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Protestos contra alto custo de vida tomam conta da França e da Alemanha

Os protestos contra o custo de vida que começaram na França se espalharam para a Alemanha, onde manifestações para coincidir com o Halloween estavam em andamento neste sábado (31), com milhares de pessoas participando em todo o país.

O novo movimento alemão liderado por jovens, apelidado de “Geração Z consegue!”, está protestando contra o alto custo de vida, o subfinanciamento de escolas e universidades, as preocupações ambientais e uma possível reintrodução do serviço militar obrigatório. Protestos foram planejados em grandes cidades, incluindo Berlim, Frankfurt, Colônia e Munique.

Embora o protesto na capital alemã tenha parecido pacífico, canhões de água e policiais antimotim foram mobilizados em Colônia e Hamburgo.

A polícia de Colônia informou que usou canhões de água depois que alguns manifestantes soltaram fogos de artifício durante uma marcha no centro da cidade. “Nossas medidas são direcionadas contra arruaceiros e indivíduos violentos, não contra participantes pacíficos”, afirmou a polícia em comunicado.

Em Hamburgo, a polícia de choque respondeu após barricadas terem sido incendiadas e equipes de emergência terem sido atacadas. “Houve um aumento nos incidentes de equipes de emergência sendo atingidas por artefatos pirotécnicos e materiais de construção… nossa polícia de choque está tomando medidas imediatas para conter isso”, disse a polícia.

Os organizadores do ‘Gen Z regelt’ planejaram o grande dia de ação para coincidir com o Halloween, a fim de maximizar a participação e a visibilidade.

“Somos jovens que não queremos mais assistir a decisões sobre o nosso futuro sendo tomadas sem a nossa participação”, afirma o movimento em seu site. Acrescenta ainda que a intenção é protestar pacificamente e os organizadores orientam os participantes a manterem seus rostos visíveis, mesmo com fantasias de Halloween.

Reforços policiais foram mobilizados em todo o país em preparação para o protesto, e as lojas de luxo da sofisticada rua comercial Kurfürstendamm, em Berlim, protegeram suas vitrines com tapumes como medida de precaução.

O movimento juvenil alemão surge na sequência de uma onda mais ampla de protestos que varreu a Europa, incluindo distúrbios significativos na França, que foi atingida por tumultos e saques e agora enfrenta mais um fim de semana de manifestações.

No sábado, mais protestos do movimento dos Coletes Amarelos ocorreram em todo o país, no que foi considerado o terceiro ato de manifestações, após os protestos anteriores de 17 e 24 de outubro. Espera-se também a participação de estudantes e alguns sindicatos.

O Ministério do Interior francês informou que 320 mil pessoas protestaram em todo o país no sábado, sendo 70 mil delas em Paris. Esse número é significativamente menor do que os 550 mil manifestantes de 17 de outubro e os 410 mil da semana passada.

O ministério informou que, até às 18h, horário local, 296 pessoas haviam sido detidas em todo o país.

Alertando para um “risco muito elevado de distúrbios públicos”, o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, anunciou esta semana que as manifestações só seriam autorizadas fora dos centros urbanos, com o destacamento de 70 mil agentes de segurança adicionais em todo o país.

Os protestos foram em sua maioria pacíficos, com exceção de alguns incidentes. O Ministério do Interior afirmou em comunicado que “elementos radicais no final das passeatas” em diversas cidades, incluindo Bordéus, Toulouse, Rennes, Lille, Nantes, Marselha e Lyon, “tentaram entrar nos centros das cidades com a intenção de causar danos e praticar saques”.

O ministério afirmou que a polícia interveio e “frustrou” essas tentativas.

A polícia de Rennes, na Bretanha, noroeste da França, informou que, embora a marcha principal planejada para sábado “tenha transcorrido pacificamente ao longo do percurso previsto”, centenas de indivíduos violentos começaram a atacar a polícia após o término do protesto, atirando projéteis e ateando fogo.

A violência tem marcado os protestos nas últimas semanas, com o ministério afirmando na sexta-feira (30) que, até 29 de outubro, pelo menos 1.193 policiais ficaram feridos desde o início dos protestos.

O Halloween acrescentava uma nova complicação aos protestos, com Nuñez alertando para convocações isoladas de manifestações em toda a França a partir das 20h, horário local, “por grupos radicais de extrema esquerda e membros radicalizados dos Coletes Amarelos”.

Ele afirmou que algumas mensagens faziam referência ao Halloween, ao mesmo tempo que incitavam à “revolução” e à “insurreição”, descrevendo-as como incitamentos à desordem pública grave e alertando que as reuniões seriam proibidas.

Nos últimos dias, a palavra “purga” tem circulado nas redes sociais, uma referência à franquia de filmes distópicos que retrata um mundo onde todos os crimes são legalizados por um período de 12 horas a cada ano.

“No Halloween, as regras continuam as mesmas!”, alertou a polícia de Paris na rádio X, lembrando que ocultar o rosto em público é punível com multa de € 150 (US$ 170), enquanto portar uma arma, mesmo que falsa, pode acarretar pena de até três anos de prisão e multa de € 45.000 (US$ 50.398).

Os protestos na França começaram no final de setembro, liderados por estudantes do ensino médio que exigiam melhorias em prédios escolares deteriorados, a escassez de professores e a falta de recursos, bem como mudanças no sistema de admissão universitária.

Os protestos então se transformaram em algo maior, com os Coletes Amarelos, que começaram como um movimento contra o aumento dos preços dos combustíveis, entre aqueles que foram às ruas.

As imagens de violência e saques dos protestos de 17 de outubro ainda assombram as autoridades francesas. Naquele dia, mais de 550 mil pessoas foram às ruas em toda a França, segundo o Ministério do Interior, mais de 3 mil lojas foram atacadas ou saqueadas, algumas destruídas, e mais de 2.700 pessoas foram presas.

Questionado sobre os estudantes feridos durante os protestos, o presidente Emmanuel Macron descreveu a violência como uma “falha coletiva”.

“Acho que nenhum estudante do ensino médio começou a reivindicar seus direitos esperando sofrer consequências tão terríveis. E também não conheço nenhum policial que tenha se alistado para se ver envolvido em momentos tão terríveis e violentos”, disse ele ao YouTuber Hugo Travers.

A manifestação de sábado ocorre antes do dia 5 de novembro, quando todas as atenções estarão voltadas para uma greve e mobilização nacional convocada pela coalizão intersindical em protesto contra o aumento do custo de vida.

Entenda os protestos estudantis que se espalharam por toda a França

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França enfrenta onda de violência e governo prepara toque de recolher em cidades

O governo francês anunciou medidas para conter a onda de violência que atingiu diversas cidades do país após manifestações contra o aumento do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos. Nesta segunda-feira (19), o primeiro-ministro Sébastien Lecornu pediu que prefeitos adotem toques de recolher em áreas consideradas críticas, enquanto o presidente Emmanuel Macron determinou uma revisão das estratégias de segurança.

Os protestos reuniram mais de 500 mil pessoas no fim de semana, segundo os dados apresentados no balanço das manifestações. Em diferentes cidades, atos inicialmente pacíficos terminaram em confrontos, incêndios, invasões de prédios públicos e saques a estabelecimentos comerciais. Um manifestante morreu, quase mil agentes de segurança ficaram feridos e cerca de 2.400 pessoas foram detidas.

A dimensão dos distúrbios levou o governo a discutir restrições à circulação noturna e à realização de manifestações. Lecornu afirmou que as medidas serão definidas em conjunto com os representantes locais. Marselha já proibiu aglomerações e manifestações entre meio-dia e 20h, enquanto Denain, próxima à fronteira com a Bélgica, estabeleceu toque de recolher noturno até domingo.

O primeiro-ministro descartou, por enquanto, decretar estado de emergência, medida defendida pelo líder dos Republicanos, Bruno Retailleau. Lecornu, no entanto, não excluiu a possibilidade de recorrer ao mecanismo caso as restrições locais não sejam suficientes para conter a violência.

França enfrenta onda de violência e governo prepara toque de recolher em cidades
França tem onda de protestos, incêndios e 272 prisões em apenas um dia | Foto: Rede social

Macron cobra revisão da segurança

Diante da escalada dos confrontos, Macron reconheceu falhas na condução da resposta policial e determinou uma revisão dos procedimentos adotados pelas forças de segurança. O presidente pediu novas estratégias operacionais para impedir a formação de barricadas, os saques e os ataques a estabelecimentos e edifícios públicos.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, admitiu que as autoridades perderam o controle da situação em algumas cidades. Segundo ele, os aproximadamente 60 mil policiais e agentes mobilizados no sábado não conseguiram conter todos os grupos envolvidos nos episódios violentos.

Macron também recusou o pedido de demissão apresentado por Nuñez e cobrou esclarecimentos sobre as falhas de prevenção e inteligência que permitiram a expansão dos distúrbios. Apesar das restrições anunciadas, o ministro afirmou que as medidas não devem afetar a partida entre Paris Saint-Germain e Barcelona, prevista para terça-feira (20), pela Liga dos Campeões.

Manifestações contra o alto custo de vida e a crise na educação se espalham pela França | Foto: Rede social

Louvre fecha as portas após bloqueio

Em Paris, o Museu do Louvre amanheceu fechado nesta segunda-feira após um bloqueio organizado por estudantes da École du Louvre. A direção da instituição confirmou a interrupção das atividades e informou que o fechamento ocorreu em razão da mobilização estudantil.

O movimento também chegou à Sciences Po, universidade localizada no centro da capital, onde estudantes realizaram concentrações e bloquearam acessos. Os atos fazem parte de uma onda de manifestações iniciada semanas antes, com reivindicações por melhores condições nas escolas.

No fim de semana, a mobilização ganhou escala nacional e foi acompanhada por episódios de violência em Paris, Marselha, Lyon e outras cidades. Prédios públicos foram invadidos, uma prefeitura foi incendiada e estabelecimentos comerciais sofreram depredações e saques. Veículos, bicicletas e patinetes também foram queimados.

O impacto econômico preocupa o setor comercial. Mais de 2 mil lojas foram atingidas em todo o país, com prejuízos estimados em centenas de milhões de euros, segundo Alain Di Crescenzo, presidente da Câmara de Comércio. Somente na capital francesa, aproximadamente 400 estabelecimentos foram depredados.

Protesto fecha Louvre, e governo anuncia toques de recolher para conter onda de violência na França | Foto: Divulgação/Rede social

Crise amplia pressão política sobre Macron

A onda de violência também intensificou a disputa política na França, a poucos meses de uma eleição presidencial que não poderá contar com Macron como candidato à reeleição. Marine Le Pen, líder do partido de ultradireita Reunião Nacional, aparece em posição de destaque nas pesquisas de intenção de voto.

Lecornu acusou setores da ultr esquerda de tentar ampliar a instabilidade no país. Le Pen, por sua vez, responsabilizou o partido de Jean-Luc Mélenchon por, segundo ela, legitimar a violência. À esquerda, críticos do governo afirmam que Macron negligenciou as reivindicações sociais que deram origem aos protestos. Já representantes da direita defendem uma reação mais rigorosa contra os responsáveis pelos ataques.

Em artigo publicado no jornal Libération, os prefeitos de Paris, Marselha e Lyon cobraram explicações do governo sobre a preparação das forças de segurança. Os três gestores, ligados à centro-esquerda, afirmaram que a dimensão dos acontecimentos surpreendeu as administrações locais e expôs falhas na proteção de áreas inteiras das cidades.

A crise coloca o governo diante de um duplo desafio: conter os atos de violência e responder às reivindicações que mobilizaram centenas de milhares de pessoas. Enquanto as autoridades avaliam novas restrições, a capacidade de restabelecer a segurança sem ampliar a tensão política permanece no centro do debate nacional.

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