Fitch mantém rating de França mas reduz perspectiva de estável para negativa

A agência de notação financeira Fitch Ratings reviu em baixa a perspetiva da classificação de crédito da França, de estável para negativa, mantendo o rating soberano em A+, numa decisão que reflete o agravamento das contas públicas e o aumento dos custos de financiamento do Estado francês.
Numa nota divulgada esta sexta-feira, a Fitch justificou a alteração da perspetiva com a deterioração das condições económicas e orçamentais desde a última revisão, em agosto. A agência aponta para um crescimento económico mais fraco, custos de financiamento mais elevados e défices orçamentais superiores ao anteriormente esperado, fatores que estão a pressionar a trajetória da dívida pública.
A decisão surge numa altura em que França enfrenta desafios económicos e sociais crescentes, associados ao elevado endividamento e ao aumento dos encargos com juros. De acordo com as projeções da Fitch, os pagamentos de juros deverão subir para 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2028, face aos 2,5% do PIB estimados para 2025.
A agência prevê ainda que o défice orçamental francês atinja 5,5% do PIB em 2027, refletindo uma perspetiva de crescimento mais débil e os riscos de concessões adicionais durante o processo de negociação do orçamento.
Apesar do agravamento da perspetiva, a Fitch manteve a classificação A+, sustentada pela dimensão e diversificação da economia francesa, pelo elevado nível de rendimento, pela robustez das instituições, pela pertença à zona euro e pela resiliência do setor bancário.
A revisão da Fitch surge uma semana depois de a Moody’s ter mantido a classificação soberana da França em Aa3, igualmente com perspetiva negativa, sinalizando preocupações persistentes das agências de rating quanto à evolução das finanças públicas do país.
A Fitch indicou que a próxima revisão da classificação francesa deverá ocorrer até ao final de fevereiro de 2027, o mais tardar.