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Civis são retirados de cidade no sul da Ucrânia em meio à trégua

Centenas de pessoas de uma cidade ocupada no sul da Ucrânia, que sobreviveram durante meses sem suprimentos básicos, são retiradas nesta sexta-feira (30), sob um acordo de cessar-fogo negociado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump.

A cidade de Oleshky, na região de Kherson, no sul da Ucrânia, está sob ocupação russa contínua desde abril de 2022. Segundo autoridades ucranianas, cerca de duas mil pessoas — incluindo 50 crianças — permanecem presas no município, que se encontra severamente destruído.

Todas as vias de acesso foram fortemente minadas ou estão repletas de drones, tornando a fuga impossível.

A situação humanitária deteriorou-se nos últimos meses. Segundo autoridades ucranianas, a cidade ficou sem alimentos e outros suprimentos em setembro, sem acesso à eletricidade, ao gás, a medicamentos e a outros itens essenciais.

Esse cenário crítico gerou preocupação em todo o mundo, levando organizações internacionais, líderes religiosos e outros a pedirem providências urgentes.

Relatos indicam que os moradores têm recorrido à busca por restos de comida e ao consumo de ervas silvestres, enquanto os corpos de pessoas que faleceram permanecem nas ruas.

A trégua temporária entrou em vigor na terça-feira (27) e, desde então, estendeu-se por toda a região de Kherson. O cessar-fogo também trouxe alívio à cidade — capital da região sob controle ucraniano —, que tem sido alvo de ataques quase constantes por drones russos.

O cessar-fogo deve expirar no domingo (1º).

O ombudsman da Ucrânia, Dmytro Lubinets, viajou a Oleshky para acompanhar pessoalmente os retirados até o território sob controle ucraniano — tornando-se a primeira autoridade ucraniana de alto escalão a viajar abertamente para áreas ocupadas sob controle russo desde o início da guerra.

“Estamos em Oleshky”, disse ele em um comunicado. “Pessoas que desejam ir para o território da Federação Russa estão se reunindo aqui, e há pessoas que querem partir para o território da Ucrânia. Todos terão essa oportunidade.”

A homóloga russa de Lubinets, Yana Lantratova, também estava presente em Oleshky; os dois foram vistos em vídeos, lado a lado, conversando com moradores locais.

A retirada estava programada para começar no início da tarde, no horário local. Segundo Lubinets, 25 ônibus, com capacidade para 750 passageiros, fazem parte da operação.

A previsão é que eles passem pela Crimeia, pela Rússia e pela Bielorrússia, chegando à fronteira ucraniana em algum momento do sábado.

Cerca de 40% da população da cidade, que antes da guerra era de aproximadamente 24 mil habitantes, conseguiu fugir para territórios sob controle ucraniano quando isso ainda era possível, no início do conflito — segundo o Instituto para o Estudo da Guerra (Institute for the Study of War), uma organização sediada nos EUA que monitora conflitos. Milhares de outras pessoas escaparam desde então, mas muitas permaneceram no local, seja por não conseguirem sair ou por não desejarem fazê-lo.

A cidade desempenha um papel importante nas operações militares da Rússia na região. Ela está situada perto das margens do rio Dnipro, exatamente em frente às posições ucranianas.

À medida que os dois lados trocam disparos, os moradores de Oleshky acabam ficando no meio do fogo cruzado.

Todas as rotas de fuga em direção à Ucrânia desapareceram gradualmente com a intensificação da ocupação russa.

E, embora antes fosse possível escapar da cidade seguindo mais para dentro do território controlado pela Rússia, isso também se tornou impossível nos últimos meses, com a intensificação dos combates e o fato de todas as rotas de saída terem sido minadas ou estarem repletas de drones.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de minar as vias de acesso à cidade, em uma tentativa de impedir a saída dos moradores.

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Deputado italiano pede investigação sobre cidadania dos irmãos Bolsonaro

O deputado italiano, Angelo Bonelli, do partido Europa Verde, apresentou na quarta-feira (28) um pedido de investigação sobre o processo de cidadania de Carlos, Eduardo e Flávio Bolsonaro, para os Ministérios das Relações Exteriores e do Interior da Itália.

O pedido de investigação foi feito após a fuga de Flávio do Brasil para a Argentina utilizando um passaporte italiano. De lá, o senador partiu para o Equador e depois para os Estados Unidos, onde entrou usando um passaporte diplomático, cancelado pela PF (Polícia Federal).

Bonelli alega que os filhos de Jair Bolsonaro obtiveram a cidadania de forma extremamente rápida, enquanto requerentes comuns levam mais de uma década para conseguir o documento.

Na interpelação, o deputado também ressalta que os irmãos e o ex-presidente são investigados no Brasil e podem usar o documento para “escapar da justiça brasileira.”

Flávio e Eduardo apresentaram as solicitações à Embaixada da Itália em Brasília em 2020, diz o documento.

Em 8 de novembro de 2022, foram pessoalmente ao local pedir o adiantamento do processo, uma semana após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais. A cidadania dos dois foi concedida em 2023.

A data do pedido de Carlos Bolsonaro não está clara. A cidadania italiana para ele foi concedida em 2024, segundo a interpelação apresentada.

Bonelli exige que as pastas italianas instaurem uma auditoria sobre o cumprimento do prazo legal de 730 dias (dois anos) para análise e emissão e sobre a igualdade de tratamento para todos os solicitantes.

“Em muitos consulados no Brasil, a espera chega a dez anos, mais de uma década, e muitos são obrigados a recorrer ao Estado. Em Brasília, as convocações estavam suspensas desde agosto de 2018 e, até novembro de 2022, ainda era a vez daqueles que haviam se cadastrado em 2018”, declarou o deputado em um comunicado.

Ele ressaltou que, em 2018, já havia mais de 112 mil pedidos acumulados no Brasil. “A lei deve ser igual para todos: para os pobres coitados que esperam há dez anos e para os filhos dos poderosos”, ressaltou Bonelli.

Carla Zambelli na Itália

Na interpelação, o deputado também cita o caso da ex-deputada Carla Zambelli, que disse em entrevista à CNN ser “intocável na Itália” após ser condenada no Brasil.

“O caso da ex-deputada Carla Zambelli — que, após uma condenação no Brasil, afirmou sentir-se “intocável” na Itália em virtude de seu passaporte italiano — ilustra o risco de que a cidadania italiana seja utilizada para escapar da justiça em seu país de origem”, afirma ele no documento.

Zambelli foi condenada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a dez anos de prisão por invasão dos sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e inserção de documentos falsos. Ela também possui uma condenação de cinco anos de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma.

Atualmente, a brasileira aguarda em liberdade, em Roma, a decisão da Justiça da Itália sobre sua extradição após passar quase um ano presa na penitenciária feminina de Rebibbia, nos arredores de Roma.

A Corte de Apelação de Roma adiou na terça-feira (27) o julgamento de repatriação da ex-deputada para 24 de novembro.

O julgamento de extradição se refere à condenação por ter perseguido um jornalista com arma em punho entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2022.

O governo brasileiro solicitou que Zambelli cumpra pena no Distrito Federal após a Justiça italiana avaliar que houve parcialidade do STF na condenação por invasão do sistema do CNJ.

A Corte de Apelação de Roma adiou nesta terça-feira (27) para o dia 24 de novembro o julgamento sobre a extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP).
Carla Zambelli, deputada federal licenciada em pronunciamento • Reprodução

Fuga de Flávio Bolsonaro

O candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), chegou com a família às 10h25 desta quarta-feira (28) nos Estados Unidos.

A CNN mostrou com exclusividade o momento em que o avião fretado pousou no aeroporto executivo de Miami-Opa Locka (OPF).

Na operação para fugir do Brasil, Flávio passou pela fronteira com a Argentina em Foz do Iguaçu às 22h50 de terça-feira (27). Quarenta minutos depois, embarcou em um voo privado para Guayaquil, no Equador, onde parou no início da manhã para abastecer. Minutos depois, decolou em direção à Flórida.

Na noite de terça-feira, o presidente Donald Trump disse que havia sido informado de que Flávio estaria em território argentino, mas sem saber seu real paradeiro. Ao ser questionado por jornalistas sobre a ida do candidato derrotado aos EUA, ele disse que “aprovaria” a entrada da família no país.

Dois funcionários do governo dos EUA afirmaram à CNN que vistos estão sendo emitidos para o senador, esposa e duas filhas. Um funcionário americano chegou a indicar a Flórida como destino.

Flávio passou a fronteira na noite de terça

Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, órgão oficial de imigração do país, Flávio cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na província de Misiones, por volta de 22h50. O senador estava acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das filhas.

A Migrações afirma que os quatro apresentaram documentação de viagem válida, sem nenhum impedimento legal para a entrada no país, e que não houve incidentes.

Ainda de acordo com o órgão, às 23h30 a comitiva embarcou em um voo privado operado pela empresa Baires Fly S.A. O destino informado no plano de voo era Guayaquil.

Como mostrou a CNN, o governo de Javier Milei negou, na manhã de terça-feira, que Flávio havia entrado na Argentina.

À CNN Brasil, o Ministério da Segurança, pasta responsável pelo Departamento de Imigração e pela Polícia de Segurança Aeroportuária, afirmou que o senador, derrotado nas eleições presidenciais de domingo (25), não entrou no país.

Flávio Bolsonaro chega aos EUA após derrota na eleição
Senador Flávio Bolsonaro desembarca de um avião após chegar ao Aeroporto Executivo de Opa-locka, em Miami, na Flórida • 28/10/26 – Reuters/Eva Marie Uzcategui

Fontes confirmam destino final

Uma fonte brasileira próxima ao senador disse à CNN que ele temia ser preso no Brasil.

Um conselheiro de Donald Trump disse à CNN que o presidente americano aprovou a entrada de Flávio no país.

O avião é um Gulfstream G400 de matrícula argentina LV-JQW. Segundo a imprensa argentina, ele estava parado no aeroporto de Puerto Iguazú desde segunda-feira (26) e decolou por volta da 0h20 desta quarta. De acordo com o site de monitoramento de voos Flight Radar, a aeronave pousou em Guayaquil pouco antes das 6h da manhã desta quarta-feira.

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