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Instituto Abelardo da Hora lança curso online gratuito sobre infância, arte e cidade

O entendimento de que as vivências na cidade devem passar pela infância tem ganhado força no Brasil e se tornou central no novo curso do Instituto Abelardo da Hora.

Intitulada “A Cidade Brinca - Infância, arte e espaço público em Abelardo da Hora”, a formação gratuita e online insere as crianças nas discussões sobre o planejamento de espaços públicos mais seguros, inclusivos e acessíveis.

Com emissão de certificado, o curso estará disponível a partir de 30 de outubro, com inscrições pelo site do Instituto. A coordenação de conteúdos será do professor Daniel da Hora.

O programa é organizado em oito aulas, com duração de até 50 minutos cada, e se dedica à investigação contemporânea da vida, da obra e do legado do artista.

Além de abordar a trajetória de Abelardo, que foi um artista plástico brasileiro, escultor, desenhista, gravurista, pintor, ceramista, professor e poeta, o curso investiga as relações entre infância, corpo, espaço urbano, arte pública e direito ao brincar em sua produção.

O ponto de partida é a série “Meninos do Recife” (1962), na qual o pernambucano tornou visíveis crianças marcadas pela fome, pela precariedade urbana e pela desigualdade social.

Seus desenhos, monumentos, projetos de arte pública e esculturas-brinquedo revelam diferentes maneiras de compreender a presença da infância no mundo e colocam em pauta como as desigualdades afetam a experiência das crianças.

Nesta leitura, a cidade deixa de ser apenas um cenário e se torna território político e espaço para transformações.

Ao longo das aulas, a obra é aproximada de debates contemporâneos sobre planejamento urbano, acessibilidade, educação, participação social e qualidade dos espaços públicos.

O curso é destinado a artistas, professores, pesquisadores, estudantes, educadores, arquitetos, urbanistas, designers, gestores culturais e profissionais do patrimônio e das políticas públicas, além de interessados em arte brasileira, infância, memória e cidade. Não é necessária formação prévia específica para participar.

“Mais do que revisitar a obra de Abelardo, queremos demonstrar como seu pensamento artístico permanece profundamente contemporâneo. O curso nos convida a refletir sobre que cidade estamos construindo para as novas gerações e qual o lugar que reservamos à infância nessa construção”, destaca Daniel da Hora.

A iniciativa integra as ações de formação, pesquisa e difusão do Instituto Abelardo da Hora. A plataforma de cursos conta também com Clara da Hora, na direção executiva, e Maria Aureliano, responsável pela coordenação geral.

Serviço

Curso “A Cidade Brinca - Infância, arte e espaço público em Abelardo da Hora”
Data: a partir de 30 de outubro
Formato: online, com oito aulas de até 50 minutos cada
Investimento: gratuito (curso com emissão de certificado)
Inscrições: https://institutoabelardodahora.org/cursos-online/

© Thomas Baccaro/iHA

Curso "A Cidade Brinca - Infância, arte e espaço público em Abelardo da Hora" insere crianças nas discussões sobre o planejamento de espaços públicos
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Mafalda Carvalho participa no Talent Connect 2026 para falar de liderança e retenção de talento no turismo

Mafalda Carvalho, fundadora da Prestige Care ConsultingMafalda Carvalho, fundadora da Prestige Care Consulting, autora e especialista em liderança, é a mais recente oradora confirmada para o Talent Connect 2026. Com um percurso profissional entre o Reino Unido e Portugal, vai abordar a forma como transformar a estratégia em práticas diárias nas equipas do turismo, com foco na cultura organizacional, retenção de […]
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Que profissão ganha mais? Esta plataforma ajuda a comparar salários e perspetivas de carreira


Depois de dois anos a acelerar a requalificação dos trabalhadores portugueses e a fazer a ponte entre estes e as vagas de emprego disponíveis no mercado, a plataforma gratuita New Career Network (NCN) entra agora numa nova fase. Passa a apoiar também a fase de reflexão sobre uma potencial mudança de carreira, disponibilizando dados que permitem comparar salários entre funções e perspetivas profissionais.

“Nos últimos dois anos, passaram pela NCN cerca de 340 mil pessoas, das quais cerca de 47 mil foram orientadas para formações de elevada empregabilidade ou oportunidade de emprego“, começa por realçar Carla Sousa, manager desta plataforma, em conversa com o ECO.

“É um número que nos orgulha bastante“, assinala a responsável. Lançada em outubro de 2024, a NCN tem tido, até aqui, duas grandes funções. Por um lado, disponibiliza um catálogo de cursos com empregabilidade mínima de 70%, ajudando a acelerar a requalificação dos portugueses. E, por outro, reúne as vagas de emprego disponíveis no mercado de trabalho.

A partir de agora, soma uma nova funcionalidade: passa a apoiar quem está “ainda na fase de reflexão”, com dados que permitem perceber se quer mesmo mudar de carreira e quais as hipóteses “são válidas” para si, salienta Carla Sousa. Isto porque a Fundação Belmiro de Azevedo decidiu juntar-se a este projeto, como parceira estratégica, trazendo consigo os dados da Brighter Future sobre salários médios, procura por profissão, número de trabalhadores, qualificações mais frequentes, presença de jovens em cada atividade e diferenças regionais.

“Os dados estão disponíveis em contínuo. Qualquer um de nós pode ir à plataforma e aceder diretamente aos dados. Permite perceber, por exemplo, quais são os setores em que a procura é grande ou reduzida, se está a aumentar ou a cair. Para que as pessoas tomem a decisão com uma perceção de risco”, explica a manager.

Temos também informação sobre salários e há surpresas. Por exemplo, o curso de técnico de redes permite um salário médio de 2.200 euros. Em comparação, um fisioterapeuta, ao qual se exige uma licenciatura, tem um ordenado médio abaixo dos 1.500 euros.

Carla Sousa

Manager da NCN

“Temos também informação sobre salários e há surpresas. Por exemplo, o curso de técnico de redes permite um salário médio de 2.200 euros. Em comparação, um fisioterapeuta, ao qual se exige uma licenciatura, tem um ordenado médio abaixo dos 1.500 euros”, destaca Carla Sousa.

A responsável avança ao ECO também que a intenção é que, até ao final do ano, a NCN tenha uma funcionalidade que permita também o acesso personalizado a essa informação, sendo que, por agora, é possível encontrar estes dados diretamente na plataforma, sem que seja necessária criar um perfil.

80 cursos e oito mil vagas de emprego

Carla Sousa é manager da New Career Network (NCN)

Quando foi lançada no outono de 2024, a NCN contava com 30 cursos de requalificação, em diferentes áreas, do digital à agricultura, passando pela indústria. Hoje, a oferta formativa é bem mais expressiva: “Temos à data de hoje mais de 80 cursos de 20 escolas parceiras“, adianta Carla Sousa.

Todos os programas, garante a mesma, são em áreas com elevada procura (da indústria à saúde) e com empregabilidade mínima de 70%. A maioria é pago, mas há também opções gratuitas (40% dos cursos).

No momento do lançamento, a NCN tinha sinalizado ao ECO a vontade de aprofundar a relação com o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). Carla Sousa adianta agora que a entrada da Fundação Belmiro de Azevedo servirá também para retomar esse tema.

Quanto às vagas de emprego, a plataforma registava em torno de duas dezenas de oportunidades, no momento de lançamento. Hoje, adianta a manager, há oito mil vagas registadas em empresas de referência e recrutadoras, como Adecco, Randstad, Sonae, Manpower, CUF e EDP.

Do ponto de vista do perfil, cerca de um terço dos nossos utilizadores tem licenciatura. Esse é o nível predominante. Seguem-se o ensino secundário e, depois, o doutoramento.

Carla Sousa

Manager da NCN

Por outro lado, no que diz respeito ao perfil do utilizador da NCN, Carla Sousa indica que um terço tem licenciatura. “Esse é o nível de escolaridade predominante. Seguem-se o ensino secundário e o doutoramento”, detalha.

Mais, duas em cada três pessoas que chegam a esta plataforma estão empregadas, mas a preparar o seu passo profissional seguinte. “A adesão tem superado as expectativas. Temos feito um conjunto de otimizações à ferramenta”, realça a manager, que revela que a meta é chegar às 400 mil pessoas abrangidas até março de 2027.

A NCN foi criada no âmbito da iniciativa para a requalificação de talento promovida pela European Roundtable for Industry, organização que junta 60 das maiores empresas europeias, incluindo a portuguesa Sonae. Daí que esta retalhista portuguesa tenha sido a responsável pelo investimento que permitiu o desenvolvimento desta plataforma no país.

“A New Career Network traduz o compromisso da Sonae com a educação, a requalificação profissional e a capacitação ao longo da vida. Enquanto maior empregador privado em Portugal, acreditamos que é também nossa responsabilidade contribuir para soluções que ajudem as pessoas a adaptar competências, compreender melhor o mercado de trabalho e tomar decisões de carreira mais informadas”, afirma Daniel Fonseca, diretor de marca da Sonae, citado em comunicado.

Em comparação, a implementação em Espanha foi proporcionada por um conjunto de empresas liderado pela Fundación Telefónica, em colaboração com a SAP, Iberdrola e CEOE.

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Inteligência artificial: sem formação não há competitividade

A inteligência artificial está a redefinir a forma como as empresas competem, inovam e criam valor. Mas, no debate sobre infraestruturas, capacidade computacional e agentes autónomos, há uma dimensão que não pode ser secundarizada: a preparação das pessoas.

Foi uma das reflexões que retirei do Portugal Digital Summit, em particular da intervenção de Bernardo Correia, secretário de Estado, sobre os desafios da transformação digital em Portugal. Pessoas, infraestruturas, dados e capacidade de execução são dimensões essenciais. Contudo, é a qualificação das pessoas que permite transformar as restantes em resultados económicos.

A formação não é um complemento da transformação digital. É uma das suas principais condições de sucesso.

Os dados ajudam a compreender a dimensão do desafio. Segundo o Eurostat, em 2025, apenas 59,2% da população portuguesa entre os 16 e os 74 anos tinha competências digitais básicas ou superiores, face a cerca de 60,4% na União Europeia. Estamos, portanto, longe da meta europeia de 80% até 2030. O problema não é apenas tecnológico: é também de competências.

O Fórum Económico Mundial, no Future of Jobs Report 2025, estima que 39% das competências atuais dos trabalhadores se transformarão ou ficarão desatualizadas até 2030. Além disso, 63% dos empregadores identificam as lacunas de competências como um dos principais obstáculos à transformação das suas organizações. A resposta não pode limitar-se a contratar especialistas. Exige investimento sistemático na aprendizagem e requalificação de quem já trabalha.

Importa, porém, distinguir formar para utilizar de formar para transformar.

A inteligência artificial generativa permite produzir conteúdos, analisar informação e automatizar tarefas. Mas o seu verdadeiro potencial económico surge quando as organizações repensam processos, decisões e modelos de negócio. A evolução para agentes capazes de executar tarefas e interagir com diferentes sistemas torna esta necessidade ainda mais evidente. Precisamos de profissionais capazes de trabalhar com estas tecnologias, avaliar os seus resultados e reconhecer os limites da sua autonomia.

A OCDE reforça esta ideia: menos de 1% dos trabalhadores necessitará de competências avançadas específicas de IA, como desenvolver modelos. A maioria precisará de competências digitais, capacidade para interpretar dados e competências humanas, como pensamento crítico, criatividade e resolução de problemas. A formação em inteligência artificial tem, por isso, de chegar muito para além dos departamentos tecnológicos.

Mas qualificar pessoas não basta. É necessário criar condições para aplicar o conhecimento adquirido. Uma empresa pode formar os seus colaboradores e continuar a não gerar valor se mantiver os mesmos processos, incentivos e modelos de decisão. A liderança tem de ligar aprendizagem, experimentação e execução, definindo objetivos e medindo resultados em produtividade, qualidade e inovação.

Portugal tem aqui uma oportunidade estratégica. Universidades, empresas e decisores públicos devem trabalhar em conjunto para democratizar o acesso à formação, combinar conhecimento científico com aplicação prática e promover a aprendizagem ao longo da vida. Iniciativas europeias como a AI Skills Academy refletem esta prioridade, mas o impacto dependerá da capacidade de transformar a ambição em competências efetivas e resultados mensuráveis.

Na era da inteligência artificial, a vantagem competitiva não pertencerá necessariamente a quem tiver mais tecnologia, mais dados ou mais agentes. Pertencerá a quem souber mobilizar pessoas capazes de os transformar em valor económico. Investir na formação é investir na produtividade, na inovação e na competitividade de Portugal. A tecnologia abre possibilidades. São as pessoas preparadas que as concretizam.

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