Participação cultural cresce no Brasil, mas insegurança ainda preocupa, aponta pesquisa
A participação dos brasileiros em atividades culturais presenciais cresceu nos últimos 12 meses, segundo a 7ª edição da pesquisa Hábitos Culturais, realizada pelo Observatório Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha.
O levantamento aponta que 88% dos entrevistados participaram de pelo menos uma atividade cultural presencial no período, quatro pontos percentuais acima dos 84% registrados em 2025.
Entre as atividades que apresentaram crescimento estão os shows de música, cuja participação passou de 45% para 51%.
As visitas a centros culturais subiram de 26% para 32%, enquanto as idas a museus aumentaram de 16% para 21%. Já a participação em exposições de arte passou de 27% para 31%.
A pesquisa também investigou a frequência a espaços ligados ao patrimônio histórico, pontos de cultura e espaços comunitários, além da participação em rodas de samba, pagode ou choro e bailes funk.
Nos últimos 12 meses, 39% dos entrevistados visitaram espaços ligados ao patrimônio histórico e 38% participaram de atividades culturais em pontos de cultura ou espaços comunitários.
Rodas de samba, pagode ou choro foram frequentadas por 30% dos participantes, enquanto 9% foram a bailes funk.
O levantamento ouviu 2.448 pessoas em entrevistas presenciais e individuais, realizadas em 137 municípios brasileiros, entre 7 e 20 de julho de 2026.
“Os dados mostram que o hábito cultural continua presente e cada vez mais intenso na vida dos brasileiros. Mais pessoas estão indo a shows, museus, exposições, teatros e centros culturais. Isso importa porque o acesso à arte e à cultura amplia repertórios, cria vínculos e é uma dimensão fundamental do desenvolvimento humano”, afirma Jader Rosa, superintendente do Itaú Cultural.
Desigualdade e insegurança limitam acesso
Apesar do crescimento da participação em atividades culturais presenciais, a pesquisa aponta diferenças significativas entre as classes socioeconômicas.
Considerando o conjunto das atividades investigadas, 97% dos entrevistados das classes A/B participaram de pelo menos uma delas nos últimos 12 meses. Entre as classes D/E, o índice foi de 82%.
A desigualdade também aparece na frequência a equipamentos culturais. Enquanto 63% dos brasileiros das classes A/B foram ao cinema no período, o percentual entre as classes D/E foi de apenas 18%.
No teatro, a diferença foi de 41% entre os entrevistados das classes A/B para 17% entre os das classes D/E. Já as visitas a museus foram mencionadas por 35% dos participantes das classes A/B, ante 14% dos integrantes das classes D/E.
Além das diferenças socioeconômicas, a insegurança e a violência estão entre os fatores que mais afetam a experiência cultural presencial.
Segundo a pesquisa, 30% dos entrevistados citaram essas questões como obstáculos à participação em atividades culturais.
Entre os problemas relacionados à segurança, a falta de policiamento nas proximidades dos espaços culturais foi mencionada por 43% dos entrevistados que apontaram preocupações com o tema. Já os riscos de furtos ou assaltos durante o trajeto foram citados por 29%.
A violência contra as mulheres e o assédio nos espaços culturais também aparecem entre as preocupações. O fator foi apontado por 27% dos respondentes – índice 6% maior que no levantamento anterior. A preocupação é maior entre as mulheres: 38% delas mencionaram a questão, ante 14% dos homens.
Sobre a pesquisa
A 7ª edição da Pesquisa Hábitos Culturais ouviu homens e mulheres de 16 a 65 anos, das classes A, B, C e D/E, residentes em todas as regiões do Brasil. A margem de erro para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.


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