❌

Reading view

Plano de estado dos anos 90 transformou a Coreia do Sul em uma superpotência pop com a regra de “apoiar sem interferir”

Imagina começar o dia cuidando da pele com uma máscara facial ao som de Blackpink, almoçar um saboroso bibimbap enquanto assiste a um filme de Bong Joon-ho e, à noite, fazer uma maratona da série de zumbis All of Us Are Dead acompanhada de frango frito picante e soju de morango.

Tudo isto é possível sem colocar os pés na Coreia do Sul. O movimento cultural conhecido como Hallyu, ou Onda Coreana, deixou de ser um nicho asiático para se transformar num autêntico terramoto pop global, conquistando milhões de fãs em todos os continentes e movimentando milhares de milhões de dólares.

Da indústria à potência cultural: a ascensão global da Coreia do Sul

O alcance desta expansão é impressionante e desafia qualquer barreira linguística. Músicas de grupos de K-pop como os BTS e as Twice conquistam rotineiramente o topo das tabelas nos Estados Unidos e no Reino Unido, enquanto produções como Squid Game batem recordes históricos de visualizações e o filme Parasite faz história ao vencer o Oscar de Melhor Filme.

O país, que há poucas décadas era reconhecido internacionalmente sobretudo pela sua indústria pesada, eletrónica e automóveis, reinventou a sua identidade e estabeleceu-se como uma superpotência criativa indispensável no cenário cultural contemporâneo.

O segredo do sucesso: apoiar sem interferir

Muitos analistas perguntam-se qual é a fórmula mágica por trás desta hegemonia, e a resposta reside numa combinação estratégica entre o dinamismo do setor privado e um apoio público inteligente. Desde o final dos anos 1990, com a presidência de Kim Dae-jung, o Estado sul-coreano passou a encarar a cultura como uma commodity de exportação, estabelecendo a diretriz de “apoiar sem interferir”.

Através de incentivos fiscais, linhas de crédito e investimento em escolas de artes e festivais renomados, como o Festival Internacional de Cinema de Busan, o governo financia as bases para que criadores e estúdios privados deem asas à sua imaginação com total liberdade artística.

Muito além do K-pop: a invasão da cosmética e da gastronomia

O impacto do Hallyu ultrapassou rapidamente as telas e os fones de ouvido, transformando hábitos de consumo em todo o planeta. A indústria da cosmética, o famoso K-beauty, atrai multidões aos bairros comerciais de Seul e caminha para movimentar mais de 18 mil milhões de dólares até 2030, graças ao uso de ingredientes naturais.

Ao mesmo tempo, a gastronomia sul-coreana ganha o mundo: o tradicional kimchi tornou-se um item indispensável nas prateleiras internacionais pelos seus benefícios para a saúde, o gochujang tem lugar de destaque nas cozinhas de grandes chefs e snacks como o corn dog e a bebida soju viraram tendências globais.

Um motor econômico mais valioso que carros e eletrodomésticos

Os números comprovam que a cultura se tornou uma das ferramentas econômicas mais poderosas da Coreia do Sul, superando os rendimentos de exportação de setores tradicionais como eletrodomésticos e veículos elétricos. Para ter uma ideia da magnitude deste impacto, estima-se que o grupo BTS sozinho seja responsável por gerar cerca de 3,67 mil milhões de dólares anuais para a economia do país através de consumo, turismo e exportações, sendo que o lançamento do single

Dynamite, por exemplo, criou quase 8 mil postos de trabalho.

Apesar dos holofotes, a indústria cultural sul-coreana também enfrenta desafios e debates sociais intensos. No passado, gestões governamentais conservadoras chegaram a criar “listas” para cortar financiamentos a artistas com posições políticas divergentes, incluindo diretores aclamados como Bong Joon-ho e Hwang Dong-hyuk. Além disso, o setor lida com controvérsias complexas sobre a saúde mental dos artistas, a pressão extrema na carreira, episódios de assédio e problemas estruturais revelados por escândalos nos bastidores da cultura pop.

O futuro multinacional e as lições para o mundo

A grande lição que o modelo sul-coreano deixa para o mundo é a sua capacidade contínua de inovação, resiliência e abertura global. O K-pop tornou-se uma operação verdadeiramente internacional, unindo compositores suecos, coreógrafos americanos e integrantes de diversas nacionalidades em grupos globais, ao mesmo tempo que desperta um interesse inédito pela aprendizagem da língua coreana em todo o mundo. Com a literatura sul-coreana a apontar como a próxima grande fronteira de sucesso internacional, a Coreia do Sul demonstra como a paixão pela narrativa e a valorização da cultura podem transformar uma nação numa referência global inabalável.

  •  

De pedrinha em pedrinha, coreano construiu mais de 80 pilhas de até 15 metros de altura; trabalho de 30 anos foi inspirado por “revelação divina”

Entre os picos gêmeos da montanha de Maisan, no oeste da Coreia do Sul, está escondido um templo decorado com mais de 80 pilhas de pedra. Algumas são menores, compostas por colunas únicas de rochas equilibradas que desafiam a ação dos ventos; outras têm mais de toneladas de pedras acumuladas e atingem alturas de até 15 metros.

Todas elas foram construídas por um único homem: o eremita coreano Lee Gap-Yong, que empilhou cada pedrinha ao longo de três décadas como parte de um ritual de reflexão e espiritualidade.

A história do templo de Tapsa

Preservado até hoje como ponto turístico pelos monges budistas da ordem Taego, o pequeno templo começou a ser construído em 1885. Um eremita solitário subiu a montanha de Maisan, no estado de Jeonbuk, para meditar no vale entre seus dois picos.

Na tradição budista, empilhar rochas é uma forma de meditação ativa. A construção dos chamados “pagodes” ou torres de pedra é uma forma de pedir boa sorte e exercitar o equilíbrio e atenção plena.

De acordo com o abade do templo, Jinseong, em entrevista de 2024 ao veículo Cheongpung News, “enquanto Lee Gap-yong empilhava cada pedra, ele rezava pela independência da nação e pela salvação do povo”. Para o monge, “os misteriosos pagodes construídos com pedras representam a cristalização dos desejos e da prática espiritual de inúmeras pessoas.”

Na época, o território coreano, ainda unificado, estava sob influência japonesa e também era visado pela China. Só na década de 1880 foi criada a Taegeukgi, a bandeira nacional coreana, para reafirmar a soberania do país.

Leia Mais:

O trabalho do eremita começou quando tinha apenas 25 anos e estendeu-se até 1917, mais de três décadas depois. Estima-se que ele tenha construído acima de 100 torres de pedra, e cerca de 80 sobrevivem até hoje.

“A questão mais frequente sobre as torres é: como elas podem continuar preservadas, sem colapsar?”, contou o abade Jinseong. “É prova de que Lee Gap-Yong não as construiu só por fazer. Ele as construiu com consciência dos ângulos do vento, da direção na qual ele desce e onde ele se curva e sobe novamente. É uma ciência viva, uma torre que reflete por completo a providência da natureza.”

Como foram construídas as torres de pedra?

Segundo uma investigação do canal televisivo Channel News Asia, as torres começavam com uma base circular plana. Depois, novas pedras eram adicionadas dentro do círculo. O terceiro passo era equilibrar outras rochas por cima do círculo, formando uma pirâmide cônica.

A maioria das pedras era retirada da própria montanha e dos arredores, mas as rochas maiores foram trazidas de leitos de rios e outras regiões da Coreia. Entre elas, outras menores eram posicionadas para aumentar a estabilidade.

Nenhuma ferramenta ou argamassa foi utilizada para construir os pagodes. Diferente de outras torres de pedras comuns na tradição budista, o formato natural de cada peça era preservado, exigindo maior atenção ao equilíbrio e maior planejamento de encaixe.

17 de ago. de 2026
포레스트 필름 (@4rest_film) • Instagram photos and videos

O local só foi convertido em templo budista depois da conclusão do trabalho de Lee, que também se formou monge na velhice.

Tapsa está aberta à visitação, localizada dentro do Parque Provincial de Maisan. Nos arredores, trilhas repletas de natureza também atraem turistas. A primavera coreana, entre março e abril, é o momento mais propício para visitação: é quando florescem as famosas árvores cerejeiras, tingindo a paisagem de cor-de-rosa.

  •  

Coreia do Sul promete resposta firme a violações da fronteira pelo Norte

A Coreia do Sul responderá com firmeza para proteger a fronteira militar com a Coreia do Norte, apesar das alegações de Pyongyang de que realiza operações em seu próprio lado da linha divisória, afirmou nesta sexta-feira (30) o assessor de segurança nacional sul-coreano, Wi Sung-lac.

As tensões aumentaram após a explosão de uma mina terrestre dentro da DMZ (Zona Desmilitarizada, em inglês), na fronteira entre os dois países, ferir gravemente vários soldados sul-coreanos durante uma missão de reconhecimento no mês passado. Seul afirmou que a explosão foi causada por uma mina norte-coreana.

O Comando das Nações Unidas, responsável por supervisionar a DMZ, afirmou que a presença de uma mina norte-coreana do outro lado da linha divisória violou o armistício. Seul exigiu que Pyongyang interrompa imediatamente os trabalhos de fortificação nas proximidades da fronteira entre as Coreias, alegando que as atividades elevaram as tensões.

Pyongyang negou responsabilidade pela mina. Kim Yo Jong, influente irmã do líder norte-coreano Kim Jong Un, afirmou em 21 de outubro que a Coreia do Norte ativará alto-falantes de propaganda contra a Coreia do Sul ao longo de toda a fronteira até o fim de outubro.

O serviço de inteligência sul-coreano afirmou na quinta-feira (29) que a Coreia do Norte ainda não havia iniciado nenhuma transmissão.

As duas Coreias já utilizaram esse tipo de transmissão como parte de campanhas de guerra psicológica.

Pyongyang critica exercícios militares entre Seul e Washington

O Ministério da Defesa da Coreia do Norte afirmou em comunicado divulgado nesta sexta-feira pela agência estatal KCNA que os exercícios de defesa aérea Freedom Flag, realizados em conjunto por Coreia do Sul e Estados Unidos, estão aumentando as tensões na Península Coreana.

“Não há limites para as opções da RPDC para manter uma postura de dissuasão forte, capaz de lidar de forma eficaz com todas as ameaças representadas pelas movimentações militares dos Estados Unidos e de suas forças subordinadas”, afirmou o porta-voz do ministério, usando a sigla do nome oficial da Coreia do Norte, República Popular Democrática da Coreia (RPDC).

As forças aéreas da Coreia do Sul e dos Estados Unidos realizam exercícios conjuntos de defesa aérea desde segunda-feira (26) na Base Aérea de Kunsan. As atividades estão previstas para terminar em 6 de novembro, segundo o Ministério da Defesa sul-coreano.

Os exercícios envolvem caças furtivos, incluindo os F-35A da Coreia do Sul e os F-35B supersônicos do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, informou o ministério.

Coreia do Norte realiza teste com torpedos que usam IA para detectar alvos

 

  •  
❌