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Governo Trump promove demissões em massa no alto comando militar

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afastou o principal oficial de planejamento do Pentágono, em um momento em que o presidente Donald Trump avalia novos ataques contra o Irã, informou à CNN uma fonte a par da situação.

O tenente-general Brett Sylvia, que ocupava o cargo de diretor de estratégia, planos e políticas — conhecido como J5 — no Estado-Maior Conjunto, está deixando a função de forma abrupta, confirmou um porta-voz do general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto.

Nenhum motivo foi apresentado para o afastamento de Sylvia, e não está claro quem assumirá suas responsabilidades.

A CNN entrou em contato com o gabinete de Hegseth em busca de um posicionamento.

Essa saída é a mais recente em uma longa série de afastamentos de oficiais de alto escalão do Pentágono durante a administração Trump e desde que Hegseth assumiu o cargo, período marcado por cortes significativos no alto comando militar.

Segundo o Estado-Maior Conjunto (Joint Chiefs), a função J5 é um papel estratégico voltado para a elaboração de planos de engajamento internacional dos EUA.

“O J5 do Estado-Maior Conjunto propõe estratégias, planos e recomendações de políticas ao Presidente do Estado-Maior Conjunto, a fim de subsidiar o fornecimento de aconselhamento militar — abrangendo todo o espectro de questões de segurança nacional — ao Presidente e a outros líderes nacionais”, afirmou o site do Estado-Maior Conjunto.

“O objetivo é garantir que tais recomendações sejam fundamentadas em um contexto estratégico mais amplo — em coordenação com agências governamentais e parceiros de alianças —, levem em conta a perspectiva e as necessidades dos comandantes de forças combatentes, e avaliem os riscos associados à execução da Estratégia Militar Nacional”, completou no site.

Sylvia, que anteriormente comandou a 101ª Divisão Aerotransportada do Exército, foi indicada para o cargo pelo ex-secretário de Defesa Lloyd Austin, perto do fim da administração Biden.

Na noite de quarta-feira (28), a biografia de Sylvia havia sido removida do site do Estado-Maior Conjunto (Joint Chiefs).

“O presidente [do Estado-Maior Conjunto], o Estado-Maior Conjunto e a Força Conjunta expressam sua profunda gratidão ao tenente-general Brett Sylvia e à sua família pelos 32 anos de serviços distintos prestados à nossa nação. Desejamos a ele e à sua família o melhor, à medida que avançam rumo a novas oportunidades e aos próximos capítulos de suas vidas”, afirmou um porta-voz do Estado-Maior Conjunto.

A saída de Sylvia ocorre em um momento crucial para o Pentágono.

Conforme noticiado pela CNN, duas autoridades americanas informaram à emissora, no início desta semana, que as forças dos EUA no Oriente Médio estão preparadas para lançar novas operações militares — potencialmente de grande escala — contra o Irã, “dentro de 96 horas após o recebimento” de uma ordem de Trump.

“Será um grande esforço”, disse uma das autoridades à CNN.

Essa avaliação é compartilhada por outros funcionários e ex-funcionários do governo americano, a par das discussões internas sobre planejamento militar — alguns dos quais afirmam que não se trata de saber “se” Trump emitirá uma ordem de ataque, mas “quando” ele o fará.

Eles acreditam que a ordem pode ser dada a qualquer momento antes do fim do ano, embora, muito provavelmente, ocorra após as eleições de meio de mandato nos EUA.

Autoridades afirmam que Trump ainda não decidiu o que fará após as midterms, mas que ele parece inclinado a ordenar uma ação de grande escala.

Contudo, essas mesmas autoridades ressaltam que, no passado, Trump já demonstrou inclinação para determinadas medidas, mas acabou recuando no último instante.

O presidente declarou anteriormente que nenhum ataque ocorreria antes das eleições de meio de mandato, marcadas para terça-feira (3).

Sylvia junta-se a uma lista de altos funcionários e oficiais do Pentágono dispensados ​​durante o mandato de Hegseth como secretário de Defesa.

Entre eles, destaca-se o chefe do Estado-Maior do Exército, general Randy George, que foi forçado a se aposentar em abril, um dia depois de Trump sinalizar que planejava intensificar a guerra contra o Irã.

Ele também demitiu mais de duas dúzias de oficiais de alto escalão, afastou um secretário da Marinha com quem entrou em conflito e, segundo relatos, interveio em promoções nos diversos ramos das Forças Armadas, moldando diretamente a liderança.

O antecessor de Sylvia, o tenente-general Joe McGee, também deixou o cargo em outubro de 2025 sob pressão de Hegseth — informaram fontes à CNN na ocasião, acrescentando que McGee frequentemente “resistiu” às posições do secretário de Defesa e de Caine em questões que variavam de Rússia e Ucrânia a operações militares no Caribe.

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Unilever alerta para aumentos de preços com efeitos da guerra no Irã

A Unilever prevê que os aumentos de preços se intensifiquem no quarto trimestre e no próximo ano, informou a empresa nesta quarta-feira (28), alinhando-se a outras fabricantes de bens de consumo que já anunciaram que repassarão aos clientes o aumento nos custos relacionado à guerra com o Irã.

Grandes empresas, incluindo a Coca-Cola, a Procter & Gamble, a Nestlé e a Reckitt , alertaram para o risco de novos aumentos de preços no próximo ano para compensar o impacto da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, que começou no final de fevereiro.

Cada uma dessas empresas aumentou drasticamente os preços durante a pandemia da Covid-19 e nos primeiros meses da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia.

Desde então, elas passaram anos tentando reconquistar consumidores que se afastaram e passaram a optar por produtos de marca própria mais baratos.

Agora, enfrentam a realidade de ter que aumentar os preços novamente para proteger as margens dos acionistas.

“Definitivamente, esperamos que os preços em 2027 sejam mais altos do que a média de 2026”, disse o presidente-executivo Fernando Fernandez.

“Agora que temos mais clareza sobre isso (o ambiente de custos), estamos acelerando os aumentos de preços.”

“Vamos garantir um bom equilíbrio entre volume e preços em tudo o que fizermos no curto e no médio prazo”, acrescentou.

A Unilever, cujas inovações e foco em marketing ajudaram a empresa a recuperar a demanda após a pandemia, conseguiu este ano repassar parte do aumento nos custos das matérias-primas aos consumidores sem prejudicar os volumes de vendas.

As ações caíam 3,4% na quarta-feira, já que a Unilever também divulgou um crescimento do volume de vendas no terceiro trimestre mais lento do que no segundo trimestre, prejudicado pelo seu negócio de alimentos.

A Unilever divulgou um crescimento subjacente das vendas de 5,2% no trimestre, acima dos 4,8% esperados pelos analistas em um consenso elaborado pela empresa.

A empresa também manteve suas projeções de vendas e margem de lucro para 2026 e afirmou que espera um crescimento subjacente das vendas de cerca de 5% no segundo semestre de 2026.

Ela prevê um crescimento subjacente do volume no ano inteiro de pelo menos 3%, acima da projeção anterior de cerca de 3%, após registrar um crescimento de volume de 2,9% no terceiro trimestre e um aumento de preços de 2,3%.

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“Tudo é possível”, diz Trump sobre ataques contra o Irã após as eleições

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que “tudo é possível” ao ser questionado, nesta quarta-feira (28), se os Estados Unidos realizariam mais ataques contra o Irã após as eleições de meio de mandato.

As Forças Armadas dos EUA já gastaram mais de US$ 47 bilhões (cerca de R$ 250,7 bilhões) na condução da guerra no Irã — um valor superior em mais de 25% à estimativa feita pelo Departamento de Defesa em julho, segundo dados do Pentágono obtidos pela agência de notícias Reuters.

O Pentágono não respondeu prontamente a um pedido de comentário sobre sua estimativa, que não foi divulgada publicamente.

A revelação sobre o custo crescente da guerra no Irã surge em um momento em que os republicanos lidam com as repercussões políticas desse conflito impopular, às vésperas das eleições de 3 de novembro, que definirão o controle do Congresso pelos próximos dois anos.

Trump também deve iniciar uma viagem pela Ásia, durante a qual se espera um encontro com o presidente chinês, Xi Jinping.

A desnuclearização poderá estar na pauta — embora o próprio Trump tenha reconhecido que o objetivo não será fácil de alcançar, dado que outros países também possuem armas nucleares.

Trump diz que guerra contra Irã é “uma das melhores coisas que já fizemos”

Trump, classificou a guerra contra o Irã como “uma das melhores coisas que já fizemos”, apesar de o conflito continuar sendo profundamente impopular internamente e de muitos candidatos do Partido Republicano defenderem o seu fim.

Questionado na quarta-feira (21) se lamenta ter iniciado a guerra, o presidente americano disse aos repórteres: “Não, acho que é uma das melhores coisas — acho que é uma das melhores coisas que já fizemos”.

“Impedimos o Irã de ter uma arma nuclear. É uma das melhores coisas que já fizemos”, continuou ele, acrescentando que sua decisão de atacar o país do Oriente Médio em fevereiro “exigiu muita coragem”.

No entanto, quase oito meses após o início da guerra, o presidente não conta com grande apoio da população dos EUA: uma nova pesquisa da CNN, divulgada nesta quarta-feira, mostrou que apenas 30% dos americanos aprovam a sua condução da política externa.

A CNN conversou com muitos eleitores, inclusive em comícios do presidente, que apontaram o impacto do conflito nos preços dos combustíveis e no custo de vida como uma questão central para as próximas eleições.

Enquanto isso, alguns republicanos que enfrentam disputas eleitorais difíceis neste outono têm se distanciado do presidente no que diz respeito à guerra.

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