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Número de trabalhadores na construção é recorde em nova série do Caged

A construção civil registrou recorde de pessoas empregadas. O setor encerrou o mês de agosto com 3,150 milhões de trabalhadores com carteira assinada no País, aumento de 3% em relação a igual mês de 2025.

O número também é o mais alto desde o início da pesquisa do novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), iniciada em janeiro de 2020, conforme dados compilados pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção).

Nos primeiros oito meses de 2026, a construção criou 200,4 mil novos empregos. O destaque foi o segmento de infraestrutura, com 79 mil contratações, seguido pela construção de edifícios, com 66,5 mil, e serviços especializados, com 54,8 mil.

Esta foi apenas a segunda na série histórica que infraestrutura superou as contratações do segmento de edifícios.

“As obras de infraestrutura estão contribuindo para impulsionar e dar maior dinamismo ao mercado de trabalho e ao desempenho do setor”, afirmou Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC, em entrevista coletiva nesta quinta-feira, 29.

Segundo ela, isso se deve a um conjunto variado de obras pelo País em setores como energia renovável, linhas de transmissão e concessões de saneamento, rodovias e portos, entre outros – todos investimentos puxados pelo capital privado.

A criação de vagas de trabalho foi verificada em todos os Estados. Em números absolutos, o estado de São Paulo continua sendo o maior gerador de novos empregos, com 34 mil postos. Depois vieram Minas Gerais (25,3 mil), Bahia (15,7 mil) e Rio de Janeiro (14,2 mil).

Já em termos relativos, quem liderou foi Mato Grosso do Sul, com 251 novas vagas a cada 100 mil habitantes. Depois apareceu Mato Grosso, com 181 novas vagas a cada 100 mil habitantes.

Com o mercado de trabalho aquecido na construção, o salário médio para quem está ingressando no setor foi de R$ 2.642,46, mantendo-se acima da média nacional dos salários de entrada, que é de R$ 2.410,74.

“É um dos melhores salários de entrada no País. A mão de obra é uma dificuldade para o setor. O aumento do salário é reflexo de uma valorização do trabalhador e dessa dificuldade de encontrar mão de obra”, apontou o presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida.

Os representantes do setor patronal ressaltaram ainda a pressão dos custos para as construtoras. O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) acumula alta de 6,64% nos últimos 12 meses até setembro.

O custo com a mão de obra foi o principal responsável pela alta, com crescimento de 7,78% nesse período. Em seguida, veio o custo com materiais e equipamentos, em 6,06%. “A inflação no setor está acima da inflação no País”, destacou Ieda, citando o IPCA de 4,58% no mesmo período.

A CBIC reiterou que a taxa de juros elevada tem sido cada vez mais apontada pelos empresários como o principal problema enfrentado pelo setor. Segundo sondagem, 40% dos empresários apontam o juro alto como maior problema.

Esse é o maior porcentual de reclamação dos juros em três anos. “A queda dos juros no ritmo esperado para esse ano não se concretizou, o que ajuda a explicar o nível de preocupação dos empresários”, disse a economista.

O presidente da CBIC acrescentou que o juro alto também dificulta a realização de investimentos pelas empresas em máquinas e equipamentos que poderiam ajudar a aumentar a produtividade nos canteiros.

“A taxa de juro elevada impacta também influencia a baixa qualidade da mão de obra. Com mais industrialização, precisaríamos de menos trabalhadores, priorizando aqueles mais qualificados”, observou.

Projeções

O PIB (Produto Interno Bruto) da construção civil deve manter a trajetória de crescimento nos próximos meses, mas ainda não está claro qual deve ser o ritmo.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção informou nesta quinta-feira que espera crescimento no PIB setorial em 2027, mas ainda sem número definido, o que depende de questões como evolução dos juros, alívio nos custos, redução no endividamento geral e confiança do empresariado, entre outros pontos.

A instituição reiterou a previsão de avanço de 1,2% para o PIB da construção em 2026.

A previsão inicial para o ano era de alta de 2%, mas a expectativa já havia sido reduzida em maio para essa alta de 1,2% devido ao aumento nos custos para as construtoras e à queda dos juros em ritmo muito aquém do esperado.

Apesar dessas dificuldades, o volume de obras permanece aquecido em virtude dos investimentos privados em infraestrutura, decorrentes de contratos de concessão e parcerias.

Além disso, o grande número de empreendimentos residenciais lançados nos últimos meses – especialmente dentro do Minha Casa, Minha Vida – estão sendo convertidos em canteiros de obras, o que mantém um ritmo de atividade relevante.

“O fechamento do PIB da construção neste ano tenderá a ser positivo”, afirmou a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, em entrevista coletiva à imprensa. Segundo ela, também é esperada continuidade na geração de empregos no setor.

“O ciclo de obras vai contribuir para o desenvolvimento e crescimento do setor”, ressaltou.

A economista-chefe da CBIC ponderou ainda que, para 2027, uma aceleração real do setor como um todo dependerá do ciclo de corte da taxa de juros e do arrefecimento dos custos.

O risco, segundo ela, é que haja uma diminuição relevante de novos lançamentos, gerando novos canteiros de obras mais adiante. “Precisamos de condições macroeconômicas mais estáveis para continuar com esse crescimento sustentável”.

Além da incerteza dos juros, o gerente de Análise Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Marcelo Azevedo, disse que a evolução do PIB setorial vai depender também de uma melhora no endividamento de famílias e empresas, o que vem impactando o consumo de materiais.

“O próximo ano, a princípio, tem problemas a serem enfrentados”, disse. “A expectativa inicial não seria de grande crescimento.”

Taxas de financiamento imobiliário

A elevação das taxas futuras de juros já bateram no financiamento imobiliário, o que deve afetar principalmente os lançamentos e as vendas de imóveis de médio e alto padrão – setores que demandam crédito de mercado, sem subsídios, para construção e comercialização.

“Nesta semana, com aumento da taxa futura, várias instituições financeiras aumentaram a taxa do financiamento, o que irá impactar os negócios”, afirmou Eduardo Aroeira.

Aroeira disse esperar ‘alguma reação’ do governo, com foco na melhora das contas públicas.

“Esperamos ações muito mais no sentido estruturante do País. Entendemos que as ações devem ser de médio a longo prazo para que a variação do juro e do dólar seja mais linear. É algo que independe de governo. É importante ter uma política fiscal responsável”, comentou.

Bares e restaurantes criam mais de 100 mil vagas de empregos formais em 1 ano, indica Caged

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Senai oferece auxílio de até R$ 858 para cursos técnicos gratuitos

O Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) oferece cursos gratuitos de qualificação profissional com bolsa-auxílio mensal de até R$ 858 por meio do Programa Autonomia e Renda Petrobras.

O público-alvo da iniciativa são pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O programa contempla oportunidades em cinco estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraná e Rio Grande do Sul.

Além da formação oferecida de forma gratuita, os participantes recebem bolsa mensal de R$ 660 e auxílio-alimentação.

Para mulheres com filhos de até 11 anos completos, o valor da bolsa sobe para R$ 858. As inscrições para essa seleção ficam abertas até 3 de novembro, pelo site autonomiaerenda.com.br ou presencialmente na secretaria do Senai participante.

O projeto é uma iniciativa da Petrobras, em parceria com a Firjan SENAI SESI e os departamentos regionais do Senai e do Sesi nos estados participantes.

A proposta tem como objetivo ampliar o acesso à qualificação profissional para o setor de óleo e gás, com prioridade para mulheres, pessoas trans, indígenas, quilombolas, pretos e pardos, migrantes, refugiados e pessoas com deficiência.

Para concorrer às vagas, é necessário atender à escolaridade mínima exigida pelo curso escolhido, morar na área de abrangência da formação e estar em situação de vulnerabilidade socioeconômica, com renda familiar per capita de até meio salário-mínimo.

Os participantes também terão acesso ao Acompanhamento para o Desenvolvimento Humano, metodologia desenvolvida pela Firjan SESI para fortalecer competências socioemocionais e ampliar o potencial de empregabilidade dos participantes.

Cursos técnicos e de qualificação industrial têm vagas em São Paulo

Em São Paulo, o programa disponibiliza 300 vagas em cursos voltados a atividades industriais e à cadeia de óleo e gás. As oportunidades estão distribuídas entre unidades do Senai em Cubatão, Paulínia, Mauá e São José dos Campos.

As formações disponíveis são:

  • Caldeireiro: 220 vagas, distribuídas entre as quatro unidades;
  • Pedreiro Refratarista: 20 vagas, no Senai Cubatão;
  • Soldador no Processo de Eletrodo: 20 vagas, no Senai Cubatão;
  • Sinaleiro Amarrador: 20 vagas, no Senai São José dos Campos;
  • Almoxarife de Obras: 20 vagas, no Senai São José dos Campos.

Os horários variam conforme a unidade e o curso, com turmas nos períodos da manhã, tarde e noite. A distribuição completa das vagas e os requisitos específicos podem ser consultados nos canais oficiais do programa.

Senai-SP também abre vagas gratuitas para 2027

Além das oportunidades do Programa Autonomia e Renda Petrobras, a Fiesp e o Senai-SP abriram 3.357 vagas gratuitas para cursos de formação profissional com início previsto para o primeiro semestre de 2027.

As oportunidades contemplam cursos de Aprendizagem Industrial e Cursos Técnicos, com aulas presenciais em 58 unidades do estado de São Paulo.

Do total, 1.360 vagas são destinadas para Aprendizagem Industrial e 1.997 aos Cursos Técnicos. Entre as áreas disponíveis estão Desenvolvimento de Sistemas, Redes de Computadores, Automação Industrial, Mecatrônica, Química, Equipamentos Biomédicos, Instrumentação Industrial e Mecânica de Precisão.

As inscrições vão até 9 de novembro de 2026. Para os Cursos Técnicos, o candidato precisa estar cursando, no mínimo, o segundo ano do ensino médio ou já ter concluído essa etapa.

Na Aprendizagem Industrial, é exigido ensino fundamental completo, e a idade máxima é de 24 anos, com exceções conforme o curso.

Os processos seletivos contam com provas digitais realizadas presencialmente na unidade escolhida, mediante agendamento. Para os Cursos Técnicos, a inscrição tem taxa de R$ 40.

Já o processo seletivo para Aprendizagem Industrial não cobra taxa.

Segundo a Pesquisa de Acompanhamento de Egressos do Senai, referente ao painel de 2023 a 2025, 88,6% dos formados em Cursos Técnicos do Senai-SP estão ocupados no mercado de trabalho.

Entre os egressos da Aprendizagem Industrial, o índice é de 82,6%.

Os interessados podem consultar os cursos, as unidades participantes, os requisitos e os prazos nos sites oficiais do processo seletivo de Aprendizagem Industrial e dos Cursos Técnicos.

Trabalhadores com ensino superior ganham mais que menos escolarizados

 

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