uma possível complementaridade”, diz a executiva.

Esse é um cenário importante. O país já convive com excedentes de geração renovável em determinados períodos, e os cortes de geração chegaram a 7,6 GW médios em agosto de 2026. Novas cargas podem ajudar a absorver parte dessa energia e reduzir a necessidade de cortes. Entretanto, essa relação, contudo, não é automática.

Uma carga que consome de forma constante absorve parte dos excedentes do meio do dia, mas acrescenta a mesma demanda no fim da tarde, quando a geração solar cai e a potência fica mais escassa. Já uma carga capaz de deslocar parte do consumo para os períodos de maior oferta tem um valor bem maior para o sistema.

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Sumara Ticom NS - Divulgação

Observar a experiência internacional

“Porém, a experiência internacional traz outro ponto de atenção", lembra Sumara Ticom. Em vários países, a disputa por capacidade de rede vem alongando as filas de conexão, e empreendimentos industriais e residenciais passaram a competir com data centers pelo mesmo recurso. No Brasil, a PNAST foi concebida para alocar essa capacidade escassa de forma eficiente e transparente.

Thiago Prado completa essa interpretação destacando que instrumentos de planejamento da EPE se apropriam continuamente das informações de mercado disponíveis, dos projetos anunciados, dos pedidos de conexão, das perspectivas dos agentes e das políticas públicas que podem alterar a trajetória da demanda.

Nesse sentido, o planejamento é um processo dinâmico: a cada novo ciclo, essas informações são reavaliadas e incorporadas às projeções de carga e às necessidades de expansão do sistema. O PDE 2036, que cobre o período de 2027 a 2036, já incorpora uma expansão bastante significativa dos data centers. O Plano, no caso dos grandes data centers, projeta uma trajetória de aproximadamente 3 TWh em 2026 para 30 TWh em 2036,lembra o presidente da EPE.

Esse cenário está contido no Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (REDATA), o suporte legal que vai orientar a instalação desse novo complexo de produção dentro do sistema operado pelo ONS. E para Thiago Prado, parte dos efeitos iniciais associados ao ambiente criado pelo Redata aparece nas informações de mercado que alimentam o planejamento. Ao mesmo tempo, ainda não seria adequado tentar isolar, neste momento, uma parcela da demanda exclusivamente atribuível ao novo regime.

Até porque a materialização desses projetos ocorre de forma gradual. E porque ao longo do tempo, novas informações sobre localização, potência, cronograma de implantação, maturidade dos projetos e efetiva decisão de investimento permitem refinar as projeções.

“O REDATA reforça essa trajetória ao melhorar as condições para atração de novos investimentos em infraestrutura digital. Além dos incentivos tributários, o regime estabelece contrapartidas que dialogam com a agenda energética e de sustentabilidade, incluindo requisitos relacionados ao suprimento de energia de fontes renováveis ou de baixa emissão.

O REDATA reforça essa trajetória ao melhorar as condições para atração de novos investimentos em infraestrutura digital”, avalia o executivo.

Sumara Ticom chama a atenção para um dos pontos que serão tratados no painel (do qual ela fará parte), relacionado ao impacto do uso da Inteligência Artificial como ferramenta de trabalho na condução desse processo.

“Os data centers de IA têm características próprias. Concentram centenas de megawatts em um único ponto e operam praticamente sem interrupção, o que exige potência disponível em todos os horários, inclusive na janela crítica do fim da tarde, quando a geração solar cai e a carga líquida sobe rapidamente”, diz.

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Data Centers são uma nova fronteira para o consumo de energia. - DIVULGAÇÃO

Importância da IA como ferramenta de decisão

Ela prossegue a análise afirmando que existe também uma dimensão menos visível, a do comportamento dinâmico. “Essas cargas são conectadas por eletrônica de potência e reagem a variações de tensão e frequência de forma diferente das cargas industriais tradicionais. No treinamento de modelos de IA, o consumo também pode variar bruscamente em frações de segundo”, informa.

Ela lembra o dia 13 de agosto deste ano quando a carga líquida subiu cerca de 40 GW em seis horas. “Uma nova carga inflexível nesse horário aumenta a necessidade de potência do sistema exatamente quando ela é mais escassa”. E “nesse cenário, um afundamento de tensão causado por um curto-circuito comum, os sistemas de proteção dos data centers (com a ajuda de IA)podem retirar grandes blocos de carga de uma só vez”.

Para ela, esse cenário exige premissas importantes: a primeira é os requisitos técnicos de conexão, para que essas cargas permaneçam conectadas durante distúrbios e tenham seu comportamento bem representado nos estudos. A segunda é a conexão planejada, por meio da PNAST e do futuro mapa de capacidade de conexão de demanda. A terceira é a conexão flexível.

Para Thiago Prado, os relatos do ONS vividos em tempo real reforçam a necessidade de ter um planejamento cada vez mais robusto. “Uma mesma quantidade de carga pode produzir impactos muito diferentes sobre o sistema dependendo de sua localização, do ponto de conexão e do momento em que entra em operação”, alerta.

Ele destaca a importância do ciclo anual do PDE, avaliando que os próximos planos poderão incorporar informações progressivamente mais concretas sobre os efeitos do Redata, sobre os projetos que avancem para etapas mais maduras e sobre a resposta efetiva do mercado aos incentivos. O que, segundo ele, permite que as projeções de demanda e as necessidades de geração, transmissão e flexibilidade sejam continuamente ajustadas à realidade.

Ao avaliar a importância de eventos de alto nível como o Coniben, que reúnem em um mesmo ambiente diferentes dimensões da transformação do setor energético, tais como planejamento, regulação, operação, tecnologia, segurança energética e investimento, Gustavo chama a atenção para o fato de o evento estimular o debate de cenários.

“Isso é cada vez mais relevante porque os principais desafios do setor deixaram de caber dentro de uma única disciplina ou instituição. Data centers e inteligência artificial são um bom exemplo, avalia.
Para a assessora executiva da Diretoria de Planejamento do ONS, a CONIBEN é um espaço importante de troca de conhecimento em um momento de profunda transformação do setor elétrico, no mundo e nos países ibero-americanos.

Para ela, o Brasil tem muito a contribuir com esse debate. Temos um sistema interligado de dimensão continental, uma matriz predominantemente renovável e uma experiência acumulada na operação com alta participação de fontes eólicas e solares, inclusive da geração distribuída.

Thiago Prado e Sumara Ticom estarão no painel Data Center e Inteligência Artificial na Conibem, que se realiza em Lisboa entre os dias 12 e 13 de novembro, reunindo 150 especialistas do Brasil, Portugal e Espanha num evento que foca no futuro do setor elétrico nos três países.

O evento no Hotel Tivoli em Lisboa é promovido e realizado pela PMais Eventos, liderada pelo empresário Paulo Meneses, com consultoria técnica da Acrópolis Energia, liderada pelo professor e consultor Reive Barros.

 

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Abertura do Coniben 2025, que aconteceu em Lisboa nos dias 27 e 28
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Mercado financeiro erra na aposta no segundo turno e acorda de ressaca reclamando das perdas em Flávio Bolsonaro

Aqui para nós e o povo do mercado financeiro: Ninguém do mercado financeiro apostava R$1 na vitória de Lula, embora Luciana Chong, do Datafolha, e Felipe Nunes, da Quest, tenham preventivamente colocado nas explicações dos números das suas pesquisas da semana passada que havia uma chance para Lula se ele conseguisse reduzir a abstenção no Nordeste e aumentá-la nas demais regiões. Mas advertindo que tratava-se de um cenário remoto.

Isso explica a surpresa dos operadores econômicos, do mercado financeiro e analistas das consultorias que detêm o mando de bilhões de reais em aplicações nesta segunda-feira (26).

Confiança e erro

Pode-se dizer que havia uma confiança tão firme na vitória de Flávio Bolsonaro que a surpresa só foi percebida depois das duas horas que os ministros do STF e do TSE concederam de prazo para a votação.
Portanto, o setor financeiro e empresarial acordou de ressaca e mal-humorado ante a virada de Lula.

Operadores do mercado especulam, apostam em tendências e cheiram oportunidades. Mas são pessoas que leem pesquisas e interpretam tendências. O problema é que pesquisa eleitoral é estatística e eleição é matemática.

Paulo Pinto/Agência Brasil
Presidente Lula da Silva discursa após vitória nas eleições de 2026, no hotel Intercontinental. - Paulo Pinto/Agência Brasil

Dolar explode

Isso explica os eventos da manhã de ontem, com o dólar comercial abrindo em forte alta, de 8,65% para R$ 5,42, e a Bolsa de Valores de São Paulo precisando ser interrompida após o Ibovespa, principal índice, cair mais de 10%, acionando o circuit breaker, mecanismo dos mercados financeiros que paralisa as negociações em momentos de variações muito bruscas. Às 13h, a B3 operava em queda de 14% e fechou o dia com 13,88%.

E como consequência, o governo precisou agir para parar a sensação de “Ai meu Deus!” do mercado, com o Tesouro Nacional intervindo e recomprando 7,067 bilhões em títulos prefixados (NTN-F) num leilão que fez as taxas de juros nos contratos privados recuarem.

Mercado de câmbio

Na outra ponta, o Banco Central entrou no mercado de câmbio, em leilões de swap cambial, numa operação que, na prática, injetou US$ 3,75 bilhões no mercado futuro de dólares. Isso cortou a alta do dólar, que perdeu fôlego, de modo que, às 12h30, a moeda americana era cotada a R$ 5,41, ainda embutindo uma alta de 8,42%.

Numa linguagem de ambulância do SAMU, é como atender um paciente que entra em colapso nervoso ou tem um quadro de pré-infarto, em que o médico socorrista precisa fazer manobras rápidas para entregar o paciente estabilizado na emergência de um hospital mais próximo.

Prevendo a crise

Isso mostra que o governo, depois do susto da vitória, sabia que a crise viria; que o mercado abriria explodindo e que, como recomendam os manuais de energia, tinha de seguir o protocolo. Ao final do dia, a B3 fechou em queda, o dólar em R$ e as compras de títulos prefixados (NTN-F) fechadas.

Mais por falta de informações sobre a equipe econômica a ser escolhida do que por outro motivo plausível. Até porque após o fechamento das urnas, as mesas de operação de grandes bancos e corretoras se preparam para um dia de fortes ajustes na Bolsa e no câmbio nesta segunda-feira.

Na Constituição

Mas o paciente não está de alta. Na verdade, ainda usando a linguagem do SUS, ele está apenas dando entrada na emergência, o que explica a declaração do ministro da Fazenda, Dario Durigan, de que ainda este ano se deve promover uma mudança na lei ou mesmo na Constituição para buscar o centro da meta fiscal.

Segundo ele, o governo debate se é possível ou não fazer mais ou menos contingenciamentos (contenção preventiva de despesas) por causa da obrigação de executar o Orçamento admitindo alterações para buscar o centro da meta.

Estouro no OGE

Pode ser. Mas o presidente e candidato à reeleição, Lula da Silva (PT), durante a campanha eleitoral estourou em R$ 39,8 bilhões o Orçamento de 2027 que ele mesmo mandou. Ou seja: a equipe terá de (re)negociar os valores com o Congresso Nacional se quiser manter as benesses.

O problema é que notícia ruim nunca vem desacompanhada. Ontem pela manhã, o Risco-Brasil (que mede a percepção dos investidores sobre o risco de investir no país) registrava alta de quase 27%, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Mudança de taxas

Normalmente, quando um presidente é eleito, a tradição é que a expectativa de mudança baixe as taxas. Mas a histórica vitória de Lula teve efeito contrário.

E tem as coisas que só terão efeito em 2027. Por exemplo. A mudança que diminui a arrecadação da União em 1,57 bilhão no ano que vem pelo aumento do teto do MEI. E tem ainda o custo do perdão das dívidas, e o PIX de R$ 5 MIL também dependerá de propostas legislativas.

O caso do perdão das dívidas do MEI é interessante porque significa uma renúncia fiscal de R$ 12 bilhões. Não tem um efeito de ter que pagar. Mas o perdão é uma perda de arrecadação. Tanto que a Receita Federal chama isso de custos tributários.

Orçamento 2027

Ontem, os ministros e assessores do governo passaram o dia tentando mostrar que o governo vai perseguir a meta fiscal de 2027, que é de 0,50% do PIB, equivalente a R$ 73,2 bilhões, embora o limite de tolerância inferior positivo possa ser de R$ 36,6 bilhões.

E como o orçamento enviado ao Congresso em agosto, com a previsão de superávit de R$ 83,4 bilhões em 2027, considerando todos os gastos, o superávit previsto caía para apenas R$ 18,6 bilhões.
No fundo, Lula teve um enorme sucesso em convencer os eleitores a lhe dar um novo mandato. Agora a missão de sua equipe econômica é convencer o mercado de que vai mirar o centro da meta fiscal para conter gastos. A conferir.

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Suape oferece terreno ao mercado. - Divulgação

Terreno de Suape

O Complexo Industrial Portuário de Suape dá mais um passo na estratégia de desenvolvimento de novos negócios e atração de investimentos privados com a abertura de consulta pública para o projeto de arrendamento da área SUA08, destinada à movimentação e armazenagem de cargas.

Com aproximadamente 51 mil metros quadrados e investimentos estimados em R$1,4 bilhão, a iniciativa integra as ações de fortalecimento da infraestrutura logística e portuária de Pernambuco. Como parte dessa etapa preparatória para a futura licitação, a estatal realizará audiência pública nesta terça-feira (27), às 14h, em formato híbrido, no auditório do Centro Administrativo, localizado em Ipojuca.

Os documentos e as orientações para participação e envio de contribuições estão disponíveis em: https://www.suape.pe.gov.br/pt/licitacoes-2/consulta-e-audiencia-publicas-n-01-2026-sua08

Custo de trabalho

Pesquisa nacional da Abrasel com 1.838 empresários de todas as unidades da federação, 94,3% dos estabelecimentos com empregados CLT. Os dados da RAIS 2025 confirmam o retrato. Quando o limite chegar a 40 horas, a mudança vai alcançar 1,55 milhões de vínculos, ou 88,7% do total.

Hoje só 11,3% dos empregados formais do setor trabalham até 40 horas. A conta das horas mostra o peso na operação. Só o corte de quatro horas semanais nos vínculos de 44 horas ou mais tira do setor pelo menos 5,9 milhões de horas de trabalho por semana.

Finanças no NERD

As transformações do mercado financeiro e o avanço das soluções digitais estarão entre os temas do Mapas do Amanhã, na próxima quinta-feira, dia 29, no NERD, do Porto Digital, no Recife Antigo. A programação prevê uma apresentação do Instituto Brasileiro de Finanças Digitais (IFD), com Rodrigo de Abreu Pinto. O encontro será no NERD, no Porto Digital, e integra a iniciativa do IBEF-PE para debater tendências e perspectivas para o futuro dos negócios. A entrada é gratuita.

Divulgação
REC’n’Play 2026: a inovação toma conta do Recife Antigo - Divulgação

REC'n'Play

Entre os dias 11 e 14 de novembro, o Bairro do Recife recebe o REC'n'Play 2026, realizado pelo Porto Digital e Sebrae Pernambuco, transformando a região histórica no maior campus urbano e gratuito de tecnologia, empreendedorismo e economia criativa do país. Guiada pelo tema "O Futuro Nasce Aqui", a 8ª edição do Festival convida para uma imersão nas tendências que moldam o amanhã.

Inadimplência

O Brasil chegou a julho de 2026 com 83,9 milhões de pessoas inadimplentes e 348,3 milhões de dívidas em aberto, totalizando R$ 586,4 bilhões. Os dados são do Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa. No mesmo período, uma pesquisa da instituição em parceria com o Instituto Opinion Box revelou que 50% dos brasileiros gastaram mais do que planejavam nos primeiros seis meses do ano.

© Washington Costa

Ministro da Fazenda, Dario Durigan
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Dólar dispara, Bolsa despenca, acionando vários 'circuit breakers'. BC e Tesouro atuam no mercado como reflexo da reeleição de Lula

Aconteceu o que já era esperado com a vitória de Lula para um quarto mandato. As 11 horas a B3 informou que, devido ao acionamento do mecanismo de Circuit Breaker a negociação dos ativos à vista, renda fixa privada e opções referenciadas em ações, BDR, Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50, Índice Small Cap, e ETFs está suspensa por 30 minutos.

O que chamou a atenção foi como isso aconteceu. Logo no início do pregão, a B3 acionou o mecanismo de Circuit Breaker — quando as negociações são interrompidas por um período em momentos de forte volatilidade do mercado. Durante esse período, as ofertas que não estiverem participando de leilão poderão ser canceladas. E que as negociações dos ativos citados acima serão retomadas em leilão das 10h30 às 10h35.

Uma das maiores quedas foi registrada nos papéis da própria B3 (B3SA3) e da plataforma Vamos (VAMO3), cuja desvalorização chegava a 49,94% e 59,4%, respectivamente.

O circuit breaker é um procedimento operacional da B3 previsto para momentos de forte queda do mercado. O mecanismo interrompe temporariamente as negociações e tem como referência a variação do Ibovespa B3, principal índice do mercado brasileiro de ações.


Entretanto, de uma maneira geral, os mercados reagiram muito mal ao fato político. Os mercados financeiros reagem, nesta segunda-feira, à inesperada vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de domingo contra o senador Flávio Bolsonaro, o candidato de direita preferido pela maior parte dos analistas.

O dólar comercial abriu em forte alta, de 8,65%, a R$ 5,42. O ministro da Fazenda Dario Durigam precisou ir à imprensa para dizer que a intervenção do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos, comprando papéis, foi para tentar ajudar o mercado a voltar à normalidade.

Ele disse que não via razão para os fatos: Nós precisamos ter alguma racionalidade. Eu não estou falando de controle de preço; estou falando de alguma racionalidade. Então, desde de manhã estou falando com o Banco Central, falando com o Tesouro.

O Tesouro vai intervir agora para dar racionalidade, para dar liquidez. Eu não estou falando de nível; o preço vai seguir em um nível mais alto, mas eu estou falando de normalidade. O Banco Central está avaliando (atuação no câmbio), junto conosco, para que a gente não faça uma intervenção nos juros, no título do Tesouro, e acabe pesando desproporcionalmente no câmbio. Então, nós estamos fazendo isso de maneira coordenada — afirmou o ministro.

Mas o mercado não entende assim. O Credit Default Swap (CDS) de 5 anos do Brasil, um derivativo que protege contra calotes na dívida soberana, termômetro do risco-país, sobe 26% nesta segunda-feira e opera em 151,7 pontos - na sexta-feira, estava em 120,2 pontos. O indicador acompanha a reprecificação dos ativos brasileiros com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. É o maior patamar do índice desde junho de 2025.

Não será fácil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou medidas que custaram R$ 405 bilhões ao fazer campanha pela reeleição, até conseguir uma virada histórica e derrotar o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, na disputa. A reação do mercado representa isso.


Histórico do circuit breaker no Brasil

O circuit breaker foi criado em 1997 e já foi acionado 23 vezes com esses destaque.

• 1997 – Crise asiática: o Ibovespa registrou queda de 10,19%;
• 1999 – Desvalorização do real: o Ibovespa caiu 10,29% no dia;
• 2008 – Crise do subprime nos Estados Unidos: houve seis interrupções em um mês;
• 2020 – Pandemia de Covid-19: o circuit breaker foi acionado seis vezes em março.

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© Renato Araújo / Câmara dos Deputados

Dario Durigan, ministro da Fazenda
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Nordeste entrega a Lula votos que ele precisava para virar o jogo, mas quarto governo chega com uma bomba na economia que terá que desarmar

A vitória do presidente Lula para o seu quarto mandato, virando a condição de ter saído atrás no primeiro turno, lhe impõe um enorme desafio sobre como não apenas pagar a conta da eleição, ainda que sua equipe e ele mesmo não vejam os gastos como dívida, mas também organizar um governo que nasce sob enorme desconfiança do mercado. 

A vitória do presidente é um fato extraordinário. Eçe venceu com as ruas e fazendo as pessoas a votarem neste domingo. Mas Lula foi muito longe nas despesas para conquistar os votos dos eleitores e derrotar o projeto pouco claro de Flávio Bolsonaro. Mas o fato é que a realidade se impõe independentemente do que pensa como vencedor, embora ele tenha uma perspectiva ainda sem muita indefinição do que nos espera. 

Asilos e creches

O Brasil está envelhecendo; já custa e custará a partir de agora mais em termos de saúde. De forma simples. O Brasil vai ter de atender mais às questões de saúde. O bônus etário acabou e será preciso decidir entre a educação primária e o acolhimento. O país agora precisará de mais casas de idosos e menos creches.

O problema é que os gastos de Lula para tentar se reeleger atingiram R$ 405 bilhões no terceiro mandato, conforme uma ferramenta inédita no Estadão que monitora em tempo real os desembolsos do governo federal em ano eleitoral.

DIVULGAÇÃO
LULA CONSEGUIU REVERTER A DESAPROVAÇÃO DO GOVERNO NO SEGUNDO TURNO. - DIVULGAÇÃO

Governar na eleição

Antes da eleição, o governo reagiu mal à ideia de cortar despesas que ele construiu. “Governos não deixam de governar em ano de eleição. A legislação estabelece limites claros para esse período, sem suspender o dever do Estado de executar políticas públicas e proteger a população”, disse numa nota oficial.”

Pode ser. Mas a contabilidade fiscal pode mudar conforme o instrumento escolhido, mas o custo econômico não desaparece. “Se o governo concede subsídio, assume risco ou se endivida, alguém paga essa conta — hoje ou no futuro.” Diz a economista Selene Nunes, uma das autoras da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Ouvir as demandas

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, foi mais cuidadoso: “Nossa proposta (de ajuste) é outra. Combinar as prioridades da população, os serviços públicos que a população demanda, o Desenrola para resolver o problema do endividamento, o apoio aos microempreendedores individuais, com a responsabilidade fiscal.”

Ele insiste que o reajuste do Bolsa Família em 15,04%, anunciado às vésperas do primeiro turno das eleições, foi uma atualização monetária devido à descoberta de um espaço fiscal e não demandou nenhuma receita adicional.

NELSON GARIBA/AGÊNCIA F8/ESTADÃO CONTEÚDO
Lula acena para eleitores em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, onde votou na manhã deste domingo, 25 de outubro de 2026 - NELSON GARIBA/AGÊNCIA F8/ESTADÃO CONTEÚDO

Custo e investimento

Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, é insustentável, por exemplo, tratar o Pé-de-Meia, criado em 2024 para combater a evasão escolar, como gasto eleitoral. O Programa Brasil Contra o Crime Organizado aparece como “benefício social”, embora seja uma política de segurança pública contra facções, milícias, tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

Não é bem assim. Marcus Pestana, diretor executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), afirma que o reajuste do Bolsa Família aumenta a incerteza sobre o Orçamento de 2027”. Porque quando sobem as despesas obrigatórias e rígidas, e estamos falando de mais um aumento do Bolsa Família, teremos cada vez menos espaço para investir.

Bolsa Família

“Independentemente do mérito e do objetivo, o reajuste do Bolsa Família implica num gasto adicional de R$ 24 bilhões em 2027. De onde sai isso? Desse jeito, não vai ter investimento nem taxa de juros baixa”, diz o diretor da IFI.

O governo Lula também deixou armadilhas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo prevê realizar o leilão de dívidas pelo Desenrola 3.0 entre o final de novembro e o início de dezembro.

Justificativas e crise

A recusa do conceito de supostas despesas eleitorais: ações destinadas a manter jovens na escola, combater o crime organizado, proteger empregos e empresas, conter pressões sobre preços e enfrentar calamidades em um ano de El Niño forte.

Mas não há previsão de fazer (o leilão) dentro do mês de novembro, podendo ser no começo do mês de dezembro, a depender da quantidade de trabalho e novas interlocuções que a gente tenha de fazer.

Rever o OGU 2027

O secretário executivo da Fazenda, Rogério Ceron, estimou que, se R$ 90 bilhões de dívidas forem ofertados, de partida, a gente saberia que, no máximo, consumiria R$ 9 bilhões”, explicou. Mas isso vai entrar como no OGU 2027.

Para o consultor de orçamentos do Senado Federal, Daniel Couri, “o caminho é ajustar as contas, estabilizar o endividamento e abrir espaço para uma queda estrutural dos juros, mas essa não é a convicção das autoridades no momento”.

Onde vai cortar?

Isso nos coloca na questão central. Como será feito o pacote de cortes? Se Lula tivesse sido eleito, ele não faria o ajuste fiscal necessário. Mas a verdade é que Flávio Bolsonaro, pelo que mostrou até agora, tampouco.

Tema como uma nova reforma da Previdência, incluindo dessa vez os militares serão abordados? O ganho real do salário vai acabar? E a aposentadoria pode ficar abaixo do mínimo?

Sem esforço fiscal.

Lula, do alto de sua imodéstia, já desancou a pertinência de qualquer esforço fiscal. Pior que isso, tem patrocinado uma desvairada sequência de benesses que agravaram o problema. Não surpreende o fato de o mercado acreditar que a trajetória da dívida piorará no caso de uma improvável reeleição.

Mas o que nos espera depois da festa da vitória de Lula? Impulsionada por investidores que buscaram diversificação fora dos Estados Unidos, a dívida externa subiu 27,4% no atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acima do aumento de 15,8% das reservas, cuja evolução foi contida por intervenções do BC e pela valorização cambial.

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Lula ganha as ruas depois de uma campanha eleitoral. - Divulgação

Entre os maiores

Além disso, o país, pela sua economia, ainda é descrito como uma economia com reservas elevadas, baixa exposição a dívidas em moeda estrangeira e fluxos recorrentes de investimento externo.
Então, o que se espera é que ele e sua equipe detalhe qual caminho pretendem seguir. Lula levou o custo da eleição para uma crise que a gente não sabe como será gerida, e o que o Congresso vai fazer com o governo é um enorme desafio.

E não se pode esquecer que o Nordeste entregou o que o presidente pediu. A sua votação dá à Região o cacife para reivindicar uma maior atenção. Sabendo que não será fácil.

© DIVULGAÇÃO

Lula chega ao quarto mandato na presidência.
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Os maus exemplos para o futuro da democracia brasileira depois do que se praticou na campanha de 2026 para a presidência

Agora que chegamos ao dia da eleição para a escolha do próximo presidente da República do Brasil, cabem dois minutos de conversa sobre onde os responsáveis pelas campanhas dos candidatos no segundo turno foram capazes de chegar e o que esse comportamento deletério e desrespeitoso com o eleitor cidadão contribuinte nos ensina.

A partir de uma simples pergunta: que tipo de sociedade nos tornaremos depois de quase 40 anos, quando escrevermos nossa Constituição, para sermos obrigados a suportar o que fomos obrigados a passar, especialmente no segundo turno do pleito de 2026?

Endividamento

Foi para assistir ao que assistimos em termos de descuido com o nosso futuro em termos de potência econômica entre as 10 maiores economias do mundo? Foi para ver nossos padrões de controle dos gastos públicos serem violados com o discurso de ampliação do bem-estar social a poucos dias da eleição? Foi para assistir (sem poder reagir) que vimos a sucessão de irresponsabilidades com nosso endividamento depois de avançarmos em processos fiscais sofisticados que nos permitem saber o que arrecadamos em prazo máximo de apenas 45 dias?

O problema não foi o governo usar seu poder decisório e discricionário para gastar o que gastamos com um discurso que variou entre explicações travestidas de correção de valores, ampliação de benefícios já concedidos e perdão de dívidas fiscais que fazem o contribuinte sentir-se um idiota por ter pago seus impostos em dia ao ver a concessão de perdões aos maus contribuintes beneficiados na véspera das eleições.

Cuca Drone/Divulgação
Imagem: Lula e Flávio na Band - Cuca Drone/Divulgação

Sem compromisso

O problema, ainda mais grave, foi ouvir o ‘compromisso’ de respeito aos efeitos desses desmandos, pelo grupo da oposição, dando “garantias” de que o mal feito da atual gestão será legalizado em pagamento por votos na seguinte. Independentemente do que isso nos possa custar.

O que mais chama a atenção, excluído o debate ideológico, é o abandono de comportamentos éticos que, ao longo de quase quarenta anos, vínhamos construindo como nação que se equipou à disputa de mercados de classe mundial com seus produtos; que criou um arcabouço de leis de proteção social para os seus e que foi capaz de gerar políticas modernas da criança aos mais velhos, sistemas de combate a fome que nos colocou na vanguarda internacional.

Tudo pelo voto

Mas tudo isso foi jogado para o lado em função da construção de decisões de última hora em busca do voto. Conceitos, processos de controle e comportamentos éticos foram colocados de lado contra ofertas irresponsáveis dos dois adversários dentro de uma filosofia cunhada na década de 40 de que, numa eleição, o feio é perder, que os constituintes de 88 se empenharam em apagar da história política no final do século XX e no começo do século XXI.

Estamos separados

Independentemente de quem seja o vencedor no pleito, o fato é que saímos das eleições como uma nação dividida ao meio, numa clivagem de percepção que torna muito difícil ao novo presidente construir as pontes dinamitadas na campanha feroz e fratricida.

Não era para ser assim. Em países democráticos, as eleições gerais são tradicionalmente festas da democracia com o embate nas ruas envolvendo a população debatendo entre projetos e projetos de nação. Mas não temos essa perspectiva.

Validar o futuro

Por isso, agora que o cidadão eleitor contribuinte precisa sair de casa para votar, é importante ter em mente que está sendo convidado a validar um conjunto de propostas que representa o atraso em termos de sociedade moderna que ambos os candidatos propõem.

Banco de Imagem/JC
Marco Maciel foi deputado constituinte e teve papel fundamental na redemocratização do Brasil - Banco de Imagem/JC

Saldo como nação
Independentemente de quem escolhemos, temos que trabalhar com uma questão perturbadora: como, em nome de um exercício livre do voto, nos permitimos um tamanho retrocesso em termos de sociedade organizada socialmente. E como a partir desta segunda-feira vamos precisar trabalhar para resgatar valores éticos.

Mirar o recomeço

O que 2026 nos lega como aprendizado de pais? E até que ponto chegamos no enfraquecimento de nossa democracia? E, afinal, o que sobrou do espírito democrático que mobilizou o país em 1988, que trabalhou com conceitos de ética, cuidados com o dinheiro do contribuinte, construção de um modelo de sociedade que privilegiasse o contraditório, mirando a construção de um país justo e que se respeitasse como nação?

Certamente muito pouco. O que obriga a rever a trilha que fizemos nesta disputa inconsequente. E, certamente, nos propormos a começar de novo.

 

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Mega Fashion acontece no Recife em novembro. - Divulgação

Food Academy para donos e gestores de restaurantes

No dia 3 de novembro de 2026, no Centro de Convenções de Pernambuco, acontece o Food Experience Recife, promovido pela Food Academy, voltado a donos e gestores de restaurantes, O encontro reunirá especialistas e empresários para um dia inteiro de aprendizado, networking e troca de experiências sobre o setor de alimentação fora do lar. O encontro espera receber 700 participantes, além de convidados, incluindo cerca de 400 donos de restaurantes.

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Natal do Garanhuns mais uma vez com muitas atrações - Divulgação

Encantos do Natal

Nesta sexta-feira (30), Garanhuns dá início a mais uma edição dos Encantos do Natal, um dos eventos mais aguardados do calendário cultural e turístico do município. A abertura oficial será marcada pelo acendimento das luzes natalinas, às 19h30, em frente ao Palácio Celso Galvão. Realizado pela Casa do Artesão, com apoio da Prefeitura de Garanhuns, o evento transforma a Cidade das Flores em um cenário de luzes, cores e encantamento.

PE Seu País

A Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur) concluiu o circuito 2026 do roadshow “Pernambuco Seu País Naturalmente Incrível”, que ao longo do ano percorreu 18 cidades no Brasil, na Europa e na América do Sul, capacitou cerca de 3,6 mil agentes de viagens, operadores e profissionais do setor e reuniu cerca de 40 empresas do trade pernambucano em cada cidade visitada, com apoio da Azul Linhas Aéreas e da Embratur .

Petroflex Energia

A Petroflex Energia, uma TRR que atende o mercado com Diesel S10, Diesel marítimo, Etanol e Gasolina, com sede em Pernambuco, retoma seu crescimento estratégico e aposta no mercado do Nordeste do Brasil com investimentos significativos em sua operação nos estados de : Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas. A empresa inaugurou nova filial no Rio Grande do Norte, passando a atender também os estados da Paraíba e de Alagoas, o que é importante para o crescimento da operação da Petroflex no Nordeste.

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Tramontina participa da HFN, mostrando sua linha para o Food Profissional. - Divulgação

Tramontina na HFN

A Tramontina estará no Hotel & Food Nordeste (HFN), que será realizado de 4 a 6 de novembro, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda. A marca apresentará um portfólio completo de soluções voltadas para hotelaria, restaurantes, bares e operações de alimentação fora do lar.
O destaque desta edição será a estreia da Tramontina Primia no Nordeste. Especializada em soluções de alta performance para o backstage da cozinha profissional, a Primia chega para ampliar a atuação da Tramontina no segmento, com produtos desenvolvidos para atender às demandas de eficiência, produtividade e inovação desse ambiente.

Oferta MRV

A construtora MRV lançou uma condição especial de pagamento para quem deseja comprar um imóvel, com a primeira parcela a ser paga somente depois do carnaval. Há apartamentos disponíveis em Recife e Paulista. Uma análise da companhia realizada com 1.380 consumidores que adquiriram unidades entre julho e agosto revelou que a localização aparece em primeiro lugar, citada por 41% dos entrevistados. Na sequência estão a facilidade de pagamento, com 20%, e o atendimento do corretor, com 14%.

 

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Pernambuco em novo Road Show. - Divulgação

Fashion Outlet

De 20 a 24 de novembro, no Centro de Convenções de Pernambuco (Cecon) acontece 15ª edição do Mega Fashion Outlet chega com descontos de mais de 70% e mais de 300 expositores. A proposta é reunir, em um só lugar, variedade, praticidade e oportunidades para quem deseja economizar sem abrir mão de novidades. E entre os destaques estão um baile na sexta-feira (20), o Mega Saúde no sábado (21) e um desfile pet no domingo (22). O evento também terá um espaço dedicado à adoção responsável de animais, incentivando o acolhimento e contribuindo para que pets encontrem um novo lar.

Construção civil

A construção civil brasileira vive um ponto de virada histórico. Os dados mais recentes comprovam essa mudança de patamar. Segundo levantamento do FGV Ibre, a adesão ao light steel frame no Brasil deu um salto impressionante, passando de 15,6% para 32% entre 2025 e 2026.

CRIA 2026

O CRIA 2026 registrou 1.229 inscrições de 31 agências do estado, um crescimento de quase 70% em relação à edição anterior. O resultado marca uma edição histórica da premiação, promovida pelo Sinapro-PE, e reforça a mobilização do mercado publicitário local. O levantamento contempla 17 categorias, que abrangem desde filmes e áudio até design, estratégia de mídia, campanhas e conteúdo de marca.

 

 

© JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

Os eleitores que estão no exterior podem votar apenas para presidente
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Porque, após a eleições, o Brasil precisa rever seu modelo de contrato de trabalho que financia a Previdência e o bem-estar social

No centro do debate da campanha eleitoral para presidente da República, um tema central ancorou os embates nas ruas, nas empresas e nas redes sociais como fator determinante da escolha do voto: trabalho com carteira assinada x empreendedorismo ancorado na economia digital.

As duas formas de contratação do trabalho não são excludentes. Podem conviver simultaneamente em países como o Brasil, que, a partir de Getúlio Vargas, na década de 30, e mais recentemente na década de 80, pelo conceito de bem-estar social construído na União Europeia, enquanto floresceram as iniciativas de estímulo à capacidade de empreender livre das amarras de um contrato de trabalho de 44 horas numa jornada 6x1.

Debate na campanha

Mas o que já se delineava nas eleições de 2018, evoluiu na de 2022 chegou ao ápice do debate político em 2026 onde ficou claro que o modelo defendido pelo governo Lula - a partir do emprego com carteira assinada e consequentemente toda proteção da Previdência Social - já não dá conta do desafio de garantir aposentadoria digna para as futuras gerações que têm a missão de financiar quem hoje já se beneficia do sistema após a aposentadoria.

E essa perspectiva agora sustenta, ao menos, nas novas gerações o sentimento de que “na minha vez de receber o benefício” que bancou com o trabalho de carteira assinada, o caixa da Previdência atual não vai ter recursos para devolver o investimento de anos de contribuição ao INSS.

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Motoristas de aplicativos - Divulgação

Trabalho por aplicativo

Isso ficou claro para muita gente nas eleições de Jair Bolsonaro em 2018 e mais ainda na de Lula em 2022, quando explodiu o trabalho por aplicativo, que misturou a ideia de empreender a partir de um suporte proporcionado pelas plataformas digitais com forte desconfiança no investimento previdenciário de carteira assinada, especialmente entre as gerações entrantes no mercado de trabalho.

Cristalizou-se a ideia de que já não vale a pena trabalhar com carteira assinada, submetido a uma jornada de 44 horas semanais que não remunera o tempo de deslocamento médio de duas horas por dia gasto entre a chegada ao trabalho e a volta para casa. Até porque, na realidade, nesse mercado formal, os novos empregos pagam salários baixos, como revela o Caged, apontando que 85% das novas contratações são para o pagamento de um salário mínimo e meio, que, antes do desconto do INSS, significa R$ 2.431,50.

Programas sociais

Esse sentimento se materializa mais fortemente com os benefícios dos programas sociais que incluem programas como o Bolsa Família, acrescidos de vantagens como o recebimento de gás de cozinha, isenção na conta de energia e de água. Para completar, ainda existe a vantagem de um MEI contribuir com apenas R$82,05 para a Previdência quando teria descontado R$136,57 se recebesse o mesmo salário mínimo ou R$182,36, no caso de um e meio.

Sob essas condições, é melhor ser motorista, motociclista e ciclista de aplicativo em plataforma de transporte ou entrega de comida, decidiram milhões de jovens de várias classes sociais e rendas familiares. Enquanto o governo Lula comemorava os números do Caged de contratações concentrando todas as suas energias no universo de pessoas com carteira assinada que representam apenas 100% da força de trabalho do Brasil.

 Ricardo Stuckert/PR
Lula cria programa de R$ 30 bilhões para motoristas de aplicativos - Ricardo Stuckert/PR

Fora da realidade

Para se ter uma ideia dessa desassociação da realidade, basta observar a proporção entre os recursos de que o Ministério do Trabalho e Previdência Social dispõe para financiar o modelo atual de seguridade social e o do Empreendedorismo, na verdade, uma subsecretaria focada nas ações do Sebrae, que, aliás, é uma instituição do Sistema S, portanto, financiada não pelo governo central, mas pelos empresários dentro da lista de deveres.

Foi essa realidade que ajudou a cristalizar o nível de apoio de eleitores entre Lula e Flávio Bolsonaro. E será essa realidade que vai exigir uma mudança radical na abordagem da questão. Porque o que está em jogo é o futuro do financiamento da chamada seguridade social, que, nas premissas atuais baseadas apenas nas contribuições dos trabalhadores com carteira assinada e na parte paga pelas empresas, não gera receita suficiente para pagar os atuais beneficiários do sistema gerido pelo INSS.

DIVULAÇÃO
Previdência Social terá déficit de mais de R$ 350 bilhões em 2025 - DIVULAÇÃO

Fora da Previdência

A recusa de contribuir com a Previdência e a adesão ao conceito de ser empresário, o desejo de ser patrão ou o dono de seu próprio negócio explicam a clivagem da decisão do voto. Porém, não são suficientes para apontar um caminho para o futuro.

Primeiro porque a própria ideia de empreender pressupõe contratar trabalhadores com carteira assinada. Segundo, porque o atual sistema tributário começa a esmagar a empresa desde o momento em que ela vira microempresa, evolui quando adere ao Simples Nacional e se consolida quando ela entra no sistema de lucro presumido.

Modelo getulista

Na prática, o modelo getulista de grandes empresas com milhares de empregados com carteira assinada e regidos pela CLT e julgados pelo Tribunal Superior do Trabalho trata a pequena empresa como se fosse grande. E isso tem a ver com os custos do emprego refletindo no dinheiro que o empregado leva para casa e no que o empreendedor lucra no final do ano.

Mas a questão é: o que fazer? Como conciliar o atual modelo que garante seguridade para quem se aposenta, além dos benefícios de proteção do trabalhador (afastamento por doença, auxílio-maternidade, reclusão de portador de deficiência, ao idoso e demais benefícios), além das aposentadorias por idade, tempo de contribuição, invalidez e pensão por morte do segurado.

Déficit estrutural

O sistema não se paga desde 2000. Em junho último, o déficit já era de R$ 236,17 bilhões. Em 12 meses, R$ 349,68 bilhões. Em 2025, o déficit chegou a R$ 317,15 bilhões. Dito de outra forma, o governo central, a cada ano, põe mais recursos à Previdência e, na prática, paga 97% das aposentadorias com um salário mínimo.

Essa perspectiva é que hoje sustenta os discursos da direita do empreendedorismo. No fundo, o governo Lula, que centra sua ação no contrato de trabalho de carteira assinada, cuidou apenas dos 38 milhões de empregados do setor privado e de 4,5 milhões do setor público, quando a população economicamente ativa, segundo o IBGE, era de 106 milhões de pessoas.

Como consertar

O desafio do próximo governo é começar essa conversa mirando um novo contrato social de trabalho que estimule a empresa a pagar melhores salários e, portanto, melhorar as contas da Previdência enquanto estimula o empreendedorismo, a formalização de novos negócios sem que, ao começar a ter sucesso, a pequena empresa não seja esmagada pelo Estado com as obrigações do modelo atual. Não vai ser fácil; levará tempo, mas tornou-se necessário.

Até para que não crie as condições para um liberalismo radical de direita que floresceu com o Bolsonarismo na perspectiva de se contrapor ao que defende a esquerda Lulista que acredita que o trabalhador de aplicativo precisa estar abrigado num sindicato controlado por centrais sindicais.

© Marcello Casal jr/Agência Brasil

Pernambuco liderou geração de empregos formais no Nordeste em novembro
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Sucesso da cozinha de qualidade do Arvo levou à criação de novas marcas do Grupo AR, que se consolida no setor de restaurantes no Recife

No próximo dia 4 de novembro, o Grupo AR, liderado pelos empresários Eduardo Freyre e Pedro Godoy, inaugura, no térreo do edifício Vivant, empreendimento retrofitado pela Construtora Rio Ave, onde funcionou durante mais de três décadas o Recife Praia Hotel, o Lara Boa Viagem, uma casa que nasce com a proposta de oferecer uma cozinha natural contemporânea para o público que cada vez mais busca combinar paladar com alimentação menos calórica e natural.

O Lara Boa Viagem será o quarto empreendimento desenvolvido e operado por Freyre e Godoy, que há sete anos abriram no bairro do Torreão o Arvo, uma casa com uma proposta de cozinha regional de qualidade, apostando na releitura de receitas clássicas, acrescidas de uma pegada que investe no sabor já conhecido pelos clientes, porém com novos elementos e porções generosas, como é adequado para quem se senta à mesa na Região.

O Arvo está completando sete anos agora em novembro e teve investimentos, em 2019, de apenas R$ 200 mil, e se tornou uma referência no bairro. Sua cozinha ganhou clientes fiéis pela característica de ter suas mesas dispostas ao ar livre no quintal de uma antiga residência da Rua Djalma Farias, 170.

Uma condição essencial quando precisou funcionar dentro das exigências de afastamento da pandemia da Covid-19, e nunca mais deixou de ser frequentado, explodindo a demanda quando a chegada das vacinas fez o público voltar ávido por sair de casa e comer fora da residência.

“Tivemos filas durante todo o ano de 2022”, diz o cozinheiro-chefe e sócio-empreendedor do Arvo, Pedro Godoy, que comanda a cozinha das unidades, com a preocupação com o controle de qualidade que o cliente que volta exige e que leva novos adeptos da cozinha bem finalizada, servida em porções generosas numa louça artesanal feita em Pernambuco.

O que agora, pela abertura da quarta unidade, Eduardo Freyre e Pedro Godoy admitem chamar oficialmente de Grupo AR nasceu da amizade antiga de dois estudantes que inicialmente seguiram carreiras distintas de Administração e Gastronomia, tiveram uma primeira experiência num bar que Godoy incrementou a cozinha com sua experiência de anos com assistente de chefs reconhecidos em Pernambuco

Ele também trabalhou fora do Brasil, o que, na volta ao Recife, o levou a sonhar com a proposta de abrir uma casa que trouxesse uma pegada regional com novos ingredientes e uma apresentação de impacto no paladar.

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Empresários Pedro Godoy e Eduardo Freyre que lideram o Grupo Arvo. - Divulgação

Experiência fora do Brasil

A cozinha do Arvo foi a oportunidade de Pedro Godoy colocar em prática tudo o que aprendera, “ralando” em grandes restaurantes brasileiros e na Austrália, onde se bandeou entre os anos de 2016 e 2018 para aperfeiçoar seu conhecimento.

“A partir do chão de cozinha, que foi da simples lavagem de pratos ao comando do fogão principal e à aplicação desse conhecimento de prática de produção, com aprendizado de gestão da compra dos ingredientes ao controle de custos, que é fundamental para o negócio”, diz.

Curiosamente, a entrada de Godoy no ramo da gastronomia depois de se matricular na Faculdade do Senac, que inaugurou seu curso de Gastronomia por sugestão da mãe, Silvana Victor. 

Ele foi e nunca mais deixou a cozinha, conta Silvana Victor, que entrou na sociedade do Arvo, mas não quis seguir nas demais casas e tem usado o espaço físico do Arvo para estimular atividades de apoio aos restaurantes, como uma horta-jardim que entrega temperos frescos e flores comestíveis para as demais casas, cursos de treinamento para profissionais e até uma cozinha-escola, onde o cozinheiro-chefe do Grupo AR grava vídeos ensinando técnicas de gastronomia com equipe própria.

O sucesso do Arvo pós-pandemia levou os dois empresários a pensarem numa nova casa e a aproveitarem o boom de restaurantes em função da onda de comer fora do lar que o Brasil viveu quando foram afrouxadas as regras de convivência.

Nasceu o Voar, em dezembro de 2022, no imóvel que tem uma história especial por ter sido o embrião da atual rede Camarada Camarão, criada pelo empresário Silvio Mattos, que levou a proposta para o RioMar Recife e, a seguir, para os demais shoppings do Grupo JCPM, formalizando a rede atual.

“O endereço também é o início da fase de expansão do Grupo AR”, aposta o empresário Eduardo Freyre, que divide a operação com Pedro Godoy, cuidando da gestão de pessoas e da administração das quatro casas. “Optamos por ter casas com nomes propostos e identidades próprias”, diz Freyre.

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Restaurante Voar Grupo AR em Boa Viagem. - DIVULGAÇÃO

Marca no parque gourmet do Shopping Recife

Isso é perceptível do Arvo, mas o Voar tem sua identidade com o Terra, no parque gourmet do Shopping Recife, e com o Lara Boa Viagem, no Vivant. “As pessoas podem reconhecer as casas pela sua característica de qualidade e atendimento, mas vem que cada restaurante tem sua identidade própria”, diz o empresário.

Faz sentido. O sucesso do Arvo no Torreão poderia servir como retaguarda e suporte de gestão de uma futura rede, mas não deveria apenas replicar o cardápio no Voar em Boa Viagem.

Além disso, era uma oportunidade de Pedro Godoy experimentar novas receitas e agregar conhecimento adquirido fora do Brasil ao modelo de negócio adquirido no Arvo.

Deu certo, e o Voar continua sendo uma casa muito bem frequentada, inclusive por clientes da Zona Norte do Recife que se tornaram fregueses do Arvo, ainda hoje uma casa cuja pegada de mesas sob árvores leva muita gente.

Tudo ia bem com Arvo e Voar funcionando a plena carga, quando veio a proposta mais ousada aos dois empresários, quando da construção do novo parque gourmet do Shopping Recife em 2025, uma expansão que custou aos empreendedores R$ 240 milhões para um conjunto de 20 operações numa nova área do primeiro shopping da capital pernambucana.

Eles aceitaram o convite, mas, com um Capex de até R$ 4 milhões para restaurantes de maior número de mesas, tornou-se necessária a presença de um sócio, o que acabou levando o Grupo AR a uma associação com a Construtora Rio Ave, que participa do negócio em expansão.

Em novembro do ano passado, nasceu o Terra, com uma proposta de leitura própria da cozinha brasileira, embora estruturada para um ambiente de shopping com conceito diferenciado como o presente no Parque Gourmet do Shopping Recife.

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Equipe do Arvo no Torreão que originou o Grupo AR - Divulgação

Buscando fortalecer cadeia produtiva

O projeto do Terra nos permitiu formatar nossa proposta como uma empresa que agora tem 150 colaboradores, paga aproximadamente R$ 7 milhões por ano, faz compras de alimentos e bebidas de mais de R$ 6 milhões por ano e estima pagar R$ 2 milhões em impostos sobre vendas de refeições para um faturamento de R$ 18 milhões, com estimativa de R$ 26 milhões este ano, revela Eduardo Freyre.

“Poderíamos agregar mais valor ao mercado local se pudéssemos comprar com nota fiscal toda a nossa demanda de pescados”, queixa-se Pedro Godoy, que vem conversando com outros empresários sobre a forma do governo ajudar os pescadores de Pernambuco a obterem licenças para comercializar o peixe que pescam no litoral do estado e a estruturar uma cadeia de fornecimento regular.

A queixa do empresário é a de vários outros que cobram um programa de apoio pelo governo do Estado para o setor pesqueiro que, mesmo tendo indústrias processadoras, precisa se abastecer no Norte do Brasil. E que não raro vendem seus produtos acabados mais para outros mercados do que para o local.

Maurício César Lima
Restaurante Arvo Recife - Maurício César Lima

Nova marca para outros endereços

Nos próximos dias, o Grupo AR vai abrir o Lara Boa Viagem com a proposta de uma cozinha natural contemporânea, atendendo a uma oportunidade que os empresários identificaram mesmo depois da abertura de mais de 20 novos restaurantes na praça do Recife nos últimos 12 meses.

Segundo Freyre, o Lara tem o conceito mais replicável do grupo: cozinha natural, ticket acessível e alta frequência. São duas unidades para consolidar o modelo. O grupo também estuda novas frentes em eventos, catering e delivery, apoiadas na cozinha central e nas suas marcas.

Para Godoy, o consumidor está mais seletivo. Ele paga por experiência e responde a datas e ocasiões. "Para nós, empresários, os desafios do setor são o custo e a retenção de mão de obra, os insumos, o aluguel e os juros. Mas nosso grupo está otimista com o turismo e com o Recife se firmando como destino gastronômico".

Faz sentido. O Terra, por exemplo, em menos de um ano, já está entre as casas que mais vendem e recebeu quase 50 mil pessoas de janeiro a setembro. Havia um espaço para uma casa brasileira contemporânea de porte, com almoço, jantar e evento. Tanto que a operação já recebe propostas para outros shoppings.

Ainda sem data exata de abertura, o Grupo AR trabalha com o projeto do Lara Jaqueira, com inauguração prevista para março de 2027, podendo iniciar uma rota de casas com uma marca de sucesso testada em Boa Viagem.

Nada mal para um grupo que há apenas sete anos saiu de uma casa no bairro do Torreão para cinco operações, cozinha central que dá suporte a todas elas e mira novos projetos apostando em comida de qualidade e apoiando fornecedores locais e estimulando o fortalecimento das cadeias produtivas de suprimento de insumos.

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Pedro Godoy do Grupo AR. - Divulgação

 

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Restaurante Terra Shopping Recife é um sucesso no novo Parque Gourmet.
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