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Sindicato da Hotelaria do Sul protesta em hotéis de Lisboa no dia 2 de novembro

O Sindicato do Trabalho na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul vai realizar, no próximo dia 2 de novembro, uma ação de protesto “porta-a-porta” junto a vários hotéis de Lisboa para exigir aumentos salariais e o desbloqueio da contratação coletiva.

Em comunicado divulgado esta sexta-feira, 30 de outubro, o sindicato afeto à CGTP explicou que a iniciativa se insere numa campanha nacional da Federação dos Sindicatos da Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT) contra os baixos salários e pela negociação dos contratos coletivos.

A estrutura sindical denunciou que o setor da hotelaria continua marcado por “baixos salários, precariedade e perda de poder de compra”, apontando um contraste entre o crescimento do turismo e a degradação das condições de trabalho.

De acordo com o comunicado, o Contrato Coletivo de Trabalho (CCT) dos hotéis do Centro-Sul encontra-se “bloqueado desde 2004”, situação que o sindicato atribui à “reiterada indisponibilidade da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP)” para negociar a revisão do documento.

A ação de protesto vai consistir numa rota com concentrações junto às entradas de diversas unidades hoteleiras na zona da Avenida Fontes Pereira de Melo e áreas envolventes, com o intuito de alertar hóspedes e clientes para a situação laboral no setor e apelar à intervenção dos grupos hoteleiros junto da associação patronal.

As concentrações estão programadas para decorrer ao longo da manhã do dia 2 de novembro, entre as 08h30 e as 12h00, em estabelecimentos como o Evolution Lisboa Hotel, Sheraton Lisboa Hotel e Spa, America Diamond’s Hotel, HF Fenix Urban, Ibis Styles Lisboa Centro Marquês de Pombal, Sana Lisboa e Eurostars Lisboa Parque.

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Plano de estado dos anos 90 transformou a Coreia do Sul em uma superpotência pop com a regra de “apoiar sem interferir”

Imagina começar o dia cuidando da pele com uma máscara facial ao som de Blackpink, almoçar um saboroso bibimbap enquanto assiste a um filme de Bong Joon-ho e, à noite, fazer uma maratona da série de zumbis All of Us Are Dead acompanhada de frango frito picante e soju de morango.

Tudo isto é possível sem colocar os pés na Coreia do Sul. O movimento cultural conhecido como Hallyu, ou Onda Coreana, deixou de ser um nicho asiático para se transformar num autêntico terramoto pop global, conquistando milhões de fãs em todos os continentes e movimentando milhares de milhões de dólares.

Da indústria à potência cultural: a ascensão global da Coreia do Sul

O alcance desta expansão é impressionante e desafia qualquer barreira linguística. Músicas de grupos de K-pop como os BTS e as Twice conquistam rotineiramente o topo das tabelas nos Estados Unidos e no Reino Unido, enquanto produções como Squid Game batem recordes históricos de visualizações e o filme Parasite faz história ao vencer o Oscar de Melhor Filme.

O país, que há poucas décadas era reconhecido internacionalmente sobretudo pela sua indústria pesada, eletrónica e automóveis, reinventou a sua identidade e estabeleceu-se como uma superpotência criativa indispensável no cenário cultural contemporâneo.

O segredo do sucesso: apoiar sem interferir

Muitos analistas perguntam-se qual é a fórmula mágica por trás desta hegemonia, e a resposta reside numa combinação estratégica entre o dinamismo do setor privado e um apoio público inteligente. Desde o final dos anos 1990, com a presidência de Kim Dae-jung, o Estado sul-coreano passou a encarar a cultura como uma commodity de exportação, estabelecendo a diretriz de “apoiar sem interferir”.

Através de incentivos fiscais, linhas de crédito e investimento em escolas de artes e festivais renomados, como o Festival Internacional de Cinema de Busan, o governo financia as bases para que criadores e estúdios privados deem asas à sua imaginação com total liberdade artística.

Muito além do K-pop: a invasão da cosmética e da gastronomia

O impacto do Hallyu ultrapassou rapidamente as telas e os fones de ouvido, transformando hábitos de consumo em todo o planeta. A indústria da cosmética, o famoso K-beauty, atrai multidões aos bairros comerciais de Seul e caminha para movimentar mais de 18 mil milhões de dólares até 2030, graças ao uso de ingredientes naturais.

Ao mesmo tempo, a gastronomia sul-coreana ganha o mundo: o tradicional kimchi tornou-se um item indispensável nas prateleiras internacionais pelos seus benefícios para a saúde, o gochujang tem lugar de destaque nas cozinhas de grandes chefs e snacks como o corn dog e a bebida soju viraram tendências globais.

Um motor econômico mais valioso que carros e eletrodomésticos

Os números comprovam que a cultura se tornou uma das ferramentas econômicas mais poderosas da Coreia do Sul, superando os rendimentos de exportação de setores tradicionais como eletrodomésticos e veículos elétricos. Para ter uma ideia da magnitude deste impacto, estima-se que o grupo BTS sozinho seja responsável por gerar cerca de 3,67 mil milhões de dólares anuais para a economia do país através de consumo, turismo e exportações, sendo que o lançamento do single

Dynamite, por exemplo, criou quase 8 mil postos de trabalho.

Apesar dos holofotes, a indústria cultural sul-coreana também enfrenta desafios e debates sociais intensos. No passado, gestões governamentais conservadoras chegaram a criar “listas” para cortar financiamentos a artistas com posições políticas divergentes, incluindo diretores aclamados como Bong Joon-ho e Hwang Dong-hyuk. Além disso, o setor lida com controvérsias complexas sobre a saúde mental dos artistas, a pressão extrema na carreira, episódios de assédio e problemas estruturais revelados por escândalos nos bastidores da cultura pop.

O futuro multinacional e as lições para o mundo

A grande lição que o modelo sul-coreano deixa para o mundo é a sua capacidade contínua de inovação, resiliência e abertura global. O K-pop tornou-se uma operação verdadeiramente internacional, unindo compositores suecos, coreógrafos americanos e integrantes de diversas nacionalidades em grupos globais, ao mesmo tempo que desperta um interesse inédito pela aprendizagem da língua coreana em todo o mundo. Com a literatura sul-coreana a apontar como a próxima grande fronteira de sucesso internacional, a Coreia do Sul demonstra como a paixão pela narrativa e a valorização da cultura podem transformar uma nação numa referência global inabalável.

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Funai aciona PF e pede apuração de casos de ataques contra indígenas

Logo Agência Brasil

Indígenas do Mato Grosso do Sul seguem denunciando a escalada das ameaças e da violência contra suas comunidades após o encerramento do segundo turno das eleições presidenciais, no domingo (25).

Entre os ataques está o incêndio da casa da rezadeira de 90 anos Ñandesy Roberta, na aldeia Jaguapiré, em Tacuru, a cerca de 427 quilômetros de Campo Grande, na manhã de quinta-feira (29).

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De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o incêndio foi criminoso e, além da casa da idosa, destruiu instrumentos sagrados usados em rituais tradicionais do povo Kaiowá e Guarani, “representando uma grave violação não só aos direitos indígenas, mas também à liberdade religiosa”.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais nesta sexta-feira (30), Voninho Guarani Kaiowá, um dos coordenadores da Apib, afirma que os ataques e as ameaças contra as comunidades Guarani Kaiowá se intensificaram nos últimos dias.

“Repudiamos todos estes acontecimentos e cobramos de todas as autoridades [públicas] competentes que nos ajudem investigando as pessoas, para que os responsáveis sejam punidos na forma da lei”, disse Voninho.

Diante da gravidade dos relatos, o Ministério dos Povos Indígenas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informaram que acionaram a Polícia Federal (PF) e estão acompanhando as denúncias de violência e ameaça contra os Guarani Kaiowá.

Nesta quinta-feira, o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, anunciou a criação de uma força-tarefa interministerial para receber as denúncias de ataques e ameaças. 

“O Ministério da Justiça também requisitou, de todas as corregedorias estaduais e do Distrito Federal, todas as denúncias que estão chegando, para a gente centralizar aqui, no âmbito do governo federal”, declarou o ministro.

Envenenamento

A Apib afirma já ter contabilizado, em Mato Grosso do Sul, mais de 30 casos de violência contra povos indígenas relacionados ao processo eleitoral deste ano. 

Segundo Voninho, as ocorrências envolvem ataques, ameaças e atropelamentos que já resultaram em mortes

Um desses casos ocorreu em Tacuru, na noite de domingo (25).

Pouco após a divulgação do resultado do segundo turno da disputa presidencial, mensagens de áudio atribuindo ao voto indígena a vitória do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva começaram a circular nas redes sociais. Em uma delas, um homem não identificado sugere envenenar a água que abastece uma aldeia indígena da cidade.

“Cê tá doido, rapaz. [Nós - ou como] que ajuda essas praga. E essas praga do demônio. Mas fazer o quê, né? A gente não pode fazer nada. Já falei. Tinha que ponhar [sic] veneno na água”, diz o homem cujo nome não foi divulgado, mas que o prefeito Rogério Torquetti (PSDB) já confirmou ser um servidor público municipal.

Em um vídeo postado em seu perfil no Instagram, Torquetti se refere à repercussão pública ao áudio como um “assunto chato demais da conta” e diz que o autor da mensagem é um “excelente servidor” e destaca que, em nenhum momento, o homem mencionou os indígenas.

“O servidor diz que teria que pôr veneno na água e matar todo mundo, sem citar nenhum tipo de gente”, acrescentou o prefeito, explicando que, ainda assim, a prefeitura afastou temporariamente o servidor de suas funções e instaurou um processo administrativo disciplinar a fim de apurar a conduta do servidor.

Ainda de acordo com o prefeito, o autor da mensagem não trabalha no setor de abastecimento, nem dirige carros-pipas da prefeitura, conforme algumas postagens em redes sociais sugeriram.

Em outro áudio, um segundo servidor municipal ofende os indígenas por, segundo ele, terem votado no candidato petista. Em seguida, o homem, cuja identidade também não foi divulgada, passa a ameaçar um suposto interlocutor a quem chama de Índio. 

“Vou te dar um recado bem duro e bem claro. Cê sabe onde eu moro. Eu tô aqui em casa. Quer resolver na pancada, você pode vir aqui. Na pancada, na bala, do jeito que você quiser”, escreveu o servidor.

Apuração

Em nota, o Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) informou que, com base nas denúncias que a Apib encaminhou a órgãos federais, instaurou procedimentos para “apurar a veracidade das acusações” e garantir a proteção dos territórios indígenas.

O órgão, contudo, descartou a existência de crimes em ao menos um dos casos já apurados. 

Em Naviraí, a cerca de 350 quilômetros de Campo Grande, o procurador responsável pelo inquérito, Marco Antonio Delfino Rufino, concluiu que as denúncias de supostos homicídios por conflitos políticos não passavam de “boatos” e que imagens fora de contexto foram “falsamente associadas a um suposto ataque contra indígenas”.

Se em Naviraí o MPF deu por esclarecidas as denúncias, que classificou como desinformação, no caso de Tacuru o órgão estabeleceu um prazo de 48 horas para que a prefeitura preste informações sobre a atuação dos servidores municipais, recomendando a instauração de processo administrativo disciplinar e o afastamento cautelar dos envolvidos.

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Levantamento revela 878 municípios sob risco de inundações no Sul do Brasil

A ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) identificou 878 municípios com risco de inundações ou enxurradas na região Sul do Brasil. O número corresponde a 73,7% das 1.191 cidades dos três estados, segundo o Atlas de Risco a Inundações da região Sul, lançado nesta quarta-feira (28).

Do total de municípios classificados, 115 apresentam risco muito alto, 204 têm risco alto, 290 foram enquadrados na categoria média e 269, na baixa. Ao todo, 319 cidades estão nas duas faixas mais críticas, que representam mais de um quarto dos municípios da região.

O levantamento atualiza o Atlas de Vulnerabilidade a Inundações, publicado pela ANA em 2014, e reúne informações sobre a frequência dos eventos e os impactos em áreas urbanizadas próximas a rios. O objetivo é orientar políticas públicas, investimentos em prevenção e medidas para reduzir os danos provocados por desastres hidrológicos.

Santa Catarina tem maior proporção de municípios em risco

Santa Catarina apresenta a maior proporção de municípios com risco identificado. Das 295 cidades do estado, 266 (90,2%) foram classificadas em alguma das quatro categorias. Desse total, 55 têm risco muito alto, 79 alto, 77 médio e 55 baixo.

No Rio Grande do Sul, 346 dos 497 municípios (69,6%) apresentam risco de inundações ou enxurradas. São 43 cidades na categoria muito alta, 82 na alta, 108 na média e 113 na baixa. O estado concentra o maior número absoluto de municípios classificados com risco na região.

Já no Paraná, 266 dos 399 municípios (66,7%) foram incluídos no levantamento. Entre eles, 17 apresentam risco muito alto, 43 alto, 105 médio e 101 baixo.

Figura 23
Classificação final por estado da Região Sul • ANA

Bacias hidrográficas concentram áreas críticas

A análise por bacias hidrográficas aponta concentração de municípios nas categorias de risco alto e muito alto em diferentes áreas da região Sul.

As bacias litorâneas de Santa Catarina reúnem 95 municípios nessas duas faixas, enquanto as do Rio Grande do Sul somam 84. Também se destacam as bacias dos rios Uruguai, com 57 municípios classificados com risco alto ou muito alto, e Iguaçu, com 40. Em Santa Catarina, a bacia do Rio Itajaí concentra o maior número de municípios com risco muito alto, com 25 cidades nessa categoria, além de outras 18 com risco alto.

Segundo o Atlas, a exposição catarinense está relacionada à ocorrência recorrente de chuvas intensas, ao relevo acidentado e à ocupação urbana de fundos de vale e planícies fluviais. No estado, o risco se concentra principalmente no litoral e na bacia do Itajaí.

Figura 24
Número de municípios por classe de risco e UGRH na Região Sul • ANA

Histórico de desastres na região

O documento também apresenta um panorama das ocorrências registradas entre 1991 e 2024. Nesse período, a região Sul contabilizou 2.259 eventos de inundações e enxurradas com danos humanos, atrás apenas do Sudeste.

  • 1 de 8

    Ventos de até 100 km/h e possibilidade de queda de granizo • Jonathan passari

  • 2 de 8

    Resgate de idoso nas chuvas do RS • Jonathan passari

  • 3 de 8

    Possibilidade de granizo entre o oeste, centro e leste do estado • Jotta terraplanagem

  • 4 de 8

    Cenário de instabilidade está relacionado ao abaixamento da pressão • Jotta terraplanagem

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    Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu aviso vermelho de grande perigo • Jonathan passari

  • 6 de 8

    Idoso é resgatado de carro cercado pela água em Ciríaco • Jonathan passari

  • 7 de 8

    Fortes chuvas seguem causando alagamentos • Jonathan passari

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    Rua Francisco Oscar Karnal, no Centro de Lajeado, inundada.

Santa Catarina concentrou 1.089 registros, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 774, e pelo Paraná, com 396.

De acordo com os dados compilados no Atlas, os desastres afetaram 700 municípios da região e provocaram mais de 1,58 milhão de registros de pessoas desabrigadas ou desalojadas, além de 372 mortes.

Os impactos econômicos também foram expressivos. No período analisado, os danos materiais somaram R$ 17,36 bilhões. Os prejuízos públicos chegaram a R$ 4,68 bilhões, enquanto os privados totalizaram R$ 24,02 bilhões.

O levantamento destaca ainda as cheias extraordinárias que atingiram o Rio Grande do Sul em 2023 e 2024. Segundo o documento, o evento de maio de 2024 afetou 478 municípios gaúchos, deixou cerca de 226 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas e provocou 186 mortes confirmadas, além de 27 desaparecimentos.

Entendendo como o risco foi calculado

A classificação dos municípios considerou três métodos complementares: o cruzamento de áreas urbanizadas com manchas de inundação, a análise hidrológica de cheias e a avaliação qualitativa de registros históricos de desastres.

O estudo utilizou informações de estações fluviométricas, dados sobre pessoas desabrigadas e desalojadas e registros do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), referentes ao período de 1991 a 2024.

A classificação final corresponde à categoria mais elevada identificada entre os métodos aplicáveis a cada município. Os resultados também passaram por revisão e validação de órgãos estaduais.

A ANA ressalta que o Atlas tem caráter estratégico e regional e deve servir como referência para o planejamento e a priorização de investimentos. O documento não substitui estudos locais nem mapeamentos detalhados de áreas de risco necessários à gestão municipal.

Recomendações para prevenção

O Atlas apresenta medidas para subsidiar a redução dos riscos identificados, como a ampliação das redes de monitoramento hidrológico e dos sistemas de alerta, o aprimoramento dos registros de desastres e a elaboração de planos de contingência.

O documento também recomenda o mapeamento e o zoneamento de áreas suscetíveis a inundações, além de intervenções para proteger comunidades expostas.

A publicação considera que as mudanças climáticas tendem a alterar os padrões de precipitação e a aumentar a frequência e a intensidade de eventos extremos. Estudos citados pela agência reforçam a tendência de aumento da magnitude e da frequência de cheias e inundações na região Sul.

CNM: Super El Niño já afetou 6,9 milhões de pessoas no Brasil desde julho

 

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De pedrinha em pedrinha, coreano construiu mais de 80 pilhas de até 15 metros de altura; trabalho de 30 anos foi inspirado por “revelação divina”

Entre os picos gêmeos da montanha de Maisan, no oeste da Coreia do Sul, está escondido um templo decorado com mais de 80 pilhas de pedra. Algumas são menores, compostas por colunas únicas de rochas equilibradas que desafiam a ação dos ventos; outras têm mais de toneladas de pedras acumuladas e atingem alturas de até 15 metros.

Todas elas foram construídas por um único homem: o eremita coreano Lee Gap-Yong, que empilhou cada pedrinha ao longo de três décadas como parte de um ritual de reflexão e espiritualidade.

A história do templo de Tapsa

Preservado até hoje como ponto turístico pelos monges budistas da ordem Taego, o pequeno templo começou a ser construído em 1885. Um eremita solitário subiu a montanha de Maisan, no estado de Jeonbuk, para meditar no vale entre seus dois picos.

Na tradição budista, empilhar rochas é uma forma de meditação ativa. A construção dos chamados “pagodes” ou torres de pedra é uma forma de pedir boa sorte e exercitar o equilíbrio e atenção plena.

De acordo com o abade do templo, Jinseong, em entrevista de 2024 ao veículo Cheongpung News, “enquanto Lee Gap-yong empilhava cada pedra, ele rezava pela independência da nação e pela salvação do povo”. Para o monge, “os misteriosos pagodes construídos com pedras representam a cristalização dos desejos e da prática espiritual de inúmeras pessoas.”

Na época, o território coreano, ainda unificado, estava sob influência japonesa e também era visado pela China. Só na década de 1880 foi criada a Taegeukgi, a bandeira nacional coreana, para reafirmar a soberania do país.

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O trabalho do eremita começou quando tinha apenas 25 anos e estendeu-se até 1917, mais de três décadas depois. Estima-se que ele tenha construído acima de 100 torres de pedra, e cerca de 80 sobrevivem até hoje.

“A questão mais frequente sobre as torres é: como elas podem continuar preservadas, sem colapsar?”, contou o abade Jinseong. “É prova de que Lee Gap-Yong não as construiu só por fazer. Ele as construiu com consciência dos ângulos do vento, da direção na qual ele desce e onde ele se curva e sobe novamente. É uma ciência viva, uma torre que reflete por completo a providência da natureza.”

Como foram construídas as torres de pedra?

Segundo uma investigação do canal televisivo Channel News Asia, as torres começavam com uma base circular plana. Depois, novas pedras eram adicionadas dentro do círculo. O terceiro passo era equilibrar outras rochas por cima do círculo, formando uma pirâmide cônica.

A maioria das pedras era retirada da própria montanha e dos arredores, mas as rochas maiores foram trazidas de leitos de rios e outras regiões da Coreia. Entre elas, outras menores eram posicionadas para aumentar a estabilidade.

Nenhuma ferramenta ou argamassa foi utilizada para construir os pagodes. Diferente de outras torres de pedras comuns na tradição budista, o formato natural de cada peça era preservado, exigindo maior atenção ao equilíbrio e maior planejamento de encaixe.

17 de ago. de 2026
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O local só foi convertido em templo budista depois da conclusão do trabalho de Lee, que também se formou monge na velhice.

Tapsa está aberta à visitação, localizada dentro do Parque Provincial de Maisan. Nos arredores, trilhas repletas de natureza também atraem turistas. A primavera coreana, entre março e abril, é o momento mais propício para visitação: é quando florescem as famosas árvores cerejeiras, tingindo a paisagem de cor-de-rosa.

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Coreia do Sul promete resposta firme a violações da fronteira pelo Norte

A Coreia do Sul responderá com firmeza para proteger a fronteira militar com a Coreia do Norte, apesar das alegações de Pyongyang de que realiza operações em seu próprio lado da linha divisória, afirmou nesta sexta-feira (30) o assessor de segurança nacional sul-coreano, Wi Sung-lac.

As tensões aumentaram após a explosão de uma mina terrestre dentro da DMZ (Zona Desmilitarizada, em inglês), na fronteira entre os dois países, ferir gravemente vários soldados sul-coreanos durante uma missão de reconhecimento no mês passado. Seul afirmou que a explosão foi causada por uma mina norte-coreana.

O Comando das Nações Unidas, responsável por supervisionar a DMZ, afirmou que a presença de uma mina norte-coreana do outro lado da linha divisória violou o armistício. Seul exigiu que Pyongyang interrompa imediatamente os trabalhos de fortificação nas proximidades da fronteira entre as Coreias, alegando que as atividades elevaram as tensões.

Pyongyang negou responsabilidade pela mina. Kim Yo Jong, influente irmã do líder norte-coreano Kim Jong Un, afirmou em 21 de outubro que a Coreia do Norte ativará alto-falantes de propaganda contra a Coreia do Sul ao longo de toda a fronteira até o fim de outubro.

O serviço de inteligência sul-coreano afirmou na quinta-feira (29) que a Coreia do Norte ainda não havia iniciado nenhuma transmissão.

As duas Coreias já utilizaram esse tipo de transmissão como parte de campanhas de guerra psicológica.

Pyongyang critica exercícios militares entre Seul e Washington

O Ministério da Defesa da Coreia do Norte afirmou em comunicado divulgado nesta sexta-feira pela agência estatal KCNA que os exercícios de defesa aérea Freedom Flag, realizados em conjunto por Coreia do Sul e Estados Unidos, estão aumentando as tensões na Península Coreana.

“Não há limites para as opções da RPDC para manter uma postura de dissuasão forte, capaz de lidar de forma eficaz com todas as ameaças representadas pelas movimentações militares dos Estados Unidos e de suas forças subordinadas”, afirmou o porta-voz do ministério, usando a sigla do nome oficial da Coreia do Norte, República Popular Democrática da Coreia (RPDC).

As forças aéreas da Coreia do Sul e dos Estados Unidos realizam exercícios conjuntos de defesa aérea desde segunda-feira (26) na Base Aérea de Kunsan. As atividades estão previstas para terminar em 6 de novembro, segundo o Ministério da Defesa sul-coreano.

Os exercícios envolvem caças furtivos, incluindo os F-35A da Coreia do Sul e os F-35B supersônicos do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, informou o ministério.

Coreia do Norte realiza teste com torpedos que usam IA para detectar alvos

 

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Obra passa por avaliação para comprovar se é de Tarsila do Amaral no RS

Uma obra que faz parte do acervo do Museu de Arte José Pinto Bicca de Medeiros, localizado em Alegrete, na Fronteira Oeste do estado do Rio Grande do Sul, vai passar por uma análise para confirmar a autoria da artista modernista Tarsila do Amaral.  

O anúncio foi feito esta quinta-feira (29), pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, que fechou parceria com o perito Douglas Quintale para analisar gratuitamente a obra.  

O especialista é o único autorizado a emitir certificações relacionadas ao trabalho de Tarsila. Isso em vista que ele apresenta atribuições conferidas pelos legítimos representantes dos direitos patrimoniais e sucessórios relacionados ao legado da artista. 

Segundo a nota, o acordo com o especialista já havia sido feito durante uma reunião realizada na última segunda-feira (26).  

Esta obra que passará por análise, está incluída em uma ação civil pública ajuizada pelo MPRS em 11 de junho de 2026, que visa assegurar a proteção da pintura.  

O Museu de Arte José Pinto Bicca de Medeiros está fechado há dez anos, desde 2016, enquanto o imóvel e o acervo seguem sob responsabilidade de Alegrete.  

A decisão da promotora de Justiça destaca que, independentemente da confirmação, o caso “exige medidas cautelares para proteger o bem até que o especialista realize a avaliação”.  

A nota ressalta que a análise pericial feita pelo perito tem previsão de ser concluída ainda em 2026.  

*Sob supervisão de André Rigue.

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