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Maior desafio de Lula 4 será aprovar reformas no Congresso, diz Moody’s

A dificuldade de aprovar pautas em um Congresso Nacional mais à direita será um dos principais desafios do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo William Foster, vice-presidente sênior da Moody’s Ratings.

Em entrevista exclusiva ao CNN Money, o executivo apontou que a capacidade de negociar com parlamentares e construir acordos políticos será determinante para a implementação de medidas capazes de conter o avanço da dívida pública brasileira.

“O maior desafio que vejo neste momento não é apenas elaborar boas políticas e conquistar a credibilidade do mercado, mas conseguir aprovar a legislação no Congresso para dar sustentação a essas políticas”, afirmou Foster.

Na avaliação dele, o desafio será ainda maior do que no mandato anterior, diante da mudança na composição do Legislativo. “O Congresso se deslocou para a direita”, ressaltou.

Foster destacou que a aprovação de mudanças fiscais exigirá habilidade política do governo para negociar com o centro e construir maiorias. No Brasil, PECs (Propostas de Emenda à Constituição) precisam de três quintos dos votos de deputados e senadores, o que exige uma articulação ampla para a aprovação de mudanças estruturais.

“Isso vai exigir uma negociação significativa de acordos e uma disposição política que Lula precisará empregar para alcançar esses objetivos”, afirmou.

O executivo ressaltou que a questão fiscal não depende apenas da elaboração de medidas bem desenhadas, mas também de sua implementação. Para a agência, a capacidade do governo de transformar propostas em mudanças efetivas será fundamental para recuperar a confiança dos investidores.

A Moody’s mantém a nota de crédito soberano do Brasil em Ba1, um nível abaixo do grau de investimento, com perspectiva estável. Segundo Foster, a evolução da política fiscal será o principal fator para uma eventual mudança na avaliação do país.

Nesse sentido, apontou a necessidade de rever o crescimento das despesas obrigatórias, muitas delas corrigidas pelo salário mínimo e pela inflação. Para ele, mudanças nos mecanismos de indexação e no nível dos gastos poderiam reduzir os déficits primários e, no futuro, permitir a estabilização da dívida.

Juros elevados dificultam recuperação fiscal

O custo de financiamento da dívida é outro ponto de preocupação para a Moody’s. Segundo Foster, o Brasil apresenta despesas com juros elevadas em comparação com outros países, reflexo de taxas historicamente altas e da estrutura de financiamento do governo.

O executivo afirmou que os pagamentos de juros equivalem a cerca de 20% das receitas públicas e superam 8% do PIB (Produto Interno Bruto).

Na entrevista, ele também destacou que mais de 40% da dívida do governo está vinculada a taxas flutuantes relacionadas à Selic, o que aumenta a exposição das contas públicas a períodos prolongados de juros elevados.

“[O Brasil] é muito mais vulnerável a taxas de juros mais altas por períodos mais longos, particularmente com um prazo médio ponderado da dívida pública em torno de quatro anos. Essa é uma característica estrutural […] e a tendência continuou a piorar nos últimos quatro anos do governo Lula”, ponderou.

Na avaliação de Foster, a política monetária enfrenta o desafio de conter as pressões inflacionárias enquanto a política fiscal mantém estímulos à atividade econômica. O aumento dos gastos públicos pode dificultar o trabalho do Banco Central e reduzir o espaço para cortes mais rápidos da taxa básica de juros.

O executivo, contudo, vê possibilidade de redução gradual dos juros, desde que algumas condições sejam atendidas. Entre elas, está um reequilíbrio da política fiscal, capaz de contribuir para a desaceleração da inflação e diminuir o custo de financiamento do governo e da economia.

“[A consolidação fiscal] permitiria ao Banco Central, potencialmente, ter mais confiança para que eles possam reduzir ainda mais as taxas”, disse.

Foster também alertou para a possibilidade de dominância fiscal, situação em que as pressões das contas públicas dificultam a condução da política monetária.

Para a Moody’s, a recuperação da credibilidade fiscal seria um caminho para melhorar as condições de financiamento e favorecer o crescimento sustentável. A redução do custo da dívida também ajudaria a diminuir os déficits e abrir espaço para investimentos do setor privado.

Dívida pública pode continuar crescendo sem reformas

A relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto é um dos principais fatores de risco para o perfil de crédito brasileiro, segundo Foster. O indicador passou de aproximadamente 72% para 83% do PIB nos últimos anos.

Sem mudanças na política fiscal ao longo dos próximos quatro anos, a Moody’s projeta que a relação poderá alcançar cerca de 87% do PIB no ano seguinte e continuar aumentando. A estimativa da agência é superior à projeção do governo, que prevê um pico próximo de 88% nos próximos anos, antes de uma trajetória de queda.

“Para que a dívida comece a cair ou se estabilize, é necessário observar mudanças na política fiscal”, afirmou Foster.

Segundo ele, a principal frente de atuação seria a revisão das despesas obrigatórias, que apresentam uma tendência estrutural de crescimento. A redução do ritmo de expansão dos gastos e eventuais cortes poderiam contribuir para diminuir os déficits primários e, posteriormente, permitir a obtenção de superávits.

O executivo também fez ressalvas ao atual arcabouço fiscal brasileiro. Embora considere razoáveis as metas de resultado primário, ele avalia que o modelo não contempla de maneira suficiente o principal fator por trás do déficit total do governo: o pagamento de juros.

“Uma política fiscal crível precisa levar em conta o custo dos empréstimos”, afirmou.

Para o executivo, a adoção de metas de longo prazo para a dívida em relação ao PIB e mudanças na forma de acompanhar o cumprimento dos objetivos fiscais poderiam aumentar a transparência e a previsibilidade da política econômica.

A agência considera que uma melhora duradoura das contas públicas, acompanhada de crescimento econômico mais forte, poderia abrir caminho para uma perspectiva positiva e, eventualmente, para a elevação da nota de crédito brasileira ao grau de investimento. Isso exigiria, porém, uma mudança permanente e significativa na trajetória fiscal.

No sentido contrário, a persistência de déficits elevados e a deterioração da credibilidade da política econômica poderiam pressionar ainda mais os juros, prejudicar o crescimento e ampliar o endividamento.

Porém, Foster destacou que a polarização política dificulta a adoção de medidas fiscais não apenas no Brasil, mas também em outros países. Reformas que envolvem despesas sociais, previdência e saúde são particularmente sensíveis e dependem de consenso político.

“É necessário um reequilíbrio entre esses custos e os objetivos fiscais. Isso exige consenso político, algo que está muito difícil de alcançar no Brasil e em muitos países ao redor do mundo”, afirmou.

Para a Moody’s, a capacidade do governo Lula de construir pontes com a oposição e com os partidos de centro será decisiva para avançar com reformas capazes de estabilizar a dívida e fortalecer o perfil de crédito do país.

 

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Como a IA pode abalar a aparente tranquilidade nos mercados dos EUA

Na superfície, os mercados parecem estáveis. As ações estão próximas de recordes históricos, e os títulos estão mais ou menos onde estiveram nos últimos dois meses.

Mas olhando por baixo do capô, é possível ver sinais de que os investidores estão ficando cada vez mais nervosos — principalmente por causa da IA.

Desta vez, a ansiedade não é porque a IA vai nos matar a todos (isso foi MUITO no mês passado). A preocupação mais recente: a IA pode ser um atoleiro financeiro.

E se o ar começar a sair da bolha da IA, isso pode ameaçar derrubar a base que sustenta o boom econômico americano.

As coisas estranhas

O mercado de ações é tão grande e diversificado que às vezes é útil para os investidores medi-lo de maneiras criativas, comparando duas medições para descobrir se há uma tendência que os números principais não conseguem mostrar.

Por exemplo, é possível medir o índice de referência S&P 500 de várias maneiras. A forma mais comum é ponderar cada ação pelo seu valor de mercado — dando às gigantescas empresas de tecnologia, avaliadas em trilhões de dólares, considerável influência sobre as altas e baixas do mercado de ações.

Mas se você observar o S&P 500 de outra forma, ponderando cada ação igualmente, às vezes é possível obter uma imagem mais clara de como o mercado está se saindo entre os setores.

A ponderação igualitária das ações garante que empresas de setores menores não sejam ofuscadas por empresas gigantes, como as de Big Tech.

Ao comparar essas duas medições em 22 de outubro, o resultado foi seriamente bizarro — tão estranho que havia acontecido apenas duas vezes antes nas últimas três décadas.

O índice principal, ponderado pelo valor de mercado, caiu 1,2%. Mas o índice de ponderação igualitária ganhou 0,5%. Desde 1995, essa enorme divergência entre as duas medições havia ocorrido apenas duas vezes antes: em 14 de abril de 1999 e em 30 de março de 2000, observou James Reilly, economista sênior de mercados da Capital Economics.

O que isso significa? Uma pista pode ser encontrada em outra coisa estranha que aconteceu naquele mesmo dia.

Também na quinta-feira, o rendimento dos Treasuries de 10 anos freou bruscamente e entrou em reversão, caindo abaixo de 5% e registrando a maior queda em um único dia desde 10 de março de 2023 — o dia em que o Silicon Valley Bank implodiu.

Assim, os investidores estavam retirando dinheiro da tecnologia e direcionando-o para os Treasuries e ações não tecnológicas em um ritmo histórico.

É um sinal de que a IA está deixando algumas pessoas em Wall Street um tanto nervosas.

O que mudou?

Os títulos vinham caindo (e os rendimentos, como consequência, vinham subindo para máximas de várias décadas) por três razões principais:

  • Irã
  • A dívida crescente dos Estados Unidos
  • IA

A guerra no Irã provocou uma forte retomada da inflação, cortando o fornecimento mundial de petróleo e combustível e fazendo os preços dispararem.

Os investidores em títulos, diante da inflação em alta, passaram a exigir rendimentos maiores para compensar a parcela de seus investimentos que a inflação vinha corroendo.

Enquanto isso, a dívida dos Estados Unidos disparou para US$ 40 trilhões, e seu déficit orçamentário saltou para US$ 2 trilhões no último ano fiscal.

Políticos de todo o espectro político continuam a defender políticas populistas, incluindo redução de impostos e aumento de gastos, sem dar aos investidores qualquer esperança de que uma onda de responsabilidade fiscal tome conta de Washington em breve.

Isso significa que o Tesouro precisará continuar tomando empréstimos — em grande volume, inundando o mercado com títulos.

E os enormes investimentos em IA têm sustentado o crescimento econômico sustentado dos Estados Unidos nos últimos anos. Mas a infraestrutura necessária para alimentar a IA é cara — cerca de US$ 1 trilhão por ano e em crescimento.

As empresas de tecnologia estão captando enormes quantias de dinheiro de investidores, na forma de títulos, disputando a demanda por outras dívidas, incluindo os Treasuries.

Nada disso mudou fundamentalmente.

Na verdade, a guerra no Irã, a inflação e os problemas com a dívida podem estar prestes a piorar ainda mais. Os preços do petróleo estão nas máximas de quatro anos, e os preços dos combustíveis estão explodindo em algumas partes dos Estados Unidos.

E o presidente Donald Trump sinalizou que a custosa guerra no Irã está prestes a ganhar novo impulso após as eleições de meio de mandato.

Mesmo nesse cenário, os títulos do governo, que os investidores viraram as costas por meses, de repente voltaram a ser populares.

Recentemente, os investidores começaram a fazer perguntas sérias sobre a parte de IA desse tripé que vinha sustentando os rendimentos dos títulos. Essa perna instável da IA deixou as pessoas preocupadas.

E quando os traders ficam nervosos, eles correm para casa em busca de segurança. E o lar mais seguro do planeta oferece a segurança do dólar americano e dos Treasuries.

O que há de errado com a IA?

Se estamos no meio de uma mudança de paradigma, o ponto de virada pode ter começado com a CoreWeave.

A empresa neocloud, que aluga poder computacional para empresas de IA, é movida a dívida. Seus custos de empréstimo dispararam para impressionantes 15% no início deste mês, à medida que os investidores ficaram preocupados com suas perspectivas financeiras.

Isso supera em muito sua taxa de retorno sobre os investimentos.

Em outras palavras: a CoreWeave está perdendo muito dinheiro e pode não conseguir pagar sua dívida.

A CoreWeave pode ser um caso isolado — ou pode não ser. Uma reportagem do Wall Street Journal sobre o rascunho do pedido de IPO da Anthropic mostrou um prejuízo de quase US$ 81 bilhões no primeiro semestre de 2026 — no ritmo de superar o recorde do maior prejuízo anual já registrado por uma empresa de capital aberto (caso a Anthropic abra capital este ano).

A Meta informou que gastou US$ 2 bilhões a mais em caixa do que produziu no terceiro trimestre, fazendo suas ações despencarem 7% na quinta-feira.

Os balanços instáveis da IA levantaram questões sobre todo aquele esquema de financiamento circular que os investidores há muito questionam, mas que o setor e muitos traders varreram para debaixo do tapete.

Se cada empresa de tecnologia está investida em cada empresa de tecnologia, será que tudo isso não passa de um castelo de cartas altamente alavancado? E o que acontece quando uma dessas cartas cai?

Assim, alguns traders estão fazendo uma pausa para repensar o quanto Wall Street tem valorizado a IA — e se esses níveis de endividamento são sustentáveis.

“O que estamos vendo é uma volatilidade elevada em torno de algo que parece, se sente e cheira como uma bolha”, disse Joe Brusuelas, economista-chefe da RSM US.

O que não está claro é por quanto tempo esse esfriamento da IA vai durar.

A Nasdaq está no meio de uma queda de 6% ao longo de duas semanas, mas já passamos por esse caminho antes, com investidores ficando nervosos em torno de temporadas de resultados passadas, temendo que as empresas de tecnologia estejam gastando demais com IA — apenas para reinvestir dinheiro em ações de IA quando algumas empresas reportam sinais de demanda sustentada.

E mesmo que a bolha da IA estourasse, isso não significaria necessariamente que a economia afundaria junto com ela, observou Reilly. Cada bolha financeira tem seu próprio caráter distinto.

Nos últimos anos, economistas descreveram a economia como estando em uma “recessão rotativa”, à medida que vários setores prosperaram e outros entraram em colapso, equilibrando-se mutuamente e impedindo que toda a economia entrasse em recessão.

Desta vez pode ser o mesmo. Ou diferente. Ninguém sabe.

Então o mercado ficou um pouco fora de controle. Os rendimentos dos títulos despencaram. E o mercado de ações fez algo que só aconteceu três vezes desde 1995.

Pode ser o início de algo — ou pode ser apenas mais um obstáculo no caminho.

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Choque eleitoral deve se acomodar, mas mercado cobra compromisso fiscal

O resultado do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) surpreendeu o mercado.

A resposta veio na operação dos ativos nesta segunda-feira (26): o dólar registrou a maior alta diária em 23 anos, os juros futuros tiveram alta de quase dois pontos e a Bolsa teve de paralisar suas operações na abertura do que foi o pior pregão desde a pandemia.

Por outro lado, chama atenção um desempenho que pode soar contraintuivo: na contramão, o VIX Brasil – indicador usado como “termômetro do medo” do mercado brasileiro – chegou a cair 40% ao longo do dia. No fim dos negócios, apurava perda de 38,59%.

A reeleição de Lula para um quarto mandato pode ter frustrado as expectativas do mercado financeiro e forçado o desmonte de posições construídas em torno da tese Flávio Bolsonaro. Mas o VIX apura que a volatilidade caiu. O choque inicial ainda deve ressoar pelos próximos dias, mas o mercado deve se assentar e voltar a se pautar em fundamentos e no noticiário, seja ele corporativo ou político.

“A forte reação do mercado nesta segunda-feira reflete o fato de que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva não estava totalmente precificada pela maior parte dos agentes financeiros. Nas semanas que antecederam o segundo turno, o Ibovespa registrou expressiva alta embalado pela expectativa de que Flávio Bolsonaro sairia vencedor”, observa Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.

“Essa aposta fez com que muitos fundos e investidores institucionais se posicionassem de forma otimista para um cenário que acabou não se concretizando nas urnas, tornando o ajuste de preços não apenas previsível diante do choque de expectativas, mas também devido à urgência operacional no desmonte rápido das carteiras.”

Após o primeiro turno, o mercado viveu uma euforia que levou o Ibovespa a renovar recordes com a vitória parcial de Flávio. Comparando com a duração do primeiro movimento, Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, afirma que o pessimismo ainda deve durar “por enquanto”.

“A lua de mel do otimismo do mercado financeiro no pós-primeiro turno durou uns 15 dias aproximadamente”, relembra.

O movimento imediato de queda – pelo que Nossig chama de “liquidação forçada de posições” – tende a perder força à medida que o “choque inicial” do resultado eleitoral é absorvido, explica a analista.

A volatilidade cai à medida que as eleições acabam e sabe-se concretamente quem será o próximo presidente. A incerteza não é anulada, de modo que o mercado deve seguir buscando pistas sobre qual vai ser a postura do petista em seu próximo governo.

A expectativa gerada em torno de Bolsonaro era movida pela esperança dos investidores em uma política fiscal mais rígida. Com Lula, espera-se continuidade de uma economia pautada no impulso com gastos públicos.

Mas os analistas ouvidos pela reportagem apontam que agora, antes de concretizar novas estratégias, o mercado deve esperar para observar o que será de fato sinalizado pelo governo. Desse modo, a Bolsa deve entrar em um período de oscilação tática e consolidação de preços.

Olivia Carneiro, economista e mestre pela Universidade de Chicago, ressalta que algum resquício de especulação eleitoral deve seguir nesse período de transição de mandatos. Com um Congresso mais à direita, o mercado deve fazer os cálculos sobre a governabilidade de Lula 4 e a continuidade – ou não – de medidas de impacto para a economia.

Nesse sentido, Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, pondera sobre o impacto inflacionário que algumas propostas devem ter no próximo ciclo – e consequentemente nas expectativas do mercado -, como o fim da escala 6×1. O analista coloca também na ponta do lápis o efeito que o El Niño pode gerar sobre o preço dos alimentos.

Para além disso, Carneiro vê um cenário global ainda com muitas incertezas – como os preços de energia, a guerra no Irã e crises de dívida, inflação e juros altos por diversos países -, fazendo o mercado ficar sem novos impulsos claros e evidentes para se movimentar.

Porém, mesmo com exterior desfavorável, o Ibovespa vem conseguindo colher espólios em 2026. Apesar da queda de 13,88% na ressaca da eleição, o principal indicador do mercado acionário brasileiro acumula alta de 10,32% no ano. Desde 2023, a alta é de mais de 60%.

Ainda assim, é consenso no mercado de que o ânimo dos investidores “vai depender da postura do Lula daqui para frente”, enfatiza Olivia Carneiro.

Construir credibilidade fiscal junto do mercado financeiro vai requisitar do presidente mais do que discurso, segundo Alex Agostini. Ele nota que “nada será suficiente” para os agentes econômicos sem a indicação de um nome forte e vindo de fora do Partido dos Trabalhadores para o Ministério da Fazenda.

A novo chefe da equipe econômica deverá ser alguém “técnico e pró-mercado”, resume.

“Para que haja trégua, precisa indicar nome forte à Fazenda. Não só ortodoxo, mas um aristocrata, que conhece as demandas do mercado financeiro e do setor privado. E para que a credibilidade seja duradoura, o governo vai ter de formar corpo junto do centrão para aprovar suas medidas”, pontua o economista-chefe da Austin.

Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco

 

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