O Ministério dos Negócios Estrangeiros acaba de confirmar a morte de um cidadão de nacionalidade portuguesa, do sexo masculino, no acidente ferroviário de Urda, em Espanha.
De acordo com a informação disponibilizada esta sexta-feira, este português era membro da tripulação de um dos comboios envolvidos no acidente que tem já confirmadas 69 vítimas mortais.
“Portugal lamenta profundamente as mortes e feridos deste trágico acidente em Espanha, reforçando as mais sentidas condolências aos familiares das vítimas e com solidariedade para o povo e autoridades espanholas”, acrescenta o Ministério na mesma nota.
O choque de comboios ocorrido na quarta-feira em Urda, Toledo, a cerca de 150 quilómetros a sul de Madrid, ocorreu após uma falha técnica e uma série de erros dos operadores do centro de controlo da circulação na rede de alta velocidade espanhola, segundo as gravações divulgadas pelos jornais do país vizinho.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, já prometeu que serão esclarecidas “até ao último detalhe” as causas do acidente. O primeiro-ministro garantiu ainda um reforço de segurança “para que não volte a acontecer”.
Ema Leitão, diretora executiva da Transportes Nogueira (TN), que conta com mais de 300 trabalhadores, é a vencedora da 9ª edição do ‘Prémio BPI Empresária’, que visa reconhecer o percurso profissional de mulheres portuguesas e “dar visibilidade à liderança empresarial no feminino”.
A gestora da transportadora de Vila Nova de Famalicão, que recebeu o prémio das mãos de Gonzalo Gortázar, CEO do CaixaBank, pertence à terceira geração desta empresa familiar fundada em 1968. É também presidente da ANTRAM, tendo sido a primeira mulher a liderar esta associação que representa o setor do transporte rodoviário de mercadorias.
Licenciada em Economia pela Universidade do Porto (FEP) e com um Programa Executivo de Marketing Management no IPAM, Ema Leitão, 44 anos, iniciou a carreira com estágios na Auto-Sueco e na Galp Energia. Mãe de três filhos, entrou no negócio da família em 2006 e ascendeu à direção executiva em 2023. É também acionista e administradora de outras empresas do Grupo TN Investimentos.
“Vejo [este prémio] não como uma distinção individual, mas como o reconhecimento de todos os que me são mais próximos e me têm acompanhado ao longo deste percurso. É um prémio que partilho com a equipa da TN, que veste a camisola todos os dias, e com a minha família, que me transmitiu os valores essenciais que também procuro passar aos meus filhos”, afirma Ema Leitão, distinguida numa gala em Madrid que assinalou os 10 anos do ‘CaixaBank Premio Empresaria’.
Na galeria das vencedoras do ‘Prémio BPI Empresária’, a empresária nortenha sucede a Sandra Tavares Silva, da Wine & Soul (2025), Paula Roque, da Revigrés (2024), Cláudia Azevedo, do Grupo Sonae (2023), Isabel Azevedo, do Grupo Fricon (2022), Sandra Santos, da BA Glass (2021), Isabel Furtado, do Grupo TMG (2020), Manuela Medeiros, da Parfois (2019), e Leonor Freitas, da Casa Ermelinda Freitas (2018).
Especializada nas áreas da iluminação natural, ventilação, desenfumagem, eficiência energética e sustentabilidade dos edifícios, com aplicações sobretudo no setor industrial, a Chatron está a avançar com um investimento de cinco milhões de euros para a construção de uma nova fábrica em Oliveira de Azeméis, para reforçar a capacidade produtiva e industrializar as três novas soluções desenvolvidas num projeto de investigação e desenvolvimento (I&D).
O fundador e CEO Carlos Brandão adianta ao ECO que a operação nesta nova unidade com 1.350 metros quadrados (m2) vai arrancar até ao início do próximo ano e criar 15 postos de trabalho qualificados para “transformar o I&D em capacidade industrial”. Prevê que a inaugural será “suficiente durante dois anos”, mas, a projetar uma futura expansão, já reservou ao lado um lote de 3.000 m2.
Este investimento industrial é o “resultado direto” de projetos de I&D iniciados há dois anos em colaboração com o instituto de investigação Itecons, pertencente à Universidade de Coimbra. Os primeiros dois produtos (AirLight e LightVent) saídos desse projeto vão ser fabricados na unidade oliveirense, onde prevê juntar o “topo de gama” Ecotunnel — “com requisitos muito mais apertados em termos de desempenho técnico, acústico, de inteligência” — no outono de 2027.
“Temos uma expectativa muito grande de que são produtos que vamos também exportar, usando a mesma rede de parceiros do tubo solar”, sublinha o empresário nortenho, licenciado em Engenharia Eletrotécnica pela FEUP (Universidade do Porto), em referência ao principal produto da empresa. Desenvolvidos em 2009 e fabricados em Vale de Cambra, onde atualmente produz mais de 2.500 unidades por ano com 18 trabalhadores, os tubos solares da Chatron são vendidos para mais de 15 países.
Carlos Brandão, CEO da Chatron
Embora também os comercialize para casas, é para as empresas que mais vende estes tubos solares, já instalados em mais de uma centena de indústrias, como as da Nestlé, Corticeira Amorim ou Delta, em supermercados do Continente ou no novo Pavilhão Multiusos de Vila Nova de Gaia. Na Polónia tem vários instalados em lojas da Ikea ou nas fábricas do grupo alimentar Intersnack. Nos Países Baixos, só no ano passado colocou-os em mais de 15 instalações de criação de porcos, ao passo que na Grécia tem um distribuidor mais dedicados a materiais de construção.
Com mais de 60% da produção destinada à exportação, estes são os três mercados externos mais importantes para a empresa detida por Carlos Brandão e pela mulher, que este ano vai ultrapassar os dois milhões de euros de volume de negócios. Com a fábrica em Oliveira de Azeméis e os três novos produtos, o também presidente da Associação Empresarial de Vale de Cambra e Arouca aponta ao objetivo de atingir os cinco milhões de euros de faturação daqui a três anos.
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O “grande salto” no negócio, mas que pode tardar cinco anos, será a entrada nos EUA, para que diz estar a ser “muito desafiado”. “Estamos aqui na corda bamba, mas não está ainda a decorrer por causa do Trump. Os produtos têm de ser todos certificados e homologados – temos isso para a Europa e muitos dão para o resto do mundo, mas os EUA são uma realidade à parte. Precisamos de tempo porque é preciso repetir lá alguns ensaios”, explica. Só para isso, o investimento pode ascender a 200 mil euros, além de obrigar a ter uma equipa local “bem preparada”.
Brandão chateia-se com “incómodos” fundos
O “primeiro patrão” de Carlos Brandão foi o histórico empresário Ludgero Marques, que presidiu à Associação Empresarial de Portugal (AEP) durante 23 anos e que morreu no final de agosto aos 88 anos. Trabalhou na fabricante de torneiras e de cerâmica Cifial durante três anos até passar para uma empresa de climatização para ganhar experiência nessa área. Foi nesse ramo que montou a empresa em 1998 e depois lhe mudou “um bocado o rumo, porque andava a instalar produtos de outros e queria trilhar um caminho próprio”.
Volvidas quase três décadas, mantendo a sede em Arouca de onde é originário e “onde tudo começou”, mas desde há pouco mais um ano ‘arrumada’ no chamado Grupo MercuryVision, a Chatron está a ser “muito assediados por fundos”. “A pressão é muito grande, mas não estamos muito interessados nesta fase porque temos um potencial grande para crescer e podem querer entrar por verem que a empresa é lucrativa e quererem tirar retorno a curto prazo — e não queremos isso”, indica.
Cheguei a um ponto em que me chateei mesmo. São incómodos. Acho que o dinheiro está fora dos bancos e anda para aí nos fundos, que andam a ver onde é que há potencial de lucro e fazem demasiada pressão. Para já, vou resistir.
“Já tive várias reuniões, mas cheguei a um ponto em que me chateei mesmo. São incómodos. Já disse ‘não’ e eles insistem, mandam cartas… Não sei o que está a acontecer. Acho que o dinheiro está fora dos bancos e anda para aí nos fundos, que andam a ver onde é que há potencial de lucro e fazem demasiada pressão”, desabafa. “Para já, vou resistir. Se não tivesse os filhos, se calhar metia muito dinheiro ao saco e partia para outra [risos]. Mas também tenho o bichinho de fazer coisas novas. Dá-me gozo. Se não desse, também já não estava aqui”, completa.
Dos quatro filhos, dois trabalham no grupo familiar: um engenheiro eletrotécnico há três anos; e uma economista que entrou agora para ajudar a desenvolver precisamente esta unidade de Oliveira de Azeméis, após trabalhar numa multinacional. Em agosto, numa publicação feita no LinkedIn com o título “Nem todas as empresas estão à venda”, já tinha expressado o incómodo pela “frequência e, por vezes, agressividade com que empresários são abordados por investidores, intermediários ou representantes de fundos interessados em entrar no capital das suas empresas”.
“O problema começa quando uma abordagem deixa de ser uma proposta e passa a ser pressão. Emails sucessivos, telefonemas insistentes, pedidos de reunião repetidos, tentativas de obter uma resposta como se o empresário tivesse obrigação de explicar porque não está interessado. E não tem. Uma empresa não está à venda apenas porque alguém decidiu que gostaria de a comprar”, escreveu Carlos Brandão nesta rede social.