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Quando a IA deixa de ser uma ferramenta e começa a mudar o negócio

Experimentar e transformar são coisas diferentes. Uma equipa automatiza relatórios, outra cria um assistente para clientes e outra testa agentes de IA. Cada iniciativa pode gerar valor, mas a sua soma não é, por si só, uma estratégia de IA.

A adoção da IA nas organizações tende a evoluir por etapas. Primeiro, transforma tarefas: a análise fica mais rápida, o conteúdo mais barato e o trabalho administrativo mais simples. Depois, transforma workflows: as tarefas recombinam-se, as responsabilidades alteram-se, e as pessoas passam a supervisionar processos parcialmente executados por máquinas. A terceira etapa é a estratégica: a IA muda a forma como os clientes pesquisam, escolhem e compram e, com isso, o modelo de negócio pode começar a mudar.

O retalho é um bom exemplo. Durante décadas, empresas como a Amazon ganharam força ao reunir descoberta, comparação, transação e entrega. Os agentes de IA podem voltar a separá-las. Imaginemos um consumidor a pedir a um agente de IA: “Encontra-me os melhores ténis de corrida até 150 euros, compara as opções e compra o melhor par.” O retalhista continua a ter o produto e a assegurar a entrega, mas outro ator passa a influenciar o momento mais valioso: decidir o que comprar. Isto já tem peso económico: o tráfego enviado por IA para retalhistas cresce rapidamente, e a própria Amazon já investe fortemente em compras com agentes.

A questão vai além do uso interno nas empresas: os líderes têm de perceber como a IA pode mudar a relação com os clientes, que atividades se tornam commodities e onde estará a vantagem competitiva.

Escalar a IA exige, por isso, responder a três perguntas: onde pode a IA melhorar a eficiência hoje? Que workflows devemos redesenhar a seguir? E que partes do modelo de negócio poderá a IA transformar amanhã?

Aqui a conversa passa da tecnologia para a estratégia. Os líderes têm de decidir que capacidades querem manter internamente, e quais “comprar”, onde o julgamento humano continua a ser indispensável, e que posições no seu ecosystem não podem perder.

As competências também contam. Saber escrever prompts já não chega: é preciso saber quando confiar na IA, quando a questionar e como combiná-la com o julgamento humano. Enquanto Diretor Académico do The Lisbon MBA Católica|Nova, vejo-o refletido no ensino da gestão: a IA deve servir não só para aumentar a produtividade, mas para desafiar os alunos, enquanto líderes, a questionar resultados, comparar alternativas e justificar melhor as suas decisões. Compreender a tecnologia é importante, mas a sua maior responsabilidade será redesenhar organizações e decidir onde a IA deve, ou não, transformar o negócio.

É também, por isso, que o número de projetos-piloto deixa de ser uma boa medida de maturidade, se não for acompanhado de uma estratégia clara. A vantagem duradoura não será das organizações com mais pilotos, mas das que avançarem deliberadamente das ferramentas para os processos e destes para as escolhas de modelo de negócio.

As ferramentas continuarão a mudar. A verdadeira tarefa estratégica é perceber o que deve mudar com elas, e o que deve permanecer distintivamente seu.

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Vicente Capela leva a bandeira de Portugal ao Super Heat das IAME Warrior Finals 2026

O piloto de Beja enfrenta uma grelha de 105 pilotos na X30 Júnior e supera as dificuldades com dois resultados no Top 10 nas suas melhores mangas de qualificação.

Levar a bandeira de Portugal às pistas internacionais é motivo de orgulho e responsabilidade para Vicente Capela. O piloto português, natural de Beja, esteve em pista este fim-de-semana nas IAME Warrior Finals 2026, disputadas no Leopard Circuit, em Viterbo, Itália, onde enfrentou outros 104 pilotos na categoria X30 Júnior.

Chuva e dificuldades não travaram a ambição do piloto português

A jornada italiana começou com dificuldades nas duas primeiras mangas de qualificação, disputadas sob a chuva que atingiu a região de Viterbo. Com a pista molhada, as condições exigiram atenção redobrada, capacidade de adaptação e uma leitura rigorosa de cada momento da corrida, além da necessidade de responder aos ataques dos adversários na luta por posições em pista.

Resultados de destaque

A resposta surgiu nas duas mangas de qualificação seguintes. Com uma prestação marcada pela capacidade de superação, Vicente Capela (Patrocinadores: Clinibeja / Equipa: Premium Karting / Preparador de motores: S Sport Engines / Mecânico: André Rodrigues / Chassis: Lando Norris) terminou uma das corridas no Top 10 e alcançou o 8.º lugar na seguinte.

Estas duas prestações confirmaram a competitividade do piloto português e mantiveram viva a ambição de avançar para a fase decisiva da competição.

13 ultrapassagens o Super Heat

Os resultados garantiram a presença de Capela no Super Heat 2, embora com uma tarefa exigente pela frente, uma vez que arrancou da 15.ª linha da grelha de partida. Após uma primeira volta bastante atribulada, marcada por vários toques entre os pilotos que seguiam à sua frente, acabou por perder mais posições, o que o obrigou a iniciar uma nova recuperação num pelotão extremamente competitivo.

Depois de cair para o fundo do pelotão, o piloto encetou uma recuperação, ultrapassou vários adversários e cortou a meta na 19.ª posição, depois de concretizar 13 ultrapassagens e demonstrar a sua capacidade de reação. Este resultado marcou o final da participação do piloto de Beja em Viterbo.

“Não era o resultado que pretendíamos. Apesar do forte ritmo e das excelentes recuperações que conseguimos na sexta-feira e no sábado, o grande objetivo de garantir o apuramento para a final acabou por não ser alcançado. Esta semana foi uma experiência de aprendizagem extraordinária, numa competição contra mais de 100 pilotos de todo o mundo na categoria Júnior. Demonstrámos velocidade, garra e uma enorme capacidade de superação. Deixo um agradecimento profundo à equipa PREMIUM Karting, ao meu mecânico André e à nossa estrutura de preparação de motores, S SPORT Engines”, destacou Vicente.

À espera de novos desafios

O piloto português promete escrever novos capítulos ainda esta temporada, a levar consigo a vontade de voltar a lutar por resultados expressivos. Com resiliência, ambição e o apoio dos seus apoiantes, Capela mantém o foco nos próximos desafios, determinado a continuar a evoluir e a honrar as cores de Portugal no automobilismo.

Texto por Kako Marques / KMCom Assessoria

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