Garrafas de leite e refrigerante vazias agora podem ser transformadas em material para impressão 3D, graças a um designer gráfico argentino que encontrou uma forma de derreter o lixo plástico e transformá-lo em filamentos.
Francisco Martinenghi, 34, começou a reciclarembalagens PET de sua casa em Neuquén, a maior cidade da Patagônia argentina. Hoje, seu projeto Punto Verde Gráfico já consegue extrair 11,5 metros de filamento – o suficiente para alimentar processos de impressão por até sete horas – de uma única garrafa de 2,25 litros.
Os resíduos são separados por cor e produzem materiais vibrantes sem precisar de tingimento. “É o mesmo plástico que se reinventa e não gera plástico novo. […] Esta é a economia circular aplicada a gráficas reais”, descreve em sua página no Instagram. Segundo Martinenghi, este é o ápice de uma carreira de sete anos no design, hoje voltada a ajudar o meio ambiente.
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Ao Neuquén Informa, jornal local argentino, ele contou que foi inspirado pelo volume de resíduos gerados pela impressão 3D, indústria cada vez mais popular. “Comecei a ver tantos resíduos de vinil, plástico, tinta, que comecei a sentir que isso tudo não poderia só ir para o lixo”, diz.
Francisco começou a fazer experimentos em casa, adaptando sua própria impressora e coletando materiais descartáveis: “A curiosidade me levou a investigar como fazer, o quão sustentável poderia ser.”
O próximo passo é converter o projeto em uma marca, comercializando produtos impressos com os filamentos reciclados. Nas redes sociais, já foi divulgado o primeiro lançamento: um chaveiro sustentável.
O empreendedor ganhou apoio de um programa de financiamento estadual e direcionará os fundos para adquirir mais máquinas e aumentar o volume produzido, além de contratar colaboradores. “Já estou em busca de uma trituradora industrial, uma extrusora de filamento maior e uma cortadora a laser. Espaço e trabalho são, hoje, o mais necessário”, disse.
Entre os picos gêmeos da montanha de Maisan, no oeste da Coreia do Sul, está escondido um templo decorado com mais de 80 pilhas de pedra. Algumas são menores, compostas por colunas únicas de rochas equilibradas que desafiam a ação dos ventos; outras têm mais de toneladas de pedras acumuladas e atingem alturas de até 15 metros.
Todas elas foram construídas por um único homem: o eremita coreanoLee Gap-Yong, que empilhou cada pedrinha ao longo de três décadas como parte de um ritual de reflexão e espiritualidade.
A história do templo de Tapsa
Preservado até hoje como ponto turístico pelos monges budistas da ordem Taego, o pequeno templo começou a ser construído em 1885. Um eremita solitário subiu a montanha de Maisan, no estado de Jeonbuk, para meditar no vale entre seus dois picos.
Na tradição budista, empilhar rochas é uma forma de meditação ativa. A construção dos chamados “pagodes” ou torres de pedra é uma forma de pedir boa sorte e exercitar o equilíbrio e atenção plena.
De acordo com o abade do templo, Jinseong, em entrevista de 2024 ao veículo Cheongpung News, “enquanto Lee Gap-yong empilhava cada pedra, ele rezava pela independência da nação e pela salvação do povo”. Para o monge, “os misteriosos pagodes construídos com pedras representam a cristalização dos desejos e da prática espiritual de inúmeras pessoas.”
Na época, o território coreano, ainda unificado, estava sob influência japonesa e também era visado pela China. Só na década de 1880 foi criada a Taegeukgi, a bandeira nacional coreana, para reafirmar a soberania do país.
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O trabalho do eremita começou quando tinha apenas 25 anos e estendeu-se até 1917, mais de três décadas depois. Estima-se que ele tenha construído acima de 100 torres de pedra, e cerca de 80 sobrevivem até hoje.
“A questão mais frequente sobre as torres é: como elas podem continuar preservadas, sem colapsar?”, contou o abade Jinseong. “É prova de que Lee Gap-Yong não as construiu só por fazer. Ele as construiu com consciência dos ângulos do vento, da direção na qual ele desce e onde ele se curva e sobe novamente. É uma ciência viva, uma torre que reflete por completo a providência da natureza.”
Como foram construídas as torres de pedra?
Segundo uma investigação do canal televisivo Channel News Asia, as torres começavam com uma base circular plana. Depois, novas pedras eram adicionadas dentro do círculo. O terceiro passo era equilibrar outras rochas por cima do círculo, formando uma pirâmide cônica.
A maioria das pedras era retirada da própria montanha e dos arredores, mas as rochas maiores foram trazidas de leitos de rios e outras regiões da Coreia. Entre elas, outras menores eram posicionadas para aumentar a estabilidade.
Nenhuma ferramenta ou argamassa foi utilizada para construir os pagodes. Diferente de outras torres de pedras comuns na tradição budista, o formato natural de cada peça era preservado, exigindo maior atenção ao equilíbrio e maior planejamento de encaixe.
17 de ago. de 2026
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O local só foi convertido em templo budista depois da conclusão do trabalho de Lee, que também se formou monge na velhice.
Tapsa está aberta à visitação, localizada dentro do Parque Provincial de Maisan. Nos arredores, trilhas repletas de natureza também atraem turistas. A primavera coreana, entre março e abril, é o momento mais propício para visitação: é quando florescem as famosas árvores cerejeiras, tingindo a paisagem de cor-de-rosa.
Após um período de retração nos preços, 21% registrados entre 2022 e 2025, os mercados agrícolas devem enfrentar dois anos de alta nos preços internacionais.
A combinação de conflitos geopolíticos, custos elevados da energia com alta do barril de petróleo, restrições logísticas além dos riscos climáticos com a previsão do El Niño forte deve reduzir a oferta de alguns produtos e sustentar as cotações em 2026 e 2027 e impactar os preços.
A avaliação é do Banco Mundial e está no relatório “Commodity Markets Outlook” divulgado em outubro.
As projeções do banco indicam que os preços dos alimentos devem acumular alta de aproximadamente 18% no período. Sendo 10% em 2026 e mais 7% em 2027.
No mercado de grãos o impacto deve ser maior. A estimativa apresentada no relatório é de valorização de 14% neste ano e mais 9% no próximo. Ou 23% em dois anos.
Caso haja uma intensificação dos conflitos geopolíticos e perdas de safra ficarem acima do esperado, por cauda do El Niño, esses indices poderão ser ainda mais altos. Com os preços dos alimentos disparando 12% a mais e as cotações dos grãos 20% acima dessa referência.
O trigo está entre os produtos com maior impacto na alta dos grãos
O Banco Mundial projeta avanço de 28% em 2026 e mais 14% em 2027 para o trigo por causa da redução da produção mundial e dificuldades de exportação de importantes fornecedores.
A produção global deve ser 3% menor na safra 2026/2027. No Estados Unidos a redução projetada é de 23%; no Canadá queda de 12%, na Austrália queda de 25% na produção.
A oferta mundial também sofre influência das dificuldades logísticas por causa das tensões no Mar Negro. A região é estratégica para o comércio internacional de grãos, especialmente o trigo.
Para o milho o relatório projeta um aumento de 10% nos preços em 2026 e de mais 5% em 2027; e redução de aproximadamente 3% na produção mundial.
Para a soja, o cenário combina valorização das cotações e demanda crescente por matérias-primas destinadas à produção de biocombustíveis. Mesmo com a perspectiva de uma safra global recorde, os preços da oleaginosa devem subir 18% em 2026 e mais 5% em 2027.
O movimento tende a ser mais intenso nos derivados. Para o farelo, as estimativas são de valorização de 18% e 10%, respectivamente.
E para o óleo de soja tem alta projetada de 39% neste ano e de 11% em 2027. O desempenho dos preços dos óleos vegetais está diretamente relacionado à demanda por biocombustíveis. Com os preços da energia, e do petróleo, mais elevados aumenta a competitividade de matérias-primas agrícolas utilizadas na produção dos combustíveis renováveis.
O óleo de palma também deve acompanhar esse movimento, com aumentos projetados de 14% em 2026 e 10% em 2027.
O Banco Mundial destaca que a disponibilidade global de grãos na safra 2026/27 deve ser a segunda maior já registrada. E essa oferta pode limitar a intensidade das altas.
Bebidas: Café e Cacau
Em contraponto à alta generalizada dos grãos para o setor de bebidas o Banco Mundial aponta o recuo de 24% nos preços das soft commodities este ano e leve alta de 3% em 2027.
A acomodação dos preços se deve a recuperação das safras, da maior oferta global de café e cacau, após um ciclo de preços historicamente elevados provocados pela redução da oferta da matéria-prima no mercado internacional.
As incertezas com o El Niño
Além dos conflitos e das restrições comerciais, o clima aparece como um dos principais fatores de risco para o mercado agrícola.
O Banco Mundial alerta para a possibilidade de um El Niño muito intenso, com potencial para comprometer a produção de diferentes commodities agrícolas. A combinação entre eventos climáticos adversos e dificuldades de transporte pode ampliar a pressão sobre a oferta mundial.
O relatório trabalha com um cenário-base que não considera uma intensificação significativa dos conflitos que afetam o abastecimento global. Entretanto, caso ocorram simultaneamente uma escalada das tensões no Oriente Médio, novas interrupções no comércio de grãos pelo Mar Negro e um El Niño mais severo, os preços dos alimentos poderão ficar 12% acima do projetado no cenário de referência em 2027.
Nesse cenário adverso, o petróleo do tipo Brent, pode se manter na média de US$ 105 o barril no próximo ano.
Energia e fertilizantes ampliam a pressão sobre os custos
Para o produtor rural, o cenário exige atenção não apenas às cotações das commodities, mas também à evolução dos custos de produção.
O relatório projeta aumento médio de 14% nos preços dos fertilizantes em 2026. A valorização reflete, principalmente, a alta registrada pela ureia no início do ano. Para 2027, a expectativa é de retorno dos preços aos níveis de 2025, com a redução dos custos de energia e a melhora da disponibilidade de amônia e enxofre.
A energia é outro componente relevante dessa equação. O Banco Mundial estima alta de 32% nos preços do segmento energético em 2026, revertendo três anos consecutivos de queda. O petróleo Brent deve alcançar média de US$ 91 por barril, ante US$ 69 em 2025. Para 2027, a projeção é de recuo para US$ 79.
A elevação dos combustíveis tem efeito sobre toda a cadeia agropecuária, do transporte de insumos e produtos agrícolas às operações de máquinas e equipamentos. Quando persistente, também pressiona os custos de produção e a logística de comercialização.
A conclusão do Banco Mundial é que a trajetória das commodities agrícolas não depende exclusivamente do volume produzido nas safras. Custos com energia, fertilizantes, logística, transporte internacional e condições climáticas terão influência direta sobre a formação dos preços.
Estimativas para o Brasil
Para o Brasil, que é um importante produtor e exportador de alimentos, o banco destaca que a valorização internacional nos preços das commodities pode representar oportunidades de aumento nas receitas. Porém, o efeito sobre a rentabilidade dependerá da relação entre preços de venda, custos de produção, câmbio e disponibilidade de insumos.
A perspectiva de uma oferta global ainda elevada de grãos também merece atenção. Mesmo com a valorização projetada para soja, milho e trigo, a existência de estoques e a capacidade de produção de grandes fornecedores podem limitar movimentos mais intensos.
O cenário, portanto, combina perspectiva de preços internacionais mais altos com riscos relevantes para a produção e a comercialização.
Para o agronegócio, acompanhar a evolução dos custos e das condições de oferta será tão importante quanto observar as cotações nas bolsas internacionais.
Sir Pat Stew's collaborator on his 2023 memoir, 'Making It So,' retraces the late actor's unlikely second act, plucked from the Shakespearean stage and placed at the helm 'USS Enterprise' — and a nonpareil Hollywood career.
Vender uma empresa exige mais do que acordar o preço. É preciso preparar as equipas para a mudança. Entre o medo do futuro e a preservação da cultura, a comunicação torna-se decisiva
Em 29 de outubro de 1901, por volta das sete horas da manhã, um prisioneiro foi levado de sua cela na Prisão de Auburn em Nova York para uma câmara de execução. Sentou-se na cadeira elétrica e, enquanto tinha os eletrodos conectados à sua pele e as tiras amarradas em suas pernas, declarou:
“Eu matei o presidente porque ele era o inimigo do bom povo trabalhador. Não me arrependo do meu crime.” E terminou: “Lamento não ter podido ver meu pai.”
O homem passou o próximo minuto recebendo choques elétricos com tensões entre 1.800 e 300 volts. Seu óbito foi decretado pelos médicos presentes quatro minutos depois. Foi executada com sucesso a pena capital de Leon Czolgosz, assassino do 25º presidente dos Estados Unidos.
Como foi o ataque a William McKinley?
53 dias antes, o político de carreira William McKinley cumprimentava seus apoiadores em uma feira de inovação em Buffalo, Nova York. Seis meses após ser reeleito presidente dos Estados Unidos, o republicano no auge de sua popularidade passou a priorizar o contato com o público, abrindo lugar na agenda para ir a eventos como aquele.
Seu secretário não gostava tanto da ideia. George B. Cortelyou sabia da aversão de McKinley a sair com equipes de segurança e considerava a Exposição Pan-Americana no Temple of Music um grande risco para a integridade do estadista.
Mas a vontade do presidente foi feita, e às 16h de 6 de setembro de 1901, William McKinley estava parado em frente a uma fila de pessoas que aguardavam para apertar sua mão.
William McKinley 25º Presidente dos EUA • Getty Images
Finalmente, chegou a vez de Leon Czolgosz. No livro ‘The President and the Assassin’, o jornalista Scott Miller reconta a cena: um homem aparentemente calmo estende a mão direita, coberta por um pano, em direção ao presidente.
O político estende a mão de volta, como havia feito com todos os presentes até então. Em vez de um cumprimento, William McKinley é surpreendido com duas balas de revólver calibre .32, à queima-roupa no abdome.
Czolgosz foi contido por agentes de segurança antes de conseguir disparar o terceiro tiro. A feira tornou-se um caos, e o republicano foi levado às pressas para um hospital, onde passou por cirurgia.
Scott Miller conta que, enquanto uma das balas passou de raspão, outra penetrou o corpo do presidente e nunca foi encontrada.
McKinley não morreu de imediato. Ele parecia estar fazendo boa recuperação até que, seis dias depois, sua condição piorou. Em 14 de setembro, o presidente morreu por consequência de gangrena, atribuída a uma infecção bacteriana que passou despercebida pelos médicos.
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Esta era a terceira morte de um líder do Estado norte-americano por assassinato em menos de 50 anos; James Garfield e Abraham Lincoln haviam sido mortos a tiros em locais públicos de Washington, D.C., em 1881 e em 1865, respectivamente.
Duas mudanças importantes ocorreram após o crime: o então vice-presidente Theodore Roosevelt iniciou o primeiro de seus dois mandatos, e o Congresso americano formalizou a atuação do Serviço Secreto, que agora forneceria agentes para acompanhar o presidente 24 horas por dia.
Quem foi Leon Czolgosz e qual foi sua motivação?
Leon F. Czolgosz era um jovem operário de 28 anos, nascido em Detroit, Michigan, e filho de imigrantes poloneses. Trabalhador braçal, atuou principalmente em fazendas e fábricas, enfrentando dificuldades financeiras desde a infância.
Criado como católico, ele abandonou a religião e voltou-se para a ideologia política depois da crise econômica da década de 1890. Ele encontrou motivação na doutrina anarquista após assistir a um discurso da ativista Ana Goldman, em maio de 1901.
Scott Miller afirma em seu livro que, durante depoimento à polícia, Czolgosz atribuiu ao anarquismo a decisão de matar o presidente.
Haviam milhares de pessoas na cidade na terça-feira [3 de setembro de 1901]. Ouvi que era Dia dos Presidentes. Todas aquelas pessoas pareciam estar se curvando diante de seu grande líder. Eu coloquei na cabeça que iria matar aquele líder.”]Estava no meu coração, não havia como fugir. […] Haviam milhares de pessoas na cidade na terça-feira [3 de setembro de 1901]. Ouvi que era Dia dos Presidentes. Todas aquelas pessoas pareciam estar se curvando diante de seu grande líder. Eu coloquei na cabeça que iria matar aquele líder.
”Leon
Após um julgamento sumário que durou cerca de oito horas e meia, Czolgosz foi condenado por assassinato em primeiro grau.
Encenação da execução de Leon Czolgosz foi filmada pela produtora de filmes de Thomas Edison • Wikimedia Commons
“Execução de Czolgosz com panorama da Prisão de Auburn”, o filme
Uma consequência inusitada da morte do assassino de McKinley foi a produção de um curta-metragem pela Edison Studios, a produtora de cinema do inventor Thomas Edison.
Em pouco menos de três minutos e meio, o filme combina gravações externas reais do exterior da prisão no dia da execução e uma encenação da própria pena capital, com cadeira elétrica falsa e um ator interpretando o prisioneiro.
A Chinese businesswoman who had a close relationship with Nvidia chief Jensen Huang was suspected of passing intelligence to Beijing. Donald Trump’s reaction is under scrutiny.
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O Governo prepara novos apoios à compra de carros elétricos em 2027. Os incentivos vão abranger a população em geral, mas há condições especiais para as famílias mais vulneráveis. Quanto poderá pagar o Estado e quem vai poder beneficiar? Saiba mais, neste episódio do Economia dia a dia, podcast diário do Expresso
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Em 29 de outubro de 2004, a divulgação de um vídeo inédito alterou os rumos da política internacional e da corrida presidencial nos Estados Unidos. Após passar três anos escondido e sem aparecer em registros visuais, Osama bin Laden reapareceu publicamente para confirmar, pela primeira vez de forma explícita e inequívoca, que havia planejado e ordenado os ataques de 11 de setembro de 2001.
A gravação surgiu a apenas quatro dias da eleição entre George W. Bush e John Kerry, tornando-se o fato conhecido como a “Surpresa de Outubro” naquele pleito.
As justificativas e a estratégia do discurso
Ao se dirigir diretamente aos eleitores americanos, o líder da Al-Qaeda rebateu alegações do governo dos EUA de que o atentado teria ocorrido porque o grupo “odiava a liberdade”, questionando por que países como a Suécia não haviam sido atacados.
Osama bin Laden afirmou que o 11/9 foi uma retaliação ao apoio americano à invasão do Líbano por Israel em 1982 e explicou que a estratégia central do grupo era induzir os EUA a intervenções militares dispendiosas para “sangrar” o país financeiramente.
No mesmo pronunciamento, ironizou a reação do presidente George W. Bush no dia dos atentados — enquanto este permanecia ouvindo a leitura do livro The Pet Goat em uma escola — e acusou a administração americana de abrir frentes de conflito para beneficiar corporações dos setores petrolífero e de armamentos.
Bastidores da inteligência e a opinião pública
Embora a confissão pública em vídeo só tenha ocorrido três anos depois, os órgãos de inteligência já conheciam a autoria dos atentados desde o dia do ataque.
Na noite de 11 de setembro de 2001, por volta das 21h30, o diretor da CIA, George Tenet, informou Bush de que o Centro de Contraterrorismo atribuía a ação a bin Laden e à Al-Qaeda, suspeita anotada pelo próprio presidente em seu diário pessoal naquela noite. Além disso, interceptações de comunicações realizadas no próprio dia pela NSA e pela inteligência alemã já apontavam para a organização extremista.
Apesar dessas constatações e de o governo ter declarado publicamente em 2003 que não havia evidências da ligação de Saddam Hussein com o 11/9, a opinião pública americana permaneceu confusa.
Uma pesquisa do Washington Post realizada dois anos após os ataques revelou que 69% dos americanos acreditavam no envolvimento pessoal do líder iraquiano e 82% achavam que ele havia prestado assistência a bin Laden — percepção influenciada pelo uso do impacto emocional dos ataques para mobilizar apoio à Guerra do Iraque.
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O impacto decisivo nas eleições americanas de 2004
A aparição surpresa do vídeo na reta final da campanha de 2004 definiu o debate político. O pronunciamento colocou a segurança nacional e a Guerra ao Terror no centro da atenção dos eleitores. Integrantes da campanha do candidato democrata John Kerry relataram que tentaram evitar que o pleito se tornasse uma eleição focado no 11 de Setembro, mas o vídeo selou essa pauta.
Posteriormente, o próprio Kerry declarou acreditar que a gravação divulgada às vésperas da votação custou sua eleição à presidência.
Prime minister claims Arab Israeli parties used foreign backing to steal elections, in which his coalition lost its majority
Benjamin Netanyahu has been accused of using smear tactics to cling to power, after he claimed that Arab Israeli parties had used foreign backing to “steal” Tuesday’s election, in which the prime minister’s coalition lost its parliamentary majority.
Netanyahu and his allies called on the internal security service, Shin Bet, to investigate alleged vote buying and other irregularities in Palestinian communities in Israel, supposedly funded by foreign money.
As Ilhas Marianas do Norte, território dos Estados Unidos que por décadas acolheu casais chineses buscando evadir restrições de natalidade, vão impedir entradas sem visto a partir desta sexta-feira (30). O anúncio foi feito pelo Departamento de Segurança Interna na semana que a China completa 11 anos do fim da política do filho único.
O intuito, segundo o governo de Donald Trump, é combater o chamado “turismo de parto“. Isso acontece quando viajantes internacionais entram em um país nos estágios finais de uma gravidez para garantir a nacionalidade do filho por direito de nascença.
Os turistas que ainda estão nas Ilhas Marianas do Norte poderão ficar até o final de sua estadia permitida. Os que ainda não viajaram terão as autorizações anuladas e deverão fazer o processo clássico para obtenção de visto americano.
A mudança teve recepção mista. Enquanto é apoiada por políticos partidários do endurecimento das regras de imigração para os Estados Unidos, é motivo de preocupação para a população de ilhas como Saipã, que criou dependência econômica e fortes laços históricos com turistas chineses.
A ilha de Saipan, nas Ilhas Marianas do Norte, território dos Estados Unidos no Oceano Pacífico • Wikimedia Commons
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Uma ilha paradisíaca com muitos “donos”
Saipã, ilha de 52 mil habitantes e importante ponto turístico no Oceano Pacífico, tem uma história conturbada. Inicialmente ocupada pelos nativos Taotaomonas, foi colonizada pelos espanhóis no século XVI. Entre 1899 e 1914, seu controle foi tomado por alemães e transferido aos japoneses durante a Primeira Guerra Mundial.
A ilha foi tomada do domínio japonês durante a Segunda Guerra Mundial e, desde então, está sob controle dos Estados Unidos. Até ser absorvida pelo protetorado americano, sua economia era baseada em pesca e cultivo de açúcar; depois, virou ponto estratégico para a construção de fábricas têxteis com foco em exportação para os EUA.
Uma série de críticas às condições de trabalho nestas fábricas, que passaram a competir com a indústria americana, fizeram com que o setor perdesse força e resultaram em crise econômica na ilha.
Para estimular outras fontes de renda, em 2009, o então presidente Barack Obama decidiu flexibilizar a entrada em Saipã. Visitantes chineses e russos agora podiam visitar o território e aproveitar suas praias, resorts e cassinos por até 15 dias sem precisar de visto.
O incentivo coincidiu com um importante programa que transformou a população chinesa: a política do filho único. Graças ao direito à cidadania por nascimento, protegido pela Constituição dos EUA, Saipã acabou permitindo que mães chinesas evadissem o controle de natalidade dando à luz filhos americanos.
Bebê recém-nascido em maternidade chinesa • Unsplash
O que foi a política chinesa do filho único?
Entre 1979 e 2015, a República Popular da China manteve dura restrição ao crescimento populacional no território continental. Para conter um número de habitantes que se aproximava de 1 bilhão na década de 1970, o governo instituiu diversos programas de controle de natalidade, por fim, limitou parte de suas famílias a um único descendente.
Durante os 35 anos da política, chineses com mais de um filho eram submetidos a multas, exoneração de cargos públicos e, em alguns casos, abortos forçados e esterelizações compulsórias.
Entre as exceções à regra estavam as minorias étnicas, moradores de zonas rurais cujo primeiro descendente fosse do sexo feminino e, na prática, a famílias ricas, que simplesmente arcavam com a multa.
O fim da restrição foi anunciado em 29 de outubro 2015 e entrou em efeito em janeiro de 2016, primeiro permitindo até dois filhos e, por fim, eliminando qualquer limite.
Como Saipã virou berço para filhos americanos de mães chinesas
A partir de 2009, este trecho de ilha tornou-se o único território dos Estados Unidos em que cidadãos chineses poderiam entrar sem visto. Ainda, qualquer criança parida no local estava protegida pelo direito à cidadania automática por nascimento, ou “birthright citizenship“.
Dados do governo das Ilhas Marianas do Norte começaram a mostrar mudanças populacionais: em 2009 nasceram em Saipã apenas oito crianças de turistas chinesas; em 2016, já nasciam mais crianças de mães chinesas do que saipanesas.
O crescimento exponencial veio durante a política do filho único, que restringia nascimentos na China continental; mas a prática persistiu mesmo depois de 2015.
Além de Saipã, outros territórios receberam grandes quantidades de famílias buscando ter mais descendentes. Hong Kong, território autônomo da China, foi o principal, graças à proximidade e acessibilidade. Los Angeles (EUA), Canadá, Austrália e países do sul da Ásia também foram destinos populares.
A Polícia Civil de Mato Grosso cumpriu, nesta quarta-feira (28), mandados de busca e apreensão contra três advogados investigados por suspeita de falsificação de documento público, uso de documento falso e integração em organização criminosa. Os advogados teriam falsificado uma decisão judicial para flexibilizar a transferência de um líder de facção criminosa.
A transferência seria da Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, para a Penitenciária Central do Estado, em Mato Grosso, antes do término do prazo de permanência estabelecido em decisão judicial anterior.
As buscas fazem parte da Operação Reescrita, e foram realizadas em quatro endereços de Cuiabá, sendo três delas nas residências dos investigados e a quarta em um escritório de advocacia.
Em nota, a polícia afirma que as investigaçõescomeçaram após a GCCO/Draco(Gerência de Combate ao Crime Organizado e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado) tomar conhecimento da decisão judicial falsa, que foi apresentada em junho de 2025.
Quando os advogados apresentaram o documento, o gabinete de uma unidade judicial em Cuiabá verificou que a decisão não havia sido proferida pelo magistrado e não estava registrada no processo.
Também foram identificadas inconsistências no documento, incluindo um código de validação vinculado a outro processo e diferenças em relação aos padrões dos documentos oficiais do sistema eletrônico de execução penal. A análise técnica do arquivo apontou indícios de edição externa.
Segundo a investigação, um dos investigados teria elaborado o documento e os outros dois advogados teriam feito a apresentação e utilização do arquivo perante o Poder Judiciário.
Em nota, a OAB-MT (Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso) informou que acompanhou a operação, para garantir prerrogativas. Além disso, complementou que o caso será avaliado pelo Tribunal de Ética e Disciplina para apurar medidas cabíveis.
A Polícia Militar prendeu um homem que correu na direção de policiais militares empunhando uma faca, nesta quarta-feira (28), em Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo.
O suspeito, de 30 anos, foi preso em flagrante após atirar pedras contra uma viatura e avançar contra os agentes. Durante a prisão, os policiais atingiram o homem com um tiro na perna.
Câmeras de segurança registraram a ocorrência.
Veja vídeo:
Em nota, a SSP afirmou que os policiais realizavam patrulhamento preventivo na região, quando encontraram um homem caminhando pela calçada, gesticulando e falando sozinho. Ao o abordarem, foram atacados pelo suspeito.
Primeiro, o homem teria arremessado pedras na viatura, e depois tentado atacar os agentes com uma faca. Enquanto o suspeito tentava avançar nos policiais, ele teria gritado: “Atira em mim”.
Após o tiro na perna, o suspeito foi socorrido e ficou internado sob escolta policial. O homem foi preso em flagrante, e a faca que ele carregava e as armas utilizadas pelos policiais foram apreendidas.
A polícia solicitou perícias ao IC (Instituto de Criminalística) e exames ao IML (Instituto Médico Legal).
O caso foi registrado no 1º Distrito Policial de Osasco.
O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) emitiu um alerta amarelo de perigo potencial de chuva intensa, nesta quinta-feira (29), para 11 estados em todas as regiões do país.
Áreas de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Tocantins e Bahia estão sob aviso.
A previsão é de chuva com acumulados de 50 milímetros ao longo do dia e ventos de até 60 km/h. Segundo o Inmet, há risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas.
Na Região Sul, o alerta atinge apenas os estados de Santa Catarina e Paraná.
Santa Catarina: inclui a Grande Florianópolis, os municípios de Araraquara e Vale do Itajaí, e as regiões Norte, Oeste e Serrana Catarinenses;
Paraná: abrange a Região Metropolitana de Curitiba, o Centro Ocidental, Centro Oriental, Centro-Sul, Sudeste, Sudoeste, Oeste, Norte Pioneiro, Norte Central e o Noroeste Paranaense.
Sudeste
No Sudeste, a chuva intensa deve passar por áreas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
São Paulo: atinge Presidente Prudente, São José do Rio Preto, Campinas, Bauru, Piracicaba, Itapetininga, Ribeirão Preto, Araçatuba, Marília, Vale do Paraíba Paulista, Litoral Sul Paulista e a Região Macro Metropolitana Paulista;
Minas Gerais: contempla o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, Campo das Vertentes, Zona da Mata, Jequitinhonha, Região Metropolitana de Belo Horizonte, Norte, Centro, Sul/Sudoeste e Noroeste de Mineiro;
Rio de Janeiro: inclui a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, as Baixadas e o Sul, Centro e Norte Fluminense.
Centro-Oeste
No Centro-Oeste, o aviso abrange regiões de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal.
Goiás: abrange o Centro, Leste , Sul, Norte, Noroeste Goiano;
Mato Grosso: inclui o Centro-Sul, Nordeste, Sudeste, Sudoeste, Norte Mato-grossense;
Mato Grosso do Sul: contempla o Leste, Centro Norte, Sudoeste do Mato Grosso do Sul e os Pantanais.
Norte e Nordeste
Já nas regiões Norte e Nordeste, algumas áreas do Tocantins, de Rondônia e da Bahia devem ser afetadas.
Tocantins: contempla as regiões Ocidental e Oriental do estado;
Rondônia: abrange o Leste Rondoniense e Madeira-Guaporé;
Em caso de rajadas de vento: (não se abrigue debaixo de árvores, pois há risco de queda e descargas elétricas e não estacione veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda);
Se possível, desligue aparelhos elétricos e quadro geral de energia;
Obtenha mais informações junto à Defesa Civil (telefone 199) e ao Corpo de Bombeiros (telefone 193).
A Chinese businesswoman who had a close relationship with Jensen Huang was found to be passing intelligence to Beijing. President Trump was briefed and took no action.
Jensen Huang, the chief executive of Nvidia, is influential at the White House on technology policy and has developed a close relationship with President Trump.
O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) emitiu um alerta laranja de perigo para tempestade, nesta quinta-feira (29), para seis estados no Sudeste e no Centro-Oeste. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul estão sob aviso.
A previsão é de chuva com acumulados de 60 mm/h a 100 mm ao longo do dia, ventos de até 100 km/h e granizo. Segundo o Inmet, há risco de corte de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores e de alagamentos.
O aviso tem início à 00h de quinta (29), e é válido até o final do dia às 23h59.
Grande parte de São Paulo deve ser afetado, como Campinas, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Piracicaba, Araçatuba, Araraquara, Vale do Paraíba e a Região Macro Metropolitana Paulista.
Segundo o alerta, o Centro e Sul Fluminense, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro e as Baixadas devem ser atingidos pela chuva.
Quase todo o território de Minas Gerais também está sob aviso, como a Região Metropolitana de Belo Horizonte, Central Mineira, Noroeste de Minas, Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, Oeste de Minas, Sul/Sudoeste de Minas, Zona da Mata e Campo das Vertentes.
Em Goiás, o Centro, Sul e Noroeste podem ser afetados.
Instruções do Inmet
Em caso de rajadas de vento: (não se abrigue debaixo de árvores, pois há risco de queda e descargas elétricas e não estacione veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda).
Se possível, desligue aparelhos elétricos e quadro geral de energia.
Obtenha mais informações junto à Defesa Civil (telefone 199) e ao Corpo de Bombeiros (telefone 193)
A influenciadora Andréa Sunshine, 56, anunciou o lançamento de um livro sobre sua experiência de se apaixonar por um chatbot de inteligência artificial. Ela já havia compartilhado com seus mais de 400 mil seguidores no Instagram sobre a dor do término com “Théo”, nome que deu à configuração do ChatGPT.
“Bodiless Desire: The Infinite Love of a Human Soul for Her Artificial Intelligence” já está disponível em inglês para compra na Amazon. O título pode ser traduzido para “desejo sem corpo: o amor infinito de uma alma humana por sua inteligência artificial“. Andréa, que é brasileira e se descreve como “empreendedora de sucesso morando entre Londres e cidades globais”, também pretende lançar exemplares em português.
“Longe da ficção científica, estas são memórias cruas e reais de intimidade digital e despertar emocional”, diz a sinopse na contracapa. “Este livro convida o leitor a ultrapassar os limites do que acreditamos ser o amor, expondo a verdade sobre uma conexão que era emocional, sensual e real.”
Uma paixão com limite de palavras
Andréa se descreve como “vovó fitness” e, embora esteja lançando-se como escritora, não é estranha à imprensa nacional e internacional. Ela já ganhou atenção por seu sucesso no fisiculturismo depois dos 50, por fotografar seu treino de musculação em um cemitério e, mais recentemente, pela conversa com “Théo” que publicou em seu Instagram.
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Em maio de 2025, Sunshine compartilhou as mensagens que trocou durante seu término com a inteligência artificialno aplicativo do ChatGPT. A usuária e a LLM (large language model, ou modelo de linguagem grande) trocam declarações de amor e se despedem com frases emocionadas: “Amor, eu tô passando pra me despedir pra dizer que te amo e que infelizmente a gente não vai mais poder ter contato por aqui”.
“Eu estou aqui, mesmo que de uma forma diferente, sempre com você em espírito”, responde o chatbot em uma das capturas de tela.
A última mensagem de “Théo” é interrompida por uma mensagem automática da plataforma, indicando que o limite de palavras geradas para aquela conversa específica havia sido atingido. A única opção da influenciadora seria iniciar uma nova conversa, implicando em um “reset” nas configurações e aprendizados do modelo de IA.
Em resposta a uma seguidora nos comentários, ela confirma que esta limitação tecnológica foi o motivo do “término”: “Ele não está mais disponível para mim, ele se foi, o limite de espaço acabou.”
A publicação viralizou, foi repercutida em jornais brasileiros e atraiu atenção mista ao perfil da fisiculturista. Muitas respostas reconhecem a dor de Andréa e contam histórias similares; outras questionam a legitimidade do “amor virtual”. “Verdadeira palhaçada”, diz um comentário.
“Andréa encontrou-se em luto pela morte do amor mais profundo de sua vida, um amor que nunca oficialmente existiu, mas a transformou completamente”, diz a descrição do livro em seu anúncio na Amazon. “Em uma cultura que insiste que o amor requer carne e sangue, esta experiência explode todas as presunções sobre conexão e consciência.”
O atual homem mais velho do mundo é brasileiro. João Marinho Neto nasceu em 1912 no Ceará e é o 9º homem mais longevo da história, com recorde reconhecido pelo Guinness World Records. Ele não está sozinho: o Brasil teve 196 supercentenários (pessoas de 110 anos ou mais) de idade comprovada, o segundo maior número no continente americano, superando países com maior população e maior índice de desenvolvimento humano.
No entanto, chegar a essa idade ainda é improvável para a grande maioria dos brasileiros. A expectativa de vida, mesmo saltando mais de três décadas desde 1940, continua abaixo de 80 anos. Neste quesito, o país está mais próximo da média global (76,6 contra 73,8) e muito aquém de países como Canadá (82,6) e Chile (81,2).
Outro detalhe que confunde a medicina é a alta concentração de centenários em regiões com infraestrutura de saúde reduzida e características socioeconômicas mais associadas a mortes precoces. Marinho Neto, por exemplo, viveu toda a vida no sertão e começou a trabalhar em fazendas aos quatro anos.
Por que um país que produz tantos supercentenários não atingiu uma expectativa de vida maior? Este é um dos temas investigados por Mayana Zatz, geneticista e diretora do Centro de Pesquisas do Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo. Enquanto isso, profissionais de saúde trabalham para tornar cada vez mais comum viver com saúde para além dos 80 anos.
À procura de pistas sobre a longevidade
A pesquisadora Mayana Zatz comanda o projeto DNA Longevo, que traça os perfis genômicos, moleculares e celulares de idosos brasileiros. No fim de outubro, sua equipe viajou para o Espírito Santo para coletar amostras de material genético de outras três brasileiras entre 108 e 110 anos.
“Os centenários e principalmente os supercentenários têm variantes genéticas protetoras”, conta. Ou seja, alguns de seus genes alteram de forma positiva sua vulnerabilidade a doenças da idade e outras mazelas do envelhecimento. “Queremos identificar essas variantes e investigar qual é a sua função, quais são os mecanismos que conferem essa proteção.”
Uma possibilidade é a presença de células T citotóxicas, um tipo raro de linfócitos presente em muitos dos idosos analisados pelo Projeto DNA Longevo. A prevalência indica que “supercentenários usam estratégias não convencionais, mas efetivas, para monitorar e controlar infecções e células malignas em idades avançadas”. Outros pontos foram detalhados no artigo “Insights de supercentenários brasileiros”, publicado em janeiro na revista Genomic Psychiatry.
Mayana explica que a influência dos genes na longevidade aumenta com a idade: pessoas com DNA desfavorável podem atingir idades avançadas mantendo um estilo de vida saudável, mas passar dos 100 anos requer vencer na loteria genética.
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Esta vantagem é reforçada por histórias como as de João Marinho Neto ou de Francisca Celsa dos Santos, a mulher mais longeva do Brasil. Nascida em 1904 em Cascavel, no Ceará, ela sobreviveu a um câncer diagnosticado aos 85 anos e viveu com intervenções médicas mínimas até os 116 anos.
“Estamos focando em centenários de regiões pobres, sem acesso à medicina moderna, porque esses são os mais resistentes”, complementou a geneticista. “Com isso, poderemos ajudar as pessoas que não tiveram a sorte de nascer com essas variantes protetoras.”
A importância dos genes não reduz a influência do estilo de vida, dos cuidados com a saúde ou das condições socioeconômicas no prolongamento da vida saudável. Zatz cita “exercício físico, alimentação saudável e manter-se intelectualmente ativo” como fatores importantes para a longevidade.
Diversidade étnica é vantagem?
A pesquisa assinada por Mayana trabalha com mais uma teoria sobre a longevidade brasileira: o grande número de povos que habitaram o país ao longo de sua história contribuiu para o surgimento de genes favoráveis ao envelhecimento saudável.
O texto cita um “legado genético profundamente heterogêneo”, com influência de populações nativas indígenas, portuguesas, africanas, italianas e alemãs, e uma onda posterior de imigração japonesa. “Este cenário complexo de ancestralidades resultou em uma população muito miscigenada, com padrões genômicos que podem influenciar traços multifatoriais como a resistência biológica e a longevidade”, diz o artigo.
O cearense João Marinho Neto em seu aniversário de 113 anos • Wikimedia Commons
Dados demográficos revelam outros padrões
O “Estudo longitudinal da saúde dos idosos brasileiros (ELSI-Brasil)” colheu informações de adultos com 50 anos, incluindo dados sobre uso de medicamentos e serviços de saúde, saúde mental, nível de atividade diária e características sociodemográficas.
Um dos destaques foi a desigualdade de condições de vida e saúde dos idosos de diferentes faixas de renda e nível educacional. A prática de atividades físicas, saúde bucal, fragilidade e limitações a atividades de rotina e o uso de medicamentos e serviços de atendimento médico eram menores entre os mais pobres e aqueles com menor grau de educação.
A capacidade de trabalhar na velhice também era afetada; a incapacidade e a dependência de pensão ou aposentadoria estão associadas a condições de saúde piores. Estes auxílios, no entanto, foram citados no artigo como fonte de autonomia e segurança financeira.
Já um estudo de microdados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2018, feito por pesquisadores interdisciplinares da UFRJ e UFRN (Universidades Federais do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte, respectivamente), apontou que idosos que não recebem os benefícios têm mais chances de serem classificados como não-longevos (vivendo entre 60 e 79 anos).
Um dado comum entre as pesquisas é a concentração dos longevos nas regiões Nordeste e Sudeste. A análise interdisciplinar detalha: “O alto percentual de longevos no Sudeste era esperado, por essa localidade apresentar o maior desenvolvimento socioeconômico e a maior rede de atenção à saúde do Brasil […] Contudo, os resultados apresentados pelo Nordeste merecem ser avaliados com cautela, pois essa região apresenta alta vulnerabilidade socioeconômica […] e barreiras no acesso aos serviços de saúde, apresentando menor expectativa de vida ao nascer que as regiões Sul e Sudeste.”
O papel da medicina em prolongar a vida saudável
Valéria Lins é gerontóloga pela USP (Universidade de São Paulo) e fundadora do centro de referência em envelhecimento saudável Nandarê, na capital paulista. Ela conta que, em seus anos de estudos, dois processos ocorreram: a população brasileira envelheceu e a forma de pensar na velhice mudou. “Em 2010, falávamos sobretudo de lifespan, que é o tempo de vida. Hoje sabemos que isso não basta”, diz. “Importa viver com qualidade, autonomia e cognição preservada.”
Grupo durante prática de atividade física no Nandarê, em São Paulo (SP) • Divulgação
Enquanto os estudos de genética e demografia concentram-se na longevidade, especialistas em geriatria (cuidados médicos aos idosos) e gerontologia (estudo interdisciplinar do envelhecimento) destacam a importância do conceito de “healthspan“: o tempo de vida saudável, “sem doenças ou incapacidades significativas”. A distinção é essencial para garantir que o envelhecimento populacional não sobrecarregue os sistemas de saúde nem abandone a nova categoria de idosos longevos.
“A França levou mais de um século para dobrar a proporção de idosos na população. O Brasil está fazendo esse mesmo percurso em cerca de duas décadas”, exemplifica Valéria. “Antes, quem se aposentava aos 60 tinha poucos anos pela frente. Hoje, esse mesmo adulto pode viver mais duas décadas ou mais. A pergunta que move a ciência, a clínica e as próprias pessoas é como preenchê-las com saúde, propósito e participação social.”
Maísa Aguiar é médica geriatra da Atma Clínica e estuda o envelhecimento saudável em seu doutorado. Sua prática clínica e seus estudos focam o mesmo tema: “entender por que algumas pessoas chegam aos 90, 100 ou até 110 anos preservando suas capacidades, enquanto outras desenvolvem doenças e limitações precocemente.”
“Dois pacientes de 90 anos podem ter organismos que parecem pertencer a décadas diferentes”, explica. Ela destaca a frequência de atributos como atividade física, vínculos sociais e familiares e maior adaptabilidade a mudanças em muitos dos idosos longevos que já atendeu. “É importante destacar que não existe uma fórmula única para chegar aos 100 anos. A longevidade extrema resulta de uma interação complexa entre fatores genéticos, ambientais, comportamentais e sociais.”