Novo Bike PE: Como usar as bicicletas elétricas do Recife, quanto custa e onde serão as novas estações
Já estão disponíveis no Recife as primeiras das 240 bicicletas elétricas do Bike PE, sistema público de bicicletas compartilhadas (o chamado bike share, em que o usuário retira e devolve a bike em estações) que desde setembro passou a ser gerido pela prefeitura da capital pernambucana. São as e-bikes de pedal assistido, tecnologia em que um motor elétrico complementa a força aplicada pelo ciclista, mas só funciona enquanto ele pedala. Na prática, subidas e trajetos longos ficam mais leves.
Para usar, o primeiro passo é baixar o aplicativo do Bike Itaú, fazer o cadastro e escolher um dos planos disponíveis. Pelo próprio app, o usuário localiza a estação mais próxima, confere se há bicicletas elétricas e vagas para devolução e libera a bike. Na estação, é preciso escolher qual modelo pedalar: a elétrica ou a mecânica.
Mas atenção: a principal diferença está na cobrança. Quem tem plano Diário, Mensal ou Anual segue com a bicicleta mecânica incluída, mas a elétrica é sempre paga à parte, mesmo para assinantes. O custo é de R$ 13,50 por viagem de até 15 minutos e, depois disso, R$ 0,90 por minuto excedente: 20 minutos saem por R$ 18 e 30 minutos, por R$ 27. Segundo o app, os planos variam de R$ 32,45 por mês a R$ 225 por ano.

Confira o passo a passo para usar a e-bike:
1) Baixe o app Bike Itaú na App Store (iOS) ou na Google Play (Android).
2) Faça o cadastro e selecione a região de Pernambuco.
3) Escolha um plano e cadastre a forma de pagamento. A e-bike não está incluída nele e é cobrada separadamente.
4) Localize uma estação pelo mapa do app e veja a disponibilidade de bicicletas elétricas e de vagas para devolução.
5) Escolha a e-bike na estação e desbloqueie-a seguindo as instruções do aplicativo.
6) Pedale: o motor entra em ação conforme você faz força nos pedais.
7) Devolva a bicicleta em uma vaga livre de qualquer estação e confirme no app que a viagem foi encerrada.
8) Passados 15 minutos, cada minuto custa R$ 0,90.
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O QUE MUDA COM O NOVO BIKE PE E ONDE SERÃO AS NOVAS ESTAÇÕES

A chegada das e-bikes é a primeira modernização da nova operação, que continua com a Tembici, líder em micromobilidade na América Latina, e o Itaú Unibanco como patrocinador. Com exceção das poucas estações de Olinda e Jaboatão dos Guararapes, que seguem com a Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura de Pernambuco (Semobi), o sistema da capital passou à coordenação municipal.
Pelo edital de licitação do novo sistema, o Recife terá 1.200 bicicletas, sendo 240 elétricas, e 120 estações, 51,90% a mais que os 79 pontos mantidos hoje na cidade. Até então, eram aproximadamente 700 bicicletas convencionais na capital. O contrato é de dez anos, com investimento estimado em até cerca de R$ 102 milhões, e a prefeitura garante que vai fiscalizar metas e indicadores de desempenho e aplicar sanções quando cabível.
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Ao todo, 21 bairros passarão a ter estações. As instalações começaram em 14 de setembro e já contemplaram Ilha do Joaneiro, Hipódromo, Dois Irmãos, Prado, Torrões, Brasília Teimosa, Areias, Ipsep, Mustardinha, Afogados, Jardim São Paulo e Torre. Faltam Cabanga, Macaxeira, Apipucos, Monteiro, Casa Forte, Santana, Várzea, Bongi e San Martin. A concessionária prevê concluir toda a implantação até o final de julho de 2027.
SEM EXPANSÃO, SEM INTEGRAÇÃO E SEM MANUTENÇÃO: OS PROBLEMAS DO BIKE PE
A novidade chega depois de 15 anos de um sistema que, nos últimos anos, perdeu a confiabilidade, requisito básico de qualquer modal de transporte, inclusive os ativos, que dependem da força humana, como a bicicleta. Problemas em marchas, pedais, correntes, pneus e até freios são cada vez mais comuns entre as cerca de 900 bicicletas que oficialmente estariam disponíveis nas 90 estações, quase todas no Recife.
Há ainda falhas de encaixe nos docks, os pontos onde as bikes são travadas, e dificuldade de achar bicicleta para retirar ou vaga para devolver nos horários de pico. A expansão, prometida desde 2011, nunca saiu do papel até agora, quando a PCR resolveu criar um sistema municipal. Atualmente, entretanto, tem sido comum encontrar estações vazias pela cidade, especialmente na área central. Segundo a Tembici, a manutenção das bicicletas para a migração para o novo contrato seria a razão.
Com pouquíssimas exceções, só bairros nobres e o Centro têm estações, com a periferia ficando de fora. A integração com o transporte público, que por anos funcionou com o cartão VEM, também se perdeu. A tese de mestrado "Cadê a bike?", da UFRPE, indicou que só 3% das estações ficam perto de transporte de média e alta capacidade, todas na área central. O estudo apontou, ainda, que a Região Metropolitana do Recife precisaria de pelo menos 300 estações, mais que o triplo das 90 atuais, e que a distância entre elas, de até 1 km, desestimula o uso.


© Divulgação PCR