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Operação Contenção: DPRJ pede R$ 50 milhões em reparação a moradores

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A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) entrou com uma ação civil pública na Justiça pedindo que os moradores dos Complexos da Penha e do Alemão atingidos pela Operação Contenção sejam indenizados em R$ 50 milhões. O valor, segundo a DPRJ, deve ser revertido em obras nas áreas de educação, saúde, esportes e lazer, além de prestação de atendimento psicossocial.

Deflagrada em 28 de outubro de 2025 nos dois complexos, na zona norte da capital fluminense, a ação resultou na morte de 122 pessoas, sendo cinco policiais e 117 não policiais.

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“A Operação Contenção expôs a vida dos moradores e gerou traumas pessoais, com agressões físicas, invasão de domicílios e furto de bens, tudo feito em nome de uma positiva tentativa de reocupação territorial, mas que, na verdade, só gerou derramamento de sangue”, afirma o defensor público Marcos Paulo Dutra Santos, coordenador do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos (NUDEDH).

“Nesta ação, estamos buscando a condenação do Estado para que disponibilize tratamento diferenciado em prol da saúde mental de todos esses moradores, cujo território ficou marcado pelo episódio de maior letalidade policial do Brasil, sem prejuízo a proteções individuais, relacionadas aos danos causados a cada um”, destaca.

Um dos casos de reparação individual envolve a família de Ronaldo Julião da Silva, assassinado aos 46 anos no dia da operação. Silva era natural de Campina Grande (PB), tinha seis filhos, trabalhava como pedreiro e não tinha anotações criminais. A ação da DPRJ defende que “a omissão do Estado não comprometeu apenas a preservação do local, a realização da perícia e a investigação da morte, mas também o respeito à dignidade da pessoa humana, já que o corpo foi abandonado e exposto em via pública”.

Relatório

A ação civil pública ajuizada pela DPRJ tomou como base um relatório produzido pela organização internacional Human Rights Watch. O documento demonstrou o descumprimento, durante a operação, das determinações estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da  Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, conhecida como ADPF das Favelas, especialmente quanto à utilização de câmeras corporais por agentes de segurança do Estado.

Os dispositivos são considerados um instrumento essencial à transparência das operações, à produção de provas e à proteção jurídica tanto da população quanto dos próprios agentes de segurança.

“O não uso de câmaras corporais acaba dificultando a elucidação de crimes. Esses equipamentos são uma garantia do morador contra arbitrariedades policiais, mas também uma garantia do bom policial, para que ele fique resguardado de eventuais acusações injustas de abuso de autoridade, por exemplo”, explica o defensor público Lucas Aparecido Alves Nunes, subcoordenador do NUDEDH.

Para Nunes, a retomada de territórios submetidos ao domínio de organizações criminosas é relevante, mas o relatório revela “excessos inadmissíveis” cometidos durante a Operação Contenção, que representam “um contrassenso”.

“Como uma operação que objetivava uma reocupação territorial e que, portanto, foi idealizada em benefício dos próprios moradores, poderia se voltar contra eles próprios, gerando danos a patrimônios, invasões indiscriminadas a domicílio e ofensas à integridade física dos moradores?”

A ação ajuizada também se apoia em outras fontes, como o relatório produzido pelo NUDEDH em conjunto com o Projeto Mirante, encaminhado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) para auxiliar na apuração dos fatos.

Investigações

A investigação do MPRJ reúne mais de 4 mil horas de gravações de câmeras corporais, 122 laudos periciais médico-legais e 262 depoimentos de agentes públicos, prestados por 255 pessoas. O material é analisado pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) e confrontado com registros de ocorrência, documentos operacionais de planejamento, mapas, croquis e dados sobre o uso de munições, para identificar possíveis divergências entre os relatos e as provas, de modo a reconstruir as circunstâncias de cada episódio.

Foram utilizadas técnicas de preservação tridimensional de imagens dos corpos, que permitem reexaminar aspectos das perícias e compará-los com outras evidências. O MPRJ realizou perícias próprias e complementares no Instituto Médico Legal (IML) e produziu laudos médico-legais relacionados às vítimas da ação. O trabalho também inclui a preservação e a análise de arquivos digitais, para garantir a integridade das provas e o cumprimento dos procedimentos de cadeia de custódia.

O Gaesp vem realizando buscas ativas por testemunhas e atividades de escuta de parentes das vítimas. Foram ouvidos 45 familiares de pessoas que morreram durante a operação. O Núcleo de Apoio às Vítimas (NAV/MPRJ) também atua no acolhimento dos familiares, com atendimento psicossocial, orientações e encaminhamentos para serviços públicos de saúde e proteção.

*Com informações da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro

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Rio Uruguai está em elevação e atinge cota de alerta em Uruguaiana

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O nível do Rio Uruguai voltou a subir em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul (RS), informa a Defesa Civil da cidade. Uma elevação de 60 centímetros ocorreu em 24 horas. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) informou que às 16h45 desta quarta-feira (28), o Rio Uruguai estava 8,33 metros acima do nível normal e atingiu a cota de alerta.  

De acordo o coordenador municipal da Defesa Civil, Paulo Woutheres, a expectativa é de que o cenário seja de crescimento nos próximos dias. “Está subindo e deve continuar, no mínimo até sábado”, avaliou. A Defesa Civil segue monitorando o avanço não somente no município de Uruguaia, mas em toda região cortada pelo Rio Uruguai.

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A prefeitura de Uruguaiana informou que, devido à cheia do Rio Uruguai, o município tem 41 desabrigados (12 famílias) e 176 desalojados (69 famílias) que estão fora de casa em razão da elevação do nível do rio.

Balanço da prefeitura mostra que os desalojados estão em casa de parentes ou conhecidos. Os desabrigados foram levados para o Centro Esportivo Zona Leste, no bairro Santo Inácio, e no Centro Esportivo Nova Esperança.

A prefeitura e a Defesa Civil prestam atendimento às famílias nas áreas da saúde, segurança e assistência social. Os desabrigados contam com apoio da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada do Exército Brasileiro e da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinfra).

Balanço do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontava para uma primavera chuvosa e com episódios recorrentes de tempestade e cheias, especialmente na Fronteira Oeste e na Metade Norte do estado do Rio Grande do Sul, por influência do El Niño 2026-2027.

A previsão é de que a bacia do Rio Uruguai se mantenha acima do nível até o final de novembro.

Previsão

De acordo com o Inmet, a previsão é de chuva nesta quinta-feira (29), na Região Sul, principalmente no Paraná e em Santa Catarina, onde chove com trovoadas isoladas.

Para o Paraná e para o norte de Santa Catarina, está vigente aviso amarelo de perigo potencial para tempestades. Também existe possibilidade de chuva isolada no norte do Rio Grande do Sul, mas, nas demais áreas do estado gaúcho, o sol aparece entre muitas nuvens e não deve chover.

O dia será frio em Curitiba (PR), com mínima de 13 °C e máxima de apenas 18 °C. Em Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS), as temperaturas ficam amenas, com máxima de 23 °C.

Para esta sexta-feira (30), a chuva continua em grande parte da Região Sul. O tempo fica mais fechado em Santa Catarina, onde chove com trovoadas ao longo de todo o dia. No oeste, centro, sul e leste do Paraná e no norte do Rio Grande do Sul, ocorrem pancadas de chuva com trovoadas isoladas.

A meteorologia divulgou um aviso amarelo de perigo potencial para tempestades no Paraná, em Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul. Também existe possibilidade de chuva isolada no norte do Paraná e na região de Porto Alegre (RS). Em grande parte do oeste e em toda a faixa sul do Rio Grande do Sul, o céu fica com muitas nuvens, mas não há previsão de chuva.

As temperaturas continuam amenas. Em Curitiba (PR), a mínima será de 15 °C e a máxima não deve passar dos 20 °C. Em Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS), as temperaturas variam entre a mínima de 16 °C e a máxima, de 22 °C.

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