O presidente Donald Trump confirmou nesta quarta-feira (28) que os Estados Unidos permitiram a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL) no país, após ele ter deixado o Brasil depois de perder a eleição presidencial.
De toda forma, Trump disse que não comentaria sobre a carta com teor golpista em que Flávio se autodeclarou “presidente eleito” do Brasil.
“Mas sei que demos a ele autorização para entrar no país; veremos o que acontece”, disse ele a repórteres antes de partir para Ohio.
“Mas não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo”, acrescentou o presidente.
Trump afirmou acreditar que Flávio e sua família foram “maltratados”, insistindo, contudo, que não participou da disputa eleitoral.
Uma fonte brasileira próxima a Flávio informou que o político temia ser preso no Brasil. Ele é alvo de investigações por supostos atos de corrupção e lavagem de dinheiro.
“Como vocês sabem, não tomei partido na eleição. Mas, quando vejo algo inadequado, eu aponto. Achei que ele e sua família foram tratados de forma muito injusta”, adicionou.
A CNN noticiou, ainda nesta quarta-feira, que Flávio havia chegado aos EUA. Imagens mostraram o senador desembarcando de um avião no aeroporto de Opa-locka, em Miami, acompanhado de sua esposa e duas filhas. Posteriormente, a família foi fotografada deixando o aeroporto, protegida por guarda-chuvas.
Na segunda-feira, Trump alegou, sem apresentar provas, que a eleição presidencial brasileira “pareceu mais uma eleição fraudada, para ser sincero”, declarando aos repórteres que o processo foi “tão corrupto, tão terrível”.
Segundo um assessor relatou à CNN, integrantes do governo Trump sabiam, já na segunda-feira, que Flávio Bolsonaro tinha um prazo de cerca de 24 horas para entregar seu passaporte.
Eles deixaram claro ao candidato derrotado que sua entrada nos Estados Unidos seria permitida.
Flávio Bolsonaro perdeu a eleição no segundo turno, no domingo (25), contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O resultado oficial do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deu a Lula 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio.
A população de Israel foi às urnas na terça-feira (27) para eleger o novo Parlamento do país. As bocas de urna mostram um cenário de indefinição e que nem o bloco de Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro, nem o de Gadi Eisenkot, principal líder opositor, conseguirão maioria.
Esta foi a primeira votação após o ataque terrorista do Hamas de 2023, que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza. Ela também acontece após conflitos no Líbano e contra o Irã.
Agora, os partidos políticos negociam e conversam entre si para tentar reunir uma coalizão que consiga formar um novo governo.
O próximo governo de Israel herdará a falta de confiança da população, um orçamento deficitário e o desafio de encerrar conflitos em andamento.
Quais serão os principais desafios do próximo governo?
Falta de confiança da população
O último relatório anual do Israel Democracy Institute, divulgado em dezembro de 2025, mostrou que apenas 29,5% dos israelenses consideram boa a situação do país.
A confiança da população nas instituições israelenses também é baixa: quase metade dos entrevistados (46,5%) disseram que seria melhor “desmanchar todas as instituições políticas do país e recomeçar do zero”.
Entre judeus e árabes, a confiança no governo não passa de 25%, e no Knesset, o Parlamento, de 18%.
“O israelense médio se interessa muito por política. Ele sabe da importância que tem o Parlamento, a democracia, o sistema parlamentarista, mas entende que esse último Parlamento, especificamente, não corresponde àquilo para o que foi eleito e vê uma oportunidade de mudança”, afirma João Miragaya, assessor do Instituto Brasil-Israel e mestre em História pela Universidade de Tel Aviv.
Conflitos inacabados e trauma do 7 de outubro
O próximo governo de Israel ainda terá que enfrentar conflitos que se arrastam há anos.
Apesar do plano de paz apoiado pelos Estados Unidos, as forças israelenses continuam realizando bombardeios na Faixa de Gaza e controlam cerca de 60% de seu território. O Hamas também não desarmou, sendo que isso é uma das principais reivindicações do governo de Israel.
Além disso, uma trégua não impediu novas trocas de ataques no sul do território do Líbano com o Hezbollah, grupo que também recusa a se desarmar e é visto como uma ameaça pela população israelense.
E, apesar da ofensiva conjunta com os EUA, o Irã ainda não abriu mão de suas pretensões de desenvolver um programa nuclear e continua sendo governado pelo regime linha dura.
Braço armado do Hamas, Brigadas Izz ad-Din al-Qassam seguram bandeira palestina enquanto destroem tanque das forças israelenses na Cidade de Gaza em 7 de outubro • Foto de Hani Alshaer/Anadolu Agency via Getty Images
O professor Michel Gherman, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), também chama a atenção para o desafio de reconstruir estruturas de segurança confiáveis, que ficaram fortemente abaladas depois do ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023.
“O 7 de outubro ainda é o grande tema de discussão, o grande trauma”, avalia o especialista, principalmente após uma reportagem do jornal Hareetz afirmar que Netanyahu teria sido avisado pelo líder dos Emirados Árabes Unidos sobre uma ameaça do Hamas com dias de antecedência ao ataque, acusações que ele nega.
Outro ponto que é alvo de grande discussão no país relacionado ao 7 de outubro é a responsabilização pelas falhas de segurança que permitiram o ataque do Hamas.
Samuel Feldberg, doutor em Ciências Políticas pela USP e pesquisador da Universidade de Tel Aviv, explica que foi criada uma comissão de inquérito para apurar essas falhas, mas ela está submetida ao próprio governo, o que levanta questionamentos sobre sua independência.
Assim, parte da comunidade israelense defende a formação de uma comissão parlamentar que possa, eventualmente, responsabilizar o próprio governo, se necessário.
Ultraortodoxos no Exército
Um outro ponto de atrito dentro da população de Israel é a isenção militar aos ultraortodoxos mesmo em um momento com muitos conflitos envolvendo o país.
“Israel tem um governo que se apoia nos partidos ultraortodoxos, que têm como principal demanda para se manter no governo a isenção do serviço militar para aqueles jovens ortodoxos que querem continuar estudando nas escolas religiosas quando fazem 18 anos e, portanto, deixam de se alistar”, explica Feldberg.
O especialista aponta que este é um elemento importante de discussão na sociedade, porque o impacto da guerra e do serviço militar nos últimos anos criou um peso muito grande para o setor laico, havendo demanda para que haja um engajamento maior de outros setores.
Déficit alto e custo de vida
Já na economia, os anos de guerra e os gastos elevados com defesa aumentaram o déficit, que chegou a quase 7% do PIB em 2024 e baixou para 4,7% em 2025.
Um relatório do Banco de Israel estima que os primeiros dois anos da guerra custaram mais de US$ 57 bilhões em perda de produção. O dado ainda não inclui a campanha militar contra o Irã, iniciada em fevereiro de 2026.
“As consequências da guerra — incluindo as restrições à oferta de mão de obra e os custos fiscais do conflito — continuaram a pesar sobre a economia”, afirma o banco central israelense.
“Esses efeitos refletiram-se em uma perda significativa de produção em relação à tendência de crescimento anterior à guerra, em um declínio da renda per capita e em um aumento notável da relação dívida/PIB”, adiciona.
Com isso, o novo governo de Israel também terá que lidar com o aumento no custo de vida no país.
“O custo de vida em Israel subiu muito, especialmente na região central, e está tornando muito difícil a vida dos jovens que têm que iniciar uma carreira profissional”, pontua Samuel Feldberg.
De acordo com a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o país apresenta um dos “níveis de preços comparativos mais elevados do bloco, o que reduz o bem-estar e acirra as tensões sociais”.
Isolamento internacional de Israel
Outro desafio que o próximo governo de Israel terá que superar é o isolamento internacional do país, visto que a imagem da nação do Oriente Médio saiu arranhada após anos de guerra e de milhares de mortes na Faixa de Gaza.
Uma pesquisa do Pew Research Center de junho deste ano, conduzida em 36 países, mostrou que 67% dos entrevistados têm uma visão desfavorável de Israel, enquanto 25% afirmam ver o país de forma positiva.
Momento em que ataque israelense atinge casa na Cidade de Gaza • REUTERS
Além disso, a relação de Israel ficou estremecida com várias nações, incluindo o Brasil. Tornou-se comum, por exemplo, que diplomatas e chefes de Estado se retirem dos discursos de Israel na ONU como forma de protesto.
Mais recentemente, produtos de assentamentos israelenses na Cisjordânia se tornaram alvos de sanções de um grupo de 12 países, incluindo aliados ocidentais como Reino Unido e França.
A Corte Internacional de Justiça afirmou em 2024 que a presença contínua de Israel nos territórios palestinos ocupados é ilegal e deve acabar “o mais rápido possível”.
Questão do território palestino
E um dos principais fatores do isolamento internacional de Israel é exatamente a disputa em relação à criação do Estado palestino.
“Existem forças dentro do governo atual que pedem a declaração de soberania de Israel sobre esses 60% de território de Gaza que estão ocupados”, pontua João Miragaya.
Mas, além da guerra na Faixa de Gaza, o próximo governo também terá que lidar com a Cisjordânia, território palestino ocupado que tem presenciado o aumento dos assentamentos de colonos israelenses.
Em abril deste ano, a CNN noticiou que o gabinete de segurança de Israel aprovou secretamente a legalização de 30 assentamentos e fazendas na Cisjordânia, segundo três fontes.
Duas dessas fontes explicaram que a aprovação foi mantida em sigilo para evitar críticas internacionais em meio ao aumento da violência de colonos contra palestinos desde o início da guerra com o Irã.
João Miragaya pondera, entretanto, que esta eleição não deve levar à chamada Solução de Dois Estados, que prevê um Estado judeu e um palestino coexistindo pacíficamente.
“Desde o 7 de outubro, a pequena maioria que era favorável aos dois Estados passou a ser uma minoria de um quarto a um terço da população. Então, não é uma eleição que deva gerar esperanças pela criação de um Estado palestino, pela resolução do conflito entre Israel e os palestinos, de forma definitiva”, conclui o especialista.
Alvin Hellerstein, o juiz federal dos Estados Unidos que estava supervisionando o julgamento de Nicolás Maduro desde sua captura pelas forças norte-americanas em janeiro, faleceu nesta quarta-feira (28), aos 92 anos.
Um porta-voz do Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York confirmou a morte e informou que os casos que estavam sob a responsabilidade de Hellerstein serão redistribuídos de forma aleatória.
O juiz presidiu inúmeros casos de grande repercussão ao longo de seus quase 30 anos na magistratura.
Há duas semanas, Hellerstein supervisionou uma audiência do ditador deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, e da então primeira-dama, Cilia Flore, acusados de torturar cidadãos norte-americanos e outras pessoas com o objetivo de se manterem no poder, acusações que eles refutam.
Durante a audiência, o juiz interrompeu Maduro, que, em vez de responder se se declarava culpado ou inocente das acusações, começou a proferir um discurso a respeito das denúncias.
Juiz comandou casos de grande repercussão nos EUA
Hellerstein foi nomeado juiz em 1998 pelo presidente Bill Clinton.
Em 2011, passou para a categoria de juiz com status de sênior (juiz em situação de aposentadoria parcial), o que implicava uma carga de trabalho reduzida. No entanto, isso não impediu que alguns dos casos de maior repercussão na mídia caíssem em suas mãos.
Em agosto, Hellerstein rejeitou uma tentativa do presidente Donald Trump de transferir para a esfera federal o processo judicial estadual contra ele, relacionado a pagamentos feitos a uma estrela de filmes adultos para comprar seu silêncio.
O juiz determinou que esses pagamentos e reembolsos — que levaram à condenação de Trump por 34 acusações estaduais de falsificação de registros comerciais — não constituíam atos oficiais. Trump recorreu da decisão.
Além disso, ele interveio para ordenar a libertação de Michael Cohen, que foi adversário de Trump, permitindo que cumprisse o restante de sua pena em prisão domiciliar, após concluir que a administração havia tomado represálias contra o ex-advogado pessoal de Trump devido à publicação de um livro revelador.
O juiz também presidiu os litígios sobre as indenizações destinadas às equipes de resposta a emergências e a outras pessoas afetadas pelos atentados de 11 de setembro.
O presidente do Chile, José Antonio Kast, se comprometeu a comparecer à cerimônia de posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2027, após sua vitória nas eleições presidenciais brasileiras, segundo afirmou Gonzalo Arenas, subsecretário da secretaria-geral do governo chileno, nesta segunda-feira (26).
Arenas foi questionado se o governo reafirmava o reconhecimento dos resultados eleitorais, após o senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciar que buscaria contestá-los devido à prorrogação do horário de votação, medida também solicitada por ele.
“Respeitamos as instituições dos países. As instituições declararam o presidente Lula vencedor e, portanto, não temos mais comentários a fazer; não vamos interferir na política interna do Brasil, muito menos”, enfatizou.
Nessa linha, ele pontuou que “o Brasil é um aliado do Chile, um parceiro fundamental do nosso país e, portanto, seja quem for o presidente, nossas relações continuarão sendo entre Estados”.
Assim, Arenas informou que o presidente Kast se comprometeu a participar da posse do terceiro mandato do presidente Lula.
No domingo (25), após o anúncio de que Lula venceu a votação no segundo turno e conseguiu a reeleição, Kast publicou uma imagem falando ao telefone, afirmando que ligou para o petista e o parabenizou pelo resultado.
Kast destacou a relação entre os países, afirmando que “Chile e Brasil têm muito futuro em comum e continuarão trabalhando por uma agenda que potencialize as relações entre nossos países em integração econômica e combate ao crime organizado na região”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (26), sem apresentar provas, que a votação para a Presidência do Brasil “pareceu mais uma eleição fraudada”, mas destacou que gosta de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que se dá bem com o petista.
Questionado por repórteres sobre sua avaliação do pleito, realizado no domingo (25), Trump disse que achou “terrível”. Flávio Bolsonaro (PL), que foi derrotado por Lula, anunciou que não reconhecerá o resultado da votação e que pedirá anulação.
“Não tomei partido, mas a imagem que passou para o mundo foi péssima; é mais uma eleição — e você sabe, eleições precisam ser inquestionáveis —, por isso, para mim, a situação pareceu muito ruim”, adicionou.
“Não apoiei ninguém nem nada, mas acompanhei a eleição e ela pareceu tão corrupta”, acrescentou.
Em outro momento, o presidente dos Estados Unidos foi questionado se faria algo a respeito da eleição brasileira, respondendo que não comanda o Brasil e que tem bom relacionamento com Lula.
“Eu gosto do Lula, me dou muito bem com ele. Só acho que a forma como a apuração foi feita passou uma impressão muito ruim”, disse.
“Se um governo conservador no Brasil fizesse isso, todo mundo na imprensa mainstream americana perderia a cabeça, mas acho que eles estão apenas escolhendo ficar em silêncio porque é tudo pela causa”, alegou.
Outras autoridades dos EUA também se pronunciaram e saudaram o petista, como Gavin Newsom, governador da Califórnia, o senador Bernie Sanders e Zohran Mamdani, prefeito de Nova York.
Nações da América do Sul, como Chile, Peru e Colômbia, que são comandadas por líderes de direita, também reconheceram o resultado. A Argentina, de Javier Milei, não se pronunciou.
Campanhas de Flávio e Lula pediram extensão do horário de votação
O pedido do grupo de Lula usou como base relatos de problemas envolvendo o transporte de eleitores em todo o país.
Já a campanha de Fávio havia pedido o alongamento da votação ao TSE para os estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo por causa das fortes chuvas.
O PT (Partido dos Trabalhadores) também protocolou um pedido ao Supremo Tribunal Federal para prorrogação da votação por mais duas horas em todo o território nacional. Cristiano Zanin foi sorteado relator do caso às 16h30, no horário de Brasília.
O magistrado acatou a solicitação às 16h57, mas a decisão só entrou nos sistemas da Corte às 17h01. A apuração foi paralisada por volta das 17h06, com o TSE já tendo divulgado os números de algumas urnas.
Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, referendou a medida às 18h.
Autoridades do Brasil confirmam lisura da votação para presidente
“Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Temos absoluta confiança em todo o processo eleitoral”, declarou Nunes Marques.
Os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, Davi Alcolumbre (União) e Hugo Motta (Republicanos), respectivamente, também se pronunciaram.
Alcolumbre disse que o resultado foi uma “vitória da democracia” e pediu respeito à “vontade soberana do povo”. Hugo também elogiou o sistema eleitoral brasileiro e afirmou que a data se trata de “um dia de alegria para nós, democratas”.
O número representa 0,027% dos 127,8 milhões de votos registrados no país e não teria peso suficiente para alterar o resultado da disputa presidencial.