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General Janones: deputado federal comandou 'Exército de Lula' na mobilização digital que impulsionou a vitória histórica

De rejeitado à general do 'Exército do Lula'. Se o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiu o seu 4º mandato na presidência da República, com uma virada histórica e considerada improvável contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - nunca um candidato que terminou atrás no primeiro turno havia conseguido virar -, muito se deve ao trabalho digital e a mobilização da esquerda brasileira que o deputado federal André Janones (REDE-MG) promoveu durante as semanas que antecederam o segundo turno das eleições.

"Queria agradecer o Janones, que teve um papel exponencial para levantar diariamente e dar moral a nossa tropa do 'Exército do Lula'. Ele foi o nosso general. E uma coisa que essas eleições me ensinaram e posso garantir a vocês é que vamos mudar o jeito de governar o País. Nós vamos fazer o povo participar mais de nossas decisões. Quero dizer que a presença digital vai ganhar espaço grande no nosso governo. Já ganhei um celular e já estou aprendendo a conversar com nosso general e, daqui pra frente, vou conversar muito com o povo brasileiro e muitas vezes ao dia", disse Lula no discurso da vitória, reconhecendo a importância do deputado federal durante o segundo turno.

 

Carta branca a Janones

Diante do susto no primeiro turno, com Lula ficando atrás do filho de Jair Bolsonaro, a campanha do petista se viu obrigada a buscar uma estratégia diferente. A apostar na mesma estratégia da extrema-direita e investir em algo que sempre foi a grande dificuldade da esquerda brasileira: a comunicação digital. E, para isso, nomes do chamado núcleo duro do PT, como Gleisi Hoffmann, Jaques Wagner, Dilma Rousseff, Edinho Silva e Fernando Haddad precisariam ficar à margem da campanha para dar espaço a André Janones, que nunca tinha recebido tal protagonismo do Partido dos Trabalhadores.

Com uma atuação estratégica desde o término do primeiro turno, Janones tratou de iniciar uma mobilização nas redes sociais e convocar os militantes da esquerda a entrarem no que ele denominou de 'Exército do Lula', um canal no WhatsApp para compartilhar informativos e combinar ações/postagens em massa na internet... Tudo para buscar o maior alcance das publicações, mobilizar mais apoiadores do presidente e dominar a narrativa digital frente às publicações bolsonaristas.

Em pouco tempo, a iniciativa foi abraçada pela militância não só petista, mas de eleitores que se opunham a um novo governo bolsonarista e queriam participar da mobilização para recrutar novos 'soldados' em busca da virada. O sucesso do canal foi tamanho e, às vésperas da eleição, mais de 10 milhões de pessoas participavam no 'Exército do Lula', que chegou a ser derrubado por determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, sob a justificativa de possíveis desrespeitos à legislação eleitoral, algo que não foi comprovado e o canal teve o seu funcionamento reestabelecido.

ANDRÉ PERA/PERA PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Deputado federal André Janones (REDE) comandou a estratégia digital que garantiu a reeleição do presidente Lula - ANDRÉ PERA/PERA PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Uma das chamadas missões para o exército, André Janones buscou resgatar o orgulho da militância esquerdista das cores verde e amarela - apropriada pelo bolsonarismo desde 2018 - e combinou postagem em massa dos eleitores de Lula com a camisa da seleção brasileira ou amarela, com hashtags em alusão ao presidente Lula, e que logo se tornaram "trending topics" (assuntos mais comentados) nas redes sociais. A iniciativa foi além do mundo digital e também ganhou as ruas do Brasil, com a onda vermelha também aderindo as cores da bandeira brasileira.

Mobilização artística

Com sua energia contagiante e bordões que viraram marca de suas postagens, como: "Pessoal, urgente" e "explode!", o deputado federal André Janones também conseguiu sensibilizar e recrutar a classe artística para a mobilização visando à eleição do presidente Lula.

Centenas de cantores, atores e digitais influencers deixaram a isenção de lado e passaram não só para declarar apoio à reeleição do petista, mas também para se colocar à disposição do 'Exército do Lula" para oferecer todo o alcance de suas redes sociais para entregar conteúdos da campanha a mais eleitores.

A mobilização ultrapassou as fronteiras brasileiras e também comoveu artistas internacionais, como a cantora Madonna, Roger Waters, um dos fundadores da banda Pink Floyd, Alfonso Herrera e Christian Chávez, ambos ex-RBD, a banda norte-americana The Strokes, o guitarrista Tom Morello, da banda Rage Against the Machine, além dos atores Pedro Pascal, Mark Ruffalo e Jason Momoa também declararam apoio a eleição de Lula.

Outro que demonstrou publicamente o seu apoio pelo petista foi o jovem prefeito de Nova Iorque, Zohran Mamdani, primeiro imigrante - nasceu em Uganda, na África - a ocupar o cargo de uma das principais cidades dos Estados Unidos.

Live da virada de 24h

Como última missão para mobilizar os 'soldados' antes das eleições do segundo turno, André Janones comandou a histórica 'Live da virada de 24h', quando ele ficou online da noite da sexta-feira (23), assim que acabou o debate da TV Globo, até 23h59 do sábado (24), quando terminava o período para a realização de transmissões na internet previsto na legislação eleitoral.

A iniciativa manteve a militância engajada nas últimas horas antes da abertura das urnas eletrônicas. Mais de 30 convidados participaram da Live, que teve 21 milhões de visualizações e 2 milhões curtidas.

"Eu falei que a vitória do presidente Lula seria com uma diferença muito maior do que vocês previram. E foi exatamente como eu falei aqui pra vocês desde o fim do primeiro turno. Espero que depois dessa vocês me ouçam quando eu digo que sei ler os sinais que as redes sociais emitem", declarou André Janones, que previa a reeleição de Lula após onda digital.

© ANDRÉ PERA/PERA PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Deputado federal André Janones (REDE) comandou a estratégia digital que garantiu a reeleição do presidente Lula
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