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Trigo cai 1,84% em Chicago com dólar forte e cenário no Mar Negro

Os contratos futuros do trigo encerraram a sessão desta quarta-feira (28) em queda na bolsa de Chicago, pressionados pela atuação dos fundos de investimento e por fatores geopolíticos e cambiais. O vencimento para dezembro recuou 1,84%, fechando cotado a US$ 5,99 por bushel.

Segundo análise da Granar, os fundos de investimento continuaram vendendo contratos do cereal, contribuindo para a desvalorização. As negociações diplomáticas em busca de um acordo de paz para a região do Mar Negro também pesaram sobre os preços. Além disso, o fortalecimento do dólar em relação ao euro reduziu a competitividade do trigo norte-americano no mercado internacional.

Outro fator acompanhado pelos investidores foi a retomada das autorizações para a saída de navios graneleiros do Mar de Azov, na Rússia. Segundo informações da Reuters, autoridades russas voltaram a permitir a passagem de embarcações pela região pela primeira vez desde 10 de julho, quando o tráfego foi interrompido após ataques de drones ucranianos.

De acordo com sete fontes do setor ouvidas pela agência, as autorizações para a travessia pelo Estreito de Kerch, que conecta o Mar de Azov ao Mar Negro, são válidas até 15 de novembro. Duas das fontes informaram que os navios serão escoltados por um comboio naval russo durante a passagem pelo Mar Negro.

A liberação ocorre em meio a um cessar-fogo localizado, previsto para durar seis dias, com o objetivo de permitir a passagem segura de suprimentos humanitários para a cidade de Oleshky, controlada pela Rússia, na região de Kherson. A retomada parcial do tráfego marítimo e as perspectivas de avanços diplomáticos entram no radar dos investidores diante dos possíveis impactos sobre o fluxo de grãos na região.

Soja

Os contratos futuros da soja encerraram a sessão em baixa na Bolsa de Chicago, ampliando a sequência negativa para três pregões consecutivos. O vencimento para janeiro recuou 0,40%, fechando cotado a US$ 12,46 por bushel.

Segundo análise da Granar, o avanço da colheita nos Estados Unidos e a entrada da nova safra no circuito comercial continuam influenciando as cotações. Os trabalhos no campo seguem sob condições predominantemente secas no Meio-Oeste norte-americano, cenário que acompanha o desenvolvimento da colheita e a chegada de novos volumes ao mercado.

Outro fator de pressão foi a ausência de confirmação de novas vendas pontuais de soja norte-americana para a China. A competitividade das exportações brasileiras também pesou sobre os preços, após a forte desvalorização do real frente ao dólar registrada na segunda-feira. Embora a moeda brasileira tenha recuperado parte das perdas entre terça e quarta-feira, o movimento cambial ainda favorece a competitividade do produto nacional no mercado internacional.

Apesar da falta de anúncios específicos envolvendo compradores chineses, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) confirmou nesta quarta-feira uma nova venda de 120 mil toneladas de soja da safra 2026/2027. Segundo o órgão, o destino da operação ainda não foi identificado.

A combinação entre a entrada da nova safra norte-americana, as incertezas sobre a demanda chinesa e a concorrência brasileira mantém os preços sob pressão em Chicago, enquanto o mercado acompanha os próximos anúncios de vendas e o ritmo de comercialização da produção dos Estados Unidos.

Milho

Os contratos futuros do milho registraram recuperação parcial na Bolsa de Chicago, após três sessões consecutivas de perdas. O vencimento para dezembro avançou 0,67% e encerrou o pregão cotado a US$ 4,51 por bushel.

Segundo análise da Granar, o movimento de alta foi impulsionado por operações de hedge, utilizadas para proteção contra oscilações de preços, e por compras oportunistas de fundos de investimento. Apesar da reação, as cotações ainda refletem um cenário de pressão, após o cereal acumular quatro semanas consecutivas de desvalorização.

O avanço dos preços também foi limitado pelo progresso da colheita nos Estados Unidos, que amplia a oferta de milho no mercado. No cenário internacional, a desvalorização do real brasileiro em relação ao dólar e o fortalecimento da moeda norte-americana frente ao euro reduzem a competitividade das exportações dos Estados Unidos, dificultando uma recuperação mais consistente das cotações.

Na Ucrânia, os estoques de milho também estão no radar dos investidores. De acordo com o Serviço Estatal de Estatísticas do país, os volumes armazenados somavam 3,10 milhões de toneladas em 1º de outubro, alta de 38,8% em relação ao mesmo período de 2025. O levantamento foi realizado no início da safra 2026/2027.

A logística de escoamento da produção ucraniana segue como um desafio adicional. Desde meados de julho, as exportações de produtos agrícolas do país enfrentam restrições no Mar Negro, levando ao uso do rio Danúbio e de outras rotas alternativas de transporte. Esse cenário influencia o fluxo de grãos no mercado internacional e permanece entre os fatores acompanhados pelos participantes do setor.

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Anec reduz previsão de exportação de milho e soja do Brasil em outubro

A ​exportação de milho ​do Brasil em outubro foi estimada nesta terça-feira em 6,1 milhões de toneladas, cerca de 770 mil toneladas a menos no comparativo ⁠com ​a previsão divulgada na ​semana passada, de acordo com números ⁠da Associação Nacional ⁠dos Exportadores de Cereais (Anec).

O ​volume ‌representa um crescimento de 407 ⁠mil toneladas em relação ao mesmo período do ano passado, apontou ‌a Anec.

Já ⁠a projeção ‌da exportação de soja foi reduzida para 6,15 milhões de ⁠toneladas em ⁠outubro, versus 6,40 milhões anteriormente. No comparativo ‌anual, haveria queda de cerca de 245 mil toneladas.

Os embarques de farelo de soja do ‌Brasil foram previstos em 2,49 milhões de toneladas até o ⁠final do mês, ante 2,52 milhões na semana anterior, representando ​um crescimento de cerca de 763 ​mil toneladas no comparativo anual.

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Milho perde 1,37% em Chicago com avanço da colheita nos EUA e câmbio

Os preços futuros do milho voltaram a recuar nesta terça-feira (27) na Bolsa de Chicago, mantendo a trajetória negativa observada nas últimas semanas. O contrato para entrega em dezembro caiu 1,37% e encerrou o pregão cotado a US$ 4,48 por bushel.

Segundo a Granar, as cotações seguem pressionadas pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e pela entrada de novos volumes da safra no mercado. A expectativa de uma produção elevada no país, que caminha para registrar a segunda maior colheita de sua história, amplia a disponibilidade do cereal e limita a recuperação dos preços.

Dados divulgados na segunda-feira (26) pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostraram que a colheita de milho ultrapassou 60% da área prevista. Na semana anterior, o índice era de 44%. O ritmo atual se aproxima da média dos últimos cinco anos, de 66%, e supera a estimativa média do setor privado, de 59%.

O USDA manteve em 56% a parcela das lavouras classificadas como boas ou excelentes, indicando estabilidade na avaliação das condições da safra norte-americana.

O câmbio também contribuiu para pressionar o mercado, já que a forte desvalorização do real frente ao dólar favorece a competitividade do milho brasileiro no comércio internacional, aumentando a concorrência para o produto dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a valorização do dólar em relação ao euro encarece o cereal norte-americano para compradores da União Europeia, o que pode dificultar as exportações destinadas ao bloco.

Soja

Os preços futuros da soja voltaram a recuar nesta terça-feira na Bolsa de Chicago, pressionados pelo avanço da colheita norte-americana e pela maior competitividade da soja brasileira no mercado internacional. O contrato para entrega em janeiro fechou em queda de 0,76%, cotado a US$ 12,43 por bushel.

Segundo a Granar, após uma breve alta durante a madrugada, as cotações perderam força diante da entrada de novos volumes da safra dos Estados Unidos no mercado. O clima seco no Meio-Oeste também favorece o andamento dos trabalhos no campo, ampliando a oferta disponível. Outro fator de pressão é a ausência de novos anúncios do USDA sobre vendas antecipadas de soja para a China.

De acordo com o relatório semanal do USDA, divulgado na segunda-feira (26), a colheita norte-americana atingiu 79% da área prevista, avanço de 15 pontos percentuais em relação à semana anterior. O resultado supera a média histórica de 77% e ficou em linha com as expectativas dos operadores do mercado.

A desvalorização do real brasileiro também contribuiu para pressionar as cotações em Chicago. Embora a moeda tenha apresentado uma leve recuperação nesta terça-feira, a queda registrada no dia anterior favorece a competitividade da soja brasileira, ao tornar o produto mais atrativo para compradores internacionais.

No Brasil, o plantio da safra 2026/27 também avançou. Segundo levantamento semanal da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado na segunda-feira, 42,8% da área prevista já havia sido semeada, ante 30,1% na semana anterior. O índice supera os 34,8% registrados no mesmo período de 2025 e a média dos últimos cinco anos, de 40,2%.

Mato Grosso lidera o ritmo de semeadura no país, com 75,8% da área planejada já plantada. O percentual está acima dos 62,1% observados no mesmo período do ano passado e da média quinquenal de 70,3%.

A Agrinvest também destacou a pressão sobre o complexo da soja, especialmente sobre o farelo. A consultoria avalia que o avanço da colheita nos Estados Unidos e a aceleração do plantio brasileiro aumentam a disponibilidade de produto. Apesar da falta de novos anúncios de vendas para a China desde a semana passada, a expectativa é de que os próximos dados semanais de exportação americana ainda reflitam volumes expressivos de negócios já reportados.

Trigo

Os contratos futuros de trigo encerraram a sessão em queda nos mercados dos Estados Unidos, pressionados pela valorização do dólar frente ao euro e pela dificuldade de atrair compradores. O vencimento para entrega em dezembro recuou 0,93% e fechou cotado a US$ 6,10 por bushel.

Segundo a Granar, os investidores mantiveram o movimento de venda de contratos observado nas últimas oito semanas, sem que o cereal encontrasse suporte suficiente para interromper a sequência negativa. A valorização do dólar em relação à moeda europeia favorece a competitividade do trigo produzido na União Europeia, tornando o produto americano menos atrativo no mercado internacional.

O mercado também acompanha os desdobramentos diplomáticos relacionados à região do Mar Negro. Segundo a Granar, as tentativas de reduzir as tensões continuam influenciando as posições dos investidores, enquanto os embarques de trigo da Rússia e da Ucrânia permanecem restritos em meio à continuidade dos confrontos na região.

As incertezas sobre o fluxo de exportações pelo Mar Negro seguem como um fator de atenção para o mercado global, diante da importância dos dois países no comércio internacional de trigo.

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El Niño forte pode reduzir safra de soja em 17,6 milhões de toneladas

A produção nacional de soja pode ter uma redução de 17,6 milhões de toneladas, ou cerca de 9,7% na safra 2026/27, segundo levantamento elaborado pela Serasa Experian. A produção pode chegar a 163,6 milhões de toneladas em um cenário de forte atuação de El Niño, contra 181,2 milhões de toneladas em uma condição climática neutra. 

O estudo tem base em dados climáticos, modelos de previsão do clima e informações territoriais das safras recentes. As informações foram apresentadas nesta terça-feira (27), durante coletiva de imprensa, por Daniel de Oliveira, gerente de Geoprocessamento Agro da Serasa Experian.

Segundo ele, os dados indicam a possibilidade de retorno do El Niño em 2026/27, com intensidade elevada, mas o estudo não constitui uma previsão de safra ou uma confirmação de perdas. O objetivo é dimensionar os riscos para a produção caso as condições climáticas observadas em episódios anteriores se repitam.

“Tudo indica que o El Niño volta em 2026/27 — e forte”, segundo a instituição.

O levantamento considera apenas a soja de primeira safra e compara dois cenários de produtividade, um de El Niño forte e outro de neutralidade climática. Para aproximar a análise das condições tecnológicas atuais do campo, a empresa utilizou dados de safras recentes, evitando que diferenças nos níveis de tecnologia de períodos mais antigos distorcessem os resultados.

Produtividade pode cair mesmo com aumento da área plantada

A estimativa da Serasa Experian considera que a área cultivada com soja no Brasil alcance 49,9 milhões de hectares na safra 2026/27, quase 1 milhão de hectares a mais do que na temporada anterior. O crescimento projetado é de 1,8% em relação à safra 2025/26.

No cenário de El Niño forte, a produtividade média seria de 3.282 quilos por hectare, equivalente a 55 sacas por hectare. Já em uma condição neutra, o rendimento estimado é de 3.622 quilos por hectare, ou 60 sacas por hectare.

A diferença entre os cenários é de 340 quilos por hectare. Aplicada à área projetada, essa variação resulta em uma produção estimada de 163,6 milhões de toneladas no cenário de El Niño forte, ante 181,2 milhões de toneladas no cenário neutro.

A análise também utiliza a safra 2023/24 como referência de um período de El Niño muito forte. Naquele ciclo, a produtividade da soja foi de 3.282 quilos por hectare, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), resultado 9% inferior ao registrado em 2024/25, ano de neutralidade climática considerado na comparação do estudo.

A relação entre o fenômeno e a produtividade da soja está associada às alterações nos padrões de chuva e temperatura, que podem afetar o desenvolvimento das lavouras. Os efeitos, porém, variam de acordo com a região e as condições de cada ciclo agrícola.

Impacto potencial de R$ 33 bilhões

A diferença de 17,6 milhões de toneladas entre os cenários também foi utilizada para estimar a dimensão econômica do risco. O cálculo apresentado pela Serasa Experian aponta para um VBP (valor bruto da produção) potencialmente impactado de aproximadamente R$ 33 bilhões.

Para chegar ao valor, o estudo considera um preço médio de cerca de R$ 1,88 mil por tonelada, obtido a partir do valor bruto da produção de soja dividido por um volume de referência de aproximadamente 181,5 milhões de toneladas. Esse valor médio foi multiplicado pela diferença de produção estimada no cenário de El Niño forte.

A empresa ressalta que o resultado é um exercício de dimensionamento, e não uma previsão de perda financeira efetiva. Uma eventual redução da oferta nacional também pode influenciar os preços da soja e as condições de comercialização, alterando o resultado econômico para os produtores e os demais agentes da cadeia.

Risco redistribuído

Segundo Oliveira, a “anomalia climática redistribui o risco que, normalmente, é concentrado no Rio Grande do Sul”.

As estimativas regionais indicam que o Centro-Oeste concentraria a maior parcela da redução de produção no cenário de El Niño forte. Mato Grosso teria uma diferença de 9,7 milhões de toneladas em relação ao cenário neutro, enquanto Goiás apresentaria uma redução estimada em 4 milhões de toneladas.

Somados, os dois estados responderiam por quase 80% da diferença de produção projetada para o país.

Na direção oposta, o Rio Grande do Sul poderia registrar uma produção 5,5 milhões de toneladas maior no cenário de El Niño forte em comparação com o neutro, mas insuficiente para compensar as perdas no Centro-Oeste.  No estado gaúcho, entretanto, as condições hídricas têm dificultado a implantação da lavoura. 

Os possíveis efeitos também podem variar entre as culturas e as épocas de cultivo. Embora o levantamento tenha considerado apenas a soja de primeira safra, as culturas de segunda safra podem estar sujeitas a impactos mais intensos, dependendo do calendário agrícola e das condições climáticas encontradas ao longo do ciclo.

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