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Exército português recebe primeiro Black Hawk de uma frota de quatro helicópteros


O aparelho foi transportado num avião KC- 390 da Força Aérea, proveniente de Melbourne, Florida, nos Estados Unidos, com destino ao aeródromo militar de Tancos, em Santarém, onde aterrou no domingo.

O Exército português recebeu o primeiro de quatro helicópteros UH-60 Black Hawk que vão permitir criar uma capacidade própria de aviação militar para o ramo militar. A aquisição dos helicópteros está prevista na Lei de Programação Militar, representando um investimento de mais de 40 milhões de euros. O pedido para a compra tinha dado entrada em dezembro de 2025 na agência de procurement da NATO (NSPA).

Os quatro Black Hawk realizarão missões de transporte tático, projeção e extração de forças, apoio às operações militares e evacuação médica. Os aparelhos poderão também ser utilizados em situações de emergência civil, ampliando a capacidade de resposta das Forças Armadas a catástrofes e outras ocorrências.

O aparelho, proveniente de Melbourne, na Florida, vai integrar a Unidade de Helicópteros de Apoio, Proteção e Evacuação (HAPE), criada para reforçar o apoio às operações terrestres. A chegada marca o início da constituição de uma frota de helicópteros própria do Exército, que até agora não dispunha, dotando o Exército de meios de asa rotativa multifunções, capazes de apoiar operações militares e missões de assistência à população.

A aeronave aterrou no domingo no aeródromo militar de Tancos, em Santarém, local que tem em marcha um investimento de cerca de 50 milhões de euros para o projeto de Helicópteros de Apoio, Proteção e Evacuação (HAPE) — montante que engloba a compra de equipamentos, obras de requalificação do aeródromo, bem como todo o processo de formação dos futuros pilotos e mecânicos do Exército — e onde deverá ser instalada a futura escola de pilotos da Lufhansa.

Investimento ultrapassa 40 milhões

A aquisição dos helicópteros está prevista na Lei de Programação Militar (LPM) e integra o processo de modernização do Exército. O projeto representa uma despesa máxima autorizada de mais de 40 milhões de euros, à qual acresce IVA, quando aplicável.

O montante, estabelecido por um Despacho publicado em Diário da República em 2024, não corresponde exclusivamente ao preço das quatro aeronaves. Abrange também a formação, os componentes e a sustentação dos meios, incluindo os encargos necessários para assegurar a sua utilização e manutenção.

A chegada do primeiro aparelho ocorre numa altura em que Tancos está também no centro de outros investimentos na área da aviação militar. O Governo tem previsto para a infraestrutura um projeto “estratégico” de desenvolvimento da formação aeronáutica, tendo garantido que a utilização civil não deverá prejudicar as operações militares.

A nova frota do Exército deve ser distinguida dos Black Hawk já operados pela Força Aérea Portuguesa, que utiliza estes helicópteros sobretudo no combate aéreo a incêndios rurais. Com a aquisição agora em curso, o Exército passa a desenvolver uma capacidade própria, orientada para o apoio às forças terrestres e para a evacuação e proteção de militares.

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Ucrânia pressiona parceiros europeus para avançar com sistema antimíssil Freyja


A Ucrânia diz ter concluído a sua parte no desenvolvimento do Freyja, um sistema europeu de defesa antimíssil balístico, e pressiona agora os parceiros internacionais para acelerarem os trabalhos. O projeto pretende criar uma alternativa europeia aos sistemas norte-americanos Patriot, numa altura em que a escassez de intercetores está a aumentar a pressão sobre as capacidades de defesa aérea da Ucrânia e de outros países europeus.

“Relativamente ao projeto do míssil antibalístico Freyja, a Ucrânia fez o que tinha a fazer”, afirmou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, aos jornalistas. O responsável acrescentou que o contributo dos parceiros continua em desenvolvimento e que dez países estão envolvidos na iniciativa, segundo a agência ucraniana Ukrinform, citada pelo Rapporteur.

As declarações de Zelensky sugerem que a indústria ucraniana, através da empresa de defesa Fire Point, terá concluído a componente do míssil intercetor. Os restantes participantes têm agora de avançar com elementos essenciais do sistema, incluindo os radares e a arquitetura de comando e controlo, necessários para detetar as ameaças, acompanhar a trajetória dos mísseis e orientar a interceção.

“Estão a trabalhar em sistemas deste tipo há décadas. Queremos fazê-lo muito rapidamente, porque não há tempo”, vincou Zelensky, defendendo uma aceleração do projeto.

O projeto surge num contexto de elevada procura de munições antimíssil. A guerra no Médio Oriente tem pressionado os stocks de intercetores norte-americanos, enquanto a Ucrânia continua a depender dos sistemas Patriot para enfrentar ataques russos com mísseis balísticos.

O líder ucraniano alertou esta segunda-feira que o país está “há quase um mês à espera” de aprovação do secretário norte-americano da Defesa, Pete Hegseth, para o fornecimento dos sistemas intercetores. “Estamos há quase um mês à espera que o Sr. Hegseth assine a autorização para os mísseis dos sistemas Patriot e NASAMS. Instruí a nossa equipa a levantar esta questão junto da parte americana mais uma vez. Conversações com outros países também estão em curso”, escreveu Zelensky na rede social X.

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Alternativa europeia aos Patriot

O Freyja foi lançado em julho, numa cimeira que juntou líderes de dez países europeus, incluindo o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e cerca de uma dúzia de fabricantes de defesa, com objetivo de construir, em tempo útil, um sistema que já consiga demonstrar resultados práticos até ao primeiro semestre de 2027.

A ucraniana Fire Point tem trabalhado para desenvolver o intercetor a partir do qual deverá ser construída a capacidade antimíssil do sistema. Em junho, a empresa anunciou ter realizado um voo de teste controlado com manobras do míssil, apresentado como a base do futuro intercetor.

Do lado dos aliados, a expectativa é que os parceiros europeus contribuam com tecnologia, radares modernos, sensores e conhecimento especializados em controlo de mísseis. Entre as empresas já associadas ao esforço estão a Eurosam, que produz o sistema intercetor SAMP-T, a italiana Leonardo, a francesa Thales e a sueca Saab.

A presidente da Comissão Europeia, Ursusla von der Leyen, durante o seu discurso do Estado da União, em setembro, salientou a necessidade de reduzir a dependência de um único fornecedor de defesa e, para tal, pretende contar com a ajuda da Ucrânia.

“O elemento central desta cooperação é o Freyja. Aqui, reunimos a experiência de combate e a capacidade de inovação da Ucrânia com a liderança tecnológica da Europa. E, claro, a nossa considerável capacidade de produção”, afirmou a líder do executivo comunitário.

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Helsing desenvolve sistemas intercetores que “põem fim ao dilema da defesa aérea”


A alemã Helsing apresentou um novo sistema de defesa aérea controlado por inteligência artificial (IA), concebido para detetar e intercetar ataques em larga escala com drones e mísseis. A solução, denominada Contra, integra dois novos intercetores — uma solução que escasseia na Europa — e pretende reduzir o custo de resposta a ameaças aéreas produzidas em massa, como os drones de ataque utilizados pela Rússia na guerra contra a Ucrânia.

O sistema combina sensores, radares e diferentes meios de interceção numa imagem aérea integrada, recorrendo à plataforma de comando e controlo Altra C2. Segundo a empresa, a arquitetura permite “detetar e coordenar respostas contra centenas ou milhares de alvos em simultâneo”, uma capacidade destinada a contrariar ataques de saturação, nos quais um grande número de drones e mísseis procura sobrecarregar as defesas.

“O Contra põe fim ao dilema da defesa aérea: drones lentos para clima favorável, ou mísseis de milhões de euros disparados contra alvos baratos e produzidos em massa. A nossa IA liga sensores e efetores existentes em tempo real e adiciona os nossos intercetores, AD-1 e AD-2. Com propulsão a jato e a foguete, um detetor de radar de baixo custo para qualquer tipo de clima e duas cadeias de abastecimento europeias independentes, eles oferecem superioridade de fogo autónoma até dez quilómetros de altitude — acessível e à escala industrial”, assinala Niklas Köhler, cofundador e presidente da Helsing, citado em comunicado.

O sistema autónomo de defesa aérea da alemã Helsing que apresenta dois novos intercetores: AD-1 Inferno (em baixo) e AD-2 Ambush (em cima).

A empresa de defesa alerta para o aumento sistémico na produção de drones por parte da Rússia, que está também a construir novas plataformas de lançamento para atacar Kiev. Esta escalada coloca o espaço aéreo dos países da União Europeia sob risco crescente, uma ameaça que se materializou nas últimas semanas com sucessivas violações de fronteiras, particularmente no Mar Negro.

Neste cenário regulado pela urgência, a Helsing garante que a sua tecnologia está pronta para responder à crise, vincando que “o Contra foi projetado especificamente para combater esta ameaça”. A alemã já está a demonstrar múltiplas destas integrações de hardware a clientes militares.

A apresentação insere-se na estratégia da tecnológica de desenvolver sistemas militares que combinam IA e equipamento produzido em escala industrial. A empresa pretende oferecer uma arquitetura que não dependa exclusivamente dos seus próprios intercetores, permitindo aos clientes integrar diferentes meios de defesa e adaptar a resposta às ameaças e aos recursos disponíveis.

O Contra integra dois novos intercetores, desenvolvidos para responder a diferentes tipos de ameaças aéreas. O AD-1 Inferno é propulsionado por um motor a jato e foi concebido para permanecer em voo numa determinada área, operar em enxame e voltar a tentar intercetar um alvo. Já o AD-2 Ambush utiliza um motor de foguete de combustível sólido e destina-se a interceções rápidas contra ameaças de maior velocidade.

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