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Justiça diz que ex-delegado eleito deputado não se beneficiou de cão Orelha

A Justiça de Santa Catarina julgou improcedente a ação de improbidade administrativa movida pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) contra Ulisses Gabriel, ex-delegado-geral da Polícia Civil. Gabriel foi eleito deputado estadual pelo PL (Partido Liberal) nas eleições de 2026.

A ação sustentava que ele teria utilizado coletivas de imprensa, entrevistas e publicações nas redes sociais sobre o caso do cão Orelha para promover a própria imagem para uma futura candidatura eleitoral.

A sentença foi assinada pela juíza Luciana Pelisser Gottardi Trentini, da 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca da Capital, que reconheceu a inexistência de elementos suficientes para caracterizar o ato de improbidade administrativa atribuído ao ex-delegado.

O Ministério Público pediu a aplicação das sanções previstas na Lei de Improbidade Administrativa e o pagamento de indenização por danos morais coletivos.

Para a juíza, porém, não foram comprovados os requisitos exigidos pela legislação, como a utilização de recursos públicos para promoção pessoal, o enaltecimento inequívoco do agente e a personalização de atos ou serviços da administração pública.

Segundo a sentença, as declarações de Ulisses nas entrevistas e na coletiva de imprensa destacaram a atuação institucional da Polícia Civil e identificaram os delegados responsáveis pela investigação.

A magistrada afirmou que não houve demonstração de que o ex-chefe da corporação tenha se apropriado individualmente dos resultados do trabalho policial.

A decisão também apontou que não foi comprovado o uso de dinheiro público para autopromoção. O processo não apresentou evidências de contratação de campanhas publicitárias ou de destinação extraordinária de recursos para exaltar a imagem do ex-delegado.

Também não houve comprovação de que ele tenha solicitado as entrevistas ou recebido diárias e recursos públicos para deslocamentos com essa finalidade.

Pré-candidatura e declarações

A ação questionava ainda manifestações de Ulisses sobre a redução da maioridade penal e o sistema socioeducativo. A juíza considerou que as opiniões foram apresentadas no contexto das entrevistas sobre a investigação, que envolvia adolescentes, e não configuraram a personalização de um ato ou serviço público.

A sentença também afastou o argumento de que o anúncio posterior de uma pré-candidatura poderia comprovar a intenção de promoção pessoal nas declarações anteriores.

Segundo a magistrada, não houve pedido de voto, vinculação partidária formal ou propaganda eleitoral nas manifestações questionadas.O texto afirma que a notoriedade decorrente do exercício de um cargo de exposição institucional não configura, por si só, enaltecimento pessoal.

A juíza também avaliou que expressões coloquiais utilizadas pelo ex-delegado, como “pau que bate em Chico também bate em Francisco” e “aqui em Santa Catarina o bambu ronca”, não demonstram isoladamente intenção de autopromoção.

A decisão é de primeira instância e prevê o arquivamento do processo após o trânsito em julgado, caso não haja recurso.

Caso Cão Orelha

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    Cão era cuidado pela comunidade havia cerca de dez anos • Reprodução

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    Moradores, ONGs (Organizações Não Governamentais) e associações se manifestaram e pediram justiça pela morte de Orelha • Reprodução

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    Animal comunitário morreu por maus-tratos, na Praia Brava, em Florianópolis (SC) • Reprodução

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    Polícia realizou uma ação para investigar o caso, com o objetivo de cumprir três mandados de busca e apreensão nos endereços dos suspeitos pelas agressões • Reprodução

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    Cão "Orelha", animal comunitário que morreu por maus-tratos, na Praia Brava, em Florianópolis (SC) • Reprodução

O cão comunitário Orelha vivia na região da Praia Brava, em Florianópolis, havia cerca de dez anos. Em janeiro de 2026, o animal foi encontrado debilitado e com lesões na região da cabeça e foi levado a uma clínica veterinária, onde passou por eutanásia.

Durante a investigação inicial, a Polícia Civil apontou adolescentes como suspeitos e chegou a solicitar a internação de um dos jovens.

Posteriormente, após a apresentação de novos vídeos pela defesa dos investigados, o MPSC solicitou a exumação do corpo do animal para a realização de perícia pela Polícia Científica.

De acordo com o laudo, a perícia não identificou traumas ou fraturas provocados por ação humana. O exame apontou que Orelha sofria de osteomielite crônica no maxilar, associada a uma doença periodontal avançada.

A análise de imagens de câmeras de segurança também identificou uma diferença de 30 minutos nos relógios dos equipamentos. A revisão dos registros indicou que os adolescentes não estavam no local no horário da suposta agressão.

Após os novos elementos, o MPSC pediu o arquivamento do inquérito que investigava os adolescentes e solicitou à Corregedoria da Polícia Civil a apuração de possíveis irregularidades na condução inicial das investigações.

Outro lado

Em nota, a defesa de Ulisses Gabriel, representada pelo advogado Mathaus Agacci, afirmou ter recebido a decisão com serenidade.

Segundo os advogados, o ex-delegado atuou no exercício regular das atribuições do cargo, cumprindo o dever institucional de prestar informações à sociedade sobre o trabalho da Polícia Civil. Leia a nota na íntegra:

“A defesa de Ulisses Gabriel, representada pelo advogado Mathaus Agacci, recebeu com serenidade a decisão que julgou improcedente a ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público de Santa Catarina contra o ex-Delegado-Geral da Polícia Civil.

Desde o início, a defesa sustentou que a atuação questionada ocorreu no exercício regular das atribuições do cargo, em cumprimento ao dever institucional de transparência e de prestação de informações à sociedade sobre o trabalho da Polícia Civil.

Na condição de Delegado-Geral, Ulisses atuou como porta-voz da instituição, prestando esclarecimentos sobre uma investigação de relevante interesse público. Ao fazê-lo, reconheceu o trabalho dos delegados responsáveis e respeitou as competências dos profissionais envolvidos, pautando sua atuação pela legalidade e pelo compromisso de informar a população.

O julgamento de improcedência assume especial importância diante dos danos causados à honra, à imagem e à trajetória profissional de Ulisses Gabriel. A defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e reitera que sua atuação à frente da Polícia Civil esteve pautada pelo respeito à lei e às responsabilidades do cargo.”

 

*Sob supervisão de Thiago Félix

O que se sabe sobre caso de morte de cão Orelha em praia de SC

 

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Democratas dos EUA questionam governo Trump sobre possível ajuda na fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil

Políticos democratas do Congresso dos Estados Unidos confeccionaram uma carta, encaminhada ao Secretário de Estado Marco Rubio, para questionar qual papel o governo Trump desempenhou na fuga do senador Flávio Bolsonaro do Brasil. O documento foi enviado nesta quinta-feira (29).

A carta foi assinada por um grupo de 25 democratas da Câmara dos Deputados, entre eles estão membros do Comitê de Relações Exteriores da Câmara. O grupo é liderado pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus.

No documento, eles questionam se Trump ajudou Flávio a fugir, se ele estaria ciente das investigações criminais abertas contra o senador, além de perguntar sobre o processo de emissão de vistos para a entrada da família Bolsonaro nos EUA.

O grupo também menciona reportagens da imprensa norte-americana que afirmam que o governo Trump ajudou na fuga e que teria pago pelo voo de jatinho particular usado na ação.

"A questão central é simples: o Departamento de Estado, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil ou qualquer outra agência do governo americano ajudou o senador Bolsonaro a viajar para os Estados Unidos ou a entrar no país, apesar da suposta restrição judicial brasileira à sua saída?", diz trecho da carta.

Os políticos também buscam esclarecer se o governo Trump tinha conhecimento das restrições impostas pela Justiça brasileira ao senador, que incluíam a proibição de deixar o país e a obrigação de entregar os passaportes.

Segundo uma consulta ao sistema U.S. Customs and Border Protection - CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos), Flávio Bolsonaro recebeu autorização do governo americano para permanecer por 1 ano no país.

© Marta Lavandier/AP Photo/Estadão Conteúdo

Flávio Bolsonaro desembarca em Miami
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Defesa do deputado eleito Emerson Freitas contesta prisão preventiva e diz não ter acesso à decisão

A defesa do deputado estadual eleito Emerson Freitas (MDB) contestou, nesta sexta-feira (30), a prisão preventiva decretada na véspera pela 15ª Vara Criminal da Capital, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

Em entrevista coletiva numa casa do Alto do Mandu, Zona Norte do Recife, o advogado Weryd Simões disse não ter recebido cópia da decisão nem do pedido que a fundamentou. Ele não informou onde está o cliente.

Expedido na quinta-feira (29), o mandado está em nome de Emerson Jhuan Pereira do Nascimento, nome de registro do influenciador, e cita o artigo 158 do Código Penal, que trata de extorsão.

A ordem, assinada pelo juiz Abérides Nicéas de Albuquerque Filho, faz parte da decisão em que a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público contra ele e Rizelly da Silva Santos. A decisão não detalha o papel de cada um.

A prisão foi decretada apenas contra o deputado eleito e deve ser reavaliada em 90 dias. O processo corre em segredo de Justiça.

Na coletiva, Simões atribuiu o pedido de prisão ao delegado do caso. “O delegado entrou com a medida cautelar. Nós queremos o acesso a essa medida cautelar”, afirmou.

O caso

Segundo a Marco Zero Conteúdo, que revelou o caso, Emerson é acusado de se passar por policial militar para extorquir uma mulher vítima de violência doméstica.

Ele se apresentava como “sargento Emerson”, supostamente lotado na Casa Civil, e dizia ser homem de confiança da governadora Raquel Lyra (PSD) e da vice, Priscila Krause (PSD). Em buscas na casa do influenciador, a Polícia Civil apreendeu munições de uso restrito, um distintivo policial e um gorro da PM.

Com mais de 1 milhão de seguidores, Emerson se apresenta como jornalista investigativo e ficou conhecido por vídeos sobre crimes no estado. Teve 49.254 votos em 4 de outubro e foi o segundo mais votado do MDB. A posse na Alepe está prevista para 1º de fevereiro de 2027.

A versão da defesa

Segundo Simões, a investigação começou em julho. Em 15 de outubro, Emerson teria ido espontaneamente, sem ter sido intimado, ao Grupo de Operações Especiais (GOE), acompanhado do advogado.

Lá, prestou depoimento e deixou endereço, telefone e e-mail, conforme petição que, segundo a defesa, foi recebida pelo delegado. “Ele se colocou à disposição, informou endereço, telefone e e-mail. Nós temos prova disso”, disse.

Em 20 de outubro, ainda segundo o advogado, a defesa pediu à 36ª Promotoria de Justiça acesso à investigação e também pediu habilitação nos autos judiciais. Não teve resposta.

Com base nesse histórico, Simões rejeita que o cliente seja tratado como foragido: "se a polícia tinha os contatos dele, por que ele não foi intimado?".

O advogado também cobra explicações sobre a divulgação do mandado à imprensa às 14h10 de quinta, véspera de feriado, antes que a defesa tivesse acesso ao documento. “O blog já teve acesso, o canal de notícias já teve acesso. Por que nós não tivemos?”

Provas contestadas

A defesa sustenta que o inquérito começou a partir de vídeos em que Emerson denunciava toques de recolher impostos por facções. Para os advogados, as autoridades passaram a investigar o denunciante em vez das denúncias.

Com base nos documentos a que diz ter tido acesso, o advogado afirma que a investigação se apoia sobretudo em prints do Instagram e do WhatsApp.

Ele também questiona a perícia em um celular que pertenceria a uma pessoa morta, segundo ele, a defesa não encontrou autorização judicial para essa análise. “Não existe neste inquérito nenhuma informação de prova submetida ao contraditório que aponte que Emerson tenha cometido qualquer crime”, declarou.

Não foi possível verificar as alegações, porque os autos estão sob sigilo.

Policiais na casa de eleitor

Segundo a defesa, o imóvel da coletiva pertence a um eleitor que trabalhou na campanha. Simões afirmou que policiais civis e federais estão no entorno desde quinta-feira.

Segundo ele, quem chegava ao local foi revistado e teve documentos e celulares verificados, e computadores foram retirados da casa. O proprietário gravou um vídeo em que diz não ser criminoso e questiona a ação.

Em nota divulgada pela defesa, Emerson disse que não vai recuar. “Não me curvarei à intimidação, à censura ou a qualquer tentativa de perseguição”, afirmou. Os advogados anunciaram que vão recorrer ao TJPE e disseram que Emerson cumprirá as determinações judiciais de que tiver conhecimento.

O MDB estadual disse ter sabido do mandado pela imprensa e que vai aguardar esclarecimentos das autoridades. O partido reafirmou respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência.

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© Foto: Reprodução/Instagram

Deputado estadual eleito Emerson Freitas
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Indígenas do Mato Grosso do Sul denunciam casos de violência e ameaças após eleição

Após o resultado das eleições presidenciais no domingo, indígenas da etnia Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul fizeram diversas denúncias de casos de violência que envolvem tentativas de assassinatos e até ameaça de envenenamento da água da comunidade.

Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ao menos cinco casos de assassinatos de indígenas na região desde sábado (24) estão sendo investigados.

O coordenador do Cimi em Mato Grosso do Sul, Matias Benno Rempel, diz que os indígenas relataram diversos casos de intimidações durante a eleição. “Caminhonetes que rodavam pelo território e algumas agressões aos indígenas para tentar causar pânico na comunidade e evitar que eles fossem votar”.

Mas ele ressalta que a violência no estado é constante. “Agora temos holofotes para a região. Mas o que aconteceu essa semana, as tentativas de assassinatos, elas ocorrem o tempo todo com a população indígena Guarani Kaiowá. Essa violência que está sendo chamada de violência pós eleitoral, ela é um componente permanente de milícias do campo”, disse.

A Fundação Nacional do Índio (Funai), o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) encaminharam pedidos ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal para investigar os casos. Um deles envolve um atropelamento de indígena de forma proposital na cidade de Coronel Sapucaia, no sudoeste do estado, na fronteira com o Paraguai.

Segundo dados da Apib, entre 2022 e 2026, seis indígenas da etnia Guarani Kaiowá foram assassinados no estado de Mato Grosso do Sul.

Envenenamento da água

Outra denúncia investigada pelo MPF é a de uma ameaça de envenenar a água usada pela comunidade em retaliação ao resultado da eleição presidencial.

Em um áudio que foi atribuído a um funcionário da prefeitura de Tacuru, no extremo sul do estado, o homem diz ao interlocutor que os indígenas deveriam ser mortos por terem votado no candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Na gravação ele fala: “ponha (sic) veneno na água, (vamos) matar essas praga na água”.

Segundo o coordenador do departamento jurídico da Apib, Ricardo Terena, a água na região é difícil e as comunidades indígenas dependem de caminhões pipa. E após a divulgação dos áudios, muitos passaram a não consumir mais essa água. O MPF de Mato Grosso do Sul deu um prazo de 24 horas para que a prefeitura de Tacuru esclareça se os áudios são verdadeiros, quem é o autor das ameaças e quais medidas estão sendo tomadas.

© Arquivo/Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Indígenas do Mato Grosso do Sul denunciam casos de violência e ameaças após eleição
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